Nada pela metade

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

Pode parecer clichê, mas sou do tipo oito ou oitenta. Nada pela metade, meio termo não me atrai.  Prefiro o certo ao duvidoso, o frio ao morno, o não do que o talvez. Se confio, confio por inteiro, confio sem medo. (até que me provem o contrário). Não entendo como algumas pessoas sustentam relacionamentos com desconfianças. Prefiro abrir mão de um amor e sofrer como uma condenada do que viver uma vida cercada de dúvidas, medos, inseguranças. Não agüento viver na interrogação, nas reticências. Preciso do ponto final. Da certeza. Preciso da transparência.

Se amo, me entrego de verdade. Até tento esconder um pouco o sentimento, para seguir os bons costumes da conquista, sabe como é, ser durona é atraente. Mas, se gosto mesmo, logo dou a cara a tapa e amo, amo meeesmo. Com direito a mensagem de madrugada, atitudes inusitadas no meio do dia e outras bobices de quem sente tudo ao extremo.  Com a amizade é a mesma coisa. Sou uma amiga que você pode contar para TUDO, a qualquer hora, ou não sou sua amiga. Não sei oferecer meio ombro, meio abraço, meio colo. Amizade tem que ser inteira, cheia, sem espaços em branco, sem lacunas. Amigo que é amigo abre o coração e fala o que sente, sem pudor, sem desconfiança, sem medo ou vergonha do que ele vai pensar. Amigo  escuta, dá conselho, ri e chora junto. O resto é colega. Colegas temos aos montes. Ter um amigo apenas já é uma grande vitória.

Minha repulsa pelo meio termo me acompanha até nas minhas tarefas diárias, nas coisas mais simples. Se me submeto a fazer algo, procuro fazer da melhor forma possível. Me cobro, enlouqueço, quebro a cabeça, me canso. No final, pode não ter ficado como eu esperava, mas eu estou ciente de que me doei por inteiro. Ou me esforço, me dedico naquilo que me dispus a fazer, ou não faço. Não sei fazer algo mais ou menos, meia boca. O problema de se cobrar muito é a frustração gerada com os resultados nem sempre agradáveis. Mas a vida tem disso. É melhor perder sabendo que se fez tudo que estava ao seu alcance, do que perder por falta de empenho.

Coca light, não. Se vou beber coca-cola, que seja a comum, a verdadeiramente boa. Meia palavra não. Se vamos conversar, vou dizer tudo que sinto aqui dentro, vou expulsar o que está ruim, desapertar o que está incomodando, aliviar o que está sufocando. Simples assim. Não me peça para medir o que vou dizer. Quando começo, não paro.

Meia emoção, não. Se choro, choro litros. Se rio, rio com vontade, com prazer. Não sei esconder o que o coração diz, minha fisionomia sempre me entrega, seja num sorriso amarelo, ou numa cara amarrada. Não suporto gente que não se comove, não se toca, não se sensibiliza, não sente ou reprime o que sente. Sentimento foi feito para ser expulsado. Os bons sentimentos devem ser compartilhados, para trazer alegria a quem os recebe. E os ruins devem ser libertados, pois o mal corrói por dentro. Mágoa, angústia, rancor, inveja, entre outros, só servem para machucar quem os sente, ninguém mais.

Sim. Me recuso a viver pela metade. Sonhar pela metade, acreditar pela metade. Quero o inteiro, o todo, o completo. Quero a luz ou a escuridão. O quente ou o gelado.  O muito ou o nada. Quero alguém que esteja ao meu lado de corpo inteiro, do contrário, não esteja.Tô pedindo muito, né? Sei disso. Mas sejamos francos: A vida é muito curta pra gente se contentar com o ‘mais ou menos’.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Allan Ferreira

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | Leave a comment

A Palavra do dia de hoje é de um amigo muito querido, que muito me incentivou com o blog. Ele escreve muito bem e tem sempre uma palavra sábia, de força, que nos inspira muito. Não deixem de acessar o blog dele. http://allanferreiraoficial.blogspot.com/

Bom resto de semana a todos!

O amor nasceu arraigado a liberdade. Aquele que enxerga o amor por entre grades é o mais iludido de todos.O elo do amor é a confiança. O estandarte é a liberdade. Quem ama cativa de tal forma que não precisa de amarras.

Se o amor não chegou ainda pra você, espere… Ele pode bater a sua porta a qualquer momento, por isso deixe o ambiente propício, os biscoitinhos no forno e a lareira acesa.

A paixão inflama o coração. Quando bem canalizada aquece e aconchega, mas quando mal direcionada queima e destrói. Saber nortear suas paixões é um passo gigantesco para a felicidade.

- Allan Ferreira -

 

Linha de chegada

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 3 Comments

Nos acompanham planos, projetos, sonhos. E aquela vontade de enxergar de vez o que é que nos espera do outro lado, no fim da largada. Querer é fácil, idealizar mais fácil ainda. Difícil é partir pro ataque, encarar de frente as dificuldades que surgirão no percurso.

E prometemos: Amanhã tudo será diferente. Vou inovar, vou me mover, vou mudar.  Mas daí vem o amanhã e, junto com ele, milhões de empecilhos. Vinte e quatro horas apressadas demais. Mal tive tempo de pensar, deixa para amanhã, sem falta.

E aquele medo aliado a preguiça de sair da zona de conforto hesita em nos deixar. A rotina é mais cômoda, todo mundo aprova, compreende. Ninguém contraria o óbvio. Difícil é levantar decidido com uma ideia na cabeça e não dormir com ela inacabada. Fácil é deixá-la ali, subentendida, sobrevoando, para outra oportunidade, quem sabe.

Depositamos toda nossa fé no dia seguinte, no mês seguinte, no ano que vem. Todo dia uma esperança, uma promessa e um dia a menos para agir, um dia a menos para arriscar. Talvez essa covardia se deva a um único fato: Temos medo de avistar a linha de chegada sem ter cumprido todos os nossos planos. Até para perder tem que ser corajoso.

Por Renata Stuart

Melancolia

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 2 Comments

Não que eu seja deprimida, não é isso. Não sei bem porque, mas, às vezes, a melancolia  me traz um quê de inspiração. Dias nublados, gotas embaçando a janela, o barulhinho calmante da chuva. Inverno, cobertor. Frio. Noite, estrelas. E, claro, a luz da lua, forte e estridente, invadindo meu quarto e iluminando meus olhos, ao mesmo tempo. Uma música lenta de fundo, daquelas que tocam pra valer, mesmo que eu não entenda a letra. Nessas horas, só a melodia e o tom de voz dizem tudo que precisa ser dito.  É uma espécie de fuga do mundo real para refletir. Uma janela para um mundo tranquilo, isolado, imaginário. Um silêncio de auto-conhecimento. Um momento entre eu e eu mesma. Ninguém mais. Isso me faz bem. Acalma a alma, aquieta o coração e deixa o ar entrar, para refrescar a mente. Sim, sou melancólica. Pronto, falei.

Por Renata Stuart

Palavra do dia: Tati Bernardi

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | Leave a comment

‎” Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje… Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina… E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar… Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil…e choro também! “

- Tati Bernardi -

Das coisas que eu cansei

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 2 Comments

Cansei de falar e não fazer. Ou de começar a fazer e não terminar. Cansei de planejar e não por em prática. Cansei de esboços que não se transformam em coisas concretas. Cansei de me levantar e cair de novo.  Cansei de procurar e não encontrar. Cansei de ver o tempo passar e nada mudar. Cansei de tudo. Até de você.

Cansei das suas promessas de que você vai mudar, de que as coisas vão melhorar. Cansei de dar conselhos que você nunca segue. Cansei de gritar, me estressar e, depois, me debulhar em lágrimas. Quero mais sorrisos, quero felicidade, quero mais atitude.

Cansei de pessoas medíocres, que fazem questões de coisas mínimas, pessoas egoístas, pessoas artificiais, que insistem em viver na pele de um personagem. Quero mais naturalidade, mais verdade. Cansei desta busca incessante pela perfeição. Cansei de me importar, de lamentar, de me preocupar com o julgamento alheio. Quero mais eu, mais essência.

Cansei de mentes fechadas, que não se abrem para o novo. De gente que não muda de opinião ou simplesmente não respeita o pensamento do outro. Gente que se apropria da verdade. Gente arrogante, que impõe, que delimita. Quero mais contradição, mais persuasão, mais discussão.

Cansei das indiretas, da falta de coragem de pessoas que não resolvem suas indiferenças e esperam que o tempo faça isso por elas. Cansei da falta de humildade, do orgulho e da escassez de amor próprio, de gente que maltrata a si para agradar o outro.

Cansei de ‘bom dias’ forçados, de sorrisos indiferentes, de palavras ditas em vão. Quero mais abraço, quero olhares sinceros, quero mais humanidade. Cansei de gente sem expressão, sem emoção, que segura a risada, segura a lágrima, segura o coração. Gente que se regula o tempo todo e não se entrega, não se arrisca, não se permite tentar e errar. Sério, ando tão cansada.

Por Renata Stuart

Desencontros

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 1 Comment

Nossos relógios nunca se ajustaram. Nosso tempo nunca foi mesmo. Nossos pés nunca seguiram a mesma direção. Das vezes que nos cruzamos, nenhuma foi por inteiro. Nunca entendi. Você deixou as pegadas, eu segui, achei que chegaria em algum lugar, mas errei o caminho. Me enganei. Depois você veio. Ora estava aqui, ora ali. Por infinitas vezes, a vida interrompia nosso percurso. Eu partia, depois voltava. Éramos pura oscilação. Sempre freando, retrocedendo, indo e vindo. Você se desviando dos meus passos e eu dos seus. Até que um dia, eu perdi de vez a bússola que me levava até você. E quando você finalmente resolveu se ajustar ao meu relógio, era tarde demais. Você estava em horário de verão. E eu não.

Por Renata Stuart

Uma teoria sobre o amor

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 17 Comments

Engana-se aquele que acredita que o amor já basta para a felicidade de um casal. Eu tenho uma teoria: O amor é apenas 50% de um relacionamento.  Sem ele, impossível dar certo. Somente com ele, impossível do mesmo jeito. O amor não nos dá garantia de felicidade.

E onde estão os outros 50%? Estão distribuídos por aí, numa série de requisitos, conquistados dia após dia. Eles estão no respeito – esse é trivial, questão de sobrevivência mesmo. Quem respeita não ofende, não humilha, não trata mal, não aponta falhas, não difama, não trai. Do que vale ouvir ‘eu te amo’ e não ser respeitada?

Estão na admiração, porque é necessário sentir orgulho pelo que vê no outro, orgulho de sua essência e de como ele encara e leva a vida. Na cumplicidade e no companheirismo, para todos os momentos. Para enfrentar lutas, dividir sonhos, superar perdas, levantar de quedas, almejar coisas e fazer planos. Um casal que não se apoia não pode dar certo. Amar é dar as mãos e caminhar juntos, vencendo os obstáculos que surgem no caminho.

Os 50% também estão na amizade, porque é importante se desligar um pouco das características romântico-sexuais e sentir uma dose de pureza, afeição e lealdade de um amigo verdadeiro. Para aconselhar, para compartilhar lamúrias e decepções, para secar lágrimas, para brincar, para poder contar sempre, em qualquer hipótese.

No equilíbrio, porque um amor saudável é feito do equilíbrio que um proporciona ao outro. A estabilidade que acalma a inquietude, a paz que silencia o medo, a paciência que releva o estresse, a alegria que combate o desânimo. Carinho, porque todo mundo precisa de um colo de vez em quando, porque o carinho é o gesto que fala pelo amor.

Os 50% de um relacionamento também estão na individualidade, porque um sentimento maduro é aquele que reconhece que envolve duas pessoas e não apenas uma.  E cada uma, tem as próprias necessidades, os próprios prazeres, a própria vida e precisa, obviamente, do próprio espaço. Não pode ser uma relação de dependência. O amor não deve servir para completar, mas sim para somar.

E, claro, na intimidade. A falta de vergonha é amiga íntima do amor. É preciso ter muita cara de pau para ser bobo, ridículo, intenso, louco e verdadeiro. É essencial se permitir ser criança novamente, quando der na telha, sem receio de ser visto como imaturo. O amor que não tem liberdade e não se expulsa para fora do coração, de tão quieto, acaba estagnado. É como algo que li certa vez: “Quem tem medo de parecer bobo não merece o privilégio de estar apaixonado”.

Ainda no quesito intimidade, é preciso ter muito diálogo. É preciso se sentir à vontade para falar sobre tudo, sem pudor, inclusive sexo, problemas e inseguranças. O gostoso é perceber que a pessoa que está ao seu lado sente necessidade de dividir as coisas – não apenas as boas – com você. E melhor ainda é notar que ela tem real interesse pela sua vida. Quando você tem “preguiça” de compartilhar ou até mesmo dar ouvidos aos problemas de quem você ama, é hora de repensar este amor.

Como já era de se esperar, é necessário também uma pequena porcentagem de compatibilidade, não falo características, já que a graça da vida está justamente no fato de aceitar os diversos gostos e personalidades. Falo da semelhança de objetivos, de projetos, de sonhos. Não importa o tamanho do amor, se os objetivos forem diferentes, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que abrir mão de algo. Do amor ou dos sonhos.

E, por último, talvez a mais importante: A confiança. Essa é para o amor o que o oxigênio é para nós – primordial. Creio que é impossível amar sem confiar, do contrário, o amor se resume em perseguições, ouvidos atentos demais, olhos abertos demais, mente preocupada demais e, quando você menos esperar, estará ridiculamente checando as mensagens do celular dele(a) ou coisas do tipo.

Amar é relaxar e se entregar sem medo de ser feliz. Sem conspirar, sem tentar maquinar algo pra descobrir onde e com quem ele passou a tarde. Confiar vale a pena, até que o contrário nos seja provado. E quando isto acontecer, ainda que doa, o amor deve partir, penso eu. Pois, assim como a delicadeza de um cristal, uma vez destruída, a confiança jamais se reconstitui.

Por Renata Stuart

Palavra do dia – Caio Fernando Abreu

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 2 Comments

 

Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.

Caio Fernando Abreu -

Palavra do Dia – Clarice Lispector

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 3 Comments

“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos”

- Clarice Lispector -