Assumindo o controle

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 9 Comments

A palavra  ‘destino ‘ sempre me provocou certo fascínio. Ficava encantada com a ideia de que o universo inteiro havia conspirado para que duas pessoas estivessem em determinado lugar, em determinada hora e, por obra do glorioso destino, encontrassem o amor de suas vidas. Maktub. Tava escrito. Lindo ? Brega? Não importa. Hoje, penso diferente.

O tempo passa e, junto com a idade, vem o realismo. Os pés começam a sentir o chão, que não é tão macio quanto às fantasias, mas, em compensação, é palpável e visto a olho nu. Eu nunca vi o destino. E outra, sendo como sou, cheia de vontades, desejos e aspirações, não me agrada saber que tem alguém  – ou melhor, algo –  tomando decisões por mim, tomando as rédeas da minha vida, tomando meu direito de escolha. As escolhas sim, eu vejo todos os dias. Volta e meia elas se apresentam diante dos meus olhos e me obrigam a assumir o controle da minha vida.

Pensando bem, gosto da sensação de ser responsável pelos meus atos. Deixar tudo por conta do destino seria como assistir a própria vida, ou estar presa em um jogo de tabuleiro sem poder mover as peças. Terrível só de imaginar.

Sei que não tenho controle absoluto sobre o que acontece ou deixa de acontecer comigo, mas só de poder escolher entre prosseguir ou voltar já é uma senhora autoridade. Só de saber que a direção que eu optar por seguir irá interferir em todo o caminho, já me sinto mais ativa, mais viva.

Essa coisa de “o que for para ser será” não me atrai mais. O que for, só vai ser, dependendo de você. A Maria e o João do primeiro parágrafo estavam, sim, no mesmo horário e no mesmo local, mas só tornaram o amor da vida do outro porque assim quiseram, por que se escolheram. Resultado de um encontro casual, e não porque as estrelas moveram montanhas para tal.

Com certeza, entregar o volante para esse tal de destino parece mais fácil, já que isso nos isenta de realizar tarefas difíceis na vida. “Se não foi, não era para ser” .  Não se iluda achando que, um belo dia, em um lugar propício, numa hora marcada, a melhor oferta de emprego vai cruzar o seu caminho. Deixar o comando para a sorte pode significar comodismo, falta de atitude e resignação.

Bom mesmo é bater de frente, lutar, errar, cair, aprender, levantar, e por aí vai. Isso é viver. Entregar para Deus? Bom, isso sim parece uma boa opção, pois, pelo menos para mim, ajuda a reunir forças e adquirir sabedoria, mas, na hora do sim ou do não, não tem escapatória. É com você mesmo, meu amigo.

Você não vai com a minha cara?

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 3 Comments

Os santos não se bateram. Simples. Não há gentileza que eu faça que mude sua opinião a meu respeito.Você bateu o olho em mim, construiu uma imagem, estabeleceu um (pré)conceito e guardou essa visão desfocada dentro de alguma gaveta do seu cérebro preguiçoso. Pronto. Todos os meus esforços para mudar isso serão, portanto, dispêndio de energia em vão.

Nunca entendi esse tal fenômeno de  ‘não-ir-com-a-cara’ . Boba como sou, sempre achei que, para alguém não gostar de mim, eu deveria ter feito algo errado, mesmo que involuntariamente.

Uns descrevem isso como uma espécie de química interior. Energias incompatíveis. Uma força interna que impede a aproximação de dois seres.  Essências que não se cruzam. Ponto final. Outros apelam para o sobrenatural. Fiz algo errado? Talvez sim, mas foi em outra vida. Tentam justificar essa antipatia – aparentemente sem lógica – por inimizades de uma vida passada.

Enfim. Para mim, esse fenômeno nada mais é que uma boa mistura de: preconceito, inveja e amargura.  Sim, preconceito porque julga-se sem conhecer. Há preguiça de adentrar mais a fundo na vida do outro para, posteriormente, tirar conclusões embasadas. Inveja porque a única explicação para se reprimir alguém que nada nos fez é, justamente, o fato de não sê-lo.  E amargura por que ‘não-ir-com-a-cara’ de alguém é também perder a oportunidade de conhecer alguém novo, experiências novas, novas amizades. É auto-estima baixa. É mau-humor. É orgulho.

Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Ser mal educada pode até ser um direito seu. Mas, por outro lado, ser indiferente é um todinho meu. Trate-me mal, finja que não me viu na rua. Seja legal com todos da minha família, e vire a cara para mim. Não me importa. Isso não me causa insônia, não me descabela, nem me dá rugas. A única energia que pretendo gastar com essa sua aversão – que nunca entenderei – termina juntamente com esse texto.

Mania de querer MAIS

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 3 Comments

Mania de querer MAIS

É, eu tenho a mente inquieta e o coração faminto. Tenho sede de viver, sede de sonhar, sede de amar.

Eu quero. Quero mais cor, mais brilho, mais intensidade. Quero mais insanidade, mais aventura, menos preocupação e um pouco de irresponsabilidade. Quero menos palavras e mais ações.

Quero ser surpreendida, quero vê em seus olhos a vontade de me levar pra qualquer lugar sem olhar para trás. Quero me deitar no seu ombro e admirar as estrelas.

Quero ouvir você cantar no meu ouvido, gestos inusitados num dia comum, quero perder o fôlego, quero um amor sem sentido, quero voltar pro século XVIII, quero mais romantismo.

Quero até as lágrimas depois das nossas brigas bobas , um abraço acolhedor e um beijo dado como se fosse o último. Quero a sua paz para aquietar minha pressa, sua calmaria para equilibrar meu gênio forte, quero seu abrigo, quero o sossego de estar com você depois de um dia tedioso.

Quero mais amor. Quero um refúgio para escapar da realidade dolorosa, da rotina maçante, da vida agendada.

Eu sei, você me acha louca.. Você não tem culpa da minha urgência, da minha mania de querer demais, de sonhar demais, de fantasiar demais. Me regula, me  julga chata, dramática, exagerada, autoritária. Tenta frear meus impulsos e minhas ousadias.

Pode parecer demais, eu sei. Se você quiser, pode até me dizer milhares de frases bonitas, elas até soam bem aos ouvidos, mas não me satisfazem, não matam a minha sede. Que culpa tenho eu de amar demais, sofrer em excesso, acreditar ao extremo. Sou assim, o morno nunca me fascinou.

Pode parecer ilusão, eu também sei. Mas, se você pensar bem, verá que não estou pedindo tanto assim. Só quero ser feliz ao meu modo e ver o clássico “Eu te amo” materializado em gestos impensados, imprevisíveis, insanos e verdadeiros.

 

Por Renata Stuart

Vida Cronometrada

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Revirando arquivos antigos do computador, achei a crônica abaixo, que foi feita para um trabalho de faculdade, em 2010, no 1º período, com a participação de mais duas colegas, Marcela Soares e Paloma Melo. =] É um relato de um jovem dos dias de hoje que resume como funciona o tempo na lógica do capitalismo. Achei legal compartilhar isso com vocês. É grandinha, mas acho que a leitura vale a pena. Boa semana!

Nasci em uma grande cidade, onde o fluxo de pessoas nas ruas é constante. Quando pequeno, sempre via minha mãe saindo para trabalhar, e, chorando, eu me perguntava: Por que ela tem que ir? Meu pai acordava às 5h da manhã para trabalhar e eu me perguntava a mesma coisa. Quando comecei a estudar, me perguntava: por que eu tenho que ir para a escola?

E, no decorrer do tempo, percebi que todas as nossas ações giram em torno de um mesmo objetivo: estudar para conseguir emprego, conseguir emprego para adquirir dinheiro e adquirir dinheiro para adquirir bens.

Todos os dias eu acordo às 6h00, me organizo e calculo o tempo exato que vou gastar até me deslocar ao trabalho. Às 6h15, termino meu banho o qual eu gostaria muito de prolongar e, às 6h30, acabo de tomar meu corrido café da manhã e corro para o ponto de ônibus, quase sempre mastigando alguma coisa.

No ônibus, é sempre tudo igual, encontro com as mesmas pessoas, as que dão sorte de conseguirem um assento vão cochilando e eu, como sempre, estou de pé. Às 7h30, chego ao escritório onde trabalho e meu chefe me espera com uma pilha enorme de papéis e, então, tenho que fazer em um dia de trabalho o que qualquer simples mortal faria em três.

Depois dessa longa manhã, é chegada a hora de almoçar. Durante o almoço, faço 1.357 coisas, inúmeras ligações, mando e-mails, resolvo exercícios da faculdade e etc. Quando menos espero, já são 13h e volto para o escritório onde fico até as 17h30.

Em seguida, às 17h45, mais precisamente, entro em um ônibus e, às 18h15, chego ao metrô. Nesse intervalo de tempo, vou pensando em várias coisas, inclusive em como farei para pagar a faculdade nesse semestre, em arrumar outro emprego, em comprar um carro para não precisar fazer esse percurso tão cansativo! Daí me lembro que carro também requer dinheiro para bancá-lo, logo, não posso, de forma alguma, parar de trabalhar para me dedicar inteiramente aos estudos e obter notas melhores. Vou levando como dá.

Enfim, às 18h45 chego na faculdade… Todos indo em direção a sala de aula, os alunos da tarde saindo, ônibus parando, vans estacionando.

Então, vou rapidamente à cantina lanchar, e, lá, todos estão sempre reclamando do cansaço e da falta de tempo. Exatamente às 19h00 começa a aula e me esforço ao máximo para entender tudo para não ter que estudar novamente em casa, afinal, não tenho tempo para isso.  Às 20h40, é a hora do intervalo e aproveito para ir adiantando alguns trabalhos.  Finalmente, às 22h30, saio da faculdade às pressas para não perder a van, onde não converso com ninguém, pois vou cochilando o caminho todo.

Chego em casa às 23:15 e vou ao quarto de meus pais desligar a TV, pois eles já estão dormindo. Sinto falta da época que passava mais tempo com meus pais, mas eu não tenho outra escolha. Se realmente quero ser alguém no futuro e dar uma vida digna a minha família, tenho que abrir mão de algumas coisas. Inclusive deles. Então, Tomo meu banho e esquento o jantar que minha mãe preparou provavelmente umas três horas antes.

Penso em pegar um livro de minha preferência para ler antes de dormir, mas me lembro que tenho inúmeros trabalhos de faculdade para adiantar ou provas para estudar. Assim, faço isso resistindo ao sono até 02h00, quando, finalmente, vou me deitar. Ufa, acho que só respiro porque isso não gasta tempo. É impressionante como, nesse momento, a cama parece ser o melhor lugar do mundo!

Mas, ainda hoje, depois de crescido, entendendo que somos movidos e cronometrados pela lógica do capitalismo, chego à conclusão que não obtive a resposta da pergunta que eu sempre me fazia quando criança: Para quê? Por que tenho que ir? Por que temos que levantar cedo, abrir mão de nossas vontades e buscar incessantemente esse tal “pedaço de papel” que é o dinheiro? Será que vale a pena? Será que isso é mais importante do que chegar a tempo de jantar com minha família, que a cada dia parece mais afastada? Não sei como responder. Mas, quando olho para o relógio, e lembro que, em cerca de quatro horas, estarei de pé novamente, vejo que pensar também demanda tempo, então, fecho os olhos.

Felicidade simples

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Parece piegas, clichezão, mas sempre dei valor às coisas simples. Aquelas felicidades de pequenos momentos. Felicidades bobas, modestas, mas deliciosas. O suspiro de alívio ao chegar em casa depois de um dia cansativo, tirar os sapatos. Abrir a geladeira e matar quem estava de matando. Curtir minha casa. Tomar um banho, lavar o cabelo e ouvir uma música boa enquanto visto a roupa. Curtir os 10 minutinhos de soneca de manhã. Passar o sábado em casa vendo filmes, agarradinha com quem amo. Dormir com barulhinho da chuva. Dar risadas de molhar os olhos em um dia típico, para aliviar o estresse da rotina. E suspirar depois de rir muito – “aiai”. Tomar um açaí com os amigos, curtindo cada colherada devagar, saboreando. Comer um sonho de valsa e fechar os olhos como se o gosto ficasse melhor assim.  Colocar a fofoca em dia com minha mãe antes de ir me deitar a noite. Ver fotos, cadernos, cartas velhas. Lembrar da infância. Como eu amo a nostalgia. Abraçar meu namorado e ficar um tempinho parada ali, sentindo seu perfume. Brincar de ser criança, de inventar apelidos, de lutar, de morder. Fazer drama. Sentar num bar com música ao vivo, ouvir a música, aplaudir e pedir mais. Pedir comida japonesa por telefone com a família e discutir sobre quem comeu mais. Cinema, cheirinho de pipoca. Viajar ouvindo música, cantando e alterando as letras, só de brincadeira. Sentir o vento, a luz do sol. Amo cada pedacinho de alegria que a vida me proporciona. Porque essas felicidades despretensiosas, que pouco prometem, valem muito, pois nunca nos deixam frustradas. Cumprem o seu papel, não alimentam nossas expectativas, e fazem um dia qualquer se tornar especial.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Luís Fernando Veríssimo

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | Leave a comment

O Quase

Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo) 

Amores são coisas da vida

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 2 Comments

        

As pessoas podem ter as diferenças mais escandalosas, ser completamente opostas no modo de pensar, nos valores, nos ideais, mas, em um ponto, todos somos consensuais:  Amar é fundamental. O amor traz cores a nossos dias cinzentos, traz energia aos dias que se arrastam, traz fantasia para aliviar o choque de realidade.

Ah, o amor. Ele é essencial em todas as suas formas.  Amar a vida, amar o trabalho. Amar a família, amar os amigos, amar a natureza, amar os animais, amar as coisas simples da vida, amar o próximo, amar a si mesmo. Cada um ama de um jeito, – eu amo de forma exagerada, intensa -, outros simplesmente amam, de forma singela, mais branda. Uns amam silenciosamente, discretamente, outros amam aos gritos. Uma coisa é fato: O amor nunca é racional. Mesmo sabendo que esse, inevitavelmente, vai nos derrubar algumas lágrimas, sempre queremos sentí-lo. Queremos, desesperadamente, amar e ser amados.

Amores não correspondidos – os mais tristes – mas existem aos montes. Amores perdidos, que machucam, corroem por dentro e continuam intactos. Amores passageiros, amores de verão, que se vão com o vento, mas deixam lindas lembranças. Amores mal resolvidos, interrompidos… Que nos fazem tentar prever um futuro que poderia ter sido. Amores antigos que resistem ao tempo. Amores puros que nascem de uma amizade. Amores que são construído com a convivência. Amores indiscretos. Amores insensatos. Amores proibidos.

Amar é se sentir seguro, protegido. É ser o mundo de alguém e ser o mundo para alguém. Ah, como o amor é lindo! Mas como ele seria ainda mais lindo – e menos doloroso – se não colocássemos sobre ele toda a responsabilidade por nossa felicidade. Uma parcela considerável de nossa felicidade depende do amor? A minha resposta é sim. Mas, não se iluda, a única metade da laranja que pode te completar é você mesma, com sua própria maneira de encarar e viver a vida. Fazer dos seus dias mais felizes é uma tarefa sua e, neste caso, o amor é apenas a cereja do bolo. Aliás, uma cereja indispensável.

Viver é corresponder …

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 3 Comments

Desde que abrimos os olhos para esse mundo, somos convidados a corresponder expectativas. O mundo espera de nós, o tempo todo. As cobranças, por mais banais que sejam, são intermináveis.  

Com 1 ano de idade, pisar firme no chão e andar. Com 2 anos, abrir a matraca, repetir, repetir,  e, finalmente, aprender a falar. Aos  5, ser uma criança obediente e, assim,ganhar presentes. Aos 10, ter boas notas e, assim, passar o fim de semana na casa da prima. Aos 13, ser menos rebelde, fazer exercícios e trabalhos escolares para, assim, ir à festa na casa da Ana. Aos 14, dar o primeiro beijo para, assim, atestar o fim da infância e ser considerada uma adolescente de verdade. Aos 17, todos esperam que já saibamos o que queremos ser e fazer pro resto da vida. Aos 18, passar no vestibular e entrar para a faculdade. E daí em diante as coisas só pioram.

Aos 20, vêm as entrevistas de emprego. Esperam que falemos inglês, francês e mandarim. E ainda temos que ser bons de redação, planejamento, softwares gráficos e trabalho em equipe. Aos 24, esperam que tenhamos um emprego fixo, um salário digno e, quem sabe, um carro. Aos 30, esperam que o sucesso tenha batido a nossa porta como uma vizinha que pede açúcar. Além de já ter encontrado o amor da sua vida, você já deve ter um salário, não só digno, mas alto e que compense todos os anos de investimento na sua educação. Ter, pelo menos, um apartamento financiado, um carro do ano na garagem e fazer, no mínimo, 2 viagens por ano. Aos 40, você deve ter estabilidade. Se você é mulher, mesmo estando no século XXI, as cobranças são infinitamente maiores. Ser boa mãe, boa esposa, boa patroa, boa funcionária, boa cozinheira, boa sogra, boa nora.

Aos 70, espera-se que, apesar das cobranças de toda essa jornada, você ainda tenha sede de viver. E, o mais importante, espera-se que você possa olhar para trás e se orgulhar de seus feitos.

Que se danem as cobranças, o senso comum, a sociedade. Preocupar-se apenas com o que o mundo espera de nós pode acarretar, no final, uma conta bem mais cara a pagar: A dor de não poder voltar no tempo e corresponder aos próprios anseios.

Palavra do dia – Ana Luíza Leite

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | Leave a comment

Hoje a palavra do dia é de uma pessoa muito especial para mim. A minha afilhada querida, Ana Luíza. Ela me mandou esse texto e eu não podia deixar de compartilhá-lo com vocês. Fiz apenas alguns ajustes pequenos, acrescentei pouquinha coisa, mas o corpo do texto é todo dela. Ela transmitiu lindamente o medo do AMANHÃ não chegar e a urgência em viver o HOJE. Parabéns, Aninha. Amei.

“E se não houver o amanhã?”


Sabe, eu que costumava deixar tudo para amanhã, resolvi que, hoje, diria o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã uma pergunta ressoava na acústica de minha cabeça: “E se não houver amanhã?”. E os planos pra minha vida? E as pessoas que amo? Como seria? Para onde iriam todas as palavras que eu não disse e todas as coisas que não fiz? Ás vezes, deixamos muitas coisas pra depois, pra amanhã…mais tarde. Pensamos que as coisas podem nos esperar, mas, às vezes, elas se esvaem sem sequer deixar um bilhete de despedida. Tudo tem seu tempo, sim, não podemos tentar prever o amanhã. Mas, em cada brecha que o tempo lhe der, aproveite cada segundo. Diga que ama, viva, sorria, brinque, divirta-se com quem você ama.Então, deite-se mais um pouco com quem está ao seu lado, escute suas idéias, dê mais atenção a suas lamúrias, observe seus gestos mais singelos, decore o tom da sua voz, seu jeito de andar, de comer, de abraçar e te olhar. Hoje, observe seu olhar, descubra seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e se esforce para realizá-los.. Se não puder, ao menos saberá que tentou. Dê mais importância a quem está em sua volta. Dê mais valor às pessoas. Não minta para elas. A verdade às vezes dói, mas nenhuma ferida é mais funda do que a da mentira. Confie mais. Até que a vida lhe prove o contrário. Sorria quando sentir que deve sorrir. Evolua. Ultrapasse seus limites, diariamente, como se o amanhã não fosse chegar. Hoje, seja quem você é. Aproveite, vida você só  tem uma. Então: Pense. “E se não houver amanhã?”. Viva hoje. A vida se faz boa, intensa e verdadeira quando você não a planeja.

Baile de Máscaras

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 5 Comments

Tem gente que não espera o carnaval para desfilar de máscaras, desfila o ano inteiro.

Gente que mente. Gente que age contra as próprias convicções. Gente que muda o tratamento com os outros, dependendo de quanto proveito vai tirar de cada um. Uma máscara para cada ocasião. Gente que, a sua frente, lhe sorri, e as suas costas, lhe difama. Gente que se esforça em aparentar ser o que não é. Gente que não lê, mas compra livros. Gente que escuta Fresno e diz que ama Chico Buarque. Gente convencional, de fala moderna. Gente incoerente. Gente que briga com si mesmo, o tempo todo, para agradar o senso comum. Gente que é gentil na frente de um e hostil perto de outro. Gente que se faz de boa pessoa, mas maltrata o garçom, a balconista e a faxineira. Gente que é o melhor amigo de todos, mas não é bom filho, nem bom irmão. Gente que não se permite mudar de opinião, por medo de parecer fraco. Gente que torce contra o próximo, mas o parabeniza quando ele vence. Gente que, apesar de não sabermos, está em todo lugar.

A vida é um verdadeiro baile de máscaras…E, por mais tempo que ele dure, as máscaras sempre caem, antes que a festa acabe. 

Por Renata Stuart