Ela é assim

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Ela parece boba, inocente, sonhadora. Mas não é nada disso. Ela é só uma espécie em extinção. Ela idealiza tudo, enfeita o banal, colore o medíocre, e enxerga uma luz no fim de qualquer túnel escuro.

Ela não teme. Não teme o inesperado, o desconhecido, nem a desilusão. Ela se ‘joga’ mesmo, de olhos fechados e sem pára-quedas. Seu lema é que a vida, de tão rara e curta, deve ser vivida por inteiro. Sim, ela alimenta expectativas, dá mais do que recebe e sonha alto.

É apontada como uma  inconsequente, desvairada, sem juízo, mas não. Ela tem dentro de si uma ânsia em acreditar, tentar, arriscar. Ah, e ela também não sabe esperar. É urgente no que quer.

Romântica incurável, ela não acha ilusão acreditar em fidelidade nem em amor eterno. Ela crê nisso, mas não encara isso como pré-requisito para a felicidade. Ela sabe que a felicidade é totalmente relativa. Mas sabe também que, em qualquer caso, felicidade exige coragem. E muita.

Ela tem pena de quem aceita conviver com a incerteza, com a dúvida, com o morno. Ela prefere o ‘não’ seco, do que o ‘talvez’ doce. Ela parece sensível, mas é forte. Ela parece dura, mas é frágil. Ela não é nenhuma bonequinha de luxo, boazinha, meiguinha, mas tem um coração que não cabe dentro de si.

Ela é impulsiva, e por vezes deixa as emoções falarem por si só. Ás vezes, embalada pelo frenesi do momento, solta as palavras meio que num ato escorregadio. O que costuma lhe gerar sérios problemas. Mas embora as palavras não voltem, ela até tenta reparar a bagunça que causou.

Ela se machuca, sim, não é difícil prever isso. Mas não por que quer, ela não é nenhum tipo de masoquista. Mas sim por que é escrava da urgência, do completo, da intensidade, do agora. E nem sempre o mundo fala a sua língua e acompanha seu ritmo.

Quem é ela? Não sei, só sei que ela é assim.

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Perder a viagem

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Oi, gente! Bom, a tag ‘palavra do dia’ teve seu nome alterado para “Entre Aspas”, não vai mudar nada, mas acho que esse nome combina mais com o objetivo, já que não posto textos de outros autores diariamente, mas sim aleatoriamente. No “Entre Aspas” de hoje,  eu vou compartilhar com você mais uma crônica que eu amo da minha ”musa inspiradora” rsrs  (meu sonho é escrever como ela!): Martha Medeiros. Sei que já postei muitas palavras dela aqui já, mas não me canso. Ela é fantástica e tem uma sensibilidade incrível de transmitir a vida em palavras. Espero que gostem! Beijos e…comentem!

 

 

Perder a viagem

Você pede ao patrão para sair mais cedo do trabalho, pega um ônibus lotado, vai para um consultório médico que fica no centro da cidade, gasta seus trocados, seu tempo e seu humor, e, ao chegar, esbaforido e atrasado, descobre através da secretária que sua hora, na verdade, está marcada para semana que vem. Sinto muito, você perdeu a viagem.

Todo mundo já passou por uma situação assim, de estar no lugar errado e na hora errada por pura distração. Acontecendo só de vez em quando, tudo bem, vai pra conta dos vacilos comuns a qualquer mortal. O problema é quando você se sente perdendo a viagem todos os dias. Todinhos. É o caso daqueles que ainda não entenderam o que estão fazendo aqui.

Estão perdendo a viagem aqueles que não se comprometem com nada: nem com um ofício, nem com um relacionamento, nem com as próprias opiniões. Estão sempre flanando, flutuando, pousando em sentimento nenhum, brigando por idéia nenhuma, jamais se responsabilizando pelo que fazem, pois nada fazem. Respirar já lhes é tarefa árdua e suficiente. E os dias passam, e eles passam, e nada fica registrado, nada que valha a pena lembrar.

Estão perdendo a viagem aqueles que, em vez de tratarem de viver, ficam patrulhando a existência alheia, decretando o que é certo e errado para os outros, não tolerando formas de vida que não sejam padronizadas, gastando suas bocas com fofocas, seus olhos com voyeurismo, sem dedicar o mesmo empenho e tempo para si mesmo.

Estão perdendo a viagem aqueles preguiçosos que levam semanas até dar um telefonema, que levam meses até concluir a leitura de um livro, que levam anos até decidir procurar um amigo. Pessoas que acham tudo cansativo, que acreditam que tudo pode esperar, que todos lhe perdoarão a ausência e o descaso.

Estão perdendo a viagem aqueles que não sabem de onde vieram nem tentam descobrir. Que não sabem para onde ir e nem tentam encontrar um caminho. Aqueles para quem a televisão pode tranqüilamente substituir as emoções.

Estão perdendo a viagem aqueles que se entregam de mão beijada às garras do tédio.

 

Por Martha Medeiros

Lembranças que remexem o estômago

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Ei, você se lembra? Senta aqui e me diga: do que você se lembra mais? São tantas coisas, né, eu sei, fica difícil calcular. Mas será que você se lembra de todas as pessoas que já passaram por sua vida? Aquelas que, ainda que por pouco tempo, deixaram marcas profundas ou aquelas que simplesmente passaram como quem cruza uma esquina?

E daquelas que só apareceram para lhe causar dor, que te prometeram o mundo, que juraram sempre estar ao seu lado e, quando você mais precisou – PUFT – desapareceram num passe de mágica. Eu sei, essas você preferia esquecer…

E as palavras ditas, você se recorda? Aquelas que tinham o poder de colorir seu dia ou até mesmo te desmoronar e, hoje, já não têm valor algum? É, temos que admitir, tudo muda. A interferência do tempo é algo inacreditável. As palavras se esvaem, as pessoas se reinventam, os amores mudam e renascem em novos corações, vão e vêm.

As promessas nem sempre são cumpridas e os planos nem sempre concretizados, porque no meio do caminho, você também muda, e seus sonhos, e suas verdades, seus gostos, suas escolhas.Tem coisas que se vão, que as circunstâncias levam, e que o vento não traz de volta, e ponto. É preciso aceitar, ainda que seja uma tarefa árdua, que tudo um dia se vai. Mas o que é verdadeiro realmente fica, ainda que apenas em nossa mente, nosso coração, nossa alma, mas, de alguma forma, fica.

E, acredite, isto não é um conselho de livro de auto-ajuda, mas têm coisas que mudam para o nosso próprio bem, cedo ou tarde, a gente descobre isso. Às vezes, não estamos perdendo algo, mas sim nos livrando de algo. Certas portas são fechadas para que novas possam ser abertas, certas pessoas se vão, para que novas possam entrar. E a lágrima costuma ser uma maneira de limpar o território para os sorrisos que estão por vir.

Viver é lembrar e, ao mesmo tempo, aprender a esquecer. Não digo esquecer como quem faz uma lavagem cerebral na memória e seleciona o que se quer deletar. Não, não falo disso. Mas falo de superação, de cabeça erguida, do famoso “bola pra frente”.

E essas lembranças, que tanto remexem nosso estômago, não podem ser deletadas, elas sempre vão estar ali, em off, subentendidas, adormecidas. Mas também são elas que nos ensinam a ser mais fortes, mais atentos, mais maduros, mais imperfeitos, mais reais, mais humanos.

As lembranças do ontem estão estampadas no que somos hoje. Elas trazem não só saudade, mas dor, medo, culpa, ausência, perturbação, nostalgia. E servem para nos lembrar – como o nome sugere – de algo que foi verdade um dia.

E é essa noção de verdade que nos faz valorizar o que a vida tem de melhor, tirando de cada sofrimento, de cada tombo, de cada joelho ralado, de cada decepção, de cada lembrança, um aprendizado.

Como dizem mesmo?  Recordar é viver.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Rosely Stuart

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Desta vez, a palavra do dia é da pessoa que eu mais amo no mundo: Minha mãe. Coincidência ou não, ela também ama escrever e, remexendo papéis antigos, achamos um texto que ela fez no dia 17 de fevereiro de 1998. Não podia deixar de compartilhar aqui. Grande beijo! 🙂

 

 

Sentimento

Sentir!

Palavra forte e sensível que, originada do sentimento, nos faz vibrar de emoção.

Quando sentimos aquilo que realmente chamamos de emoção,

nosso corpo, como que queimando em desejo, nos faz transbordar de tanta felicidade.

 

Quando sentimos forte essa emoção, nosso corpo fala por nós,

Ele corresponde a cada gesto, a cada toque, a cada olhar.

Às vezes, sentimos tão forte essa emoção que nossa respiração se prende a cada lembrança..

Somente quem tem sensibilidade pode viver esse sentimento.

 

Sentir é tão bom que, mesmo à distância, fechamos os olhos e a emoção fala por nós.

Revivemos cada momento como se estivesse acontecendo de novo.

Tudo fica registrado na nossa memória, no fundo de nossas lembranças…

 

No fim das contas, sentimento é tudo aquilo que eu sinto por você.

 

Por Rosely Stuart

Um mundo de cegos

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Os cegos estão por toda parte. Não falo dos que estão sempre de óculos escuros, guiados por uma bengala e são impedidos de ver a luz do sol, de contemplar o azul do céu, de olhar no fundo dos olhos, e outras maravilhas que só a visão pode captar. Não me refiro a esses, que também são muitos.

Falo dos cegos que possuem total capacidade visual, mas não a usam com sabedoria. O cego que enxerga, mas não vê. Aquele que não vê o outro, não vê nada além de si mesmo. Ou, ao contrário, vê unicamente o outro, e se desagrada para agradar o outro, que se coloca em segunda opção, sempre.

Falo daquele cego que não vê o que pode dar certo, mas só o que pode dar errado. Que vê a oportunidade, mas não arrisca. Que fecha os olhos e não se move quando se depara com a dificuldade, os obstáculos.

O cego que se depara com o necessitado, o faminto, o estigmatizado e baixa os olhos, com medo ou repulsa. Aquele cego que, de tanto ver, já não vê mais nada, em decorrência de uma visão desgastada, calejada, que já não tem sensibilidade para o mundo a sua volta. Que não se impressiona e nem se deixa emocionar facilmente.

Aquele cego que é capaz de captar todas as maravilhas do mundo, mas não as admira, não as valoriza, não as sente. O cego de olho grande, que vive na busca incansável pelo dinheiro e possui a vista desfocada para o valor das pequenas coisas. O cego que vive uma vida na qual não se vê, na qual não se sente vivo.

O cego que vislumbra o futuro e corre feito um louco atrás dele, esquecendo-se que a única certeza é o agora. O cego que só vê a capa, a casca, a superfície e que, antes mesmo de ver a fundo, faz uma série de julgamentos infundados, os chamados pré-conceitos.

A lista é interminável, e eles estão em toda parte. E são eles que sofrem da pior cegueira, uma cegueira que nem cirurgia de córnea resolve. Uma cegueira que não exige bengala, mas que pode gerar muitos tombos no percurso. Uma cegueira que só a vida pode consertar.

E para aqueles que aqui se viram: Abram os olhos, enquanto há tempo.

Por Renata Stuart

Parei pra falar sobre o tempo

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Ando me assustando muito com o tempo. A semana começa preguiçosa, parecendo que será arrastada e, quando menos espero, a sexta-feira se esbarra em mim. O dia parece que será longo e produtivo, mas nem metades das tarefas são concluídas. O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso. Tentamos controlá-lo com nossas medidas, nossos calendários, nossos relógios, mas é inevitável.

O tempo nos fala o tempo todo. Não só através do tic-tac latejante dos relógios, mas através das fotos, do espelho, da maturidade, das responsabilidades que se fazem cada vez mais presentes. O tempo é o cansaço exposto nas olheiras, é o surgir das rugas, é o escurecer e o amanhecer. O tempo é a juventude dizendo adeus, é a experiência pedindo passagem, é o futuro dizendo “cheguei”.

O tempo é movimento. É aquele ardiloso que se vai, mas deixa, lá no fundo, um desejo surreal de ser criança novamente. Uma nostalgia gostosa da simplicidade, da inocência, da esperança inabalável, dos sonhos tolos e da ausência de responsabilidades. O tempo é um vento que passa despercebido, de forma inconsequente, levando nossos dias, nossa juventude, nossas coisas, e ‘nossas pessoas’, (que na verdade não são nossas). Somente os sentimentos fortes, que de tão desesperados, se seguram nas árvores e resistem a ele.

Mas o tempo é o único que nos dá a oportunidade de tentar de novo, de fazer de novo e melhor. É o único que nos dá a chance de recomeçar. É o tempo que faz todas as nossas ilusões caírem por terra, é ele quem pega aquilo que, antes, nos abalava e converte em coisas que, hoje, não nos dizem absolutamente nada.

É o tempo que faz o medo encontrar a coragem no meio do caminho. É o tempo que tem a incrível capacidade de converter mágoa em perdão, é o tempo que nos reinventa, nos incrementa e melhora a nossa visão. Sim, melhora, pois chega um momento em que a gente vê a vida por outro ângulo, com mais nitidez.

A gente se dá conta de que as nossas escolhas, até as mais simples, determinaram o rumo que tomamos. E a gente compreende que a vida é o resultado da bagagem que carregamos dentro de nós. Tudo passa a fazer sentido.

O tempo passa, corre, acelera, e nada podemos fazer para evitar isso, eu já disse isso no início. Mas podemos e devemos eternizá-lo à nossa maneira. Eternizar o tempo, a meu ver, é deixá-lo registrado com a satisfação, o prazer e não com o arrependimento, não com o gosto amargo de uma vida sem intensidade. Eternizar o tempo é viver fazendo o que se gosta, estando com quem se gosta e sendo como quem a gente gosta de ser. Um dia de cada vez.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou aqui sem nada à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta. Eu não posso pensar “não, daqui a um ano eu vou pro campo ou eu caso ou me formo ou vou à Europa”. Eu não sei. Fico esperando que pinte uma coisa, naturalmente. E essa falta de ação me esmaga um pouco.

– Caio Fernando Abreu –

Coração tolo

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Gostar do que não se tem, valorizar somente quem te despreza, desejar quem não te considera, almejar quem não te corresponde. Parecem coisas contraditórias, absurdas, ilógicas  Mas é o que mais se vê por ai.

Tem gente que vive assim, nessa briga consigo mesmo e com a vida. Tem gente que é masoquista, incoerente. Gente que, sem perceber, foge da felicidade ou só vê felicidade nisso. Na busca, na perda, na conquista, no desafio, no sofrimento.

Tem homens que não dão o devido valor a certas mulheres, apaixonadas demais, francas demais, bobas demais, intensas demais. Até que o inevitável acontece: Ela não o quer mais. Ela se magoou, cansou e desencanou. Agora? Tê-la é questão de honra. Infelizmente, é assim que funciona.

Triste. Lamentável que existam pessoas que tratem a vida como um jogo e precisam estar em constante luta para ser feliz. Só enxergam olhares que os ignoram, só se doam para quem os desprezam, só caem na real quando perdem o jogo.

Também tem as mulheres que só gostam dos ‘cachorrões’. Ela ama o cara, vive se esquecendo de si mesma e se coloca em segundo plano sempre, em função do traste. Até que o inevitável acontece: Ele se cansou, quer novas aventuras, novas conquistas, quer encantar e depois quebrar outros corações.

Já ela, não se cansa. Até tenta. Conhece um cara legal, que é louco por ela, faz tudo e mais um pouco para vê-la sorrir, se desdobra em mil para lhe dar atenção, é romântico, etc e tal. Não adianta, o ‘cachorrão’ está lá, assombrando a mente da coitada, que volta e meia bisbilhota o perfil dele, liga como quem não quer nada e por ai vai.

Ela nega em enxergar uma vida sem ele e eles acabam reatando. Mas, como ninguém muda de um dia para o outro, (especialmente sem uma lição), ele a esquece em casa nos finais de semana, some às vezes, e costuma ser visto na rua fazendo babaquices. Contar a ela? Nem tente, ela não acredita e vai acabar sobrando pra você. Ela tem uma visão seletiva, só vê o que lhe convém.

Inacreditável. Já julguei demais, já pensei “como é possível alguém ser tão burra e aceitar tamanha humilhação? Para onde foi o amor próprio?” . Hoje, não julgo mais. Entendi que não se explicam as coisas do coração. O coração é irracional, insensato, abobado, imbecil, ignorante, tolo e não tem vergonha na cara. Quando o assunto é coração, falta sentido, falta sabedoria, falta realidade.

Ele apanha, é atropelado, esmagado e depois coloca um curativo, só pra despistar. E não adianta tentar enfiar razão onde só cabe emoção. Não adianta julgar e nem tentar ajudar.  O jeito é cada um viver a sua vida, entendendo que, se alguém tiver que aprender, não será com seus conselhos e sim com a vida, nem que seja na marra. Ensinar o coração é uma tarefa árdua e mudança é sempre uma questão de força de vontade.

 

Por Renata Stuart

A pessoa certa

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Tem gente que espera a vida inteira pela pessoa certa. Mas, afinal, quem é a pessoa certa? E como distingui-la no meio de tantas outras? A pessoa certa tem que me amar pelo que sou, ver alguma beleza até nos meus defeitos, entender o significado do meu silêncio e a linguagem do meu olhar, do meu toque. A pessoa certa é aquela que não ri dos meus sonhos, das minhas manias e que me dá força para batalhar pelos meus objetivos. É aquela que faz um dia corrido, simples e rotineiro se tornar especial. A pessoa certa é aquela que me tira do chão às vezes, mas que me dá equilíbrio e segurança sempre.

A pessoa certa não é a minha alma-gêmea, feita sob medida para mim. Aliás, almas gêmeas existem? Li algo uma vez que questionava o seguinte: Se existe uma alma feita exclusivamente para mim, – um encaixe perfeito, a peça do meu quebra cabeça – essa alma pode estar em qualquer canto do mundo, pode ainda nem ter nascido, pode estar em um recém-nascido, pode ser de um coreano, um francês, sei lá. O fato é: a gente nunca vai se cruzar. Não acredito em almas gêmeas. A pessoa certa é, primeiro, o resultado de um encontro casual, e, depois, uma escolha nossa.

A pessoa certa é aquela que, mesmo não sendo o príncipe dos contos de fadas ou a  Afrodite da mitologia grega, a gente ama. A gente projeta a pessoa certa em nossa mente e busca incessantemente por ela. Mas a pessoa certa não está sentada a nossa espera, e não existe uma fórmula, uma receita de bolo ou um mapa para encontrá-la. A pessoa certa a gente constrói com o tempo, com a convivência, com o aprendizado e a paciência. A pessoa certa não é aquela que você sempre idealizou, não é a senhora perfeição, mas é aquela que está sempre disposta a ser melhor para te fazer e te ver bem. Não é aquela que faz absolutamente tudo para você, feito capacho, mas é aquela que faz o que sente que lhe fará realmente feliz.

Não é aquela que ama tudo o que você ama, nem aquela que concorda com tudo o que você diz. A pessoa certa se difere de você às vezes, mas nem por isso, deixa de te admirar. A pessoa certa é aquela que desperta em nós a vontade de fazê-la ser a certa, é a que nós desejamos que seja e, por isso, unimos esforços e deixamos muitas ilusões caírem por terra. A gente é que aprende a vê-la da maneira certa, com doçura, com certo brilho, e em alta definição. A pessoa certa é aquela que a gente escolhe para dividir mais do que um álbum de fotografias. A gente escolhe para dividir horas, dias, meses, uma vida, uma história. E não pense que essa escolha é simples, feita no uni-du-ni-tê, ou no escuro. Não mesmo, e acredite: até você escolher a pessoa certa, muitas ‘pessoas erradas’ aparecerão no seu caminho. E isso faz parte.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Pablo Neruda

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Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

— Pablo Neruda —