Sobre o que vivi [e aprendi] na Irlanda


Eis que chegou a minha hora. Hora de dizer adeus ao frio país que me acolheu de forma tão calorosa. Sim, eu, que apesar de super apegada à família, (quem me conhece sabe ) sempre tive uma inquietação e uma sede de liberdade dentro de mim. Hoje, não tenho dúvida: largar a minha zona de conforto cerca de 2 anos atrás e me jogar no mundão foi a melhor decisão que já tomei. Por onde começar? Foram tantos desafios. Dividir a casa com pessoas de outros países (lidando com a diferença cultural), ser babá e morar com uma família incrível de irlandeses por mais de 1 ano (aprendendo a AMAR de verdade crianças que até então eu nem sabia da existência). E mais: ser “membro” de uma família que não é sua e se adaptar a um ritmo e estilo de vida novos. Tudo isso somado à enorme responsabilidade de zelar pela segurança de pequenos seres que são tudo na vida de outro alguém.

Depois, outra missão: ser garçonete em um tradicional pub irlandês servindo locais e turistas do mundo todo. Carregando bebida e comida, tendo que entender o inglês nos mais variados sotaques, sendo extremamente simpática mesmo num dia mal, lidando muitas vezes com o mau humor das pessoas, e (ainda bem!), esbarrando com clientes amáveis que transformam o dia de qualquer um. Abrir mão dos lazeres dos finais de semana para trabalhar ou aguentar tratamento rude do chef de cozinha e da gerência não foram nada perto das longas horas de trabalho, tendo horário de almoço “na hora que der”, acostumando o corpo a ficar algumas boas horas sem comer. Mas consegui. E sensação melhor que essa não há. Hoje, vejo o garçom com outros olhos, com mais compreensão, respeito e admiração.
Todo trabalho é trabalho, e só entende isso quem tem grandeza espiritual e humildade.

Além de um novo idioma e experiência de vida, o MELHOR que levo dessa jornada são as pessoas que me marcaram, de vários cantos do Brasil e do mundo!  Gente que fez eu me sentir em casa e que vou levar daqui pra vida. Ahh, que saudade sentirei de vocês!! Obrigada a cada um por tudo de bom que compartilhamos! Aos que já foram e aos que ficam na ilha…vejo vcs pelo mundão!

Levo também mais autoconhecimento e sabedoria, afinal, estando sozinha e longe de casa – por conta própria – a gente descobre mais sobre o que somos e evolui nas dificuldades. Quando se divide o mesmo lar com pessoas que não são sua família, por exemplo, você começa a relevar muitas coisas que talvez não relevasse antes, com sua irmã, pai ou mãe. Dai passa a entender que, muitas vezes, em uma discussão, precisamos abrir mão de estar com a razão para estar em paz. 🙇‍♀️ Além disso, simples fatos ganham destaque: todos somos diferentes, as pessoas não são obrigadas a corresponder suas expectativas e os seus problemas não são os únicos.

Resumindo, meus caros, vou embora com a bagagem pesada, carregando com gratidão e alegria. Só posso dizer que faria tudo de novo. Tive que sair do meu mundinho para constatar que SIM, as fronteiras do mundo existem, mas nós fomos feitos para ultrapassá-las.

E ainda mais corajoso do que ter vindo até aqui, é agora o ato de voltar. Ainda melhor do que viajar, é ter sempre para onde e para quem voltar. Brasil, ai vou eu! Thanks for all, Ireland.

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Desabafos

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 28 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Gosta de se jogar, e mergulhar nas intensidades da vida. Nas palavras, encontra uma forma de colocar pra fora seu olhar sobre a vida! Escreve sobre o que sente, o que vê, o que ouve ou o que der vontade.

Add a Comment