A pessoa certa

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 6 Comments

Tem gente que espera a vida inteira pela pessoa certa. Mas, afinal, quem é a pessoa certa? E como distingui-la no meio de tantas outras? A pessoa certa tem que me amar pelo que sou, ver alguma beleza até nos meus defeitos, entender o significado do meu silêncio e a linguagem do meu olhar, do meu toque. A pessoa certa é aquela que não ri dos meus sonhos, das minhas manias e que me dá força para batalhar pelos meus objetivos. É aquela que faz um dia corrido, simples e rotineiro se tornar especial. A pessoa certa é aquela que me tira do chão às vezes, mas que me dá equilíbrio e segurança sempre.

A pessoa certa não é a minha alma-gêmea, feita sob medida para mim. Aliás, almas gêmeas existem? Li algo uma vez que questionava o seguinte: Se existe uma alma feita exclusivamente para mim, – um encaixe perfeito, a peça do meu quebra cabeça – essa alma pode estar em qualquer canto do mundo, pode ainda nem ter nascido, pode estar em um recém-nascido, pode ser de um coreano, um francês, sei lá. O fato é: a gente nunca vai se cruzar. Não acredito em almas gêmeas. A pessoa certa é, primeiro, o resultado de um encontro casual, e, depois, uma escolha nossa.

A pessoa certa é aquela que, mesmo não sendo o príncipe dos contos de fadas ou a  Afrodite da mitologia grega, a gente ama. A gente projeta a pessoa certa em nossa mente e busca incessantemente por ela. Mas a pessoa certa não está sentada a nossa espera, e não existe uma fórmula, uma receita de bolo ou um mapa para encontrá-la. A pessoa certa a gente constrói com o tempo, com a convivência, com o aprendizado e a paciência. A pessoa certa não é aquela que você sempre idealizou, não é a senhora perfeição, mas é aquela que está sempre disposta a ser melhor para te fazer e te ver bem. Não é aquela que faz absolutamente tudo para você, feito capacho, mas é aquela que faz o que sente que lhe fará realmente feliz.

Não é aquela que ama tudo o que você ama, nem aquela que concorda com tudo o que você diz. A pessoa certa se difere de você às vezes, mas nem por isso, deixa de te admirar. A pessoa certa é aquela que desperta em nós a vontade de fazê-la ser a certa, é a que nós desejamos que seja e, por isso, unimos esforços e deixamos muitas ilusões caírem por terra. A gente é que aprende a vê-la da maneira certa, com doçura, com certo brilho, e em alta definição. A pessoa certa é aquela que a gente escolhe para dividir mais do que um álbum de fotografias. A gente escolhe para dividir horas, dias, meses, uma vida, uma história. E não pense que essa escolha é simples, feita no uni-du-ni-tê, ou no escuro. Não mesmo, e acredite: até você escolher a pessoa certa, muitas ‘pessoas erradas’ aparecerão no seu caminho. E isso faz parte.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Pablo Neruda

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Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

– Pablo Neruda – 

É o ‘se’ que me perturba.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 3 Comments

É o SE que me incomoda, atormenta, perturba. Quando estou mal, é o SE que me faz pensar como seria se ele estivesse aqui para me fazer rir. Quando estou bem, é o SE que me faz fantasiar como seria se ele estivesse aqui, para viver esse momento comigo. É o SE que me persegue, me maltrata, me ilude.

E se. E se tudo tivesse se saído como eu imaginava? E se ele nunca tivesse partido? E se ele tivesse surpreendido a todos os médicos e vencido a doença? Que profissão teria escolhido? Difícil saber, tantas eram as suas habilidades…Biologia, Informática, matemática.  Que homem ele teria se tornado? Sem dúvidas, um grande homem, um verdadeiro gentleman. Mas qual seria a sua versão adulta? Quais seriam as suas escolhas? E se eu pudesse saber disso tudo?

E se. E se eu tivesse aberto meu coração? E se aquele antigo relacionamento tivesse dado certo? E se nossos caminhos tivessem se cruzado novamente? E se eu tivesse convertido meus desejos em ações? Como eu estaria hoje? E se eu tivesse sido aprovada naquele teste? Onde eu estaria agora? E se eu tivesse me esforçado mais? Se eu tivesse sido mais gentil? E se eu tivesse dito não? E se eu tivesse persistido até conseguir? E se eu tivesse feito as malas e ido embora? Quem estaria ao meu lado agora? E se eu tivesse tido coragem de lutar? E se eu tivesse virado à esquerda ao invés da direita?

E se. E se. Sei que o ‘se’, de fato, não existe. Sei que ele é uma mera conjunção condicional que nada nos diz, só nos faz lamentar, devanear, fantasiar o que poderia ter SIDO e não foi.  O SE é uma maneira [em vão] que a gente acha de questionar os rumos que as coisas tomaram. O SE é um desejo incontrolável de mudar o presente, de manipular o tempo e os fatos com as próprias mãos, de enxergar um momento que, na verdade, nunca existirá.

E se. O SE é chato, não nos move, não nos tira do lugar. O SE é triste de qualquer forma, pois sempre pressupõe inconformismo, insatisfação, arrependimento. Mas o pior SE não é aquele que independia de nossa atitude para ter sido fato concreto, esse é culpa do acaso, das circunstâncias da vida, da vontade de Deus.

Enfim. O SE que dói mais é aquele que poderia e não foi, por nossa única e exclusiva culpa. É aquele que pesa sobre nós, que nos cobra, que nos lembra de nossa covardia, nossa imobilidade, nossos erros, nossos maus passos. Mas, assim como todo e qualquer SE, ele de nada serve, a não ser para martelar nossa mente com o imutável. Quer saber, e se eu tentasse parar de questionar tanto a vida e deletasse de vez o SE do meu vocabulário? Talvez, se eu fizesse isso, a vida seria mais fácil.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Ana Jácomo

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“Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.

Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.”

 

Texto de Ana Jácomo - anajacomo.blogspot.com

A notícia que mudou a noite

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 7 Comments

Tinha tudo pra ser só mais uma noite de sexta-feira típica, de duas aulas, algumas conversas e o retorno pra casa para dormir, já que sábado pela manhã também é dia de aula. (eu sei, isso é péssimo). Mas, ao chegar na faculdade, a notícia que mudou a noite: A professora de Metodologia Científica foi dar à luz!  A pequena Clara resolveu vir ao mundo antes da hora.

Muito bem. Na falta do que fazer, resolvemos ir ao ‘requintadíssimo’ bar do Itaobim, a única opção em frente à universidade. Não éramos muitos, mas éramos uma pequena parcela da turma afim de não deixar a sexta-feira passar em vão. Apesar de manter grupos, nossa turma possui uma certa energia que une a todos. É muito bom isso. Nunca existiram brigas, richas, ou coisas do tipo? Mentira, existiram sim, mas a essa altura do campeonato do curso, a gente se preocupa menos com isso.

Mas enfim, voltando ao bar do ‘bim’. Era dia de vinhada, rua cheia, viaturas policiais para conter a bagunça, música cortada, cerveja cara. Melhor não, inventamos nosso próprio programa. Um sprite, um run big apple e alguns copos de plásticos resolveram nosso problema. Fomos para um canto qualquer alheio ao bar e a largada foi dada.

Eu, que estava num dia lento, tedioso e super cansada, logo comecei a me animar. Conversas, besteiras , trocadilhos de bar. Depois vieram os desabafos, os casos. Álcool entrando, censura diminuindo, inconsciente se soltando. E se inicia o momento de ‘lavar a roupa suja’. Questões antigas foram colocadas em pauta, briguinhas passadas se tornaram motivo de risadas. Muitas risadas e muitos “Isso não importa mais”. E não importava mesmo. Podia parecer papo de bêbado, mas a meu ver, tudo ali era sincero.

A bebida acabou. Que venha mais. E assim foi. O álcool a essa altura já inibiu o hormônio anti-diurético de todos, e é aberta a seção ‘preciso ir ao banheiro’. Divertimos horrores. Risadas incontroláveis no banheiro. Da biblioteca, por sinal.

E a noite foi seguindo. Deu a hora de começar a segunda aula. (e que aula boa, hein? rs) Melhor não. Nesse estado, tudo que iremos fazer é causar balbúrdia. Vamos ficar aqui mesmo. Levar duas faltas não parecia nenhum problema, pelo menos não naquela hora.

E o álcool, adentrando ainda mais em nossa mente, deu início a seção “Chororô”. Um contando a sua vida aqui, outro ali. Todos repletos de problemas, dúvidas, lamúrias, tristezas. Ninguém tem a vida perfeita, concluímos. Todas aquelas verdades internas, aqueles sentimentos que a gente guarda para si, tudo isso é ocultado no dia a dia, na correria que a vida nos faz levar. Mas ali não. Ali era hora de externar tudo.

Foi um momento único, onde cada um pôde conhecer um pouco mais do outro, descobrir lados que a gente nem imaginava existir. “Eu te amo” “senta aqui do meu lado” “te admiro muito” “ainda bem que eu te conheci” fizeram parte da seção ‘Declarações’.

E assim foi a nossa noite de sexta-feira. Nenhum barzinho sofisticado, não tinha música e nem cadeira. Mas tinha calor humano, diversão e amizade. E é chegada a hora de voltar para casa e ‘capotar’, ainda que a cabeça estivesse rodando. Vieram despedidas, beijos e muitos abraços. Mas espera. Falta o brinde: “ao sucesso dos outros, porque o nosso está garantido!!!”.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Eu também tive meu coração machucado. Me dei mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Mas tudo está bem agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e bem. Descobri tantas coisas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.

- Caio Fernando Abreu -

O dia DELAS – 08 de março

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Umas são tímidas, de olhos baixos e voz suave. Outras são ousadas, impetuosas e determinadas. Umas não precisam de nada além de filhos e marido. Algumas só querem mesmo cuidado e atenção, e outras não abrem mão da profissão, da independência financeira. Umas travam uma batalha contra o tempo, se torturam nas academias e querem ser eternamente jovens, já outras veem a velhice como maturidade, e aceitam as rugas sem preocupação . Umas seguem a cabeça, outras só escutam o coração.

São elas que são tachadas pela bunda ou pelos peitos que possuem. São elas que sofrem os efeitos da TPM, as cólicas menstruais e a dor do parto. São elas que se depilam, mantêm as unhas feitas, fazem as sobrancelhas com frequência e estão sempre perfumadas. Algumas fazem manobras diárias. Apesar do “sexo frágil”, são elas quem têm que dar conta da casa, dos filhos, do trabalho e de si mesma. São elas que toleram o padrão de beleza imposto, as cantadas ofensivas e as piadinhas machistas.

Elas, que foram ‘santas’ por séculos, que engoliam tudo, reprimiam desejos e tapavam os olhos para tudo o que lhes era negado. Elas, que têm a capacidade incrível de fazer mil coisas ao mesmo tempo, elas que, hoje, ocupam cargos de comando em empresas, e governam até países.

São elas que diariamente, em especial hoje, merecem o nosso aplauso. Mais do que um dia para dar e receber rosas, hoje é um dia para homenagear as mulheres que morreram na luta contra a violência, a injustiça, e a repressão. E, mais, hoje é um dia de se orgulhar de tudo que, nós, mulheres, conquistamos.

Parabéns a você, mulher _o/

 

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Martha Medeiros

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Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

- Martha Medeiros -

Amigo não cobra, pede.

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Uma das coisas que mais valorizo é a amizade. Ser o porto seguro para alguém é tão bom quanto saber que você também tem um refúgio, um território conhecido, uma espécie de divã, de onde você pode se abrir, sempre que precisar. Adoro quando uma amiga me procura para compartilhar uma conquista, um desabafo, ou uma fofoca que seja. É sinal de que a minha opinião, ou simplesmente a minha atenção, significa algo para ela. Isso pra mim é amizade. Como dizem mesmo? A amizade multiplica as alegrias e divide as tristezas.

Mas até que ponto nossos amigos precisam carregar nossas tristezas? Já passei por situações muito tristes na vida. Situações que, sempre que me veem a memória, arrancam lágrimas que dariam um rio. O fato é que nem sempre meus amigos estavam por perto, segurando a minha mão. Não os julgo por isso e nunca cobrei isso deles. Quando estamos enfrentando uma luta na vida, a nossa vida pára e, nem por isso temos o direito de esperar que a vida das pessoas que amamos pare junto com a nossa. A vida é corrida e, mesmo que o mundo esteja prestes a desabar sobre mim, ele não gira em torno do meu próprio umbigo. O ponteiro do relógio não interrompe seu percurso. A vida me ensinou isso.

Claro, nessas horas só queremos alguém para desmontar em cima, para gritar, para sofrer junto. Mas, além do amor, outra coisa que não se cobra é o tão esperado consolo. Tem gente que passa por um problema – como se fosse a única pessoa que está sofrendo na face da terra – e tudo o que faz é se fazer de vítima, bancar o excluído, que ninguém ama, e ninguém se importa. Só sabe cobrar um gesto, um ato, uma reação dos amigos.

Ombro, colo, consolo, abraço forte, uma palavra de apoio ou até um silêncio compartilhado – tudo isso é muito bom –  mas quando é natural, de coração. Essas coisas acontecem na hora certa, quando o coração sente que precisa oferecer. Cada um tem o seu momento e cada um tem um jeito de encarar a vida, a morte, a dor. Não devemos esperar que as pessoas façam o que nós faríamos. Algumas pessoas se recuam diante do sofrimento, faltam palavras, falta jeito para entrar no assunto. Não cabe a mim julgar que, por isso, elas não se importam comigo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por que, ao invés de esperar a força vir até nós, não vamos até ela? Falta humildade para ligar e dizer: ‘amigo, preciso de você’. Só quem é amigo mesmo ousa fazer isso.

E tem aquele tipo que espera muito e pouco faz. Já vi pessoas cobrando coisas que nunca – nunca mesmo – fizeram a ninguém. É muito fácil esperar consideração, cobrar sentimentos, exigir atenção. O difícil é abrir os braços, se doar e se colocar inteiramente à disposição do outro. Isso sim é raro.

Acredite, as pessoas nem sempre vão corresponder às suas expectativas, nem sempre vão te bajular ou se curvar diante de você (tem gente que gosta é disso), nem sempre estarão ali, no stand by à sua espera, e nem sempre vão concordar com a sua opinião. Às vezes elas erram, pecam por distração, pecam por medo, pecam por serem diferentes de você e te decepcionam. Ignorância é virar as costas e perder uma amizade de valor pela simples necessidade de estar no centro das atenções.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Clarissa Corrêa

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‎”Sabe aquela pessoa que faz você ter vontade de ser melhor a cada minuto? Sabe aquela pessoa que faz você pensar ele-vale-qualquer-dorzinha-que-o-amor-causa? Sabe de quem falo agora? Então, pensa. Fecha os olhos e pensa bem forte, até a imagem da pessoa surgir na sua mente. Pensa na pele, na expressão dos olhos, no dedão do pé, na espessura do fio de cabelo, na cor do sorriso, nas pintas, nos cílios. Pensa no impensável. Pensa naquilo que só você conhece, um jeito de rir (…) Eu aposto que seu coração se sentiu em casa, um velho conhecido daquela imagem que te faz tão bem. Porque quando a gente tem um sentimento forte por alguém, a gente se sente bem.”

- Clarissa Corrêa -