Me encontrei

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 13 Comments

Quem é você? Sempre achei difícil responder a esta pergunta. Preencher os irritantes ‘profiles’ das milhares de redes sociais ou até mesmo responder questionários para concorrer a uma vaga de emprego. Enfim, o fato é: Nunca me defini com facilidade. E nunca entendi o porquê dessa necessidade de se autorrotular.

Quem eu sou? Cá pra nós, o que eu disser sobre mim realmente vai mudar algo sobre o que você pensa sobre mim? Acho que não. Posso até dizer minhas preferências de lazeres,lugares,  filmes e música. Até ai tudo bem.  Mas, no que diz respeito à personalidade e a imagem que refletimos, cada um tem em mente uma versão muito particular do outro e não são palavras que vão mudar isso. Fato. Muitas vezes, o que eu digo, pode não ser o que eu sou – quase nunca é – mas sim a minha impressão de mim mesma, a projeção que tenho de mim, ou quem eu gostaria que eu fosse.

Hoje, confesso, desisti de me definir.  Descobri que o único motivo que nos leva a essa tentativa de nos autodescrever o tempo todo é a necessidade – vazia e em vão – de ter que se autoafirmar para alguém, para o mundo, para todo o público que nos cerca. É o fato de ter que se mostrar decidido, coerente, forte, e cheio de si.

Hoje, posso dizer que me encontrei. Já chega. Que se danem os rótulos. Descobri que vivo melhor sem ter o compromisso de cumprir o script, sem a responsabilidade de me autodefinir e de ser coerente com o que eu disser que sou.  Sou muitas, não sou uma só. Não sou como um produto químico que tem uma fórmula exata. Meus componentes são diversos, momentâneos, incoerentes. Não sou a mesma para todos e nem serei a mesma o tempo todo. Sou razão com uma boa dose de emoção, sou sistema nervoso afiado, sou coração abobado, putz, sei lá mais o quê. Sou um aglomerado de sensações. Cheguei à conclusão de que é no transitório e no efêmero que me encontro.

Conheça-me. Conviva comigo. Observe-me. Atente-se às minhas atitudes, meu comportamento. Converse comigo. E construa a sua própria versão de mim. Wherever, me rotule como desejar. Me ache isso ou aquilo outro, deixo essa árdua tarefa para os outros. Mas a mim não. Me importa apenas o VIVER e  o SER. Ser por inteiro, ser em essência, ser do jeito que me der na telha, do jeito que me interessa e ponto.

E você? Quem é?  =)

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Clarissa Corrêa

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 2 Comments

Correria total, galera.  Nesse fim de semana, coloco crônica nova! Enquanto isso, desfrutem de um texto sensacional da grande Clarissa Corrêa.

Entre culpas e certezas

Ando cansada de carregar culpas que não são minhas. Sei que a frase parece estranha (e é), mas tem gente que acha que preciso saber todas as respostas. Logo eu, que nada sei. Verdade, quanto mais o tempo passa mais eu vejo que tenho muito o que aprender com a vida e as pessoas. Todo mundo tem algo para nos ensinar. Diariamente. Pena que nem sempre são coisas boas. Mas se o outro não ensina nada positivo, pelo menos podemos aprender o que não devemos fazer.

Se você não sabe pra onde quer ir, tudo bem. Se pelo menos souber o que não quer para a sua vida já é meio caminho andado. Eu sei o que não quero de forma alguma, assim, já elimino muita coisa. E muita gente.
Chega de se lamentar. Se a sua vida anda ruim, desculpa, mas não tenho nada a ver com isso. A minha vida também é cheia de problemas, mas eles são meus. E você não tem nada a ver com isso. Você não tem nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa, nada. Não tenho que te cobrar coisa alguma, pois minhas cagadas e acertos só dizem respeito a mim. Se eu faço alguma coisa que te afeta e te fere, me perdoa. Não tenho a intenção de magoar ninguém com meus atos. E se de vez em quando isso acontece, faz parte da vida. Inevitavelmente, magoamos pessoas. Inevitavelmente, esperamos coisas e atitudes das pessoas. Inevitavelmente, existe a frustração. E temos que aprender a conviver com ela pra tentar ser feliz.
De vez em quando cansa ser adulta, dá uma vontade louca de fazer as malas e voltar para a casa da mãe e do pai. E ficar lá, acolhida naquele mundo onde nada atinge e abala, onde a maior preocupação é a menina da escola que me chamou de boba, feia e chata. Então eu penso: não. Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.
Sempre pensei que todo mundo tem uma missão. Ninguém vive por viver, nasce por nascer, morre por morrer. Você tem uma missão e deve tentar cumprir tudo o que “está escrito” da melhor forma possível. Mas a gente não sabe o que está escrito. Temos que tentar adivinhar todo o santo dia. É por isso que existe a intuição: ela nos leva para onde devemos ir. É por isso que a gente deve seguir o que o coração diz: ele sempre está certo.
Por Clarissa Corrêa

A doçura de não fazer nada

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

 

Assistindo o filme “Comer, Rezar e Amar” me deparei com uma frase dita pelos italianos que me deixou pensativa e, ao mesmo tempo, me identifiquei na hora: A doçura de não fazer nada.

A doçura de não fazer nada pode estar contida num simples domingo de ócio ou num feriado como o de hoje, que parte a semana no meio, dando uma pausa, uma chance de renovar as energias perdidas no cansaço rotineiro.

Claro, viajar e explorar novos territórios é sempre uma opção atrativa, mas, cá pra nós, a doçura de não fazer nada também tem o seu valor. O prazer está contido no descompromisso, está na briga que você não precisa travar com o despertador, afinal, você não precisa resistir ao sono.

Está na liberdade de poder curtir o nada e apreciar o teto, sem lembrar que existe relógio, telefone e visitas. (Bom, você está torcendo para que essas não resolvam dar o ar da graça).

Dentro de casa, de pijamas, pantufas e cabelo despenteado. Ou mesmo de banho tomado, com uma roupa confortável, ouvindo seu álbum predileto, vendo sua série favorita, colocando em dia sua lista de filmes, ou lendo um bom livro. Tudo isso está contido na doçura de não fazer nada. Nada, hoje, é muito.

Nem festa, nem churrasco, nem show, nem balada. Deixa isso pra sexta-feira, sábado ou quem sabe no meio da semana. No dia do ócio, nenhuma dessas opções pode substituir a doçura de não fazer nada. Guloseimas são bem-vindas. Tragam sorvete de abacate, creme de açaí, chocolate.

Sozinha ou acompanhada, tanto faz. O dia de ócio é liberdade total. Você escolhe quem vai te acompanhar na inutilidade, na preguiça, na moleza, nos bocejos constantes. Ahhhh, que soninho. Enfim, só quem curte a doçura de não fazer nada sabe do que estou falando.

Se você está lendo este post hoje, concluo que também não viajou. Acertei? Neste caso, bom feriado e uma boa doçura de não fazer nada pra você também.

 

Por Renata Stuart

Quando a paixão faz as malas…

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 14 Comments

Tenho que confessar. Hoje, depois de anos ao seu lado, descobri que não sou mais apaixonada por você. Me dei conta disso em uma conversa descontraída com meu primo. Eu, intrusa como sou, perguntava como andava o namoro dele, se ele estava apaixonado pela moça e tudo mais. Ele, de forma crua e objetiva, disse: “Apaixonado não, acho esse sentimento muito forte para definir o que sinto”. Eu, boquiaberta, questionei: “Mas como você namora alguém sem estar apaixonado?” E ele, curiosamente me retrucou perguntando se eu era apaixonada por você.  Fui pega de surpresa. Dei uma pausa meio pensativa – pausa que nem eu mesma entendi – e soltei: Já fui.

Acho que a paixão surge inevitavelmente no início de um relacionamento a dois. Quando a relação ainda é 0km, repleta de expectativas e novidades. Quando a gente não sabe o que o futuro nos reserva mas, ainda assim, quer se entregar e correr todos os riscos. Quando a emoção fala mais alto, sempre. Paixão pressupõe loucura, insensatez, patologia, irracionalidade.

E ela chega sozinha, despretensiosa, inocente, sem juízo, nem sequer imagina que pode vir a se tornar amor. Com um tempo, a casa vai ficando familiar, o cantinho se aquece, as coisas se ajeitam, se assumem e se revelam. O amor chegou. Até certo tempo, a paixão e o amor até caminham de mãos dadas, construindo cada pedaço da história, intercalando e equilibrando a intensidade da paixão com a calmaria do amor. E assim vai. Até que o tempo passa e chega a hora de cada um seguir seu rumo.  A paixão faz as malas e o amor fica.

O amor é mais sensato. Seguro, estável, mais inteiro, mais concreto. Amor pressupõe reserva, promessa. Cada um já tem um lugar reservado dentro do coração do outro e ponto.  Não há segredos, não há mistérios. Todas as perguntas já foram respondidas. Não há conquista, não há sedução, todos os sentimentos já foram declarados. Não há mais fantasia, nem ilusão, pelo contrário. Há uma boa dose de realidade, de rotinas, de obstáculos, de aprendizado, de paciência e de maturidade.

Em resumo, é o que dizem: a diferença entre estar apaixonado e amar é a mesma diferença entre por enquanto e para sempre. Não que o amor seja sempre eterno – sou romântica, mas também realista – às vezes o amor se vai, e os motivos – inúmeros e complexos – nem me atrevo a tentar listá-los.  Mas o que eu quero dizer é simples: é preciso encarar que amor e paixão fazem parte de fases diferentes, podem até coexistir em certos momentos isolados – aliás, isso é fundamental – mas um deles sempre vai prevalecer. E acredite, com o passar do tempo, o amor prevalece.

Portanto, não fique triste. Eu disse que não sou mais apaixonada por você. Mas, psiu: ainda te amo.

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Save me

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 7 Comments

O texto da tag “Entre Aspas” desta vez é de um amigo muito querido: Rafael Goulart. Ele compartilhou comigo algumas palavras que ele escreveu em um momento muito difícil de sua vida. Um momento de autodescoberta, de medo, de socorro..um momento “de cortar os pulsos”, como ele define, rs . Acho que todo mundo já passou por algum momento semelhante alguma vez.  Rafa, obrigada pelas lindas palavras, apesar de tristes..e obrigada por confiá-las a mim e ao blog.  =) Te adoro!

 

SAVE ME

Queria poder chorar.

Mas quanto mais eu tento, menos lagrimas saem,

Mais meus olhos secam e amargura essa dor.

Será a hora certa? Mas qual é a hora certa?

Algo me prende. Minto!

Alguém me prende, e por melhor ou pior que possa ser, sei quem é.

Esse alguém mascara a própria dor,

Esse alguém quer mostrar que sua vida é perfeita.

Quer mostrar o impossível,

E só eu posso controlá-lo.

Por favor, preciso de ajuda!

Quero saber quem sou!

Quero rir sem sentir vergonha!

Quero poder ser ridículo e sorrir do meu ridículo.

Quero realizar meus sonhos e acabar com esse sentimento que me perturba.

Ajude-me a curar de mim mesmo!

Por Rafael Goulart 

Ps: Não deixem de visitar o blog do autor deste post. É um projeto super bacana que aborda sobre um tema um tanto polêmico: o bullying

Deixe o sol entrar

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 12 Comments

Levante, já passa das 9h, pare de brigar com o despertador. Abra a janela, balance o tapete e deixe a poeira ir embora. Permita que o sol entre e te ilumine. Deixe que o vento desarrume seu cabelo. Olhe para o espelho e se veja por dentro. Você já esteve melhor, não esteve?

Esqueça – nem que seja só por hoje –  tudo aquilo que te machuca,  que te corrói por dentro, que te faz retroceder, que não te evolui, que não te faz bem. Guarde essas bobagens pra outra hora, numa gaveta com cadeado. Ou melhor, se você for capaz, apague-as de vez.  Desate os nós, cate os cacos de vidro, e levante a cabeça.

Há milhões de pessoas lá fora. Há milhares de possibilidades, de caminhos, de histórias. E você ai, olhando pra trás. Viva a sua vida, não desperdice seu precioso tempo vivendo a vida do outro.  Seja o protagonista da sua própria vida. Não se conforme, tome decisões.

E por que não mudar? A vida não tem script e você não tem um personagem definido. Quem você quer ser hoje?  Mostre suas facetas para o mundo, deixe as ruas sentirem os seus passos, deixe o mundo te descobrir.

Aperte forte aqueles te querem bem.  Podem ser poucos, mas eles existem. Compre um presente para você. Essa sim, você sempre terá. Se atire ao desconhecido e , adivinhe, conheça-te a ti mesmo. Descubra o que te surpreende, o que te enaltece, o que te move.

Olhe para os seus sonhos. Não como quem olha para o além ou avista uma miragem, mas como quem diz “te vejo em breve”.  E vá atrás deles, um degrau por dia, mas vá. Perdoe para ser perdoado. Ame sem esperar ser amado. Faça o bem sem esperar ser reconhecido. E a vida te trará respostas, naturalmente.

Por Renata Stuart

Ela é assim

Posted on by Renata Stuart in Textos de amor | 11 Comments

Ela parece boba, inocente, sonhadora. Mas não é nada disso. Ela é só uma espécie em extinção. Ela idealiza tudo, enfeita o banal, colore o medíocre, e enxerga uma luz no fim de qualquer túnel escuro.

Ela não teme. Não teme o inesperado, o desconhecido, nem a desilusão. Ela se ‘joga’ mesmo, de olhos fechados e sem pára-quedas. Seu lema é que a vida, de tão rara e curta, deve ser vivida por inteiro. Sim, ela alimenta expectativas, dá mais do que recebe e sonha alto.

É apontada como uma  inconsequente, desvairada, sem juízo, mas não. Ela tem dentro de si uma ânsia em acreditar, tentar, arriscar. Ah, e ela também não sabe esperar. É urgente no que quer.

Romântica incurável, ela não acha ilusão acreditar em fidelidade nem em amor eterno. Ela crê nisso, mas não encara isso como pré-requisito para a felicidade. Ela sabe que a felicidade é totalmente relativa. Mas sabe também que, em qualquer caso, felicidade exige coragem. E muita.

Ela tem pena de quem aceita conviver com a incerteza, com a dúvida, com o morno. Ela prefere o ‘não’ seco, do que o ‘talvez’ doce. Ela parece sensível, mas é forte. Ela parece dura, mas é frágil. Ela não é nenhuma bonequinha de luxo, boazinha, meiguinha, mas tem um coração que não cabe dentro de si.

Ela é impulsiva, e por vezes deixa as emoções falarem por si só. Ás vezes, embalada pelo frenesi do momento, solta as palavras meio que num ato escorregadio. O que costuma lhe gerar sérios problemas. Mas embora as palavras não voltem, ela até tenta reparar a bagunça que causou.

Ela se machuca, sim, não é difícil prever isso. Mas não por que quer, ela não é nenhum tipo de masoquista. Mas sim por que é escrava da urgência, do completo, da intensidade, do agora. E nem sempre o mundo fala a sua língua e acompanha seu ritmo.

Quem é ela? Não sei, só sei que ela é assim.

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Perder a viagem

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 7 Comments

Oi, gente! Bom, a tag ‘palavra do dia’ teve seu nome alterado para “Entre Aspas”, não vai mudar nada, mas acho que esse nome combina mais com o objetivo, já que não posto textos de outros autores diariamente, mas sim aleatoriamente. No “Entre Aspas” de hoje,  eu vou compartilhar com você mais uma crônica que eu amo da minha ”musa inspiradora” rsrs  (meu sonho é escrever como ela!): Martha Medeiros. Sei que já postei muitas palavras dela aqui já, mas não me canso. Ela é fantástica e tem uma sensibilidade incrível de transmitir a vida em palavras. Espero que gostem! Beijos e…comentem!

 

 

Perder a viagem

Você pede ao patrão para sair mais cedo do trabalho, pega um ônibus lotado, vai para um consultório médico que fica no centro da cidade, gasta seus trocados, seu tempo e seu humor, e, ao chegar, esbaforido e atrasado, descobre através da secretária que sua hora, na verdade, está marcada para semana que vem. Sinto muito, você perdeu a viagem.

Todo mundo já passou por uma situação assim, de estar no lugar errado e na hora errada por pura distração. Acontecendo só de vez em quando, tudo bem, vai pra conta dos vacilos comuns a qualquer mortal. O problema é quando você se sente perdendo a viagem todos os dias. Todinhos. É o caso daqueles que ainda não entenderam o que estão fazendo aqui.

Estão perdendo a viagem aqueles que não se comprometem com nada: nem com um ofício, nem com um relacionamento, nem com as próprias opiniões. Estão sempre flanando, flutuando, pousando em sentimento nenhum, brigando por idéia nenhuma, jamais se responsabilizando pelo que fazem, pois nada fazem. Respirar já lhes é tarefa árdua e suficiente. E os dias passam, e eles passam, e nada fica registrado, nada que valha a pena lembrar.

Estão perdendo a viagem aqueles que, em vez de tratarem de viver, ficam patrulhando a existência alheia, decretando o que é certo e errado para os outros, não tolerando formas de vida que não sejam padronizadas, gastando suas bocas com fofocas, seus olhos com voyeurismo, sem dedicar o mesmo empenho e tempo para si mesmo.

Estão perdendo a viagem aqueles preguiçosos que levam semanas até dar um telefonema, que levam meses até concluir a leitura de um livro, que levam anos até decidir procurar um amigo. Pessoas que acham tudo cansativo, que acreditam que tudo pode esperar, que todos lhe perdoarão a ausência e o descaso.

Estão perdendo a viagem aqueles que não sabem de onde vieram nem tentam descobrir. Que não sabem para onde ir e nem tentam encontrar um caminho. Aqueles para quem a televisão pode tranqüilamente substituir as emoções.

Estão perdendo a viagem aqueles que se entregam de mão beijada às garras do tédio.

 

Por Martha Medeiros

Lembranças que remexem o estômago

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 2 Comments

Ei, você se lembra? Senta aqui e me diga: do que você se lembra mais? São tantas coisas, né, eu sei, fica difícil calcular. Mas será que você se lembra de todas as pessoas que já passaram por sua vida? Aquelas que, ainda que por pouco tempo, deixaram marcas profundas ou aquelas que simplesmente passaram como quem cruza uma esquina?

E daquelas que só apareceram para lhe causar dor, que te prometeram o mundo, que juraram sempre estar ao seu lado e, quando você mais precisou – PUFT – desapareceram num passe de mágica. Eu sei, essas você preferia esquecer…

E as palavras ditas, você se recorda? Aquelas que tinham o poder de colorir seu dia ou até mesmo te desmoronar e, hoje, já não têm valor algum? É, temos que admitir, tudo muda. A interferência do tempo é algo inacreditável. As palavras se esvaem, as pessoas se reinventam, os amores mudam e renascem em novos corações, vão e vêm.

As promessas nem sempre são cumpridas e os planos nem sempre concretizados, porque no meio do caminho, você também muda, e seus sonhos, e suas verdades, seus gostos, suas escolhas.Tem coisas que se vão, que as circunstâncias levam, e que o vento não traz de volta, e ponto. É preciso aceitar, ainda que seja uma tarefa árdua, que tudo um dia se vai. Mas o que é verdadeiro realmente fica, ainda que apenas em nossa mente, nosso coração, nossa alma, mas, de alguma forma, fica.

E, acredite, isto não é um conselho de livro de auto-ajuda, mas têm coisas que mudam para o nosso próprio bem, cedo ou tarde, a gente descobre isso. Às vezes, não estamos perdendo algo, mas sim nos livrando de algo. Certas portas são fechadas para que novas possam ser abertas, certas pessoas se vão, para que novas possam entrar. E a lágrima costuma ser uma maneira de limpar o território para os sorrisos que estão por vir.

Viver é lembrar e, ao mesmo tempo, aprender a esquecer. Não digo esquecer como quem faz uma lavagem cerebral na memória e seleciona o que se quer deletar. Não, não falo disso. Mas falo de superação, de cabeça erguida, do famoso “bola pra frente”.

E essas lembranças, que tanto remexem nosso estômago, não podem ser deletadas, elas sempre vão estar ali, em off, subentendidas, adormecidas. Mas também são elas que nos ensinam a ser mais fortes, mais atentos, mais maduros, mais imperfeitos, mais reais, mais humanos.

As lembranças do ontem estão estampadas no que somos hoje. Elas trazem não só saudade, mas dor, medo, culpa, ausência, perturbação, nostalgia. E servem para nos lembrar – como o nome sugere – de algo que foi verdade um dia.

E é essa noção de verdade que nos faz valorizar o que a vida tem de melhor, tirando de cada sofrimento, de cada tombo, de cada joelho ralado, de cada decepção, de cada lembrança, um aprendizado.

Como dizem mesmo?  Recordar é viver.

Por Renata Stuart

Palavra do Dia – Rosely Stuart

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 3 Comments

Desta vez, a palavra do dia é da pessoa que eu mais amo no mundo: Minha mãe. Coincidência ou não, ela também ama escrever e, remexendo papéis antigos, achamos um texto que ela fez no dia 17 de fevereiro de 1998. Não podia deixar de compartilhar aqui. Grande beijo! 🙂

 

 

Sentimento

Sentir!

Palavra forte e sensível que, originada do sentimento, nos faz vibrar de emoção.

Quando sentimos aquilo que realmente chamamos de emoção,

nosso corpo, como que queimando em desejo, nos faz transbordar de tanta felicidade.

 

Quando sentimos forte essa emoção, nosso corpo fala por nós,

Ele corresponde a cada gesto, a cada toque, a cada olhar.

Às vezes, sentimos tão forte essa emoção que nossa respiração se prende a cada lembrança..

Somente quem tem sensibilidade pode viver esse sentimento.

 

Sentir é tão bom que, mesmo à distância, fechamos os olhos e a emoção fala por nós.

Revivemos cada momento como se estivesse acontecendo de novo.

Tudo fica registrado na nossa memória, no fundo de nossas lembranças…

 

No fim das contas, sentimento é tudo aquilo que eu sinto por você.

 

Por Rosely Stuart