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A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

sorriso

Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

Porque envelhecer é viver …

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 2 Comments

É o meu aniversário. Sim, não me importo em anunciar: Estou ficando mais velha hoje. Aliás, não só hoje, todos os dias, fico um pouco mais velha. Sim, essa é uma das poucas certezas que temos nessa vida. Todos (os que têm sorte), com o passar dos minutos, horas, dias, semanas, meses, envelhecem. Acontece que apenas nos anos é que a gente se lembra de celebrar isso.

E tudo ocorre de forma sutil, a gente quase nem sente num período de curto prazo. Vamos apenas vivendo e quando nos damos conta: Os anos se passaram. E, então, as marcas do tempo começam a falar. Não falo apenas de rugas ou cabelos brancos, falo das cores, gostos, sentimentos e sensações que ficam para trás, dando lugar a outros, nem melhores, nem piores, mas diferentes. O calendário da vida passa pra todos. Disso, não há como fugir.

Mas, calma, não quero fazer um texto dramático sobre “como-o-tempo-voa” ou “a-idade-chega-para-todos”. Nada disso. Pode continuar ai. Hoje, eu quero brindar a vida. Sim, acho justo! Afinal, há exatamente 22 anos, eu nasci. Num mês frio, durante a madrugada, num parto meio turbulento – sim, pois minha mãe visitou vááários hospitais naquela noite em busca de um médico obstetra – eu vim ao mundo. E, já que estou aqui de passagem, por que não comemorar essa deliciosa viagem que é a vida?

Não entendo bem porque as pessoas têm tanta neura com idade. Envelhecer é algo inerente ao ser humano. Estar velho ainda é estar vivo. Acho que isso deveria ser encarado como só mais uma fase – natural e especial – da vida. Afinal, não é só você que está ficando velho, mas todos da sua geração. E é hora de viver isso juntos, encarar a situação de frente, assumir o tempo de cabeça erguida. Bom, não serei hipócrita. Sinto saudades da minha infância, dos meus quinze anos e sei que, um dia, vou sentir saudade dos 22.  E quando penso que estou próxima dos 30, então?! Sinto um friozinho na barriga como que um misto de tristeza e ansiedade. Tristeza porque sei que terei deixado para trás uma época memorável. A universidade, os amores mal resolvidos, aquela dose de irresponsabilidade, o namoro, as primeiras conquistas, e a famosa “época de arriscar”. Tudo isso vai passar, eu sei. E ansiedade porque sei que há uma outra fase única me aguardando.

Mas é assim que tem que ser. São essas velinhas que sopramos ao longo da vida que nos acrescentam algo como pessoa. São os momentos vividos, experiências adquiridas e escolhas feitas que dão o peso necessário à nossa bagagem. Tenho que prosseguir. E, se para correr atrás dos meus sonhos ainda não alcançados, terei que continuar envelhecendo, que venha o tempo, e que venham muitas velas para eu soprar, pois meus anseios são muitos e tenho planos para um século. Já dizia minha bisavó: “Quem não quer ficar velho, tem que morrer novo”.

É por isso que, hoje, eu só quero sorrir para a vida. Sorrir para todos a minha volta e para mim mesma. Sorrir como alguém que não tem a vida perfeita, mas como alguém que é feliz com o que tem e com o que se tornou. Sorrir como quem é grata pela família inigualável, pelo lar, pelos amigos verdadeiros e pelo amor companheiro. Sorrir pelos abraços, beijos e palavras sinceras. Sorrir pela saúde, pela determinação, pela esperança. Sorrir pelo maior presente que eu podia receber: estar viva!

 

Por Renata Stuart

Quando a paixão faz as malas…

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 14 Comments

Tenho que confessar. Hoje, depois de anos ao seu lado, descobri que não sou mais apaixonada por você. Me dei conta disso em uma conversa descontraída com meu primo. Eu, intrusa como sou, perguntava como andava o namoro dele, se ele estava apaixonado pela moça e tudo mais. Ele, de forma crua e objetiva, disse: “Apaixonado não, acho esse sentimento muito forte para definir o que sinto”. Eu, boquiaberta, questionei: “Mas como você namora alguém sem estar apaixonado?” E ele, curiosamente me retrucou perguntando se eu era apaixonada por você.  Fui pega de surpresa. Dei uma pausa meio pensativa – pausa que nem eu mesma entendi – e soltei: Já fui.

Acho que a paixão surge inevitavelmente no início de um relacionamento a dois. Quando a relação ainda é 0km, repleta de expectativas e novidades. Quando a gente não sabe o que o futuro nos reserva mas, ainda assim, quer se entregar e correr todos os riscos. Quando a emoção fala mais alto, sempre. Paixão pressupõe loucura, insensatez, patologia, irracionalidade.

E ela chega sozinha, despretensiosa, inocente, sem juízo, nem sequer imagina que pode vir a se tornar amor. Com um tempo, a casa vai ficando familiar, o cantinho se aquece, as coisas se ajeitam, se assumem e se revelam. O amor chegou. Até certo tempo, a paixão e o amor até caminham de mãos dadas, construindo cada pedaço da história, intercalando e equilibrando a intensidade da paixão com a calmaria do amor. E assim vai. Até que o tempo passa e chega a hora de cada um seguir seu rumo.  A paixão faz as malas e o amor fica.

O amor é mais sensato. Seguro, estável, mais inteiro, mais concreto. Amor pressupõe reserva, promessa. Cada um já tem um lugar reservado dentro do coração do outro e ponto.  Não há segredos, não há mistérios. Todas as perguntas já foram respondidas. Não há conquista, não há sedução, todos os sentimentos já foram declarados. Não há mais fantasia, nem ilusão, pelo contrário. Há uma boa dose de realidade, de rotinas, de obstáculos, de aprendizado, de paciência e de maturidade.

Em resumo, é o que dizem: a diferença entre estar apaixonado e amar é a mesma diferença entre por enquanto e para sempre. Não que o amor seja sempre eterno – sou romântica, mas também realista – às vezes o amor se vai, e os motivos – inúmeros e complexos – nem me atrevo a tentar listá-los.  Mas o que eu quero dizer é simples: é preciso encarar que amor e paixão fazem parte de fases diferentes, podem até coexistir em certos momentos isolados – aliás, isso é fundamental – mas um deles sempre vai prevalecer. E acredite, com o passar do tempo, o amor prevalece.

Portanto, não fique triste. Eu disse que não sou mais apaixonada por você. Mas, psiu: ainda te amo.

 

Por Renata Stuart

Lembranças que remexem o estômago

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 2 Comments

Ei, você se lembra? Senta aqui e me diga: do que você se lembra mais? São tantas coisas, né, eu sei, fica difícil calcular. Mas será que você se lembra de todas as pessoas que já passaram por sua vida? Aquelas que, ainda que por pouco tempo, deixaram marcas profundas ou aquelas que simplesmente passaram como quem cruza uma esquina?

E daquelas que só apareceram para lhe causar dor, que te prometeram o mundo, que juraram sempre estar ao seu lado e, quando você mais precisou – PUFT – desapareceram num passe de mágica. Eu sei, essas você preferia esquecer…

E as palavras ditas, você se recorda? Aquelas que tinham o poder de colorir seu dia ou até mesmo te desmoronar e, hoje, já não têm valor algum? É, temos que admitir, tudo muda. A interferência do tempo é algo inacreditável. As palavras se esvaem, as pessoas se reinventam, os amores mudam e renascem em novos corações, vão e vêm.

As promessas nem sempre são cumpridas e os planos nem sempre concretizados, porque no meio do caminho, você também muda, e seus sonhos, e suas verdades, seus gostos, suas escolhas.Tem coisas que se vão, que as circunstâncias levam, e que o vento não traz de volta, e ponto. É preciso aceitar, ainda que seja uma tarefa árdua, que tudo um dia se vai. Mas o que é verdadeiro realmente fica, ainda que apenas em nossa mente, nosso coração, nossa alma, mas, de alguma forma, fica.

E, acredite, isto não é um conselho de livro de auto-ajuda, mas têm coisas que mudam para o nosso próprio bem, cedo ou tarde, a gente descobre isso. Às vezes, não estamos perdendo algo, mas sim nos livrando de algo. Certas portas são fechadas para que novas possam ser abertas, certas pessoas se vão, para que novas possam entrar. E a lágrima costuma ser uma maneira de limpar o território para os sorrisos que estão por vir.

Viver é lembrar e, ao mesmo tempo, aprender a esquecer. Não digo esquecer como quem faz uma lavagem cerebral na memória e seleciona o que se quer deletar. Não, não falo disso. Mas falo de superação, de cabeça erguida, do famoso “bola pra frente”.

E essas lembranças, que tanto remexem nosso estômago, não podem ser deletadas, elas sempre vão estar ali, em off, subentendidas, adormecidas. Mas também são elas que nos ensinam a ser mais fortes, mais atentos, mais maduros, mais imperfeitos, mais reais, mais humanos.

As lembranças do ontem estão estampadas no que somos hoje. Elas trazem não só saudade, mas dor, medo, culpa, ausência, perturbação, nostalgia. E servem para nos lembrar – como o nome sugere – de algo que foi verdade um dia.

E é essa noção de verdade que nos faz valorizar o que a vida tem de melhor, tirando de cada sofrimento, de cada tombo, de cada joelho ralado, de cada decepção, de cada lembrança, um aprendizado.

Como dizem mesmo?  Recordar é viver.

Por Renata Stuart

Parei pra falar sobre o tempo

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Ando me assustando muito com o tempo. A semana começa preguiçosa, parecendo que será arrastada e, quando menos espero, a sexta-feira se esbarra em mim. O dia parece que será longo e produtivo, mas nem metades das tarefas são concluídas. O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso. Tentamos controlá-lo com nossas medidas, nossos calendários, nossos relógios, mas é inevitável.

O tempo nos fala o tempo todo. Não só através do tic-tac latejante dos relógios, mas através das fotos, do espelho, da maturidade, das responsabilidades que se fazem cada vez mais presentes. O tempo é o cansaço exposto nas olheiras, é o surgir das rugas, é o escurecer e o amanhecer. O tempo é a juventude dizendo adeus, é a experiência pedindo passagem, é o futuro dizendo “cheguei”.

O tempo é movimento. É aquele ardiloso que se vai, mas deixa, lá no fundo, um desejo surreal de ser criança novamente. Uma nostalgia gostosa da simplicidade, da inocência, da esperança inabalável, dos sonhos tolos e da ausência de responsabilidades. O tempo é um vento que passa despercebido, de forma inconsequente, levando nossos dias, nossa juventude, nossas coisas, e ‘nossas pessoas’, (que na verdade não são nossas). Somente os sentimentos fortes, que de tão desesperados, se seguram nas árvores e resistem a ele.

Mas o tempo é o único que nos dá a oportunidade de tentar de novo, de fazer de novo e melhor. É o único que nos dá a chance de recomeçar. É o tempo que faz todas as nossas ilusões caírem por terra, é ele quem pega aquilo que, antes, nos abalava e converte em coisas que, hoje, não nos dizem absolutamente nada.

É o tempo que faz o medo encontrar a coragem no meio do caminho. É o tempo que tem a incrível capacidade de converter mágoa em perdão, é o tempo que nos reinventa, nos incrementa e melhora a nossa visão. Sim, melhora, pois chega um momento em que a gente vê a vida por outro ângulo, com mais nitidez.

A gente se dá conta de que as nossas escolhas, até as mais simples, determinaram o rumo que tomamos. E a gente compreende que a vida é o resultado da bagagem que carregamos dentro de nós. Tudo passa a fazer sentido.

O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso, eu já disse isso no início. Mas podemos e devemos eternizá-lo à nossa maneira. Eternizar o tempo, a meu ver, é deixá-lo registrado com a satisfação, o prazer e não com o arrependimento, não com o gosto amargo de uma vida sem intensidade. Eternizar o tempo é viver fazendo o que se gosta, estando com quem se gosta e sendo como quem a gente gosta de ser. Um dia de cada vez.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Mário Quintana

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O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

 

Mário Quintana

Em busca do ontem

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Você pode voltar a Paris, porque deu saudade. Pode voltar para casa depois de um dia cansativo, pode voltar à sua cidade natal só para viver um momento nostálgico. Pode voltar a um restaurante, porque curtiu o tempero ou o modo como foi atendido. Só não se pode voltar ao ontem. O ontem é página virada. É assunto encerrado. É o tempo dissolvido em meras lembranças.

O ontem é a palavra grosseira que saiu na hora da raiva, por impulso. É a palavra amorosa que não saiu por orgulho, afinal você imaginava que teria outras chances de proferi-la. É a quantidade de dias que você perdeu não estando ao lado de quem ama por soberba, por medo de dar o braço a torcer, e dizer: “Ei, você me faz falta”.

O ontem é a mentira, a chance de dizer a verdade, que foi perdida. É o perdão negado. É o descaso, é uma amizade que perdemos sem perceber. É a juventude que se foi tão rapidamente. É a atitude reprimida. É a coragem que você se esqueceu de usar, quando mais precisou.

É o beijo dado sem ênfase. É o sorriso guardado. É a traição cometida. É a fidelidade ferida e o respeito invalidado. Não há volta. É a história construída em anos e destruída em instantes.

O ontem fica logo ali, há um segundo, quando você leu o parágrafo de cima. Mas é irreversível. Não retornável. Não é possível pegar o próximo táxi e dizer: “Por favor, me leve no ano de 2006, mais especificamente no dia 25 de setembro, tenho uns assuntos pendentes por lá”. Não. O único local que está ao nosso alcance é o HOJE. E é nele que temos a chance de fazer o novo, de novo, e melhor.

Apesar de não existir uma borracha que apague as cicatrizes do ontem, o AQUI e o AGORA é a única chance que nos resta de não repetir os erros do passado. Valorizar mais, demonstrar mais, ser mais leal, mais ousado, menos covarde, mais humilde, menos orgulhoso.

Faça o que tiver que fazer, mas faça agora, pois, até onde eu sei, ainda não inventaram a máquina do tempo.

Vida Cronometrada

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Revirando arquivos antigos do computador, achei a crônica abaixo, que foi feita para um trabalho de faculdade, em 2010, no 1º período, com a participação de mais duas colegas, Marcela Soares e Paloma Melo. =] É um relato de um jovem dos dias de hoje que resume como funciona o tempo na lógica do capitalismo. Achei legal compartilhar isso com vocês. É grandinha, mas acho que a leitura vale a pena. Boa semana!

Nasci em uma grande cidade, onde o fluxo de pessoas nas ruas é constante. Quando pequeno, sempre via minha mãe saindo para trabalhar, e, chorando, eu me perguntava: Por que ela tem que ir? Meu pai acordava às 5h da manhã para trabalhar e eu me perguntava a mesma coisa. Quando comecei a estudar, me perguntava: por que eu tenho que ir para a escola?

E, no decorrer do tempo, percebi que todas as nossas ações giram em torno de um mesmo objetivo: estudar para conseguir emprego, conseguir emprego para adquirir dinheiro e adquirir dinheiro para adquirir bens.

Todos os dias eu acordo às 6h00, me organizo e calculo o tempo exato que vou gastar até me deslocar ao trabalho. Às 6h15, termino meu banho o qual eu gostaria muito de prolongar e, às 6h30, acabo de tomar meu corrido café da manhã e corro para o ponto de ônibus, quase sempre mastigando alguma coisa.

No ônibus, é sempre tudo igual, encontro com as mesmas pessoas, as que dão sorte de conseguirem um assento vão cochilando e eu, como sempre, estou de pé. Às 7h30, chego ao escritório onde trabalho e meu chefe me espera com uma pilha enorme de papéis e, então, tenho que fazer em um dia de trabalho o que qualquer simples mortal faria em três.

Depois dessa longa manhã, é chegada a hora de almoçar. Durante o almoço, faço 1.357 coisas, inúmeras ligações, mando e-mails, resolvo exercícios da faculdade e etc. Quando menos espero, já são 13h e volto para o escritório onde fico até as 17h30.

Em seguida, às 17h45, mais precisamente, entro em um ônibus e, às 18h15, chego ao metrô. Nesse intervalo de tempo, vou pensando em várias coisas, inclusive em como farei para pagar a faculdade nesse semestre, em arrumar outro emprego, em comprar um carro para não precisar fazer esse percurso tão cansativo! Daí me lembro que carro também requer dinheiro para bancá-lo, logo, não posso, de forma alguma, parar de trabalhar para me dedicar inteiramente aos estudos e obter notas melhores. Vou levando como dá.

Enfim, às 18h45 chego na faculdade… Todos indo em direção a sala de aula, os alunos da tarde saindo, ônibus parando, vans estacionando.

Então, vou rapidamente à cantina lanchar, e, lá, todos estão sempre reclamando do cansaço e da falta de tempo. Exatamente às 19h00 começa a aula e me esforço ao máximo para entender tudo para não ter que estudar novamente em casa, afinal, não tenho tempo para isso.  Às 20h40, é a hora do intervalo e aproveito para ir adiantando alguns trabalhos.  Finalmente, às 22h30, saio da faculdade às pressas para não perder a van, onde não converso com ninguém, pois vou cochilando o caminho todo.

Chego em casa às 23:15 e vou ao quarto de meus pais desligar a TV, pois eles já estão dormindo. Sinto falta da época que passava mais tempo com meus pais, mas eu não tenho outra escolha. Se realmente quero ser alguém no futuro e dar uma vida digna a minha família, tenho que abrir mão de algumas coisas. Inclusive deles. Então, Tomo meu banho e esquento o jantar que minha mãe preparou provavelmente umas três horas antes.

Penso em pegar um livro de minha preferência para ler antes de dormir, mas me lembro que tenho inúmeros trabalhos de faculdade para adiantar ou provas para estudar. Assim, faço isso resistindo ao sono até 02h00, quando, finalmente, vou me deitar. Ufa, acho que só respiro porque isso não gasta tempo. É impressionante como, nesse momento, a cama parece ser o melhor lugar do mundo!

Mas, ainda hoje, depois de crescido, entendendo que somos movidos e cronometrados pela lógica do capitalismo, chego à conclusão que não obtive a resposta da pergunta que eu sempre me fazia quando criança: Para quê? Por que tenho que ir? Por que temos que levantar cedo, abrir mão de nossas vontades e buscar incessantemente esse tal “pedaço de papel” que é o dinheiro? Será que vale a pena? Será que isso é mais importante do que chegar a tempo de jantar com minha família, que a cada dia parece mais afastada? Não sei como responder. Mas, quando olho para o relógio, e lembro que, em cerca de quatro horas, estarei de pé novamente, vejo que pensar também demanda tempo, então, fecho os olhos.

Palavra do dia – Ana Luíza Leite

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Hoje a palavra do dia é de uma pessoa muito especial para mim. A minha afilhada querida, Ana Luíza. Ela me mandou esse texto e eu não podia deixar de compartilhá-lo com vocês. Fiz apenas alguns ajustes pequenos, acrescentei pouquinha coisa, mas o corpo do texto é todo dela. Ela transmitiu lindamente o medo do AMANHÃ não chegar e a urgência em viver o HOJE. Parabéns, Aninha. Amei.

“E se não houver o amanhã?”


Sabe, eu que costumava deixar tudo para amanhã, resolvi que, hoje, diria o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã uma pergunta ressoava na acústica de minha cabeça: “E se não houver amanhã?”. E os planos pra minha vida? E as pessoas que amo? Como seria? Para onde iriam todas as palavras que eu não disse e todas as coisas que não fiz? Ás vezes, deixamos muitas coisas pra depois, pra amanhã…mais tarde. Pensamos que as coisas podem nos esperar, mas, às vezes, elas se esvaem sem sequer deixar um bilhete de despedida. Tudo tem seu tempo, sim, não podemos tentar prever o amanhã. Mas, em cada brecha que o tempo lhe der, aproveite cada segundo. Diga que ama, viva, sorria, brinque, divirta-se com quem você ama.Então, deite-se mais um pouco com quem está ao seu lado, escute suas idéias, dê mais atenção a suas lamúrias, observe seus gestos mais singelos, decore o tom da sua voz, seu jeito de andar, de comer, de abraçar e te olhar. Hoje, observe seu olhar, descubra seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e se esforce para realizá-los.. Se não puder, ao menos saberá que tentou. Dê mais importância a quem está em sua volta. Dê mais valor às pessoas. Não minta para elas. A verdade às vezes dói, mas nenhuma ferida é mais funda do que a da mentira. Confie mais. Até que a vida lhe prove o contrário. Sorria quando sentir que deve sorrir. Evolua. Ultrapasse seus limites, diariamente, como se o amanhã não fosse chegar. Hoje, seja quem você é. Aproveite, vida você só  tem uma. Então: Pense. “E se não houver amanhã?”. Viva hoje. A vida se faz boa, intensa e verdadeira quando você não a planeja.