Parei pra falar sobre o tempo

Ando me assustando muito com o tempo. A semana começa preguiçosa, parecendo que será arrastada e, quando menos espero, a sexta-feira se esbarra em mim. O dia parece que será longo e produtivo, mas nem metades das tarefas são concluídas. O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso. Tentamos controlá-lo com nossas medidas, nossos calendários, nossos relógios, mas é inevitável.

O tempo nos fala o tempo todo. Não só através do tic-tac latejante dos relógios, mas através das fotos, do espelho, da maturidade, das responsabilidades que se fazem cada vez mais presentes. O tempo é o cansaço exposto nas olheiras, é o surgir das rugas, é o escurecer e o amanhecer. O tempo é a juventude dizendo adeus, é a experiência pedindo passagem, é o futuro dizendo “cheguei”.

O tempo é movimento. É aquele ardiloso que se vai, mas deixa, lá no fundo, um desejo surreal de ser criança novamente. Uma nostalgia gostosa da simplicidade, da inocência, da esperança inabalável, dos sonhos tolos e da ausência de responsabilidades. O tempo é um vento que passa despercebido, de forma inconsequente, levando nossos dias, nossa juventude, nossas coisas, e ‘nossas pessoas’, (que na verdade não são nossas). Somente os sentimentos fortes, que de tão desesperados, se seguram nas árvores e resistem a ele.

Mas o tempo é o único que nos dá a oportunidade de tentar de novo, de fazer de novo e melhor. É o único que nos dá a chance de recomeçar. É o tempo que faz todas as nossas ilusões caírem por terra, é ele quem pega aquilo que, antes, nos abalava e converte em coisas que, hoje, não nos dizem absolutamente nada.

É o tempo que faz o medo encontrar a coragem no meio do caminho. É o tempo que tem a incrível capacidade de converter mágoa em perdão, é o tempo que nos reinventa, nos incrementa e melhora a nossa visão. Sim, melhora, pois chega um momento em que a gente vê a vida por outro ângulo, com mais nitidez.

A gente se dá conta de que as nossas escolhas, até as mais simples, determinaram o rumo que tomamos. E a gente compreende que a vida é o resultado da bagagem que carregamos dentro de nós. Tudo passa a fazer sentido.

O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso, eu já disse isso no início. Mas podemos e devemos eternizá-lo à nossa maneira. Eternizar o tempo, a meu ver, é deixá-lo registrado com a satisfação, o prazer e não com o arrependimento, não com o gosto amargo de uma vida sem intensidade. Eternizar o tempo é viver fazendo o que se gosta, estando com quem se gosta e sendo como quem a gente gosta de ser. Um dia de cada vez.

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Reflexão

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 26 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Romântica incurável, intensa e fã de pessoas, escreve para tentar entender o comportamento humano, os relacionamentos e a si mesma. Desistiu e chegou à conclusão de que a vida não se explica, se sente.

19 Responses to Parei pra falar sobre o tempo

  1. Rogerio Teixeira

    Oi Renata, em primeiro lugar, parabéns pelo blog e pelo maravilhoso texto, em segundo lugar peço desculpas por citar um trecho do seu texto no meu blog, caso não te agrade, eu retiro na hora, me desculpe mas fui salvo há tempo por você!

  2. Marcela Soares

    Nossa Rê, é bem assim mesmo. A gente vive essa questão do tempo passando rápido, mas na hora que você coloca isso no “papel”, tudo torna-se muito poético e bonito. Tá cada dia melhor.
    Acho que teremos uma cronista de futuro, hein?! Beijo

    • Renata Stuart

      Ahh, amiga. Obrigada, mesmo!
      Sua opinião é MUITO importante pra mim :)
      Cronista eu? será?! ainda falta um bocado pra chegar lá viu! rrss
      Beijo!

  3. Ellen Diniz

    Renata, é bom você parar de dizer o que eu penso, ein. hahahaha. Tá cada dia mais bem articulado os seus textos. Tá até me incentivando a voltar com meu blog… Vamos ver, né. Beijos!

    • Renata Stuart

      hahaha, que bom saber que a gente pensa igual, Ellen!
      Obrigada mesmo :) Volta com o seu blog sim, dou todo apoio!
      Qual é o endereço?
      Beijos!

  4. Luciana Santa Rita

    Oi Re,

    Tudo bem? Maravilha de texto! Sabe o que penso?Não é o tempo que escorre de nossas mãos, mas a vida que exige que estejamos em diversas frentes, o que nos deixa ansioso, indisposto e as vezes impetuoso.

    Beijos e bom domingo.

    Lu

    • Renata Stuart

      Ei, Lu !
      Valeu mesmo =)
      Concordo contigo. A vida nos exige muito mesmo…e muitas vezes o tempo que temos não nos parece suficiente para tanto!
      beijos e uma ótima semana!

  5. Luciana Souza

    Oi Renatinha
    Muito bom texto, mais uma vez. O tempo voa…….
    Eu tirei o final de semana prá comentar nos blogs dos amigos e o sábado já está acabando. Então é isso, eu sempre falo, o tempo pode ser nosso amigo ou nosso inimigo, a gente tem que saber aproveitá-lo da melhor maneira possível.
    Bjão e um ótimo final de semana!
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br

    • Renata Stuart

      Oi, Lu!!! Pois é, fico ansiosa para o fds chegar e, quando começo a descansar, já é domingo a noite e o desespero toma conta. rs
      Mas você disse tudo, o tempo pode ser nosso inimigo ou amigo, isso só depende de nós mesmos! Ou você o usa com sabedoria, ou ele te controla!
      Beijos, e tenha um final de semana maravilhosoo, que você saiba aproveitar cada segundo do seu tempo! :)

  6. Victor Serrano

    A pouco tempo atrás, eu também pensei sobre o tempo e suas complicações, mas se pensar como você, talvez tenhamos chegado a melhor maneira de ver o tempo passar. Sempre procurando um angulo melhor para enxergar a vida.

    Foi essa a postagem sobre o tempo.

    http://universovonserran.blogspot.com.br/2012/02/crise-da-meia-idade.html

    Beijo Miss Blogosfera

    • Renata Stuart

      Olá, Vitor! Que bom que gostou..Pois é, parei um pouco para falar sobre o tempo e acho que foi um tempo até produtivo, rsrs
      Obrigada pela visita!
      Volte sempreeeeee! e obrigada pelo Miss…hahahaha *-*

  7. Joicy Sorciere

    Essa questão de tempo nos pega de jeito, Re! Penso que tudo é questão de perspectiva.

    Penso que o jeito é não nos desesperarmos, pensando que não foi o suficiente, pq senão sofreremos demais. Falo isso, mas eu mesmo sofro todo o tempo por conta do tal benedito tempo! Ele é mesmo um danado. Mas, como vc bem fechou, um dia de cada vez!

    bjks

    http://umaseoutrasjoicy.blogspot.com.br/

    • Renata Stuart

      Joicyta, somos meio sofredoras né? rs Medo da morte, medo do tempo… mas o jeito é levantar a cabeça e viver um dia de cada vez mesmo! rs
      Obrigada pela visita ;)

  8. L.

    Gostei muito das suas palavras no texto, e cheguei em diversas partes a me identificar. Acho que o tempo é essencial para muitas coisas na vida, no entanto, ele não age sozinho. Afinal, ma ferida pode se curar com o tempo apenas se cuidarmos dela. =D

    Beijos, queijos e cheiros.

    • Renata Stuart

      Oi, L. =)
      Fico feliz que tenha gostado. Eu é que amei a sua visita. Concordo plenamente com você… o tempo não faz nada sozinho, ele nos dá a oportunidade de fazer de novo, melhor e etc, como eu disse.
      grande beijo!

  9. Flavio Ribeiro

    Ola,
    Tem um poeta pouco conhecido que já dizia: “Meu tempo não tem tempo, é frágil e doce é denso…” OU seja, o tempo é muito relativo, depende de cada um fazer ou não bom uso dele, não é ?

    Excelente texto!

    Abraços Flávio.
    –> Blog Telinha Critica <–

    • Renata Stuart

      É verdade, Flávio. O tempo é cruel ao levar nossos dias….mas se esses dias serão perdidos, passados em vão, é uma responsabilidade só nossa. E, além do mais, só o passar do tempo pode nos levar ao caminho da evolução.. né?
      Obrigada pela visita!! =)

  10. Matt

    O tempo, apesar de ser algo métrico, é tão relativo. Passa rápido nas horas de lazer, passa devagar nas horas de tédio. Tem poder de machucar aqueles que guardam sentimentos ruins ou felicitar os que guardam os bons sentimentos. O tempo é totalmente relativo, o que fazemos com ele que nos dirá o que ele é.
    Abraços

    • Renata Stuart

      Oi, Matt. Seja bem-vindo ao Atelier.
      Concordo plenamente, aliás..esse é um detalhe do qual me esqueci de abordar na crônica.
      A relatividade do tempo.
      Obrigada pelo comentário. volte sempre, viu?
      bj

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