Linha de chegada

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Nos acompanham planos, projetos, sonhos. E aquela vontade de enxergar de vez o que é que nos espera do outro lado, no fim da largada. Querer é fácil, idealizar mais fácil ainda. Difícil é partir pro ataque, encarar de frente as dificuldades que surgirão no percurso.

E prometemos: Amanhã tudo será diferente. Vou inovar, vou me mover, vou mudar.  Mas daí vem o amanhã e, junto com ele, milhões de empecilhos. Vinte e quatro horas apressadas demais. Mal tive tempo de pensar, deixa para amanhã, sem falta.

E aquele medo aliado a preguiça de sair da zona de conforto hesita em nos deixar. A rotina é mais cômoda, todo mundo aprova, compreende. Ninguém contraria o óbvio. Difícil é levantar decidido com uma ideia na cabeça e não dormir com ela inacabada. Fácil é deixá-la ali, subentendida, sobrevoando, para outra oportunidade, quem sabe.

Depositamos toda nossa fé no dia seguinte, no mês seguinte, no ano que vem. Todo dia uma esperança, uma promessa e um dia a menos para agir, um dia a menos para arriscar. Talvez essa covardia se deva a um único fato: Temos medo de avistar a linha de chegada sem ter cumprido todos os nossos planos. Até para perder tem que ser corajoso.

Por Renata Stuart

Melancolia

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Não que eu seja deprimida, não é isso. Não sei bem porque, mas, às vezes, a melancolia  me traz um quê de inspiração. Dias nublados, gotas embaçando a janela, o barulhinho calmante da chuva. Inverno, cobertor. Frio. Noite, estrelas. E, claro, a luz da lua, forte e estridente, invadindo meu quarto e iluminando meus olhos, ao mesmo tempo. Uma música lenta de fundo, daquelas que tocam pra valer, mesmo que eu não entenda a letra. Nessas horas, só a melodia e o tom de voz dizem tudo que precisa ser dito.  É uma espécie de fuga do mundo real para refletir. Uma janela para um mundo tranquilo, isolado, imaginário. Um silêncio de auto-conhecimento. Um momento entre eu e eu mesma. Ninguém mais. Isso me faz bem. Acalma a alma, aquieta o coração e deixa o ar entrar, para refrescar a mente. Sim, sou melancólica. Pronto, falei.

Por Renata Stuart

Palavra do dia: Tati Bernardi

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‎” Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje… Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina… E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar… Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil…e choro também! “

– Tati Bernardi –

Das coisas que eu cansei

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Cansei de falar e não fazer. Ou de começar a fazer e não terminar. Cansei de planejar e não por em prática. Cansei de esboços que não se transformam em coisas concretas. Cansei de me levantar e cair de novo.  Cansei de procurar e não encontrar. Cansei de ver o tempo passar e nada mudar. Cansei de tudo. Até de você.

Cansei das suas promessas de que você vai mudar, de que as coisas vão melhorar. Cansei de dar conselhos que você nunca segue. Cansei de gritar, me estressar e, depois, me debulhar em lágrimas. Quero mais sorrisos, quero felicidade, quero mais atitude.

Cansei de pessoas medíocres, que fazem questões de coisas mínimas, pessoas egoístas, pessoas artificiais, que insistem em viver na pele de um personagem. Quero mais naturalidade, mais verdade. Cansei desta busca incessante pela perfeição. Cansei de me importar, de lamentar, de me preocupar com o julgamento alheio. Quero mais eu, mais essência.

Cansei de mentes fechadas, que não se abrem para o novo. De gente que não muda de opinião ou simplesmente não respeita o pensamento do outro. Gente que se apropria da verdade. Gente arrogante, que impõe, que delimita. Quero mais contradição, mais persuasão, mais discussão.

Cansei das indiretas, da falta de coragem de pessoas que não resolvem suas indiferenças e esperam que o tempo faça isso por elas. Cansei da falta de humildade, do orgulho e da escassez de amor próprio, de gente que maltrata a si para agradar o outro.

Cansei de ‘bom dias’ forçados, de sorrisos indiferentes, de palavras ditas em vão. Quero mais abraço, quero olhares sinceros, quero mais humanidade. Cansei de gente sem expressão, sem emoção, que segura a risada, segura a lágrima, segura o coração. Gente que se regula o tempo todo e não se entrega, não se arrisca, não se permite tentar e errar. Sério, ando tão cansada.

Por Renata Stuart

Desencontros

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Nossos relógios nunca se ajustaram. Nosso tempo nunca foi mesmo. Nossos pés nunca seguiram a mesma direção. Das vezes que nos cruzamos, nenhuma foi por inteiro. Nunca entendi. Você deixou as pegadas, eu segui, achei que chegaria em algum lugar, mas errei o caminho. Me enganei. Depois você veio. Ora estava aqui, ora ali. Por infinitas vezes, a vida interrompia nosso percurso. Eu partia, depois voltava. Éramos pura oscilação. Sempre freando, retrocedendo, indo e vindo. Você se desviando dos meus passos e eu dos seus. Até que um dia, eu perdi de vez a bússola que me levava até você. E quando você finalmente resolveu se ajustar ao meu relógio, era tarde demais. Você estava em horário de verão. E eu não.

Por Renata Stuart

Uma teoria sobre o amor

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Engana-se aquele que acredita que o amor já basta para a felicidade de um casal. Eu tenho uma teoria: O amor é apenas 50% de um relacionamento.  Sem ele, impossível dar certo. Somente com ele, impossível do mesmo jeito. O amor não nos dá garantia de felicidade.

E onde estão os outros 50%? Estão distribuídos por aí, numa série de requisitos, conquistados dia após dia. Eles estão no respeito – esse é trivial, questão de sobrevivência mesmo. Quem respeita não ofende, não humilha, não trata mal, não aponta falhas, não difama, não trai. Do que vale ouvir ‘eu te amo’ e não ser respeitada?

Estão na admiração, porque é necessário sentir orgulho pelo que vê no outro, orgulho de sua essência e de como ele encara e leva a vida. Na cumplicidade e no companheirismo, para todos os momentos. Para enfrentar lutas, dividir sonhos, superar perdas, levantar de quedas, almejar coisas e fazer planos. Um casal que não se apoia não pode dar certo. Amar é dar as mãos e caminhar juntos, vencendo os obstáculos que surgem no caminho.

Os 50% também estão na amizade, porque é importante se desligar um pouco das características romântico-sexuais e sentir uma dose de pureza, afeição e lealdade de um amigo verdadeiro. Para aconselhar, para compartilhar lamúrias e decepções, para secar lágrimas, para brincar, para poder contar sempre, em qualquer hipótese.

No equilíbrio, porque um amor saudável é feito do equilíbrio que um proporciona ao outro. A estabilidade que acalma a inquietude, a paz que silencia o medo, a paciência que releva o estresse, a alegria que combate o desânimo. Carinho, porque todo mundo precisa de um colo de vez em quando, porque o carinho é o gesto que fala pelo amor.

Os 50% de um relacionamento também estão na individualidade, porque um sentimento maduro é aquele que reconhece que envolve duas pessoas e não apenas uma.  E cada uma, tem as próprias necessidades, os próprios prazeres, a própria vida e precisa, obviamente, do próprio espaço. Não pode ser uma relação de dependência. O amor não deve servir para completar, mas sim para somar.

E, claro, na intimidade. A falta de vergonha é amiga íntima do amor. É preciso ter muita cara de pau para ser bobo, ridículo, intenso, louco e verdadeiro. É essencial se permitir ser criança novamente, quando der na telha, sem receio de ser visto como imaturo. O amor que não tem liberdade e não se expulsa para fora do coração, de tão quieto, acaba estagnado. É como algo que li certa vez: “Quem tem medo de parecer bobo não merece o privilégio de estar apaixonado”.

Ainda no quesito intimidade, é preciso ter muito diálogo. É preciso se sentir à vontade para falar sobre tudo, sem pudor, inclusive sexo, problemas e inseguranças. O gostoso é perceber que a pessoa que está ao seu lado sente necessidade de dividir as coisas – não apenas as boas – com você. E melhor ainda é notar que ela tem real interesse pela sua vida. Quando você tem “preguiça” de compartilhar ou até mesmo dar ouvidos aos problemas de quem você ama, é hora de repensar este amor.

Como já era de se esperar, é necessário também uma pequena porcentagem de compatibilidade, não falo características, já que a graça da vida está justamente no fato de aceitar os diversos gostos e personalidades. Falo da semelhança de objetivos, de projetos, de sonhos. Não importa o tamanho do amor, se os objetivos forem diferentes, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que abrir mão de algo. Do amor ou dos sonhos.

E, por último, talvez a mais importante: A confiança. Essa é para o amor o que o oxigênio é para nós – primordial. Creio que é impossível amar sem confiar, do contrário, o amor se resume em perseguições, ouvidos atentos demais, olhos abertos demais, mente preocupada demais e, quando você menos esperar, estará ridiculamente checando as mensagens do celular dele(a) ou coisas do tipo.

Amar é relaxar e se entregar sem medo de ser feliz. Sem conspirar, sem tentar maquinar algo pra descobrir onde e com quem ele passou a tarde. Confiar vale a pena, até que o contrário nos seja provado. E quando isto acontecer, ainda que doa, o amor deve partir, penso eu. Pois, assim como a delicadeza de um cristal, uma vez destruída, a confiança jamais se reconstitui.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Caio Fernando Abreu

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Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.

– Caio Fernando Abreu –

Palavra do Dia – Clarice Lispector

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“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos”

– Clarice Lispector –

Apenas um desabafo

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Não sou alguém fácil de conviver, sei disso. Faço tempestades, ajo por impulso, e às vezes me arrependo. Tenho uma TPM destruidora e sou sensível ao extremo, se estou triste, choro litros, mas se estou alegre, solto sorrisos até as orelhas e tento contagiar o ambiente.  Tenho mania de sinceridade constante, e por isso, acabo magoando certas pessoas, com essa coisa de falar sempre o que eu penso. Entendo, nem todo mundo é igual a ninguém, tem gente que entende essa minha franqueza como “tirada” ou “arrogância”. Mas quem me conhece sabe que sou assim. Não guardo o que sinto, especialmente se tenho intimidade com você. Falo mesmo. Falo sobre o que me agrada, sobre o que me incomoda. Se você me chateou, não vou fechar a cara, me afastar e ficar fria sem te dar explicações, esperando o tempo ajeitar as coisas.  Vou te procurar,  abrir o jogo, explodir sobre tudo o que penso e tentar resolver, com a maior boa vontade do mundo. Ao menos que você não faça diferença para mim. Mas sabe, gosto de ser assim, sabe por quê? Às vezes magoamos as pessoas sem intenção, a gente erra e nem sabe. Seria bom que as pessoas, ao invés de se afastarem e se perderem, fossem abertas: “Olha, não gostei do que você fez” ou “O que eu fiz para te magoar?”.  Se gosto de você, luto para ficar bem com você. Outra coisa, não faço nada que me desagrade para agradar aos outros, aprendi isso com minha mãe. Um pouco de egoísmo é necessário, por questão de sobrevivência mesmo. Se você me convidar para um programa, e eu for, pode ter certeza absoluta de que ali eu queria estar, não fui por consideração, educação e afins.  Fui porque  quis e ponto. A pior coisa é fazer algo contra a própria vontade. Sou uma boa amiga, sempre valorizei amizades. Sei dar conselhos, adoro ajudar, tenho até um lado psicóloga, eu acho. Sei consolar meus amigos, sei chorar com eles, sei passar a mão na cabeça, mas também sei dar bronca. Já que me pediu conselho: agora agüenta. E Tenho um grande defeito: Não sei engolir sapos. Tem coisa que não desce, sabe? É mais forte que eu. Sou muito bacana, até que pisem no meu calo ou no calo de quem eu amo. (Sim, eu tomo as dores pelas pessoas significantes na minha vida). Não tolero ofensas, falta de educação, falsidade, cinismo. Ignoro quem não gosta de mim, afinal, é impossível agradar a todos. Mas não sei me calar diante de certos absurdos. Também sei ser má, afinal, ninguém é bonzinho o tempo todo. Tenho uma amiga que já até me pediu um favor muito engraçado, uma vez.  Era para fazer uma carta falando umas ‘verdades’ para uma pessoa, como se fosse ela. Quando perguntei por que fui escolhida ela disse “Você é boa com as palavras, sabe machucar, sabe atingir a pessoa”. Eu podia considerar isso como uma crítica, mas confessei: “É, quando eu quero, eu sei mesmo”. E também sei reclamar meus direitos e valorizo um bom atendimento. Não volto a um lugar em que fui mal atendida, jamais. Tenho bom humor e adoro que me façam rir, rir muito, de verdade. Mas não sei rir de tudo. Às vezes, as pessoas riem exageradamente de coisas banais e eu fico achando que tenho algum problema, sei lá. Não sei forçar. Ahhh, também não sei suportar quem não me faz bem, procuro me afastar e mantenho pertinho só quem me faz mais feliz. Gosto de ambientes leves, sem conspirações, sem olhares desconfiados, sem sorrisos forçados. Gosto da transparência. Outra coisa, não sei esconder minha dor, às vezes ela extrapola para fora de mim, me entrega no olhar, no sorriso sem graça de canto de boca e às vezes acaba escorrendo pelos olhos. Tenho o gênio forte, não sou boba, mas sou boa. Sei dizer não quando preciso, mas não sei dizer não para vendedores ambulantes de balas, de pano, de agulha, caneta ou qualquer outra bugiganga. Algo dentro de mim me toca e me incomoda, fazendo eu me sentir na obrigação de comprar, apenas para ajudar. Imagino as dificuldades que a pessoa enfrenta e de como aquele dinheiro será importante para ela.  Ahh, enfim, sou um amontoado de coisas, sentimentos e sensações. Por trás desta casca de durona, determinada e decidida, há alguém sensível e, diversas vezes, insegura, sem chão, sem rumo. Mas sempre me levanto e prossigo. Tenho traços que são qualidades aos olhos de uns e defeitos aos olhos de outros… Nada é definido, tudo sempre relativo. Mas o que importa é que estou sempre em busca de me tornar melhor aos meus olhos. Luto, diariamente, e peço a Deus para me tornar alguém mais forte, mais sábia, mais feliz. Claro, sem deixar de ser eu mesma.

Por Renata Stuart

Guardado

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O amor, quando chega, é tão avassalador muita gente sai anunciando esse momento especial para Deus e o mundo. A felicidade é tamanha que desabafar é uma forma de compartilhar os friozinhos, os calafrios, as bobices.  Até aí tudo bem.  O triste é que, ultimamente, o amor está banalizado demais. Ama-se fácil, entrega-se fácil, faz-se juras de amor fácil demais.

Compartilhar a felicidade é uma coisa, compartilha-se com uns, com os mais íntimos, com aqueles que conhecem a nossa alma e que realmente torcem por nossos sorrisos. O que vemos por aí são casais que mal se conhecem e se declaram publicamente “Felizes para sempre”.  O profile das redes sociais passa a ser de ambos – excluindo a individualidade de cada um- e as fotos românticas acompanham declarações precipitadas como “Para sempre te amarei”, ou “Amor igual ao teu eu nunca mais terei”.

O engraçado é que já vi essa cena acontecer com uma só pessoa diversas vezes. Meses depois, o amor mudou de nome, endereço e telefone. O álbum foi renovado e o coração passou por uma faxina das boas. Esquece-se completamente o anterior e os verbos mudam de sujeito e predicado. Troca-se de amor como troca-se de sapatos. Jura-se amor eterno sem considerar o peso das palavras. Ama-se fácil, promete-se em vão.

O amor, o amor mesmo, aquele verdadeiro, não precisa ser ostentado. Ele quieto, já diz muito. E quando diz, diz direto a quem interessa. Diz com um olhar, com uma mensagem secreta, com um abraço sincero, um beijo doce e de outras infinitas formas. Basta que a certeza esteja ali, no coração de quem sente. Nada mais. O companheirismo e os momentos de carinho, ainda que intensos, merecem ser guardados a sete chaves. Ninguém precisa pensar que vocês são o casal mais feliz do mundo, e mesmo que sejam, isso não precisa ser exibido como um troféu.

Acredite, o amor é algo tão valioso que guardado fica mais seguro.

Por Renata Stuart