Mania de querer MAIS

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Mania de querer MAIS

É, eu tenho a mente inquieta e o coração faminto. Tenho sede de viver, sede de sonhar, sede de amar.

Eu quero. Quero mais cor, mais brilho, mais intensidade. Quero mais insanidade, mais aventura, menos preocupação e um pouco de irresponsabilidade. Quero menos palavras e mais ações.

Quero ser surpreendida, quero vê em seus olhos a vontade de me levar pra qualquer lugar sem olhar para trás. Quero me deitar no seu ombro e admirar as estrelas.

Quero ouvir você cantar no meu ouvido, gestos inusitados num dia comum, quero perder o fôlego, quero um amor sem sentido, quero voltar pro século XVIII, quero mais romantismo.

Quero até as lágrimas depois das nossas brigas bobas , um abraço acolhedor e um beijo dado como se fosse o último. Quero a sua paz para aquietar minha pressa, sua calmaria para equilibrar meu gênio forte, quero seu abrigo, quero o sossego de estar com você depois de um dia tedioso.

Quero mais amor. Quero um refúgio para escapar da realidade dolorosa, da rotina maçante, da vida agendada.

Eu sei, você me acha louca.. Você não tem culpa da minha urgência, da minha mania de querer demais, de sonhar demais, de fantasiar demais. Me regula, me  julga chata, dramática, exagerada, autoritária. Tenta frear meus impulsos e minhas ousadias.

Pode parecer demais, eu sei. Se você quiser, pode até me dizer milhares de frases bonitas, elas até soam bem aos ouvidos, mas não me satisfazem, não matam a minha sede. Que culpa tenho eu de amar demais, sofrer em excesso, acreditar ao extremo. Sou assim, o morno nunca me fascinou.

Pode parecer ilusão, eu também sei. Mas, se você pensar bem, verá que não estou pedindo tanto assim. Só quero ser feliz ao meu modo e ver o clássico “Eu te amo” materializado em gestos impensados, imprevisíveis, insanos e verdadeiros.

 

Por Renata Stuart

Vida Cronometrada

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Revirando arquivos antigos do computador, achei a crônica abaixo, que foi feita para um trabalho de faculdade, em 2010, no 1º período, com a participação de mais duas colegas, Marcela Soares e Paloma Melo. =] É um relato de um jovem dos dias de hoje que resume como funciona o tempo na lógica do capitalismo. Achei legal compartilhar isso com vocês. É grandinha, mas acho que a leitura vale a pena. Boa semana!

Nasci em uma grande cidade, onde o fluxo de pessoas nas ruas é constante. Quando pequeno, sempre via minha mãe saindo para trabalhar, e, chorando, eu me perguntava: Por que ela tem que ir? Meu pai acordava às 5h da manhã para trabalhar e eu me perguntava a mesma coisa. Quando comecei a estudar, me perguntava: por que eu tenho que ir para a escola?

E, no decorrer do tempo, percebi que todas as nossas ações giram em torno de um mesmo objetivo: estudar para conseguir emprego, conseguir emprego para adquirir dinheiro e adquirir dinheiro para adquirir bens.

Todos os dias eu acordo às 6h00, me organizo e calculo o tempo exato que vou gastar até me deslocar ao trabalho. Às 6h15, termino meu banho o qual eu gostaria muito de prolongar e, às 6h30, acabo de tomar meu corrido café da manhã e corro para o ponto de ônibus, quase sempre mastigando alguma coisa.

No ônibus, é sempre tudo igual, encontro com as mesmas pessoas, as que dão sorte de conseguirem um assento vão cochilando e eu, como sempre, estou de pé. Às 7h30, chego ao escritório onde trabalho e meu chefe me espera com uma pilha enorme de papéis e, então, tenho que fazer em um dia de trabalho o que qualquer simples mortal faria em três.

Depois dessa longa manhã, é chegada a hora de almoçar. Durante o almoço, faço 1.357 coisas, inúmeras ligações, mando e-mails, resolvo exercícios da faculdade e etc. Quando menos espero, já são 13h e volto para o escritório onde fico até as 17h30.

Em seguida, às 17h45, mais precisamente, entro em um ônibus e, às 18h15, chego ao metrô. Nesse intervalo de tempo, vou pensando em várias coisas, inclusive em como farei para pagar a faculdade nesse semestre, em arrumar outro emprego, em comprar um carro para não precisar fazer esse percurso tão cansativo! Daí me lembro que carro também requer dinheiro para bancá-lo, logo, não posso, de forma alguma, parar de trabalhar para me dedicar inteiramente aos estudos e obter notas melhores. Vou levando como dá.

Enfim, às 18h45 chego na faculdade… Todos indo em direção a sala de aula, os alunos da tarde saindo, ônibus parando, vans estacionando.

Então, vou rapidamente à cantina lanchar, e, lá, todos estão sempre reclamando do cansaço e da falta de tempo. Exatamente às 19h00 começa a aula e me esforço ao máximo para entender tudo para não ter que estudar novamente em casa, afinal, não tenho tempo para isso.  Às 20h40, é a hora do intervalo e aproveito para ir adiantando alguns trabalhos.  Finalmente, às 22h30, saio da faculdade às pressas para não perder a van, onde não converso com ninguém, pois vou cochilando o caminho todo.

Chego em casa às 23:15 e vou ao quarto de meus pais desligar a TV, pois eles já estão dormindo. Sinto falta da época que passava mais tempo com meus pais, mas eu não tenho outra escolha. Se realmente quero ser alguém no futuro e dar uma vida digna a minha família, tenho que abrir mão de algumas coisas. Inclusive deles. Então, Tomo meu banho e esquento o jantar que minha mãe preparou provavelmente umas três horas antes.

Penso em pegar um livro de minha preferência para ler antes de dormir, mas me lembro que tenho inúmeros trabalhos de faculdade para adiantar ou provas para estudar. Assim, faço isso resistindo ao sono até 02h00, quando, finalmente, vou me deitar. Ufa, acho que só respiro porque isso não gasta tempo. É impressionante como, nesse momento, a cama parece ser o melhor lugar do mundo!

Mas, ainda hoje, depois de crescido, entendendo que somos movidos e cronometrados pela lógica do capitalismo, chego à conclusão que não obtive a resposta da pergunta que eu sempre me fazia quando criança: Para quê? Por que tenho que ir? Por que temos que levantar cedo, abrir mão de nossas vontades e buscar incessantemente esse tal “pedaço de papel” que é o dinheiro? Será que vale a pena? Será que isso é mais importante do que chegar a tempo de jantar com minha família, que a cada dia parece mais afastada? Não sei como responder. Mas, quando olho para o relógio, e lembro que, em cerca de quatro horas, estarei de pé novamente, vejo que pensar também demanda tempo, então, fecho os olhos.

Felicidade simples

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Parece piegas, clichezão, mas sempre dei valor às coisas simples. Aquelas felicidades de pequenos momentos. Felicidades bobas, modestas, mas deliciosas. O suspiro de alívio ao chegar em casa depois de um dia cansativo, tirar os sapatos. Abrir a geladeira e matar quem estava de matando. Curtir minha casa. Tomar um banho, lavar o cabelo e ouvir uma música boa enquanto visto a roupa. Curtir os 10 minutinhos de soneca de manhã. Passar o sábado em casa vendo filmes, agarradinha com quem amo. Dormir com barulhinho da chuva. Dar risadas de molhar os olhos em um dia típico, para aliviar o estresse da rotina. E suspirar depois de rir muito – “aiai”. Tomar um açaí com os amigos, curtindo cada colherada devagar, saboreando. Comer um sonho de valsa e fechar os olhos como se o gosto ficasse melhor assim.  Colocar a fofoca em dia com minha mãe antes de ir me deitar a noite. Ver fotos, cadernos, cartas velhas. Lembrar da infância. Como eu amo a nostalgia. Abraçar meu namorado e ficar um tempinho parada ali, sentindo seu perfume. Brincar de ser criança, de inventar apelidos, de lutar, de morder. Fazer drama. Sentar num bar com música ao vivo, ouvir a música, aplaudir e pedir mais. Pedir comida japonesa por telefone com a família e discutir sobre quem comeu mais. Cinema, cheirinho de pipoca. Viajar ouvindo música, cantando e alterando as letras, só de brincadeira. Sentir o vento, a luz do sol. Amo cada pedacinho de alegria que a vida me proporciona. Porque essas felicidades despretensiosas, que pouco prometem, valem muito, pois nunca nos deixam frustradas. Cumprem o seu papel, não alimentam nossas expectativas, e fazem um dia qualquer se tornar especial.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Luís Fernando Veríssimo

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O Quase

Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo) 

Amores são coisas da vida

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As pessoas podem ter as diferenças mais escandalosas, ser completamente opostas no modo de pensar, nos valores, nos ideais, mas, em um ponto, todos somos consensuais:  Amar é fundamental. O amor traz cores a nossos dias cinzentos, traz energia aos dias que se arrastam, traz fantasia para aliviar o choque de realidade.

Ah, o amor. Ele é essencial em todas as suas formas.  Amar a vida, amar o trabalho. Amar a família, amar os amigos, amar a natureza, amar os animais, amar as coisas simples da vida, amar o próximo, amar a si mesmo. Cada um ama de um jeito, – eu amo de forma exagerada, intensa -, outros simplesmente amam, de forma singela, mais branda. Uns amam silenciosamente, discretamente, outros amam aos gritos. Uma coisa é fato: O amor nunca é racional. Mesmo sabendo que esse, inevitavelmente, vai nos derrubar algumas lágrimas, sempre queremos sentí-lo. Queremos, desesperadamente, amar e ser amados.

Amores não correspondidos – os mais tristes – mas existem aos montes. Amores perdidos, que machucam, corroem por dentro e continuam intactos. Amores passageiros, amores de verão, que se vão com o vento, mas deixam lindas lembranças. Amores mal resolvidos, interrompidos… Que nos fazem tentar prever um futuro que poderia ter sido. Amores antigos que resistem ao tempo. Amores puros que nascem de uma amizade. Amores que são construído com a convivência. Amores indiscretos. Amores insensatos. Amores proibidos.

Amar é se sentir seguro, protegido. É ser o mundo de alguém e ser o mundo para alguém. Ah, como o amor é lindo! Mas como ele seria ainda mais lindo – e menos doloroso – se não colocássemos sobre ele toda a responsabilidade por nossa felicidade. Uma parcela considerável de nossa felicidade depende do amor? A minha resposta é sim. Mas, não se iluda, a única metade da laranja que pode te completar é você mesma, com sua própria maneira de encarar e viver a vida. Fazer dos seus dias mais felizes é uma tarefa sua e, neste caso, o amor é apenas a cereja do bolo. Aliás, uma cereja indispensável.

Viver é corresponder …

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Desde que abrimos os olhos para esse mundo, somos convidados a corresponder expectativas. O mundo espera de nós, o tempo todo. As cobranças, por mais banais que sejam, são intermináveis.  

Com 1 ano de idade, pisar firme no chão e andar. Com 2 anos, abrir a matraca, repetir, repetir,  e, finalmente, aprender a falar. Aos  5, ser uma criança obediente e, assim,ganhar presentes. Aos 10, ter boas notas e, assim, passar o fim de semana na casa da prima. Aos 13, ser menos rebelde, fazer exercícios e trabalhos escolares para, assim, ir à festa na casa da Ana. Aos 14, dar o primeiro beijo para, assim, atestar o fim da infância e ser considerada uma adolescente de verdade. Aos 17, todos esperam que já saibamos o que queremos ser e fazer pro resto da vida. Aos 18, passar no vestibular e entrar para a faculdade. E daí em diante as coisas só pioram.

Aos 20, vêm as entrevistas de emprego. Esperam que falemos inglês, francês e mandarim. E ainda temos que ser bons de redação, planejamento, softwares gráficos e trabalho em equipe. Aos 24, esperam que tenhamos um emprego fixo, um salário digno e, quem sabe, um carro. Aos 30, esperam que o sucesso tenha batido a nossa porta como uma vizinha que pede açúcar. Além de já ter encontrado o amor da sua vida, você já deve ter um salário, não só digno, mas alto e que compense todos os anos de investimento na sua educação. Ter, pelo menos, um apartamento financiado, um carro do ano na garagem e fazer, no mínimo, 2 viagens por ano. Aos 40, você deve ter estabilidade. Se você é mulher, mesmo estando no século XXI, as cobranças são infinitamente maiores. Ser boa mãe, boa esposa, boa patroa, boa funcionária, boa cozinheira, boa sogra, boa nora.

Aos 70, espera-se que, apesar das cobranças de toda essa jornada, você ainda tenha sede de viver. E, o mais importante, espera-se que você possa olhar para trás e se orgulhar de seus feitos.

Que se danem as cobranças, o senso comum, a sociedade. Preocupar-se apenas com o que o mundo espera de nós pode acarretar, no final, uma conta bem mais cara a pagar: A dor de não poder voltar no tempo e corresponder aos próprios anseios.

Palavra do dia – Ana Luíza Leite

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Hoje a palavra do dia é de uma pessoa muito especial para mim. A minha afilhada querida, Ana Luíza. Ela me mandou esse texto e eu não podia deixar de compartilhá-lo com vocês. Fiz apenas alguns ajustes pequenos, acrescentei pouquinha coisa, mas o corpo do texto é todo dela. Ela transmitiu lindamente o medo do AMANHÃ não chegar e a urgência em viver o HOJE. Parabéns, Aninha. Amei.

“E se não houver o amanhã?”


Sabe, eu que costumava deixar tudo para amanhã, resolvi que, hoje, diria o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã uma pergunta ressoava na acústica de minha cabeça: “E se não houver amanhã?”. E os planos pra minha vida? E as pessoas que amo? Como seria? Para onde iriam todas as palavras que eu não disse e todas as coisas que não fiz? Ás vezes, deixamos muitas coisas pra depois, pra amanhã…mais tarde. Pensamos que as coisas podem nos esperar, mas, às vezes, elas se esvaem sem sequer deixar um bilhete de despedida. Tudo tem seu tempo, sim, não podemos tentar prever o amanhã. Mas, em cada brecha que o tempo lhe der, aproveite cada segundo. Diga que ama, viva, sorria, brinque, divirta-se com quem você ama.Então, deite-se mais um pouco com quem está ao seu lado, escute suas idéias, dê mais atenção a suas lamúrias, observe seus gestos mais singelos, decore o tom da sua voz, seu jeito de andar, de comer, de abraçar e te olhar. Hoje, observe seu olhar, descubra seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e se esforce para realizá-los.. Se não puder, ao menos saberá que tentou. Dê mais importância a quem está em sua volta. Dê mais valor às pessoas. Não minta para elas. A verdade às vezes dói, mas nenhuma ferida é mais funda do que a da mentira. Confie mais. Até que a vida lhe prove o contrário. Sorria quando sentir que deve sorrir. Evolua. Ultrapasse seus limites, diariamente, como se o amanhã não fosse chegar. Hoje, seja quem você é. Aproveite, vida você só  tem uma. Então: Pense. “E se não houver amanhã?”. Viva hoje. A vida se faz boa, intensa e verdadeira quando você não a planeja.

Baile de Máscaras

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Tem gente que não espera o carnaval para desfilar de máscaras, desfila o ano inteiro.

Gente que mente. Gente que age contra as próprias convicções. Gente que muda o tratamento com os outros, dependendo de quanto proveito vai tirar de cada um. Uma máscara para cada ocasião. Gente que, a sua frente, lhe sorri, e as suas costas, lhe difama. Gente que se esforça em aparentar ser o que não é. Gente que não lê, mas compra livros. Gente que escuta Fresno e diz que ama Chico Buarque. Gente convencional, de fala moderna. Gente incoerente. Gente que briga com si mesmo, o tempo todo, para agradar o senso comum. Gente que é gentil na frente de um e hostil perto de outro. Gente que se faz de boa pessoa, mas maltrata o garçom, a balconista e a faxineira. Gente que é o melhor amigo de todos, mas não é bom filho, nem bom irmão. Gente que não se permite mudar de opinião, por medo de parecer fraco. Gente que torce contra o próximo, mas o parabeniza quando ele vence. Gente que, apesar de não sabermos, está em todo lugar.

A vida é um verdadeiro baile de máscaras…E, por mais tempo que ele dure, as máscaras sempre caem, antes que a festa acabe. 

Por Renata Stuart

O amor e o desejo

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Muitos dizem que a felicidade só é encontrada quando o amor bate a nossa porta. Frio na barriga, coração batendo forte e todos aqueles clichês quando o assunto é amor. Concordo plenamente, se existe felicidade, sem o amor é que não há de ser.

Mas, será mesmo que o amor deixa de ser amor quando essas sensações gostosas se emudecem nos relacionamentos?

Li algo parecido no livro “Por que os homens amam as mulheres poderosas” (sim, eu li, é ótimo, e nada tem a ver com auto-ajuda). A autora diz que as pessoas, os homens em especial, estão sempre em busca de um objetivo mental. Ou seja, as mulheres não devem deixá-los 100% seguros porque, assim, o desejo acaba.

Anos de convivência, você o ama, ele te ama. Mas, então, por que será que ele não sente mais o acelerar do peito quando ouve a sua voz no telefone? Simples, porque você já é, de certa forma, dele. Só desejamos aquilo que não nos pertence.

Vejamos um exemplo. Você está doida para comprar aquela roupa linda que viu na vitrine e, quando compra, fica hiper feliz, quase em lua de mel com o modelito. Mas, algum tempo depois, você já se acostuma com a roupa e, embora  ainda goste dela, sente necessidade de comprar outra e outra, e assim vai. Só para ter aquela sensação gostosa pós-compra. (Tudo bem, o exemplo foi infeliz)

Então. Ele te ama e ainda te acha linda e atraente. Vocês adoram estar juntos. Mas aqueles efeitos colaterais que nos deixam abobados diante de alguém é prioridade de dois corações que ainda estão se conhecendo, sendo conquistados..Que ainda não se pertencem, que ainda não conviveram dias a fio. Calma lá, isso não quer dizer que um de vocês deva sair atrás de “novas roupas” por aí! Não me entendam mal. O que quero dizer é: O amor possui fases  e a fase da conquista é apenas a primeira delas.

Ingênuo é aquele que embarca em uma traição em busca de sentir novamente o coração palpitante. Adivinhe: Mais cedo ou mais tarde, as borboletas no estômago vão desaparecer novamente.  E essa busca será incessante e inútil. Falta de romantismo? Não, apenas realismo. Acredite, romântica como sou, também custei a entender isso.

Já dizia o Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranqüilo. Desejos passam, o amor fica. E, este, por sua vez, é paciente, puro, fiel, compreensivo e, acima de tudo, maduro.

Cabo de Guerra

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Já parou para pensar em como o mundo é repleto de contrastes? Contrastes de ideias, opiniões, personalidades, poder e tantos outros. Mas, para mim, o maior dos contrastes é o de interesses.

Os moradores das cidades destruídas pelas enchentes suplicam para que a chuva cesse. Por outro lado, aquele que vive da plantação, ou até mesmo o vendedor de guarda-chuvas, torcem para que a água continue.

As ruas das grandes cidades já não têm lugar para tantos veículos. As pessoas esperam por leis que pare esse crescimento absurdo. No entanto, os donos de concessionárias querem vender mais e mais carros.

Queremos um mundo sem pobreza. Mas, por mais chocante que seja, algumas correntes de pensamento afirmam que a pobreza é necessária para o equilíbrio do planeta, para o sustento do capitalismo.

As mulheres desejam ser aceitas como são, sem opressão pelos padrões de beleza impostos, mas os cirurgiões plásticos precisam faturar. As pessoas querem a cura definitiva da gripe, mas, ao mesmo tempo, as indústrias farmacêuticas não estão tão preocupadas com isso.

Pessoas querem ser libertas da onda de depressão que assola o mundo, mas os psicólogos e psiquiatras querem trabalho. A mãe ora a Deus para que o filho largue as drogas, e o traficante quer viciá-lo a qualquer custo.

Queremos ser mais econômicos. E a publicidade nos bombardeia 24 horas por dia na tentativa de nos seduzir ao consumo. Não gostamos de ter que usar o cheque especial, já o banco está sempre disposto a nos oferecê-lo.

Sonhamos com governantes íntegros, não corruptos. E os governantes só pensam em acumular patrimônios para suas famílias. Os professores reivindicam aumento salarial e, adivinha, os vereadores também.

Não aguentamos mais assistir a tantas tragédias, mas os jornais sensacionalistas sobrevivem com a venda dessas notícias.

E assim os homens seguem seu percurso. Todos cegos pelas próprias aspirações. É como um jogo de cabo de guerra, onde cada lado defende, unicamente, o seu interesse. E, neste jogo, quem vence é o mais forte.

Claro, alguns jogadores passam por cima de qualquer escrúpulo e, sem o mínimo de culpa, fazem de tudo (tudo mesmo!)para puxar a corda para seu lado. Já outros, preferem vencer a partida de forma mais árdua, mas também mais limpa, digna e justa. Cabe a nós decidirmos em qual lado da corda queremos estar.