» Amor

22 de maio – Dia do Abraço

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

largeAhh…o abraço.

Nada como estar dentro de um abraço sincero.

Envolvida em uma energia gostosa, pura e acolhedora.

Só os fracos e insensíveis desconhecem o valor de um abraço.

No beijo, existe sedução e mistério. No abraço não. E isso que é mágico: o abraço nos deixa “nus”, transparentes, e revela o que está oculto, denuncia aquilo que não é dito. É um silêncio de entrega e confissão.

Mas assim como um beijo, um abraço de verdade exige sintonia.

Não acontece com qualquer um.

Um abraço tem a incrível capacidade de paralisar o tempo.

Ele é o único momento em que temos dois corações no peito.

Um abraço transmite emoções, mata o frio e alivia dores.

Ele faz o coração bater mais forte e, ao mesmo tempo, acalma a alma.

O abraço foi o gesto que inventaram para que possamos dizer MUITO sem dizer absolutamente NADA.

Um abraço apertado revela a urgência de quem se despede desejando ficar.

Um abraço sutil revela a paz de quem encontra bem estar na companhia do outro.

Muitas vezes, só damos o devido valor ao abraço quando não podemos mais ter o abraço de alguém.

Devo confessar: eu sou uma viciada em abraços.

Feliz Dia do Abraço! 

Por Renata Stuart

A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

sorriso

Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

A dor precisa ser sentida

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

large (1)

5 anos. É inevitável. Todo ano, passada a correria das festas de natal e reveillon – datas comemorativas que você tanto amava – vem à tona o eterno vazio deixado após o dia 4 de janeiro de 2009. Não que no resto do ano não nos lembremos de você, isso acontece a todo instante, principalmente nos momentos de felicidade, naqueles em que eu daria tudo, tudo mesmo, para você estar conosco…e fico imaginando suas reações, o que diria, como estaria. Mas é que mesmo tentando me desapegar de datas tristes e sombrias como a de hoje, não dá…E como dizem, a dor precisa ser sentida para, aos poucos, cicatrizar. No meu caso, a dor precisa ser escrita.

O pior momento da minha vida foi numa segunda-feira à noite, depois de uma virada de ano sem brindes, sem fogos, sem glamour… mas em quatro paredes de um hospital, quando você já estava sem conseguir falar pela  dificuldade na respiração…e com delírios em decorrência da enorme quantidade de morfina.  Apesar disso tudo, a tal “esperança industrializada” já poetizada por Drummond estava ali comigo, com “outro número no calendário e outra vontade de acreditar” que um novo ano poderia mudar o rumo das coisas, mudar o seu rumo, o nosso. Mas não, ainda que tenhamos suplicado, Deus não quis assim.

Doeu ter que deixar seu quarto naquele dia, algo me prendia ali, eu não queria ir embora de jeito nenhum, dormiria até no banheiro se pudesse, mas minha mãe insistiu que só ela e meu pai poderiam passar a noite ao seu lado.  Me despedi de você, disse que te amava, e falei que você não precisava fazer esforço para me responder. Pelo que sei, enquanto eu ainda estava no elevador, você se foi… E, no caminho de casa, eu chorava, chorava, chorava tanto, que, de alguma forma, eu deveria saber que você partiu. Me lembro que chovia muito e minha vontade era sair correndo na chuva sem rumo. Só quando cheguei em casa, meu irmão, fui saber, por meio de um telefonema do meu pai- que nunca, nunca vou esquecer, por mais que eu queira,-   que você esperou apenas eu sair do quarto para ir embora.

O resto você já deve saber. Eu quis morrer, gritei coisas que não devia para Deus e pensei que eu fosse enlouquecer. Ninguém estava preparado para perder você. Nunca estamos. Pedi a Deus até que você revivesse ou que tudo fosse um pesadelo terrível daqueles que a gente acorda chorando, suado, e aliviado. Mas não, era verdade. Verdade que eu só constatei ao voltar no hospital e encontrar sua cama vazia e procurar por você desesperadamente.

Hoje, às vezes ainda me pego procurando por você. Nas ruas, nos garotos levemente parecidos com você, ao lado dos seus amigos que cresceram numa velocidade absurda. Marcus, você é tão especial, meu irmão, que Deus estava precisando de você para outras missões muito além das que você realizou aqui. Hoje, não nos resta dúvidas, meu neném, você foi um anjo que por quinze anos nos amou com seu jeitinho tão puro, nos mostrou o que é felicidade plena e nos ensinou o valor das pequenas coisas. Nos fez rir, nos fez mais unidos, nos fez mais humanos.

Sinto sua falta de um jeito inexplicável e a dor, ainda que mais silenciosa, ainda é forte. Sinto falta da sua proteção de irmão, do ciúme disfarçado que você tinha de suas duas irmãs, da nossa infância gostosa, dos tombos de bicicleta, das diversas vezes que você, tão guloso e amante da culinária, já almoçava escolhendo o menú do jantar. Das confidências que você me fazia sobre suas paqueras, das vezes que eu te chamava de “meu lindo” ou “meu neném” no recreio da escola e te matava de vergonha perto dos seus amigos, das brincadeiras, das briguinhas, de poder cheirar você, de beijar sua orelhinha, de te abraçar forte, e de me gabar: “esse loiro lindo de olhos azuis, forte e alto, é meu irmão, meninas! Entrem na fila porque ele está crescendo”.

Você, meu irmão, além de lindo, era educado, brincalhão, meigo, cavalheiro  e muito inteligente. Tenho o maior orgulho de ser sua irmã. E agradeço a Deus por Ele ter escolhido a minha família para viver 15 anos com você. Sim, ainda que com essa lacuna, somos privilegiados por ter tido você em nossas vidas. Mas, confesso, ainda é surreal pensar que já se passou tanto tempo. Meia década é tempo demais. Não me pergunte como estamos aguentando, pois não saberei responder. É como eu disse certa vez, a força que acreditamos que não temos (e não temos mesmo) surge de algum lugar, como se a única opção fosse segurá-la e, então, a gente se segura nela e vai, meio que por impulso…

5 anos. Faz 5 anos que sofremos a dor da sua perda. Faz  anos que nossa casa respira a sua ausência, todo dia.  Que a sua alegria de viver não ilumina nossos dias. Faz 5 anos que estamos sem seu sorriso lindo e sua risada gostosa. Que não vemos um novo gesto seu e nem ouvimos uma nova palavra dita por você, o máximo de realidade que temos estão nas fotografias e vídeos. Exceto nos sonhos, quando tudo é inédito e parece que você realmente nos visitou. Faz 5 anos que a vida se tornou mais insegura diante dos meus olhos e faz 5 anos que, ao fechar os olhos para fazer uma oração, não sei mais pedir, mas só agradecer pela saúde das pessoas que amo. Enquanto seguimos a vida sem você, só nos resta acreditar que você está em um lugar lindo, infinitamente melhor que aqui, com seu carisma e sua bondade, olhando por nós lá de cima, pedindo a Deus para dar uma atençãozinha especial aqui.

*Saywer Forever! Te amaremos para sempre!

Marcus e Cia 15-1-2008 21-09-19

Por Renata Stuart

Das cartas que eu não enviei

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 1 Comment

Às vezes a vida nos surpreende. E às vezes eu me surpreendo comigo mesma….Não me reconheço e não me compreendo. Hoje, por exemplo, não entendo porque estou assim, tão triste com sua ausência. O que você fez em mim? Ou o que eu me deixei fazer comigo mesma? Onde foi que eu confundi as coisas? Você nunca me deu nenhuma esperança, nenhum sinal..Sempre reservado, sempre amigável com todos, respeitoso, sério. Onde foi que eu me confundi? Por que estou sentindo isso? Não foi de propósito, eu juro. E agora eu tenho vontade de chorar por você, que coisa louca. E chorar por estar sentindo isso que eu sei que é totalmente errado e surreal.

Ouvi falar uma vez que, na vida, existem alguns “amores possíveis” para cada um de nós. Que às vezes vemos certas pessoas nas ruas e, mesmo sem conhecê-las, sabemos que aquelas seriam, quem sabe, amores possíveis. Pessoas possíveis de amarmos, em outras circunstâncias, em outro momento, outra época. Pessoas que teriam uma chance em nosso coração.

Eu nunca tinha sentido isso. Sempre achei que o amor a gente meio que escolhe. E, de verdade, estou feliz com o amor que tenho hoje, ele me faz bem e me permite ser eu mesma. Mas, sabe, quando te conheci, aconteceu algo diferente, não sei explicar. Percebo agora que, simplesmente, você era um amor possível. Em outra circunstância, eu poderia ter te amado. Se você tivesse aparecido antes na minha vida, se tivéssemos nos cruzado em uma fase diferente, – em que ambos ainda não tínhamos o coração ocupado por alguém -, talvez, quem sabe, eu poderia ter te amado. Sei que não seria nada difícil.

Não amo você. Não tive tempo nem oportunidade e muito menos abertura para sentir isso. Mas, que fique claro, você mexeu comigo. E me perturbou, sem a menor intenção, mas perturbou.  Espero não ter deixado isso transparecer, torço para que você não tenha notado o efeito que causou em mim. Morro de vergonha de você sequer, por um instante, desconfiar que isso se passou aqui dentro dessa cabeça maluca.  Mas, quer saber, desejo do fundo do meu coração que você seja feliz e que você faça alguém muito feliz, de verdade.

Em hipótese alguma, pensei em alimentar esse vestígio de sentimento que ameaçou nascer em mim no tempo que convivi com você.  Tudo ficou pairando apenas em minha mente, em minha fantasia, em minhas manias de colocar o SE na frente “Como seria SE eu tivesse conhecido ele antes?”. Bobagem. Eu sou assim mesma. Sabe aquele verso “é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer”? É exatamente isso. Ou, do jeito que sou louca, no fundo, talvez eu apenas fantasiei isso tudo em busca de uma inspiração para fazer um texto bonito. E olha, acho até que funcionou.

Por Renata Stuart

*Inspirado em relatos reais de uma querida amiga!

Saudade que aperta e escorre pelos dedos…

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | Leave a comment

Há exatos quatro anos, eu vivenciei o pior momento da minha vida: a sua partida. Foi então que me dei conta de que NADA mais seria o mesmo, e não foi.  A vida perdeu a leveza e a completude e eu pude ver, de fato, o quão vulnerável ela é.  Aqueles planos que a gente vive fazendo para o futuro perderam o sentido e o presente passou a valer ouro diante da incerteza da que comecei a enxergar na  vida, no depois, no amanhã.  E o meu lado “muleca” e criança, o qual só você mantinha vivo, deixou de existir.

Há exatos quatro anos, não ouvimos a sua voz grave, sua risada aberta e gostosa, não sentimos seu abraço e nem seu perfume. E, ao contrário do que se diz, o tempo não diminuiu a dor, não amenizou, não cicatrizou. Acontece que agora ela dói mais em silencio, reprimida, apertada… afinal a vida pede agilidade, tudo tem que continuar e não há tempo para parar e se deixar sofrer, se deixar doer, se deixar chorar.  “Keep going”, o mundo nos cobra.

Mas, hoje – apesar de ser uma data que eu preferia esquecer -  eu decidi parar para sofrer aberta e publicamente, nesse instante, e deixar registrado aqui a falta que você tem nos feito. Esses quatro anos foram uma barra sem você e tenho certeza que os próximos também serão. Mas, no fim das contas, o que nos mantém firmes é a certeza de que os quinze anos maravilhosos que tivemos ao seu lado valeram a pena. Te amamos muito, meu anjo. Um dia a gente se encontra.

Por Renata Stuart

*Para meu sempre amado irmão caçula.

Somos o que recordamos

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Resenhas | 2 Comments

Hoje assisti ao filme The Vow, que significa “O voto”, mas que, por algum motivo, foi traduzido no Brasil como “Para Sempre” .  Na trama, que é inspirada em fatos reais, um casal apaixonado e com poucos meses de casados (Paige e Leo) sofre um acidente que causa na mulher uma lesão cerebral, deixando- a sem a memória de curto prazo. Ou seja, ela se lembra de sua vida toda, mas não recorda absolutamente de nada dos últimos cinco anos que viveu, inclusive do seu marido.

Agora, além de não conhecer o próprio marido, a mulher se sente ligada ao seu ex-noivo, de quem não se lembra de ter se separado. E o marido, ao invés de desistir da mulher que agora o vê como um mero estranho, luta de todas as formas para merecer o amor dela novamente, o que não parece fácil, já que cinco anos foram suficientes para modificar, e muito, sua esposa.

Uma frase que me marcou no filme foi: “Cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história.”  Apesar de parecerem simples, achei essas palavras de uma sabedoria sem tamanho. Não, esse não é mais um texto de amor. É só um pensamento que absorvi dessa linda história e gostaria de compartilhar.

Sendo assim, se o apagar da memória interfere tão fortemente no que somos e no que sentimos, não é difícil concluir: Somos o que recordamos. Eu sou o lugar onde nasci e as pessoas com quem convivi. Eu sou as coisas que fiz e faço, dia após dia. Cada atitude simples e banal que já tive definiu quem eu sou hoje. Eu sou o que eu vi, por onde passei e com quem estive.  Sou todas as conversas que tive em toda minha vida. Sou os olhares, abraços e gestos que me marcaram. Sou os livros que li, os filmes que vi, os textos que escrevi. Sou os meus momentos, as situações que enfrentei e até as coisas que nunca vivenciei.

Tudo, absolutamente cada detalhe, formaram a minha pessoa. Havia infinitas possibilidades para o meu ‘ser’, eu poderia ter sido um ‘eu’ completamente diferente do meu ‘eu’ se eu tivesse nascido em outro lugar, convivido com outras pessoas, com outras referências, e vivido experiências diferentes que, certamente, me levariam a caminhos diferentes.

E a vida é isso, um trem em viagem constante. Um trem que, em cada ponto que passa, acrescenta algo no bagageiro. E essa bagagem é o que somos. É a nossa essência. São nossos gostos, valores, escolhas, atitudes. Pode parecer óbvio, piegas ou filosofia barata, mas, em síntese, se tudo o que vivemos é guardado na memória, a memória é quem guarda o que somos.Ela é a nossa identidade-mor. É onde moram nossas opiniões, crenças e sentimentos.  É onde a gente se encontra secretamente com a gente mesmo, onde nossos pensamentos se organizam, onde tudo que está ao redor passa a fazer sentido.

E se somos a nossa memória, que sejamos algo que valha a pena ser lembrado e que não mereça ser esquecido. Não falo de títulos, méritos, nem reconhecimento. Falo de alma, coração e, claro, intensidade.

Por Renata Stuart

Quando a princesa cai da carruagem …

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 2 Comments

Aconteceu. Eu achei que esse dia não chegaria, mas, sim, finalmente, ele chegou. Eu amanheci mais disposta do que havia me deitado, mais leve, mais presente, mais ‘eu’ e menos ‘zumbi’. Era como se as lágrimas que derramei no travesseiro até pegar no sono tivessem sido os seus últimos vestígios dizendo adeus. Sim. Quando me olhei no espelho, percebi: Você não era mais parte de mim. Eu havia aprendido a andar de bicicleta novamente, sem rodinhas, sem você.

Então não era mentira quando todos me diziam que isso ia passar. Não eram palavras vazias quando me disseram que eu iria te esquecer e que você era só uma das centenas de decepções que eu teria na vida. Achei esses consolos tão inúteis e óbvios, mas eu estava ali, diante do fato se concretizando, e me redimindo. Sim, era tudo verdade. Passou. E, acredite, esse texto não é uma tentativa de chamar sua atenção. Aliás, eu nem espero que você o leia.

Como eu me sinto boba pelas vezes que disse que não saberia viver sem você. É claro que sei. Eu sempre respirei normalmente antes de te conhecer e, agora, olha eu aqui de novo, de pé, inteirinha, aliás, nunca estive tão viva, tão próxima de mim mesma. Você ofuscava a minha visão, você era tão dominante na minha vida que acabei não dando a atenção necessária a mim mesma, aos meus gostos, aos meus interesses, aos meus desejos, aos meus prazeres. Você consumia muito de mim. Não te culpo. Na verdade, eu é que estou aprendendo a me amar agora.

Mas quer saber? Apesar de me achar uma ingênua, também me sinto madura, pois começo a perceber que a vida tem disso mesmo e, sim, se decepcionar faz parte da nossa existência. Faz parte esperar das pessoas mais do que elas podem nos dar, faz parte depositar confiança em excesso em quem não merece, faz parte não ser o que as pessoas querem que sejamos, faz parte ouvir e fazer promessas que nem sempre ou quase nunca são cumpridas. Palavras parecem fortes e intensas no momento em que são ditas, mas se esvaem com uma facilidade grotesca.

Estou muito bem, é bom que você saiba. Mas devo dizer que também não sou tão dura assim. Senti vontade de te ligar na semana passada, quando fui aprovada naquele concurso para o qual eu abri mão de estar com você muitas vezes para estudar. Em um final de semana desses, eu estava cansada e não tive vontade de sair e devo assumir que, por um instante, senti saudade de nossas noites de sábado em casa, com uma janta simples, um edredom e um filme.  Sabe como é, sexta-feira passada senti falta de receber aquela sua ligação após o trabalho. “E então, o que temos para hoje?”. Era bom ter uma companhia segura, que eu sabia que me acompanharia até nos piores eventos ou, melhor, que tinha o dom de transformar um evento ruim em algo único.

Mas sabe, esses relapsos já estão indo embora. Acho que eu sinto falta mesmo é de ser especial para alguém, só isso. A qualquer momento, outro vai vir e vai ocupar o lugar que um dia fora seu. O seu retrato na minha cabeceira será substituído e, adivinhe, eu vou amar de novo. Pois é, funciona assim. Os relacionamentos são voláteis e, às vezes, o amor também tem prazo de validade. Cética, eu? Nada, meu bem. Só estou aprendendo a viver.

Por Renata Stuart

Nossa história em poucas linhas…

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments

Tudo começou cedo demais. Eu era nova, você também. Mas ao mesmo tempo, foi tudo intenso demais. De uma amizade despretensiosa, nasceu um sentimento puro, verdadeiro, gostoso, natural. Daí vieram as coincidências, todas conspirando ao nosso favor.  Conversando, descobrimos que nossos pais se conheciam há mais de 20 anos, que meus pais te carregaram no colo, que meu pai já teve, antes mesmo de eu planejar vir a esse mundo, um comércio ao lado da sua casa. Aquilo foi incrível. De alguma forma, parecia que nosso encontro, naquela academia, estava marcado, até para mim que não acredito em destino. E não é que remexendo fotos velhas, achei até uma foto sua com minha irmã mais velha numa festa junina aqui do bairro?

Enfim, embora eu estivesse com a ideia fixa em mente de que não queria me envolver num relacionamento sério tão cedo, lá estava eu. Conversando com você todos os dias por telefone. Te conhecendo, rindo de você, fazendo você rir, fazendo confidências. Não pude fugir desse sentimento, da sintonia que rolava entre a gente, dá vontade de desvendar a sua vida e de fazer parte dela. E deixei a vida me mostrar o que ela estava me apresentando.

E aqui estamos, mais de cinco anos depois, caminhando juntos. Mais velhos, mais vividos, mais maduros. Já passamos por cada fase que confesso: achei que não chegaríamos longe. Mas a verdade é que, apesar de todos nossos desentendimentos, brigas, diferenças, a gente sempre se completou. E não desistimos nos primeiros problemas. No fim das contas, as alegrias, o carinho, as brincadeiras, o amor, a confiança, o respeito, a saudade , – tudo isso – pesou mais na balança.

E eu fui percebendo que príncipe encantado não existe. Aquela ideia de um homem de olhos claros, cavalheiro, romântico, carinhoso e divertido 24 horas por dia ficou lá na minha adolescência. Ninguém é perfeito e, se fosse, seria um tédio, imagino. Mas uma coisa é fato: Apesar dessa dose de realismo, ainda sou romântica, sempre vou ser, essa é a minha sina. Ainda preciso dos momentos intensos e cinematográficos para sobreviver, nem que seja aquele beijo intenso depois de uma briga dramática. (não ria de mim, você sempre faz isso!). Mas sabe, aos poucos, comecei a aceitar os defeitos e ver a beleza existente neles. Comecei a entender que você não tem culpa da minha projeção de amor ideal, amor perfeito. Comecei a diferenciar o amor dos livros, dos filmes, dos romances do amor da vida real. E comecei a ser mais feliz assim.

Hoje, com essa carga enorme de história, sei que nem tudo é para sempre. Muita gente fala que um namoro longo como o nosso, que começa cedo e dura anos, tem grandes chances de acabar no meio do caminho, de não resistir ao tempo… O desgaste, a rotina, a monotonia são as justificativas, geralmente.  Mas afinal, que caminho é esse que temos que seguir? O casamento e o “felizes para sempre”? Quer saber: Não estou preocupada com isso agora. Casar não é meu projeto de vida, é apenas um desejo futuro. Quero viver o agora. O dia a dia ao seu lado, construindo uma história bonita, dividindo sonhos, vislumbrando metas, realizando-as juntos. E por aí vai.  O futuro é consequência. E também acredito que cada casal tem uma história. Não dá pra generalizar, o que dá errado para um, pode dar certo para outro.

E, acredite, mesmo depois de tanto tempo juntos, eu ainda me pego rindo sozinha às vezes, lembrando de você, das coisas bobas que só você faz. Acho que não preciso de mais nada para saber que, sim, eu amo você. Hoje, agora, neste exato momento em que você me lê, eu amo você.  Não digo que será para sempre, isso só o tempo pode dizer. Talvez algum dia tenhamos que seguir caminhos diferentes, não nego essa possibilidade. A vida dá voltas, quem sou eu para afirmar que conosco vai ser diferente?  Bom, mas eu espero que seja. Eu espero que dure. E eu espero que cada dia continue sendo assim. Mais quentinho, mais aconchegante, mais seguro e mais feliz ao seu lado.

Por Renata Stuart

Quando a paixão faz as malas…

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 14 Comments

Tenho que confessar. Hoje, depois de anos ao seu lado, descobri que não sou mais apaixonada por você. Me dei conta disso em uma conversa descontraída com meu primo. Eu, intrusa como sou, perguntava como andava o namoro dele, se ele estava apaixonado pela moça e tudo mais. Ele, de forma crua e objetiva, disse: “Apaixonado não, acho esse sentimento muito forte para definir o que sinto”. Eu, boquiaberta, questionei: “Mas como você namora alguém sem estar apaixonado?” E ele, curiosamente me retrucou perguntando se eu era apaixonada por você.  Fui pega de surpresa. Dei uma pausa meio pensativa – pausa que nem eu mesma entendi – e soltei: Já fui.

Acho que a paixão surge inevitavelmente no início de um relacionamento a dois. Quando a relação ainda é 0km, repleta de expectativas e novidades. Quando a gente não sabe o que o futuro nos reserva mas, ainda assim, quer se entregar e correr todos os riscos. Quando a emoção fala mais alto, sempre. Paixão pressupõe loucura, insensatez, patologia, irracionalidade.

E ela chega sozinha, despretensiosa, inocente, sem juízo, nem sequer imagina que pode vir a se tornar amor. Com um tempo, a casa vai ficando familiar, o cantinho se aquece, as coisas se ajeitam, se assumem e se revelam. O amor chegou. Até certo tempo, a paixão e o amor até caminham de mãos dadas, construindo cada pedaço da história, intercalando e equilibrando a intensidade da paixão com a calmaria do amor. E assim vai. Até que o tempo passa e chega a hora de cada um seguir seu rumo.  A paixão faz as malas e o amor fica.

O amor é mais sensato. Seguro, estável, mais inteiro, mais concreto. Amor pressupõe reserva, promessa. Cada um já tem um lugar reservado dentro do coração do outro e ponto.  Não há segredos, não há mistérios. Todas as perguntas já foram respondidas. Não há conquista, não há sedução, todos os sentimentos já foram declarados. Não há mais fantasia, nem ilusão, pelo contrário. Há uma boa dose de realidade, de rotinas, de obstáculos, de aprendizado, de paciência e de maturidade.

Em resumo, é o que dizem: a diferença entre estar apaixonado e amar é a mesma diferença entre por enquanto e para sempre. Não que o amor seja sempre eterno – sou romântica, mas também realista – às vezes o amor se vai, e os motivos – inúmeros e complexos – nem me atrevo a tentar listá-los.  Mas o que eu quero dizer é simples: é preciso encarar que amor e paixão fazem parte de fases diferentes, podem até coexistir em certos momentos isolados – aliás, isso é fundamental – mas um deles sempre vai prevalecer. E acredite, com o passar do tempo, o amor prevalece.

Portanto, não fique triste. Eu disse que não sou mais apaixonada por você. Mas, psiu: ainda te amo.

 

Por Renata Stuart

Ela é assim

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 11 Comments

Ela parece boba, inocente, sonhadora. Mas não é nada disso. Ela é só uma espécie em extinção. Ela idealiza tudo, enfeita o banal, colore o medíocre, e enxerga uma luz no fim de qualquer túnel escuro.

Ela não teme. Não teme o inesperado, o desconhecido, nem a desilusão. Ela se ‘joga’ mesmo, de olhos fechados e sem pára-quedas. Seu lema é que a vida, de tão rara e curta, deve ser vivida por inteiro. Sim, ela alimenta expectativas, dá mais do que recebe e sonha alto.

É apontada como uma  inconsequente, desvairada, sem juízo, mas não. Ela tem dentro de si uma ânsia em acreditar, tentar, arriscar. Ah, e ela também não sabe esperar. É urgente no que quer.

Romântica incurável, ela não acha ilusão acreditar em fidelidade nem em amor eterno. Ela crê nisso, mas não encara isso como pré-requisito para a felicidade. Ela sabe que a felicidade é totalmente relativa. Mas sabe também que, em qualquer caso, felicidade exige coragem. E muita.

Ela tem pena de quem aceita conviver com a incerteza, com a dúvida, com o morno. Ela prefere o ‘não’ seco, do que o ‘talvez’ doce. Ela parece sensível, mas é forte. Ela parece dura, mas é frágil. Ela não é nenhuma bonequinha de luxo, boazinha, meiguinha, mas tem um coração que não cabe dentro de si.

Ela é impulsiva, e por vezes deixa as emoções falarem por si só. Ás vezes, embalada pelo frenesi do momento, solta as palavras meio que num ato escorregadio. O que costuma lhe gerar sérios problemas. Mas embora as palavras não voltem, ela até tenta reparar a bagunça que causou.

Ela se machuca, sim, não é difícil prever isso. Mas não por que quer, ela não é nenhum tipo de masoquista. Mas sim por que é escrava da urgência, do completo, da intensidade, do agora. E nem sempre o mundo fala a sua língua e acompanha seu ritmo.

Quem é ela? Não sei, só sei que ela é assim.

 

Por Renata Stuart