Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou aqui sem nada à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta. Eu não posso pensar “não, daqui a um ano eu vou pro campo ou eu caso ou me formo ou vou à Europa”. Eu não sei. Fico esperando que pinte uma coisa, naturalmente. E essa falta de ação me esmaga um pouco.

– Caio Fernando Abreu –

Coração tolo

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Gostar do que não se tem, valorizar somente quem te despreza, desejar quem não te considera, almejar quem não te corresponde. Parecem coisas contraditórias, absurdas, ilógicas  Mas é o que mais se vê por ai.

Tem gente que vive assim, nessa briga consigo mesmo e com a vida. Tem gente que é masoquista, incoerente. Gente que, sem perceber, foge da felicidade ou só vê felicidade nisso. Na busca, na perda, na conquista, no desafio, no sofrimento.

Tem homens que não dão o devido valor a certas mulheres, apaixonadas demais, francas demais, bobas demais, intensas demais. Até que o inevitável acontece: Ela não o quer mais. Ela se magoou, cansou e desencanou. Agora? Tê-la é questão de honra. Infelizmente, é assim que funciona.

Triste. Lamentável que existam pessoas que tratem a vida como um jogo e precisam estar em constante luta para ser feliz. Só enxergam olhares que os ignoram, só se doam para quem os desprezam, só caem na real quando perdem o jogo.

Também tem as mulheres que só gostam dos ‘cachorrões’. Ela ama o cara, vive se esquecendo de si mesma e se coloca em segundo plano sempre, em função do traste. Até que o inevitável acontece: Ele se cansou, quer novas aventuras, novas conquistas, quer encantar e depois quebrar outros corações.

Já ela, não se cansa. Até tenta. Conhece um cara legal, que é louco por ela, faz tudo e mais um pouco para vê-la sorrir, se desdobra em mil para lhe dar atenção, é romântico, etc e tal. Não adianta, o ‘cachorrão’ está lá, assombrando a mente da coitada, que volta e meia bisbilhota o perfil dele, liga como quem não quer nada e por ai vai.

Ela nega em enxergar uma vida sem ele e eles acabam reatando. Mas, como ninguém muda de um dia para o outro, (especialmente sem uma lição), ele a esquece em casa nos finais de semana, some às vezes, e costuma ser visto na rua fazendo babaquices. Contar a ela? Nem tente, ela não acredita e vai acabar sobrando pra você. Ela tem uma visão seletiva, só vê o que lhe convém.

Inacreditável. Já julguei demais, já pensei “como é possível alguém ser tão burra e aceitar tamanha humilhação? Para onde foi o amor próprio?” . Hoje, não julgo mais. Entendi que não se explicam as coisas do coração. O coração é irracional, insensato, abobado, imbecil, ignorante, tolo e não tem vergonha na cara. Quando o assunto é coração, falta sentido, falta sabedoria, falta realidade.

Ele apanha, é atropelado, esmagado e depois coloca um curativo, só pra despistar. E não adianta tentar enfiar razão onde só cabe emoção. Não adianta julgar e nem tentar ajudar.  O jeito é cada um viver a sua vida, entendendo que, se alguém tiver que aprender, não será com seus conselhos e sim com a vida, nem que seja na marra. Ensinar o coração é uma tarefa árdua e mudança é sempre uma questão de força de vontade.

 

Por Renata Stuart

A pessoa certa

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Tem gente que espera a vida inteira pela pessoa certa. Mas, afinal, quem é a pessoa certa? E como distingui-la no meio de tantas outras? A pessoa certa tem que me amar pelo que sou, ver alguma beleza até nos meus defeitos, entender o significado do meu silêncio e a linguagem do meu olhar, do meu toque. A pessoa certa é aquela que não ri dos meus sonhos, das minhas manias e que me dá força para batalhar pelos meus objetivos. É aquela que faz um dia corrido, simples e rotineiro se tornar especial. A pessoa certa é aquela que me tira do chão às vezes, mas que me dá equilíbrio e segurança sempre.

A pessoa certa não é a minha alma-gêmea, feita sob medida para mim. Aliás, almas gêmeas existem? Li algo uma vez que questionava o seguinte: Se existe uma alma feita exclusivamente para mim, – um encaixe perfeito, a peça do meu quebra cabeça – essa alma pode estar em qualquer canto do mundo, pode ainda nem ter nascido, pode estar em um recém-nascido, pode ser de um coreano, um francês, sei lá. O fato é: a gente nunca vai se cruzar. Não acredito em almas gêmeas. A pessoa certa é, primeiro, o resultado de um encontro casual, e, depois, uma escolha nossa.

A pessoa certa é aquela que, mesmo não sendo o príncipe dos contos de fadas ou a  Afrodite da mitologia grega, a gente ama. A gente projeta a pessoa certa em nossa mente e busca incessantemente por ela. Mas a pessoa certa não está sentada a nossa espera, e não existe uma fórmula, uma receita de bolo ou um mapa para encontrá-la. A pessoa certa a gente constrói com o tempo, com a convivência, com o aprendizado e a paciência. A pessoa certa não é aquela que você sempre idealizou, não é a senhora perfeição, mas é aquela que está sempre disposta a ser melhor para te fazer e te ver bem. Não é aquela que faz absolutamente tudo para você, feito capacho, mas é aquela que faz o que sente que lhe fará realmente feliz.

Não é aquela que ama tudo o que você ama, nem aquela que concorda com tudo o que você diz. A pessoa certa se difere de você às vezes, mas nem por isso, deixa de te admirar. A pessoa certa é aquela que desperta em nós a vontade de fazê-la ser a certa, é a que nós desejamos que seja e, por isso, unimos esforços e deixamos muitas ilusões caírem por terra. A gente é que aprende a vê-la da maneira certa, com doçura, com certo brilho, e em alta definição. A pessoa certa é aquela que a gente escolhe para dividir mais do que um álbum de fotografias. A gente escolhe para dividir horas, dias, meses, uma vida, uma história. E não pense que essa escolha é simples, feita no uni-du-ni-tê, ou no escuro. Não mesmo, e acredite: até você escolher a pessoa certa, muitas ‘pessoas erradas’ aparecerão no seu caminho. E isso faz parte.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Pablo Neruda

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Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

— Pablo Neruda — 

É o ‘se’ que me perturba.

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É o SE que me incomoda, atormenta, perturba. Quando estou mal, é o SE que me faz pensar como seria se ele estivesse aqui para me fazer rir. Quando estou bem, é o SE que me faz fantasiar como seria se ele estivesse aqui, para viver esse momento comigo. É o SE que me persegue, me maltrata, me ilude.

E se. E se tudo tivesse se saído como eu imaginava? E se ele nunca tivesse partido? E se ele tivesse surpreendido a todos os médicos e vencido a doença? Que profissão teria escolhido? Difícil saber, tantas eram as suas habilidades…Biologia, Informática, matemática.  Que homem ele teria se tornado? Sem dúvidas, um grande homem, um verdadeiro gentleman. Mas qual seria a sua versão adulta? Quais seriam as suas escolhas? E se eu pudesse saber disso tudo?

E se. E se eu tivesse aberto meu coração? E se aquele antigo relacionamento tivesse dado certo? E se nossos caminhos tivessem se cruzado novamente? E se eu tivesse convertido meus desejos em ações? Como eu estaria hoje? E se eu tivesse sido aprovada naquele teste? Onde eu estaria agora? E se eu tivesse me esforçado mais? Se eu tivesse sido mais gentil? E se eu tivesse dito não? E se eu tivesse persistido até conseguir? E se eu tivesse feito as malas e ido embora? Quem estaria ao meu lado agora? E se eu tivesse tido coragem de lutar? E se eu tivesse virado à esquerda ao invés da direita?

E se. E se. Sei que o ‘se’, de fato, não existe. Sei que ele é uma mera conjunção condicional que nada nos diz, só nos faz lamentar, devanear, fantasiar o que poderia ter SIDO e não foi.  O SE é uma maneira [em vão] que a gente acha de questionar os rumos que as coisas tomaram. O SE é um desejo incontrolável de mudar o presente, de manipular o tempo e os fatos com as próprias mãos, de enxergar um momento que, na verdade, nunca existirá.

E se. O SE é chato, não nos move, não nos tira do lugar. O SE é triste de qualquer forma, pois sempre pressupõe inconformismo, insatisfação, arrependimento. Mas o pior SE não é aquele que independia de nossa atitude para ter sido fato concreto, esse é culpa do acaso, das circunstâncias da vida, da vontade de Deus.

Enfim. O SE que dói mais é aquele que poderia e não foi, por nossa única e exclusiva culpa. É aquele que pesa sobre nós, que nos cobra, que nos lembra de nossa covardia, nossa imobilidade, nossos erros, nossos maus passos. Mas, assim como todo e qualquer SE, ele de nada serve, a não ser para martelar nossa mente com o imutável. Quer saber, e se eu tentasse parar de questionar tanto a vida e deletasse de vez o SE do meu vocabulário? Talvez, se eu fizesse isso, a vida seria mais fácil.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Ana Jácomo

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“Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.

Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.”

 

Texto de Ana Jácomo – anajacomo.blogspot.com

A notícia que mudou a noite

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Tinha tudo pra ser só mais uma noite de sexta-feira típica, de duas aulas, algumas conversas e o retorno pra casa para dormir, já que sábado pela manhã também é dia de aula. (eu sei, isso é péssimo). Mas, ao chegar na faculdade, a notícia que mudou a noite: A professora de Metodologia Científica foi dar à luz!  A pequena Clara resolveu vir ao mundo antes da hora.

Muito bem. Na falta do que fazer, resolvemos ir ao ‘requintadíssimo’ bar do Itaobim, a única opção em frente à universidade. Não éramos muitos, mas éramos uma pequena parcela da turma afim de não deixar a sexta-feira passar em vão. Apesar de manter grupos, nossa turma possui uma certa energia que une a todos. É muito bom isso. Nunca existiram brigas, richas, ou coisas do tipo? Mentira, existiram sim, mas a essa altura do campeonato do curso, a gente se preocupa menos com isso.

Mas enfim, voltando ao bar do ‘bim’. Era dia de vinhada, rua cheia, viaturas policiais para conter a bagunça, música cortada, cerveja cara. Melhor não, inventamos nosso próprio programa. Um sprite, um run big apple e alguns copos de plásticos resolveram nosso problema. Fomos para um canto qualquer alheio ao bar e a largada foi dada.

Eu, que estava num dia lento, tedioso e super cansada, logo comecei a me animar. Conversas, besteiras , trocadilhos de bar. Depois vieram os desabafos, os casos. Álcool entrando, censura diminuindo, inconsciente se soltando. E se inicia o momento de ‘lavar a roupa suja’. Questões antigas foram colocadas em pauta, briguinhas passadas se tornaram motivo de risadas. Muitas risadas e muitos “Isso não importa mais”. E não importava mesmo. Podia parecer papo de bêbado, mas a meu ver, tudo ali era sincero.

A bebida acabou. Que venha mais. E assim foi. O álcool a essa altura já inibiu o hormônio anti-diurético de todos, e é aberta a seção ‘preciso ir ao banheiro’. Divertimos horrores. Risadas incontroláveis no banheiro. Da biblioteca, por sinal.

E a noite foi seguindo. Deu a hora de começar a segunda aula. (e que aula boa, hein? rs) Melhor não. Nesse estado, tudo que iremos fazer é causar balbúrdia. Vamos ficar aqui mesmo. Levar duas faltas não parecia nenhum problema, pelo menos não naquela hora.

E o álcool, adentrando ainda mais em nossa mente, deu início a seção “Chororô”. Um contando a sua vida aqui, outro ali. Todos repletos de problemas, dúvidas, lamúrias, tristezas. Ninguém tem a vida perfeita, concluímos. Todas aquelas verdades internas, aqueles sentimentos que a gente guarda para si, tudo isso é ocultado no dia a dia, na correria que a vida nos faz levar. Mas ali não. Ali era hora de externar tudo.

Foi um momento único, onde cada um pôde conhecer um pouco mais do outro, descobrir lados que a gente nem imaginava existir. “Eu te amo” “senta aqui do meu lado” “te admiro muito” “ainda bem que eu te conheci” fizeram parte da seção ‘Declarações’.

E assim foi a nossa noite de sexta-feira. Nenhum barzinho sofisticado, não tinha música e nem cadeira. Mas tinha calor humano, diversão e amizade. E é chegada a hora de voltar para casa e ‘capotar’, ainda que a cabeça estivesse rodando. Vieram despedidas, beijos e muitos abraços. Mas espera. Falta o brinde: “ao sucesso dos outros, porque o nosso está garantido!!!”.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Eu também tive meu coração machucado. Me dei mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Mas tudo está bem agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e bem. Descobri tantas coisas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.

– Caio Fernando Abreu –

O dia DELAS – 08 de março

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Umas são tímidas, de olhos baixos e voz suave. Outras são ousadas, impetuosas e determinadas. Umas não precisam de nada além de filhos e marido. Algumas só querem mesmo cuidado e atenção, e outras não abrem mão da profissão, da independência financeira. Umas travam uma batalha contra o tempo, se torturam nas academias e querem ser eternamente jovens, já outras veem a velhice como maturidade, e aceitam as rugas sem preocupação . Umas seguem a cabeça, outras só escutam o coração.

São elas que são tachadas pela bunda ou pelos peitos que possuem. São elas que sofrem os efeitos da TPM, as cólicas menstruais e a dor do parto. São elas que se depilam, mantêm as unhas feitas, fazem as sobrancelhas com frequência e estão sempre perfumadas. Algumas fazem manobras diárias. Apesar do “sexo frágil”, são elas quem têm que dar conta da casa, dos filhos, do trabalho e de si mesma. São elas que toleram o padrão de beleza imposto, as cantadas ofensivas e as piadinhas machistas.

Elas, que foram ‘santas’ por séculos, que engoliam tudo, reprimiam desejos e tapavam os olhos para tudo o que lhes era negado. Elas, que têm a capacidade incrível de fazer mil coisas ao mesmo tempo, elas que, hoje, ocupam cargos de comando em empresas, e governam até países.

São elas que diariamente, em especial hoje, merecem o nosso aplauso. Mais do que um dia para dar e receber rosas, hoje é um dia para homenagear as mulheres que morreram na luta contra a violência, a injustiça, e a repressão. E, mais, hoje é um dia de se orgulhar de tudo que, nós, mulheres, conquistamos.

Parabéns a você, mulher _o/

 

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Martha Medeiros

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Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

– Martha Medeiros –