Precisamos falar sobre relacionamento abusivo


Mulheres são agredidas física e psicologicamente todos os dias no Brasil. Para citar apenas dois casos – são milhares – tivemos o triste caso da advogada que foi morta pelo namorado após ser espancada em seu prédio, cerca de dois meses atrás. As imagens chocam e revoltam a qualquer um. Na última semana, foi o caso da mineira Melissa Gentz, de 22 anos, que, após ser agredida pelo namorado, divulgou sua história nas redes sociais contando detalhes de como seu namorado a tratava até chegar na agressão física. Os sinais de que aquilo não era amor estavam ali desde o início, mas ela não pôde ver. Por quê? Porque não é algo simples de se perceber. O controle, a manipulação e os insultos se misturam com alguns momentos muito bons, e é preciso ter inteligência emocional, autoestima e coragem para sair desse ciclo.

Relacionamento abusivo. Esse tema precisa ser mais abordado. Você, com certeza, mesmo sem saber, conhece alguém que já esteve em um relacionamento assim, ou conhece alguém que está passando por isso e ainda nem se deu conta. Talvez a pessoa até sabe o que está enfrentando, mas não consegue sair. Sim, isso é muito comum também. Nestes casos, o abuso psicológico é tão forte a ponto de manter a pessoa ali, mesmo que aquilo esteja lhe trazendo mais tristeza que alegria.

Ao longo deste texto, vou seguir tratando a palavra ‘abusador’ no masculino, mas que fique claro que o causador do abuso também pode ser a mulher. Os abusadores estão em toda parte. Está naquela menina doce da voz meiga que você conhece, que trata o namorado feito um lixo, ou naquele cara legal e de boa família, que quando se relaciona com alguém tem a necessidade de controlar, usar e manipular.

Há diferentes níveis de abuso. As pessoas tendem a falar mais do abuso físico, pois esse, de certa forma, não deixa dúvidas, afinal a prova está ali. No entanto, o abuso físico é o último estágio de um relacionamento abusivo. O abuso psicológico é tão agressivo quando o físico.

Começa com uma crítica sutil, ou uma brincadeira “você é louca” ! Daí vai para uma ofensa “você é uma idiota”, “você só fala merda”, evolui para uma ameaça, “se você não mudar, vai acabar com nosso relacionamento”, um grito (!!!), uma chantagem emocional aqui e outra ali, desvalorização “você é uma pessoa muito difícil, não vai achar ninguém que te suporte como eu suporto”, e muita culpa “você faz tudo errado, a culpa é sua” e por ai vai. Na maioria das vezes, ninguém vê isso. Perto dos outros, ele te trata como uma princesa. Nas redes sociais, é felicidade que não cabe nas fotos.

Há alguns casos de controle e ciúme excessivo, em que o abusador te trata como posse e te afasta dos seus amigos, inclusive os criticando, “aquela sua amiga é falsa”, “eles não gostam de você como eu gosto”. Às vezes, o abusador cria ainda situações para testar até onde vai o seu autocontrole e, se você cair na dele, ele terá o prazer atingido ao dizer “está vendo, você é uma louca”. Sim, ele quer te fazer perder o controle. Ele irá dizer coisas que você não é ou que você não fez, só pelo prazer de ver você se defendendo, se explicando, se remoendo. No começo do relacionamento, ele dizia que a ex era louca. Hoje, acredite, a “louca” é você. Aliás, está aí um dado: a frase “ela é louca” é uma das mais ditas por um abusador, quase que um alerta vermelho que expõe quem ele é! Por isso, toda vez que você ouvir alguém dizendo isso, duvide e se questione. Você não conhece o outro lado da história.

Sem mais delongas, o que eu quero dizer com esse texto se resume em algo simples: limites!
Impor limite é determinante para evitar que as coisas piorem. A gente só aceita o tratamento que acreditamos merecer. A cada vez que você aceita o que te faz mal você está se anulando e, ao mesmo tempo, criando um “monstrinho”, que vai se achar no direito de te tratar da forma que bem entender. E assim, resultado em humilhação, as vezes traição e, infelizmente, até agressão.

Por isso, eu digo:

Ao menor sinal de falta de respeito, fuja.
Ao menor sinal de agressividade, fuja.
Ao menor sinal de falta de empatia, fuja.
Se ele não fica feliz por suas conquistas, fuja.
Se ele te diminui para se sentir melhor, fuja.
Se ele faz joguinhos para te deixar mal, fuja.
Se ele te pune com silêncio passivo-agressivo, fuja.
Se ele te coloca pra baixo, fuja.
Se ele te deixa confusa, triste e se sentindo culpada, fuja.

Relacionamento foi feito para ser saudável. Você precisa de alguém que te coloque pra cima. Que torça por você. Que te motive. Que te inspire. Que valorize seus reais sentimentos. Defeitos todos temos, mas é preciso claramente definir seus limites e entender os “defeitos” que você está disposta a aceitar. Nenhum relacionamento vale a sua saúde emocional, o seu amor próprio e a sua paz interior. ❤

Se esse texto te fez lembrar do seu relacionamento, fuja.

E, se conseguir fugir, seja grata a Deus por esse livramento!

 

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Reflexão

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 28 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Gosta de se jogar, e mergulhar nas intensidades da vida. Nas palavras, encontra uma forma de colocar pra fora seu olhar sobre a vida! Escreve sobre o que sente, o que vê, o que ouve ou o que der vontade.

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