Um mundo de cegos


 

Os cegos estão por toda parte. Não falo dos que estão sempre de óculos escuros, guiados por uma bengala e são impedidos de ver a luz do sol, de contemplar o azul do céu, de olhar no fundo dos olhos, e outras maravilhas que só a visão pode captar. Não me refiro a esses, que também são muitos.

Falo dos cegos que possuem total capacidade visual, mas não a usam com sabedoria. O cego que enxerga, mas não vê. Aquele que não vê o outro, não vê nada além de si mesmo. Ou, ao contrário, vê unicamente o outro, e se desagrada para agradar o outro, que se coloca em segunda opção, sempre.

Falo daquele cego que não vê o que pode dar certo, mas só o que pode dar errado. Que vê a oportunidade, mas não arrisca. Que fecha os olhos e não se move quando se depara com a dificuldade, os obstáculos.

O cego que se depara com o necessitado, o faminto, o estigmatizado e baixa os olhos, com medo ou repulsa. Aquele cego que, de tanto ver, já não vê mais nada, em decorrência de uma visão desgastada, calejada, que já não tem sensibilidade para o mundo a sua volta. Que não se impressiona e nem se deixa emocionar facilmente.

Aquele cego que é capaz de captar todas as maravilhas do mundo, mas não as admira, não as valoriza, não as sente. O cego de olho grande, que vive na busca incansável pelo dinheiro e possui a vista desfocada para o valor das pequenas coisas. O cego que vive uma vida na qual não se vê, na qual não se sente vivo.

O cego que vislumbra o futuro e corre feito um louco atrás dele, esquecendo-se que a única certeza é o agora. O cego que só vê a capa, a casca, a superfície e que, antes mesmo de ver a fundo, faz uma série de julgamentos infundados, os chamados pré-conceitos.

A lista é interminável, e eles estão em toda parte. E são eles que sofrem da pior cegueira, uma cegueira que nem cirurgia de córnea resolve. Uma cegueira que não exige bengala, mas que pode gerar muitos tombos no percurso. Uma cegueira que só a vida pode consertar.

E para aqueles que aqui se viram: Abram os olhos, enquanto há tempo.

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Reflexão

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 28 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Gosta de se jogar, e mergulhar nas intensidades da vida. Nas palavras, encontra uma forma de colocar pra fora seu olhar sobre a vida! Escreve sobre o que sente, o que vê, o que ouve ou o que der vontade.

9 Responses to Um mundo de cegos

  1. Joicy Sorciere

    Poxa, a Lu Santa Rita falou do que eu iria falar… hahahahahah… lembrei na hora do Ensaio sobre a cegueira!!

    Ótima postagem, querida!!!

    bjks http://umaseoutrasjoicy.blogspot.com.br

    • Renata Stuart

      hehehe,é verdade, Joicy! Eu só me dei conta da semelhança da metáfora do filme, depois que terminei o post…mas que bom que gostou! 🙂
      beijos

  2. Luciana Santa Rita

    Oi Rê,

    Tudo bem? Maravilha? lembrei de Ensaio a Cegueira de Saramago. Por outro, existem várias cegueiras, da alma, da mente, etc, mas a pior é a que limita os nossos olhos para o outro.

    Beijos.

    Lu

    • Renata Stuart

      Ei Lú! Tudo bem comigo e vc? Sabe que não me lembrei do filme para o post? Mas depois de pronto, pensei exatamente nisso! hehehe
      Obrigada pela visita, beijão !

  3. Luciana Souza

    Oi Renatinha
    Vc só tem 21 anos mesmo? Acho que é mentira (kkkkk). Os seus textos são tão maduros, acho que vou te apelidar de garota prodígia (acho que essa palavra nem existe). Que foto maravilhosa! Que texto maravilhoso. O pior cego é aquele que não quer ver! Muitas vezes está na nossa frente a resposta. Eu aprendi da pior maneira possível.
    Bjão e um ótimo feriado.

    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br/

    • Renata Stuart

      Lú, querida, obrigada pelo elogio…Fico honrada. Já me falaram que sou mais madura do que minha idade pressupõe mesmo e adorooo saber disso. rs
      Beijo grande!

  4. Flavio Ribeiro

    Ola,
    O verdadeiro cego é aquele que tem sua alma cega, que vive de extremos, fanatismos, adorações e não consegue enxergar, como dizem, a um palmo do nariz, só conseguem olhar para baixo na direção do próprio umbigo.

    Adorei o texto de hoje.

    Abraços Flávio.
    –> Blog Telinha Critica <–

    • Renata Stuart

      Oi, Flávio 🙂
      concordo, esse é um dos piores cegos! O cego de crítica, o cego de pensamentos… que cr~e em tudo que ouve..
      Obrigada pela sua visita!
      abraços!

    • Renata Stuart

      Olá, Flávio!!! A alma cega é, de fato, uma cegueira complicada de lidar..
      Obrigada pela visita ! 🙂
      beijo !

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