» textos de amor

A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

sorriso

Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

Quando a princesa cai da carruagem …

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 2 Comments

Aconteceu. Eu achei que esse dia não chegaria, mas, sim, finalmente, ele chegou. Eu amanheci mais disposta do que havia me deitado, mais leve, mais presente, mais ‘eu’ e menos ‘zumbi’. Era como se as lágrimas que derramei no travesseiro até pegar no sono tivessem sido os seus últimos vestígios dizendo adeus. Sim. Quando me olhei no espelho, percebi: Você não era mais parte de mim. Eu havia aprendido a andar de bicicleta novamente, sem rodinhas, sem você.

Então não era mentira quando todos me diziam que isso ia passar. Não eram palavras vazias quando me disseram que eu iria te esquecer e que você era só uma das centenas de decepções que eu teria na vida. Achei esses consolos tão inúteis e óbvios, mas eu estava ali, diante do fato se concretizando, e me redimindo. Sim, era tudo verdade. Passou. E, acredite, esse texto não é uma tentativa de chamar sua atenção. Aliás, eu nem espero que você o leia.

Como eu me sinto boba pelas vezes que disse que não saberia viver sem você. É claro que sei. Eu sempre respirei normalmente antes de te conhecer e, agora, olha eu aqui de novo, de pé, inteirinha, aliás, nunca estive tão viva, tão próxima de mim mesma. Você ofuscava a minha visão, você era tão dominante na minha vida que acabei não dando a atenção necessária a mim mesma, aos meus gostos, aos meus interesses, aos meus desejos, aos meus prazeres. Você consumia muito de mim. Não te culpo. Na verdade, eu é que estou aprendendo a me amar agora.

Mas quer saber? Apesar de me achar uma ingênua, também me sinto madura, pois começo a perceber que a vida tem disso mesmo e, sim, se decepcionar faz parte da nossa existência. Faz parte esperar das pessoas mais do que elas podem nos dar, faz parte depositar confiança em excesso em quem não merece, faz parte não ser o que as pessoas querem que sejamos, faz parte ouvir e fazer promessas que nem sempre ou quase nunca são cumpridas. Palavras parecem fortes e intensas no momento em que são ditas, mas se esvaem com uma facilidade grotesca.

Estou muito bem, é bom que você saiba. Mas devo dizer que também não sou tão dura assim. Senti vontade de te ligar na semana passada, quando fui aprovada naquele concurso para o qual eu abri mão de estar com você muitas vezes para estudar. Em um final de semana desses, eu estava cansada e não tive vontade de sair e devo assumir que, por um instante, senti saudade de nossas noites de sábado em casa, com uma janta simples, um edredom e um filme.  Sabe como é, sexta-feira passada senti falta de receber aquela sua ligação após o trabalho. “E então, o que temos para hoje?”. Era bom ter uma companhia segura, que eu sabia que me acompanharia até nos piores eventos ou, melhor, que tinha o dom de transformar um evento ruim em algo único.

Mas sabe, esses relapsos já estão indo embora. Acho que eu sinto falta mesmo é de ser especial para alguém, só isso. A qualquer momento, outro vai vir e vai ocupar o lugar que um dia fora seu. O seu retrato na minha cabeceira será substituído e, adivinhe, eu vou amar de novo. Pois é, funciona assim. Os relacionamentos são voláteis e, às vezes, o amor também tem prazo de validade. Cética, eu? Nada, meu bem. Só estou aprendendo a viver.

Por Renata Stuart

Quando a paixão faz as malas…

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 14 Comments

Tenho que confessar. Hoje, depois de anos ao seu lado, descobri que não sou mais apaixonada por você. Me dei conta disso em uma conversa descontraída com meu primo. Eu, intrusa como sou, perguntava como andava o namoro dele, se ele estava apaixonado pela moça e tudo mais. Ele, de forma crua e objetiva, disse: “Apaixonado não, acho esse sentimento muito forte para definir o que sinto”. Eu, boquiaberta, questionei: “Mas como você namora alguém sem estar apaixonado?” E ele, curiosamente me retrucou perguntando se eu era apaixonada por você.  Fui pega de surpresa. Dei uma pausa meio pensativa – pausa que nem eu mesma entendi – e soltei: Já fui.

Acho que a paixão surge inevitavelmente no início de um relacionamento a dois. Quando a relação ainda é 0km, repleta de expectativas e novidades. Quando a gente não sabe o que o futuro nos reserva mas, ainda assim, quer se entregar e correr todos os riscos. Quando a emoção fala mais alto, sempre. Paixão pressupõe loucura, insensatez, patologia, irracionalidade.

E ela chega sozinha, despretensiosa, inocente, sem juízo, nem sequer imagina que pode vir a se tornar amor. Com um tempo, a casa vai ficando familiar, o cantinho se aquece, as coisas se ajeitam, se assumem e se revelam. O amor chegou. Até certo tempo, a paixão e o amor até caminham de mãos dadas, construindo cada pedaço da história, intercalando e equilibrando a intensidade da paixão com a calmaria do amor. E assim vai. Até que o tempo passa e chega a hora de cada um seguir seu rumo.  A paixão faz as malas e o amor fica.

O amor é mais sensato. Seguro, estável, mais inteiro, mais concreto. Amor pressupõe reserva, promessa. Cada um já tem um lugar reservado dentro do coração do outro e ponto.  Não há segredos, não há mistérios. Todas as perguntas já foram respondidas. Não há conquista, não há sedução, todos os sentimentos já foram declarados. Não há mais fantasia, nem ilusão, pelo contrário. Há uma boa dose de realidade, de rotinas, de obstáculos, de aprendizado, de paciência e de maturidade.

Em resumo, é o que dizem: a diferença entre estar apaixonado e amar é a mesma diferença entre por enquanto e para sempre. Não que o amor seja sempre eterno – sou romântica, mas também realista – às vezes o amor se vai, e os motivos – inúmeros e complexos – nem me atrevo a tentar listá-los.  Mas o que eu quero dizer é simples: é preciso encarar que amor e paixão fazem parte de fases diferentes, podem até coexistir em certos momentos isolados – aliás, isso é fundamental – mas um deles sempre vai prevalecer. E acredite, com o passar do tempo, o amor prevalece.

Portanto, não fique triste. Eu disse que não sou mais apaixonada por você. Mas, psiu: ainda te amo.

 

Por Renata Stuart