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A notícia que mudou a noite

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 7 Comments

Tinha tudo pra ser só mais uma noite de sexta-feira típica, de duas aulas, algumas conversas e o retorno pra casa para dormir, já que sábado pela manhã também é dia de aula. (eu sei, isso é péssimo). Mas, ao chegar na faculdade, a notícia que mudou a noite: A professora de Metodologia Científica foi dar à luz!  A pequena Clara resolveu vir ao mundo antes da hora.

Muito bem. Na falta do que fazer, resolvemos ir ao ‘requintadíssimo’ bar do Itaobim, a única opção em frente à universidade. Não éramos muitos, mas éramos uma pequena parcela da turma afim de não deixar a sexta-feira passar em vão. Apesar de manter grupos, nossa turma possui uma certa energia que une a todos. É muito bom isso. Nunca existiram brigas, richas, ou coisas do tipo? Mentira, existiram sim, mas a essa altura do campeonato do curso, a gente se preocupa menos com isso.

Mas enfim, voltando ao bar do ‘bim’. Era dia de vinhada, rua cheia, viaturas policiais para conter a bagunça, música cortada, cerveja cara. Melhor não, inventamos nosso próprio programa. Um sprite, um run big apple e alguns copos de plásticos resolveram nosso problema. Fomos para um canto qualquer alheio ao bar e a largada foi dada.

Eu, que estava num dia lento, tedioso e super cansada, logo comecei a me animar. Conversas, besteiras , trocadilhos de bar. Depois vieram os desabafos, os casos. Álcool entrando, censura diminuindo, inconsciente se soltando. E se inicia o momento de ‘lavar a roupa suja’. Questões antigas foram colocadas em pauta, briguinhas passadas se tornaram motivo de risadas. Muitas risadas e muitos “Isso não importa mais”. E não importava mesmo. Podia parecer papo de bêbado, mas a meu ver, tudo ali era sincero.

A bebida acabou. Que venha mais. E assim foi. O álcool a essa altura já inibiu o hormônio anti-diurético de todos, e é aberta a seção ‘preciso ir ao banheiro’. Divertimos horrores. Risadas incontroláveis no banheiro. Da biblioteca, por sinal.

E a noite foi seguindo. Deu a hora de começar a segunda aula. (e que aula boa, hein? rs) Melhor não. Nesse estado, tudo que iremos fazer é causar balbúrdia. Vamos ficar aqui mesmo. Levar duas faltas não parecia nenhum problema, pelo menos não naquela hora.

E o álcool, adentrando ainda mais em nossa mente, deu início a seção “Chororô”. Um contando a sua vida aqui, outro ali. Todos repletos de problemas, dúvidas, lamúrias, tristezas. Ninguém tem a vida perfeita, concluímos. Todas aquelas verdades internas, aqueles sentimentos que a gente guarda para si, tudo isso é ocultado no dia a dia, na correria que a vida nos faz levar. Mas ali não. Ali era hora de externar tudo.

Foi um momento único, onde cada um pôde conhecer um pouco mais do outro, descobrir lados que a gente nem imaginava existir. “Eu te amo” “senta aqui do meu lado” “te admiro muito” “ainda bem que eu te conheci” fizeram parte da seção ‘Declarações’.

E assim foi a nossa noite de sexta-feira. Nenhum barzinho sofisticado, não tinha música e nem cadeira. Mas tinha calor humano, diversão e amizade. E é chegada a hora de voltar para casa e ‘capotar’, ainda que a cabeça estivesse rodando. Vieram despedidas, beijos e muitos abraços. Mas espera. Falta o brinde: “ao sucesso dos outros, porque o nosso está garantido!!!”.

Por Renata Stuart

Amigo não cobra, pede.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 8 Comments

Uma das coisas que mais valorizo é a amizade. Ser o porto seguro para alguém é tão bom quanto saber que você também tem um refúgio, um território conhecido, uma espécie de divã, de onde você pode se abrir, sempre que precisar. Adoro quando uma amiga me procura para compartilhar uma conquista, um desabafo, ou uma fofoca que seja. É sinal de que a minha opinião, ou simplesmente a minha atenção, significa algo para ela. Isso pra mim é amizade. Como dizem mesmo? A amizade multiplica as alegrias e divide as tristezas.

Mas até que ponto nossos amigos precisam carregar nossas tristezas? Já passei por situações muito tristes na vida. Situações que, sempre que me veem a memória, arrancam lágrimas que dariam um rio. O fato é que nem sempre meus amigos estavam por perto, segurando a minha mão. Não os julgo por isso e nunca cobrei isso deles. Quando estamos enfrentando uma luta na vida, a nossa vida pára e, nem por isso temos o direito de esperar que a vida das pessoas que amamos pare junto com a nossa. A vida é corrida e, mesmo que o mundo esteja prestes a desabar sobre mim, ele não gira em torno do meu próprio umbigo. O ponteiro do relógio não interrompe seu percurso. A vida me ensinou isso.

Claro, nessas horas só queremos alguém para desmontar em cima, para gritar, para sofrer junto. Mas, além do amor, outra coisa que não se cobra é o tão esperado consolo. Tem gente que passa por um problema – como se fosse a única pessoa que está sofrendo na face da terra – e tudo o que faz é se fazer de vítima, bancar o excluído, que ninguém ama, e ninguém se importa. Só sabe cobrar um gesto, um ato, uma reação dos amigos.

Ombro, colo, consolo, abraço forte, uma palavra de apoio ou até um silêncio compartilhado – tudo isso é muito bom –  mas quando é natural, de coração. Essas coisas acontecem na hora certa, quando o coração sente que precisa oferecer. Cada um tem o seu momento e cada um tem um jeito de encarar a vida, a morte, a dor. Não devemos esperar que as pessoas façam o que nós faríamos. Algumas pessoas se recuam diante do sofrimento, faltam palavras, falta jeito para entrar no assunto. Não cabe a mim julgar que, por isso, elas não se importam comigo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por que, ao invés de esperar a força vir até nós, não vamos até ela? Falta humildade para ligar e dizer: ‘amigo, preciso de você’. Só quem é amigo mesmo ousa fazer isso.

E tem aquele tipo que espera muito e pouco faz. Já vi pessoas cobrando coisas que nunca – nunca mesmo – fizeram a ninguém. É muito fácil esperar consideração, cobrar sentimentos, exigir atenção. O difícil é abrir os braços, se doar e se colocar inteiramente à disposição do outro. Isso sim é raro.

Acredite, as pessoas nem sempre vão corresponder às suas expectativas, nem sempre vão te bajular ou se curvar diante de você (tem gente que gosta é disso), nem sempre estarão ali, no stand by à sua espera, e nem sempre vão concordar com a sua opinião. Às vezes elas erram, pecam por distração, pecam por medo, pecam por serem diferentes de você e te decepcionam. Ignorância é virar as costas e perder uma amizade de valor pela simples necessidade de estar no centro das atenções.

Por Renata Stuart

Em boa companhia

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 2 Comments

Bom mesmo é estar com quem a gente gosta. Cuidar para manter perto quem nos faz e nos quer bem e se afastar de quem nos faz e nos quer mal. Cultivar velhas amizades para que ganhem mais força com o passar dos anos, cavar novos espaços no coração e deixar mais calor humano entrar. Jogar água no amor, todos os dias. Plantar gentileza aqui, colher sorriso ali. Não quero perto de mim gente mesquinha, gente mascarada, gente inconveniente. Não sei suportar. Não sei rir sem vontade. Não peço que tenham bom humor constante, que sejam bonitos, nem que tenham uma casa na praia para eu passar os finais de semana. Só um pré-requisito se faz necessário: Que sejam de verdade. Que falem o que a voz de dentro mandar. Que sejam poucos ao meu redor, mas que sejam de carne e osso. Que sejam dotados de energia positiva e que tenham uma só pele. Que sejam apenas, em qualquer hipótese, uma boa companhia. Um brinde às pessoas que eu amo.

Afinal, o que é confiança ?

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 4 Comments

confianca

O dicionário Aurélio a define como 1.Segurança íntima de procedimento 2. Crédito, fé. 3.Boa fama.

Para mim, confiança nada mais é que ausência de medo. Quando há confiança, não há medo de arriscar, de errar, de se machucar. É simplesmente se entregar, sem sofrer por antecipação pelas consequências, pois a confiança não nos deixa ver o que pode dar errado. Confiança é também otimismo. É doar-se a alguém sem medo de estar sendo enganado.

Confiança é certeza. Certeza de que sua melhor amiga não te difama quando você lhe dá as costas e certeza de que ela irá te defender se alguém o fizer.Confiança é ousadia. Só os ousados não temem o erro. E quando o erro acontece, confiança é esperança. Só quem tem fé continua e persiste até obter êxito.

Confiança é alma leve, tranquilidade transbordando, paz interior. Nos relacionamentos, confiança é reciprocidade, é mutualidade. Se não for uma via de mão dupla, ela não existe. Confiança é respeito, é amor, e, sobretudo, fidelidade. Mas a confiança brota de dentro, logo, quem não confia em si próprio, tampouco confiará no outro.

Entretanto, infelizmente, nos últimos tempos, o excesso de confiança no outro tornou-se sinônimo de ingenuidade! Ora, mas quem disse somos espertos? Diversas vezes insistimos em confiar, confiar …até que o pouco de confiança que nos resta, começa a se dissolver nas mentiras, nas decepções e nas surpresas desagradáveis da vida. Sim, os laços estão frouxos, os cadeados não travam com a mesma força e os interesses estão falando mais alto que os sentimentos. “O mundo é dos espertos”, é o que ouvimos. “Desconfie, tenha sempre aquele pezinho atrás”.

Ok, tenho que concluir que, sim, temos que seguir esses dolorosos conselhos. Mas também não sejamos radicais.
Não exclua toda e qualquer chance de confiar em alguém. Modere sua confiança nos outros, sim, vá com calma, o mundo está mesmo louco e não se sabe para onde foram os critérios de bom caráter.

Mas, não se esqueça: confie [sem moderação] em si mesmo!

Tenho certeza que você não irá se decepcionar!

 

Por Renata Stuart