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A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

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Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

Uma crônica em dez minutos

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

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Me propus a fazer um texto – que nem sei se posso chamar de crônica – em apenas dez minutos. É exatamente o tempo que eu tenho antes de ter que tomar o banho e seguir para os afazeres do dia. Sobre o que falar em dez minutos? Tudo é tão complexo, tão difícil de resumir, a vida é tão extensa e, ao mesmo tempo, tão breve. Agora mesmo, li uma frase – dessas que o povo compartilha no facebook – que ficou pipocando em minha mente. É tanta informação inútil compartilhada nas redes sociais que quando uma nos chama atenção entre tantas é porque foi realmente merecido. Essa me chamou. E dizia, em inglês, “Algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham.” Num primeiro instante, fala sobre a chuva, óbvio. Mas a metáfora inserida nessa frase é de uma sabedoria sem tamanho. Uma verdadeira metáfora sobre a vida. Algumas pessoas trabalham com prazer, outras apenas trabalham. Algumas pessoas vivem de corpo e alma, outras apenas vivem. Algumas pessoas se doam e conquistam amigos para vida toda, algumas se fecham tanto que se tornam apenas “amigos”. Algumas pessoas dão sorrisos abertos sem um motivo aparente, outras apenas sorriem socialmente. Algumas pessoas vivem 24horas ativas em prol de se sentir bem e contagiar quem está por perto, algumas simplesmente deixam o dia passar, no piloto automático….Algumas pessoas correm atrás  de soluções, de mudanças, outras apenas sabem fazer reclamações. Algumas pessoas vivem diariamente em busca de realizar os próprios sonhos, outras simplesmente sonham. Algumas pessoas se revoltam com a vida de vez em quando e choram litros, outras não choram, não se expressam e “engolem” os impulsos da vida. Algumas pessoas confiam inteiramente ainda que isso seja arriscado nos dias de hoje, outras vivem com o pé atrás, com desconfiança até da própria sombra. Enfim, eu poderia ficar aqui até amanhã fazendo essa brincadeirinha…Mas e você? Tem sentido a chuva ou apenas se deixado molhar?

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Martha Medeiros

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 2 Comments

Trago hoje uma crônica da minha cronista preferida: Martha Medeiros. Essa eu li no livro ‘Doidas e Santas”, que por sinal é maravilhoso. A obra é uma mistura de informação, reflexão, humor, sentimento e devaneios. Amei!

Os Ricos Pobres

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Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava um milhão de reais por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como uma pessoa pobre.
Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro, mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro, mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, museus ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.

Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva.

Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira. O que temos aqui, em maior número, é o grupo que Olivetto não mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.

E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.
Exemplos? Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública.O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial.

Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só tem dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem a programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha pra eles, pelo amor de Deus.

O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os rico-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são aqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver, mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante.

É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube, e recurso não é só money: é atitude e informação.

Por Martha Medeiros

Prazer, reflexão e direção.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

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Mais um dia comum se iniciava. A manhã passou voando e ela, como sempre, não teve tempo de resolver todas as coisas que tinha em mente. Estava mais uma vez almoçando às pressas para ir para o trabalho. Escovou os dentes, jogou uma fruta dentro da bolsa e pegou as chaves, da casa e do carro. Joga a bolsa no banco do passageiro, se ajeita, coloca o cinto, fecha os vidros e liga o som. Parece bobagem, mas o simples percurso da casa ao trabalho era para ela um lazer. Como amava dirigir. Ali dentro era sua bolha, seu lugar de “repouso” em movimento, seu canto de reflexão, mas sem perder a concentração. Com seu CD favorito tocando, ela esquece da vida.  Um momento dela e dela mesmo, hora sagrada. No meio da multidão no trânsito e, ao mesmo, tempo, sozinha, isolada, reservada por trás dos vidros fechados do carro. Enquanto espera o sinal ficar verde, passa o batom e, se der tempo, o lápis de olho. Se não der, ela espera pelo próximo. Às vezes, desliga o ar condicionado, abaixo os vidros e deixa o vento bater em seu cabelo solto. Piegas, sim, mas aquela sensação de liberdade era a melhor coisa do dia para ela… A liberdade de poder ir e vir. O dia podia ser um tédio, mil problemas para serem resolvidos, mas, durante o volante, quem comandava era a paz de espírito, a harmonia interior. As pessoas deviam pensar, que menina boba, tudo isso porque está dirigindo? Todo mundo dirige e não ficam mais felizes por isso.Mas ela não dirigia só por necessidade de locomoção, também dirigia por prazer. Talvez porque seu signo lhe impunha uma certa vontade de comandar, de liderar, de se sentir independente…Na verdade, não estava comandando nada, apenas o próprio caminho, e isso lhe bastava.  Nem o trânsito intenso e os “motoristas de domingo”, sem educação e desprovidos de respeito, tiravam esse momento dela.  Tudo bem, ela também não era  assim tão boa samaritana ao volante, de vez em quando se irritava com algum indivíduo imprudente que ultrapassava sem dar seta, ou um motoqueiro com poder de invisibilidade que surge cortando pela direita.Às vezes soltava um palavrão para si mesma e resmungava, mas depois ria sozinha, imaginando como a pressa parece ser a única coisa que move todos … Pensando, romanticamente, que as pessoas deviam ser movidas pelo amor, pelo sorrisos, pelos instantes inesquecíveis, pelo prazer . “F****. Que o trabalho espere, que a reunião aguarde, que o horário com o médico fique para quando der”. E assim estacionava o carro com seus pensamentos mirabolantes. No fim do dia, depois de muito trabalho, mais uma vez era hora de se sentar consigo mesma e refletir em movimento, sua terapia em monólogo mental. Desta vez, refletia sobre o dia que se passou, sobre o que fez, o que não fez e o que ficou para amanhã.

Mais uma vez, sob o volante, ela iniciava sua segunda pausa do dia, seu break, seu freio, seu momento particular, a hora de quebrar a agitação e parar! Só que acelerando…

Por Renata Stuart

A gaiola da vida

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 4 Comments

Se há um obstáculo para a verdadeira liberdade, esse obstáculo é o medo. O medo da mudança. O medo de trocar o certo pelo duvidoso. O medo de largar o que nos parece “melhor” – ou mais certo – no momento, para buscar algo que nos instiga por dentro, algo que ainda não é concreto, mas que vive e respira em nossa mente.

Só o verdadeiro QUERER – aquele que lateja e incomoda – nos torna capaz de abandonar a estabilidade, a calmaria de uma vida dentro dos conformes – programada para dar certo – e correr atrás de sustentar os desejos mais interiores, aqueles que parecem mais absurdos, mais insanos e utópicos.

Constantemente, pensamos “Mas e se nada der certo? E se eu me arrepender? E se tudo for em vão? Terei perdido tempo à toa, sem sequer sair do lugar”.  Sendo que, na verdade, não sair do lugar é justamente o fato de não tentar, não arriscar, não se sujeitar ao erro. Não ser fiel aos nossos instintos, às nossas vontades, aos nossos quereres, mesmo que esses mudem amanhã, quando o sol nascer.

Se se arrepender, volte e recomece. Se errar, tente de novo. E, se de repente, mudar de opinião, não se julgue por isso. Por que enganar a si mesmo? Quem disse que o certo e esperado é sempre manter nossas escolhas até o fim?  É preciso ser forte e bravio para ter coragem de assumir a tal da metamorfose ambulante. Com medo de parecer imprudente, frívolo e inconstante, muitas pessoas “mantêm” suas escolhas até o fim, ainda que, no fundo, essas já não sejam verdades em essência.

O fato é: a necessidade de aparentar alguém sério e certo do que quer para o resto da vida tem valido mais do que satisfazer o próprio eu. Sim, é de se admirar quando alguém é cheio de si, que mantém firmes as escolhas que fez até o fim, sem ao menos trepidar. É admirável, mas desde que isso seja feito por inteiro, que a pessoa esteja, de fato, abraçando os resultados de suas escolhas, desde que tudo isso seja REAL.

A vida é frágil, breve, a existência é ligeira. Até que ponto estamos fazendo realmente cada dia valer a pena? Até que ponto sacrificamos os sonhos que nos perturbam – no bom sentido – para viver o que nos parece mais conveniente naquele momento? Diga-me: até que ponto você vai guardar ai dentro toda essa sede de ousar, errar e descobrir? Até que ponto você consegue se encarar e saber realmente definir quem é você?

Ter coragem de mudar é, antes de tudo, ser honesto consigo mesmo. Abrir mão da estabilidade para viver os riscos que as escolhas nos impõem é para poucos. Mas se manter “firme e repleto de certezas” apenas para se mostrar confiável diante dos outros é total sinal de fraqueza.

O bom da vida é poder confiar em alguém que seja capaz de se reavaliar sempre. Que esteja disposto a se desgarrar daquilo que não é mais – do que falhou, do que se arrependeu  - e procurar o melhor caminho para a própria vida. Acredite: essa gaiola que você vê à seu redor é imaginária, você mesmo a coloca ai, ninguém mais pode ser responsável por ela.

Não que tudo isso seja fácil. Escrever é muito mais simples que viver, óbvio. Mas a liberdade de correr riscos é uma premissa importante, que devemos tentar aplicar em nossa vida aos poucos. Dia após dia, tenho me dado uma chance para arriscar e, por que não, errar. Até os erros têm um lado bom, só precisamos saber vê-lo. Se dê uma chance também. Seguindo o velho e bom clichê, o pior é se arrepender daquilo que não fez.

Por Renata Stuart

 

Distância, fique longe de mim!

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 3 Comments

Se ela tivesse um gosto, seria amarga. E como é insensível, faz doer sem piedade e causa um vazio dentro do peito de quem é separado por ela.  O ponteiro do relógio parece mais lento, os dias se parecem iguais e o coração fica mais apertado. Sim, falo da distância, essa danada que anda sempre de mãos dadas com a saudade, outra desnaturada.

Várias são as distâncias que nos acometem nessa vida. Tem a distância de quilômetros. De pessoas que moram longe umas das outras e que não podem se ver sempre devido às circunstâncias da vida, casa, trabalho, afazeres, enfim. E tem os casais – coitados – que namoram a distância e que contam os dias, as horas, os segundos para cruzarem o território que os separa.

A boa notícia é que, para esses casos, há algumas soluções razoáveis que a querida tecnologia nos oferece.  Meios de comunicação estão aí aos montes, não é mais necessário sinal de fumaça nem pombo-correio. Para amizade distante, digo o mesmo. Distância não é desculpa para falta de contato. Ouvi uma vez que tempo é prioridade e nós é quem decidimos a quem dedicar nosso precioso tempo.  Uma ligação de vez em quando não faz mal a ninguém. Não é a mesma coisa, óbvio que não. O calor humano, o cheiro, o toque, nada disso pode ser sentido sem a presença real, física, inteira. Mas, convenhamos, sem esses meios, seria impossível sobreviver a tal da distância.

Agora, sendo mais poética, penso que uma das piores distâncias é, sem dúvidas, a distância dos corações. Você o vê com frequência, quase todos os dias, distância física não é o problema. Mas o fato é que ele não te vê. O coração dele está longe demais para se cruzar com o seu. E ai dói ainda mais. Ver, estar ali pertinho e, ao mesmo tempo, não estar, não ser notada. Acredite, a saudade é ainda pior quando não é correspondida.

A distância causa sensações, reações e sentimentos mais absurdos. A distância de quem partiu de vez causa revolta e inconformidade quando nos lembramos de que nunca mais estaremos com aquela pessoa. Nesse caso, a distância é infinita e não são só quilômetros que separam duas pessoas, mas a diferença de estar e não estar respirando. O que dói um bucado.

“Ah, distância. Fique longe de mim! Você não me faz bem.” Mentira. A distância pode fazer bem sim. Ela nos ajuda a enxergar melhor os fatos. Muitas vezes, precisamos estar longe para ver melhor. A proximidade sofre influências que ofuscam nossa visão com relação a alguém ou a um fato. E a distância nos dá clareza, imparcialidade e maturidade para julgar certas coisas da vida. Quando estiver confuso(a) em meio às tempestades da vida, tome um tempo consigo mesmo e se distancie de tudo. A resposta sempre vem.

Mas, cuidado. A danada é cheia de contradições. Quando um relacionamento acaba, por qualquer motivo que seja, a distância é a hora de descobrir como é se virar sem o outro. E é aqui que mora o perigo. A distância não só magoa, mas engana e causa ilusões. Tudo, quando não está mais ao alcance dos nossos olhos, nos parece melhor do que realmente era.

Nossa mente passa a fantasiar que tudo era lindo e cor de rosa.  O cara que era estúpido e frio passa a ser um doce. “Poxa, ele também não era tão ruim, era só o jeito dele de ser, ele tinha uma maneira próprio de dizer que me amava” ou Não vou encontrar outro igual a ele, acho que fui incompreensível, devia ter perdoado, ele tem qualidades raras”.

E adivinhem: tudo que era razoável se torna maravilhoso. Pois é, a distância também causa amnésia. Tudo de ruim que alguém nos fez é esquecido ou fica em segundo plano e só os bons momentos vêm à tona. Não sei bem porque isso acontece, não sou psicóloga nem a dona da verdade. Mas já li muito sobre isso e, o melhor, já vivi isso. Bom, acho que nosso cérebro faz isso para despistar o coração. Ele meio que não aguenta mais ouvir o choro do coração e, por isso, evidencia a “memória boa” na nossa mente para que o coração se renda e acabe de vez com essa distância que causa saudade e faz doer. Compreende? Não? Chega mais perto. Leia com o coração. Quem sabe, assim, a gente se entende.

 

Por Renata Stuart

Me encontrei

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 13 Comments

Quem é você? Sempre achei difícil responder a esta pergunta. Preencher os irritantes ‘profiles’ das milhares de redes sociais ou até mesmo responder questionários para concorrer a uma vaga de emprego. Enfim, o fato é: Nunca me defini com facilidade. E nunca entendi o porquê dessa necessidade de se autorrotular.

Quem eu sou? Cá pra nós, o que eu disser sobre mim realmente vai mudar algo sobre o que você pensa sobre mim? Acho que não. Posso até dizer minhas preferências de lazeres,lugares,  filmes e música. Até ai tudo bem.  Mas, no que diz respeito à personalidade e a imagem que refletimos, cada um tem em mente uma versão muito particular do outro e não são palavras que vão mudar isso. Fato. Muitas vezes, o que eu digo, pode não ser o que eu sou – quase nunca é – mas sim a minha impressão de mim mesma, a projeção que tenho de mim, ou quem eu gostaria que eu fosse.

Hoje, confesso, desisti de me definir.  Descobri que o único motivo que nos leva a essa tentativa de nos autodescrever o tempo todo é a necessidade – vazia e em vão – de ter que se autoafirmar para alguém, para o mundo, para todo o público que nos cerca. É o fato de ter que se mostrar decidido, coerente, forte, e cheio de si.

Hoje, posso dizer que me encontrei. Já chega. Que se danem os rótulos. Descobri que vivo melhor sem ter o compromisso de cumprir o script, sem a responsabilidade de me autodefinir e de ser coerente com o que eu disser que sou.  Sou muitas, não sou uma só. Não sou como um produto químico que tem uma fórmula exata. Meus componentes são diversos, momentâneos, incoerentes. Não sou a mesma para todos e nem serei a mesma o tempo todo. Sou razão com uma boa dose de emoção, sou sistema nervoso afiado, sou coração abobado, putz, sei lá mais o quê. Sou um aglomerado de sensações. Cheguei à conclusão de que é no transitório e no efêmero que me encontro.

Conheça-me. Conviva comigo. Observe-me. Atente-se às minhas atitudes, meu comportamento. Converse comigo. E construa a sua própria versão de mim. Wherever, me rotule como desejar. Me ache isso ou aquilo outro, deixo essa árdua tarefa para os outros. Mas a mim não. Me importa apenas o VIVER e  o SER. Ser por inteiro, ser em essência, ser do jeito que me der na telha, do jeito que me interessa e ponto.

E você? Quem é?  =)

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Clarissa Corrêa

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 2 Comments

Correria total, galera.  Nesse fim de semana, coloco crônica nova! Enquanto isso, desfrutem de um texto sensacional da grande Clarissa Corrêa.

Entre culpas e certezas

Ando cansada de carregar culpas que não são minhas. Sei que a frase parece estranha (e é), mas tem gente que acha que preciso saber todas as respostas. Logo eu, que nada sei. Verdade, quanto mais o tempo passa mais eu vejo que tenho muito o que aprender com a vida e as pessoas. Todo mundo tem algo para nos ensinar. Diariamente. Pena que nem sempre são coisas boas. Mas se o outro não ensina nada positivo, pelo menos podemos aprender o que não devemos fazer.

Se você não sabe pra onde quer ir, tudo bem. Se pelo menos souber o que não quer para a sua vida já é meio caminho andado. Eu sei o que não quero de forma alguma, assim, já elimino muita coisa. E muita gente.
Chega de se lamentar. Se a sua vida anda ruim, desculpa, mas não tenho nada a ver com isso. A minha vida também é cheia de problemas, mas eles são meus. E você não tem nada a ver com isso. Você não tem nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa, nada. Não tenho que te cobrar coisa alguma, pois minhas cagadas e acertos só dizem respeito a mim. Se eu faço alguma coisa que te afeta e te fere, me perdoa. Não tenho a intenção de magoar ninguém com meus atos. E se de vez em quando isso acontece, faz parte da vida. Inevitavelmente, magoamos pessoas. Inevitavelmente, esperamos coisas e atitudes das pessoas. Inevitavelmente, existe a frustração. E temos que aprender a conviver com ela pra tentar ser feliz.
De vez em quando cansa ser adulta, dá uma vontade louca de fazer as malas e voltar para a casa da mãe e do pai. E ficar lá, acolhida naquele mundo onde nada atinge e abala, onde a maior preocupação é a menina da escola que me chamou de boba, feia e chata. Então eu penso: não. Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.
Sempre pensei que todo mundo tem uma missão. Ninguém vive por viver, nasce por nascer, morre por morrer. Você tem uma missão e deve tentar cumprir tudo o que “está escrito” da melhor forma possível. Mas a gente não sabe o que está escrito. Temos que tentar adivinhar todo o santo dia. É por isso que existe a intuição: ela nos leva para onde devemos ir. É por isso que a gente deve seguir o que o coração diz: ele sempre está certo.
Por Clarissa Corrêa

Deixe o sol entrar

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 12 Comments

Levante, já passa das 9h, pare de brigar com o despertador. Abra a janela, balance o tapete e deixe a poeira ir embora. Permita que o sol entre e te ilumine. Deixe que o vento desarrume seu cabelo. Olhe para o espelho e se veja por dentro. Você já esteve melhor, não esteve?

Esqueça – nem que seja só por hoje –  tudo aquilo que te machuca,  que te corrói por dentro, que te faz retroceder, que não te evolui, que não te faz bem. Guarde essas bobagens pra outra hora, numa gaveta com cadeado. Ou melhor, se você for capaz, apague-as de vez.  Desate os nós, cate os cacos de vidro, e levante a cabeça.

Há milhões de pessoas lá fora. Há milhares de possibilidades, de caminhos, de histórias. E você ai, olhando pra trás. Viva a sua vida, não desperdice seu precioso tempo vivendo a vida do outro.  Seja o protagonista da sua própria vida. Não se conforme, tome decisões.

E por que não mudar? A vida não tem script e você não tem um personagem definido. Quem você quer ser hoje?  Mostre suas facetas para o mundo, deixe as ruas sentirem os seus passos, deixe o mundo te descobrir.

Aperte forte aqueles te querem bem.  Podem ser poucos, mas eles existem. Compre um presente para você. Essa sim, você sempre terá. Se atire ao desconhecido e , adivinhe, conheça-te a ti mesmo. Descubra o que te surpreende, o que te enaltece, o que te move.

Olhe para os seus sonhos. Não como quem olha para o além ou avista uma miragem, mas como quem diz “te vejo em breve”.  E vá atrás deles, um degrau por dia, mas vá. Perdoe para ser perdoado. Ame sem esperar ser amado. Faça o bem sem esperar ser reconhecido. E a vida te trará respostas, naturalmente.

Por Renata Stuart

Um mundo de cegos

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 9 Comments

 

Os cegos estão por toda parte. Não falo dos que estão sempre de óculos escuros, guiados por uma bengala e são impedidos de ver a luz do sol, de contemplar o azul do céu, de olhar no fundo dos olhos, e outras maravilhas que só a visão pode captar. Não me refiro a esses, que também são muitos.

Falo dos cegos que possuem total capacidade visual, mas não a usam com sabedoria. O cego que enxerga, mas não vê. Aquele que não vê o outro, não vê nada além de si mesmo. Ou, ao contrário, vê unicamente o outro, e se desagrada para agradar o outro, que se coloca em segunda opção, sempre.

Falo daquele cego que não vê o que pode dar certo, mas só o que pode dar errado. Que vê a oportunidade, mas não arrisca. Que fecha os olhos e não se move quando se depara com a dificuldade, os obstáculos.

O cego que se depara com o necessitado, o faminto, o estigmatizado e baixa os olhos, com medo ou repulsa. Aquele cego que, de tanto ver, já não vê mais nada, em decorrência de uma visão desgastada, calejada, que já não tem sensibilidade para o mundo a sua volta. Que não se impressiona e nem se deixa emocionar facilmente.

Aquele cego que é capaz de captar todas as maravilhas do mundo, mas não as admira, não as valoriza, não as sente. O cego de olho grande, que vive na busca incansável pelo dinheiro e possui a vista desfocada para o valor das pequenas coisas. O cego que vive uma vida na qual não se vê, na qual não se sente vivo.

O cego que vislumbra o futuro e corre feito um louco atrás dele, esquecendo-se que a única certeza é o agora. O cego que só vê a capa, a casca, a superfície e que, antes mesmo de ver a fundo, faz uma série de julgamentos infundados, os chamados pré-conceitos.

A lista é interminável, e eles estão em toda parte. E são eles que sofrem da pior cegueira, uma cegueira que nem cirurgia de córnea resolve. Uma cegueira que não exige bengala, mas que pode gerar muitos tombos no percurso. Uma cegueira que só a vida pode consertar.

E para aqueles que aqui se viram: Abram os olhos, enquanto há tempo.

Por Renata Stuart