Palavra do Dia – Martha Medeiros


Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

– Martha Medeiros –

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 28 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Gosta de se jogar, e mergulhar nas intensidades da vida. Nas palavras, encontra uma forma de colocar pra fora seu olhar sobre a vida! Escreve sobre o que sente, o que vê, o que ouve ou o que der vontade.

3 Responses to Palavra do Dia – Martha Medeiros

  1. Flavio Ribeiro

    Dor de amor, eis uma emoção bastante complexa, poi o que dói mais: a dor de amor por si só ou a dor de quem nunca amou ?

    Se tudo der errado ficará sempre a lembrança de ter vivido o mais sublime dos sentimentos.

    Parabéns pelo post.

    Abraços Flávio,
    –> Blog Telinha Critica <–

  2. Rui Pires

    Maravilhoso o blog Renata!
    maravilhoso post de Martha Medeiros de quemsou apreciador!

    bj

    • Renata Stuart

      Oi, Rui! Obrigada pela visita. Tbm sou uma admiradora assumida da Martha! Ela sempre fala por mim 😉

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