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A gaiola da vida

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 4 Comments

Se há um obstáculo para a verdadeira liberdade, esse obstáculo é o medo. O medo da mudança. O medo de trocar o certo pelo duvidoso. O medo de largar o que nos parece “melhor” – ou mais certo – no momento, para buscar algo que nos instiga por dentro, algo que ainda não é concreto, mas que vive e respira em nossa mente.

Só o verdadeiro QUERER – aquele que lateja e incomoda – nos torna capaz de abandonar a estabilidade, a calmaria de uma vida dentro dos conformes – programada para dar certo – e correr atrás de sustentar os desejos mais interiores, aqueles que parecem mais absurdos, mais insanos e utópicos.

Constantemente, pensamos “Mas e se nada der certo? E se eu me arrepender? E se tudo for em vão? Terei perdido tempo à toa, sem sequer sair do lugar”.  Sendo que, na verdade, não sair do lugar é justamente o fato de não tentar, não arriscar, não se sujeitar ao erro. Não ser fiel aos nossos instintos, às nossas vontades, aos nossos quereres, mesmo que esses mudem amanhã, quando o sol nascer.

Se se arrepender, volte e recomece. Se errar, tente de novo. E, se de repente, mudar de opinião, não se julgue por isso. Por que enganar a si mesmo? Quem disse que o certo e esperado é sempre manter nossas escolhas até o fim?  É preciso ser forte e bravio para ter coragem de assumir a tal da metamorfose ambulante. Com medo de parecer imprudente, frívolo e inconstante, muitas pessoas “mantêm” suas escolhas até o fim, ainda que, no fundo, essas já não sejam verdades em essência.

O fato é: a necessidade de aparentar alguém sério e certo do que quer para o resto da vida tem valido mais do que satisfazer o próprio eu. Sim, é de se admirar quando alguém é cheio de si, que mantém firmes as escolhas que fez até o fim, sem ao menos trepidar. É admirável, mas desde que isso seja feito por inteiro, que a pessoa esteja, de fato, abraçando os resultados de suas escolhas, desde que tudo isso seja REAL.

A vida é frágil, breve, a existência é ligeira. Até que ponto estamos fazendo realmente cada dia valer a pena? Até que ponto sacrificamos os sonhos que nos perturbam – no bom sentido – para viver o que nos parece mais conveniente naquele momento? Diga-me: até que ponto você vai guardar ai dentro toda essa sede de ousar, errar e descobrir? Até que ponto você consegue se encarar e saber realmente definir quem é você?

Ter coragem de mudar é, antes de tudo, ser honesto consigo mesmo. Abrir mão da estabilidade para viver os riscos que as escolhas nos impõem é para poucos. Mas se manter “firme e repleto de certezas” apenas para se mostrar confiável diante dos outros é total sinal de fraqueza.

O bom da vida é poder confiar em alguém que seja capaz de se reavaliar sempre. Que esteja disposto a se desgarrar daquilo que não é mais – do que falhou, do que se arrependeu  - e procurar o melhor caminho para a própria vida. Acredite: essa gaiola que você vê à seu redor é imaginária, você mesmo a coloca ai, ninguém mais pode ser responsável por ela.

Não que tudo isso seja fácil. Escrever é muito mais simples que viver, óbvio. Mas a liberdade de correr riscos é uma premissa importante, que devemos tentar aplicar em nossa vida aos poucos. Dia após dia, tenho me dado uma chance para arriscar e, por que não, errar. Até os erros têm um lado bom, só precisamos saber vê-lo. Se dê uma chance também. Seguindo o velho e bom clichê, o pior é se arrepender daquilo que não fez.

Por Renata Stuart

 

Parei pra falar sobre o tempo

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 19 Comments

Ando me assustando muito com o tempo. A semana começa preguiçosa, parecendo que será arrastada e, quando menos espero, a sexta-feira se esbarra em mim. O dia parece que será longo e produtivo, mas nem metades das tarefas são concluídas. O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso. Tentamos controlá-lo com nossas medidas, nossos calendários, nossos relógios, mas é inevitável.

O tempo nos fala o tempo todo. Não só através do tic-tac latejante dos relógios, mas através das fotos, do espelho, da maturidade, das responsabilidades que se fazem cada vez mais presentes. O tempo é o cansaço exposto nas olheiras, é o surgir das rugas, é o escurecer e o amanhecer. O tempo é a juventude dizendo adeus, é a experiência pedindo passagem, é o futuro dizendo “cheguei”.

O tempo é movimento. É aquele ardiloso que se vai, mas deixa, lá no fundo, um desejo surreal de ser criança novamente. Uma nostalgia gostosa da simplicidade, da inocência, da esperança inabalável, dos sonhos tolos e da ausência de responsabilidades. O tempo é um vento que passa despercebido, de forma inconsequente, levando nossos dias, nossa juventude, nossas coisas, e ‘nossas pessoas’, (que na verdade não são nossas). Somente os sentimentos fortes, que de tão desesperados, se seguram nas árvores e resistem a ele.

Mas o tempo é o único que nos dá a oportunidade de tentar de novo, de fazer de novo e melhor. É o único que nos dá a chance de recomeçar. É o tempo que faz todas as nossas ilusões caírem por terra, é ele quem pega aquilo que, antes, nos abalava e converte em coisas que, hoje, não nos dizem absolutamente nada.

É o tempo que faz o medo encontrar a coragem no meio do caminho. É o tempo que tem a incrível capacidade de converter mágoa em perdão, é o tempo que nos reinventa, nos incrementa e melhora a nossa visão. Sim, melhora, pois chega um momento em que a gente vê a vida por outro ângulo, com mais nitidez.

A gente se dá conta de que as nossas escolhas, até as mais simples, determinaram o rumo que tomamos. E a gente compreende que a vida é o resultado da bagagem que carregamos dentro de nós. Tudo passa a fazer sentido.

O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso, eu já disse isso no início. Mas podemos e devemos eternizá-lo à nossa maneira. Eternizar o tempo, a meu ver, é deixá-lo registrado com a satisfação, o prazer e não com o arrependimento, não com o gosto amargo de uma vida sem intensidade. Eternizar o tempo é viver fazendo o que se gosta, estando com quem se gosta e sendo como quem a gente gosta de ser. Um dia de cada vez.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou aqui sem nada à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta. Eu não posso pensar “não, daqui a um ano eu vou pro campo ou eu caso ou me formo ou vou à Europa”. Eu não sei. Fico esperando que pinte uma coisa, naturalmente. E essa falta de ação me esmaga um pouco.

- Caio Fernando Abreu -

Linha de chegada

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Nos acompanham planos, projetos, sonhos. E aquela vontade de enxergar de vez o que é que nos espera do outro lado, no fim da largada. Querer é fácil, idealizar mais fácil ainda. Difícil é partir pro ataque, encarar de frente as dificuldades que surgirão no percurso.

E prometemos: Amanhã tudo será diferente. Vou inovar, vou me mover, vou mudar.  Mas daí vem o amanhã e, junto com ele, milhões de empecilhos. Vinte e quatro horas apressadas demais. Mal tive tempo de pensar, deixa para amanhã, sem falta.

E aquele medo aliado a preguiça de sair da zona de conforto hesita em nos deixar. A rotina é mais cômoda, todo mundo aprova, compreende. Ninguém contraria o óbvio. Difícil é levantar decidido com uma ideia na cabeça e não dormir com ela inacabada. Fácil é deixá-la ali, subentendida, sobrevoando, para outra oportunidade, quem sabe.

Depositamos toda nossa fé no dia seguinte, no mês seguinte, no ano que vem. Todo dia uma esperança, uma promessa e um dia a menos para agir, um dia a menos para arriscar. Talvez essa covardia se deva a um único fato: Temos medo de avistar a linha de chegada sem ter cumprido todos os nossos planos. Até para perder tem que ser corajoso.

Por Renata Stuart

Viver é corresponder …

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Desde que abrimos os olhos para esse mundo, somos convidados a corresponder expectativas. O mundo espera de nós, o tempo todo. As cobranças, por mais banais que sejam, são intermináveis.  

Com 1 ano de idade, pisar firme no chão e andar. Com 2 anos, abrir a matraca, repetir, repetir,  e, finalmente, aprender a falar. Aos  5, ser uma criança obediente e, assim,ganhar presentes. Aos 10, ter boas notas e, assim, passar o fim de semana na casa da prima. Aos 13, ser menos rebelde, fazer exercícios e trabalhos escolares para, assim, ir à festa na casa da Ana. Aos 14, dar o primeiro beijo para, assim, atestar o fim da infância e ser considerada uma adolescente de verdade. Aos 17, todos esperam que já saibamos o que queremos ser e fazer pro resto da vida. Aos 18, passar no vestibular e entrar para a faculdade. E daí em diante as coisas só pioram.

Aos 20, vêm as entrevistas de emprego. Esperam que falemos inglês, francês e mandarim. E ainda temos que ser bons de redação, planejamento, softwares gráficos e trabalho em equipe. Aos 24, esperam que tenhamos um emprego fixo, um salário digno e, quem sabe, um carro. Aos 30, esperam que o sucesso tenha batido a nossa porta como uma vizinha que pede açúcar. Além de já ter encontrado o amor da sua vida, você já deve ter um salário, não só digno, mas alto e que compense todos os anos de investimento na sua educação. Ter, pelo menos, um apartamento financiado, um carro do ano na garagem e fazer, no mínimo, 2 viagens por ano. Aos 40, você deve ter estabilidade. Se você é mulher, mesmo estando no século XXI, as cobranças são infinitamente maiores. Ser boa mãe, boa esposa, boa patroa, boa funcionária, boa cozinheira, boa sogra, boa nora.

Aos 70, espera-se que, apesar das cobranças de toda essa jornada, você ainda tenha sede de viver. E, o mais importante, espera-se que você possa olhar para trás e se orgulhar de seus feitos.

Que se danem as cobranças, o senso comum, a sociedade. Preocupar-se apenas com o que o mundo espera de nós pode acarretar, no final, uma conta bem mais cara a pagar: A dor de não poder voltar no tempo e corresponder aos próprios anseios.

Palavra do dia – Ana Luíza Leite

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Hoje a palavra do dia é de uma pessoa muito especial para mim. A minha afilhada querida, Ana Luíza. Ela me mandou esse texto e eu não podia deixar de compartilhá-lo com vocês. Fiz apenas alguns ajustes pequenos, acrescentei pouquinha coisa, mas o corpo do texto é todo dela. Ela transmitiu lindamente o medo do AMANHÃ não chegar e a urgência em viver o HOJE. Parabéns, Aninha. Amei.

“E se não houver o amanhã?”


Sabe, eu que costumava deixar tudo para amanhã, resolvi que, hoje, diria o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã uma pergunta ressoava na acústica de minha cabeça: “E se não houver amanhã?”. E os planos pra minha vida? E as pessoas que amo? Como seria? Para onde iriam todas as palavras que eu não disse e todas as coisas que não fiz? Ás vezes, deixamos muitas coisas pra depois, pra amanhã…mais tarde. Pensamos que as coisas podem nos esperar, mas, às vezes, elas se esvaem sem sequer deixar um bilhete de despedida. Tudo tem seu tempo, sim, não podemos tentar prever o amanhã. Mas, em cada brecha que o tempo lhe der, aproveite cada segundo. Diga que ama, viva, sorria, brinque, divirta-se com quem você ama.Então, deite-se mais um pouco com quem está ao seu lado, escute suas idéias, dê mais atenção a suas lamúrias, observe seus gestos mais singelos, decore o tom da sua voz, seu jeito de andar, de comer, de abraçar e te olhar. Hoje, observe seu olhar, descubra seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e se esforce para realizá-los.. Se não puder, ao menos saberá que tentou. Dê mais importância a quem está em sua volta. Dê mais valor às pessoas. Não minta para elas. A verdade às vezes dói, mas nenhuma ferida é mais funda do que a da mentira. Confie mais. Até que a vida lhe prove o contrário. Sorria quando sentir que deve sorrir. Evolua. Ultrapasse seus limites, diariamente, como se o amanhã não fosse chegar. Hoje, seja quem você é. Aproveite, vida você só  tem uma. Então: Pense. “E se não houver amanhã?”. Viva hoje. A vida se faz boa, intensa e verdadeira quando você não a planeja.

Futuro: um sonho necessário

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Fazer planos, sonhar com o amanhã…
Como eu estarei daqui há 10 anos? O que eu terei conquistado? Onde estarei ? Quem estará ao meu lado ? Ainda estarei gostando das mesmas coisas que gosto hoje? Estarei feliz? Terei filhos? Terei vivido um grande amor?
Eu acho que pensar no futuro é perturbador. Ele é um tempo sobre o qual não temos controle (embora algumas pessoas soberbas acreditam ter).
Acho que penso isso pela insegurança da vida, pela incerteza se estarei respirando quando o sol amanhecer. Acho que o futuro gosta de fazer pegadinhas com a gente, pois estamos sempre atrás dele. No novo ano que se inicia, na esperança dos dias melhores, na esperança que o tempo cure alguma dor, ou quando levantamos cedo para ir trabalhar e nos garantir um futuro digno. Pensando no futuro, abrimos mão do presente o tempo todo, sem perceber.
Mas, ultimamente eu tenho tentado enxergar as coisas de outra forma. Mais otimista, digamos. Se o amanhã não existisse em nossa mente, o hoje seria apenas uma tentativa desesperadora de se realizar tudo agora e já.
Descobri que o futuro é o combustível que coloca o presente em movimento…É acreditando no futuro, que a gente ganha energia para viver todos os dias. Do contrário, construir uma história de vida não faria sentido. A história só existe se o futuro existir.
O que seria da vida se não pudéssemos sonhar? Nossas ambições não teriam valor algum. O que seria de nós, quando a angústia toma conta, se não acreditássemos que dias melhores virão? Em função de que viveríamos? Trocaríamos os grandes desejos da vida por desejos de momento. Mas os momentos passam… e a vida continua!
Enfim, acho que sonhar com futuro é necessário. Só não podemos colocá-lo em detrimento do presente. Temos que sonhar com o cabelo branco de amanhã, sem deixar de usufruir da juventude que temos hoje. Temos que sonhar com a maioridade sem abrir mão da infância. Viver pressupõe sonhar. A vida pede sonhos. Tudo ao seu tempo. Com calma, fé e intensidade.