Escrevendo sobre o inevitável …

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Eu tentei evitar falar sobre isso, aliás, sigo todos os dias da minha vida tentando não pensar nisso.  E eu tentei adiar esse momento, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que me sentar e escrever sobre isso.  Isso que eu não gosto nem de citar o nome. Tá, pode parecer superstição ou sei-lá-o-quê, mas eu não gosto de falar o nome e pretendo ir até o fim desse texto sem sequer citar o objeto dele.

Isso que não aconteceu comigo ainda, mas vai acontecer. Não aconteceu com você que está lendo essa crônica nesse instante, mas vai acontecer, cedo ou tarde. Talvez você não tenha tempo nem de chegar ao fim desta crônica, mas talvez você tenha tempo não só de ler essa crônica, mas também de ir estudar amanhã, depois e depois até pegar seu diploma em direito, casar-se com seu futuro marido que você vai conhecer no tribunal, ter uma carreira reconhecida e mega estabilizada e, claro, muitos filhos de dar orgulho. Enfim. Cedo ou tarde, não importa quando, um dia isso vai acontecer com você e com todos. Mas o fato é: nunca estamos preparados para isso.

Já sabe do que estou falando, né? É bom que saiba, pois não posso ser mais literal que isso.  Parece ironia eu falar disso justo agora, logo em seguida da última crônica que postei aqui, em que o assunto era a celebração da vida, da existência. Sim, a vida é linda e é justo que se façam milhares de histórias, textos, crônicas, versos, poesias e sonetos sobre ela. Mas o fim da vida – que não manda cartão postal anunciando sua chegada – também deve ser retratado, afinal, ele é totalmente intrínseco a nossa vida.

Dizem que morrer faz parte da vida. Ninguém aceita, mas faz. A vida tem suas milhares de fases e a morte é apenas uma delas. Pronto. Parece frio e seco dito assim, à grosso modo, eu sei. Como se isso fosse óbvio e incontestável, mas não é. Não é simples assim e eu ainda não consigo aceitar a morte, justamente eu, que tenho essa mania de querer que tudo seja para sempre.

Acho muito fácil algumas pessoas falarem que a morte faz parte da vida e que devemos aceitá-la a todo custo. ‘Aceitar’ não sei bem se é a palavra, acho que caberia  mais ‘suportar’, ‘tolerar’. Não entra na minha cabeça que devo aceitar tranquilamente que nunca mais verei meu irmão caçula que eu tanto amo. O que eu entendo é que não tenho escolha, não me restam opções. O mundo não acabou como eu achei que acabaria e, dessa forma, sigo vivendo sem ele. Aceitando? Jamais. Mas seguindo como alguém que é incompleto. Mas, afinal, quem é completo nessa vida? Todo mundo sente falta de algo. Uns de pessoas, outros de coisas, outros de sentimentos, outros de status. E todos vão vivendo assim, nessa busca incessante de suprir a falta de algo.

Antes de simplesmente nos falarem que a morte faz parte da vida deveriam implantar esse ensinamento nas escolas então, desde o princípio, lá no maternal, sabe? Para que cresçamos com a consciência natural de que, no meio do percurso da vida, algumas pessoas nos serão tomadas e que não devemos irracionalmente querer apertar o stop e parar de viver também. Por outro lado, pensando bem, se a morte fosse tratada das escolas comumente, tenho certo receio de que tanta naturalidade a banalizaria. Ou seja, as pessoas poderiam até sofrer menos com as perdas, mas também seriam mais frias e, talvez, insensíveis. Sei lá, acho arriscado.

E a esta altura, você já deve ter reparado que, ao contrário do que prometi no início, acabei soltando a palavra que resume essa crônica: A morte. É, vamos repetir: a morte. Quem sabe assim fica mais fácil aceitar essa cruel que só nos condena a tristeza e a saudade. Sei que não é um assunto legal para se ler, me perdoe. A morte ainda é tabu e ler uma crônica sobre ela não anima o dia de ninguém. Mas, assim como eu disse no texto anterior que envelhecer é viver, morrer também é viver, afinal, para morrer, é preciso, antes, estar vivo.

 

Por Renata Stuart

Porque envelhecer é viver …

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É o meu aniversário. Sim, não me importo em anunciar: Estou ficando mais velha hoje. Aliás, não só hoje, todos os dias, fico um pouco mais velha. Sim, essa é uma das poucas certezas que temos nessa vida. Todos (os que têm sorte), com o passar dos minutos, horas, dias, semanas, meses, envelhecem. Acontece que apenas nos anos é que a gente se lembra de celebrar isso.

E tudo ocorre de forma sutil, a gente quase nem sente num período de curto prazo. Vamos apenas vivendo e quando nos damos conta: Os anos se passaram. E, então, as marcas do tempo começam a falar. Não falo apenas de rugas ou cabelos brancos, falo das cores, gostos, sentimentos e sensações que ficam para trás, dando lugar a outros, nem melhores, nem piores, mas diferentes. O calendário da vida passa pra todos. Disso, não há como fugir.

Mas, calma, não quero fazer um texto dramático sobre “como-o-tempo-voa” ou “a-idade-chega-para-todos”. Nada disso. Pode continuar ai. Hoje, eu quero brindar a vida. Sim, acho justo! Afinal, há exatamente 22 anos, eu nasci. Num mês frio, durante a madrugada, num parto meio turbulento – sim, pois minha mãe visitou vááários hospitais naquela noite em busca de um médico obstetra – eu vim ao mundo. E, já que estou aqui de passagem, por que não comemorar essa deliciosa viagem que é a vida?

Não entendo bem porque as pessoas têm tanta neura com idade. Envelhecer é algo inerente ao ser humano. Estar velho ainda é estar vivo. Acho que isso deveria ser encarado como só mais uma fase – natural e especial – da vida. Afinal, não é só você que está ficando velho, mas todos da sua geração. E é hora de viver isso juntos, encarar a situação de frente, assumir o tempo de cabeça erguida. Bom, não serei hipócrita. Sinto saudades da minha infância, dos meus quinze anos e sei que, um dia, vou sentir saudade dos 22.  E quando penso que estou próxima dos 30, então?! Sinto um friozinho na barriga como que um misto de tristeza e ansiedade. Tristeza porque sei que terei deixado para trás uma época memorável. A universidade, os amores mal resolvidos, aquela dose de irresponsabilidade, o namoro, as primeiras conquistas, e a famosa “época de arriscar”. Tudo isso vai passar, eu sei. E ansiedade porque sei que há uma outra fase única me aguardando.

Mas é assim que tem que ser. São essas velinhas que sopramos ao longo da vida que nos acrescentam algo como pessoa. São os momentos vividos, experiências adquiridas e escolhas feitas que dão o peso necessário à nossa bagagem. Tenho que prosseguir. E, se para correr atrás dos meus sonhos ainda não alcançados, terei que continuar envelhecendo, que venha o tempo, e que venham muitas velas para eu soprar, pois meus anseios são muitos e tenho planos para um século. Já dizia minha bisavó: “Quem não quer ficar velho, tem que morrer novo”.

É por isso que, hoje, eu só quero sorrir para a vida. Sorrir para todos a minha volta e para mim mesma. Sorrir como alguém que não tem a vida perfeita, mas como alguém que é feliz com o que tem e com o que se tornou. Sorrir como quem é grata pela família inigualável, pelo lar, pelos amigos verdadeiros e pelo amor companheiro. Sorrir pelos abraços, beijos e palavras sinceras. Sorrir pela saúde, pela determinação, pela esperança. Sorrir pelo maior presente que eu podia receber: estar viva!

 

Por Renata Stuart

Distância, fique longe de mim!

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Se ela tivesse um gosto, seria amarga. E como é insensível, faz doer sem piedade e causa um vazio dentro do peito de quem é separado por ela.  O ponteiro do relógio parece mais lento, os dias se parecem iguais e o coração fica mais apertado. Sim, falo da distância, essa danada que anda sempre de mãos dadas com a saudade, outra desnaturada.

Várias são as distâncias que nos acometem nessa vida. Tem a distância de quilômetros. De pessoas que moram longe umas das outras e que não podem se ver sempre devido às circunstâncias da vida, casa, trabalho, afazeres, enfim. E tem os casais – coitados – que namoram a distância e que contam os dias, as horas, os segundos para cruzarem o território que os separa.

A boa notícia é que, para esses casos, há algumas soluções razoáveis que a querida tecnologia nos oferece.  Meios de comunicação estão aí aos montes, não é mais necessário sinal de fumaça nem pombo-correio. Para amizade distante, digo o mesmo. Distância não é desculpa para falta de contato. Ouvi uma vez que tempo é prioridade e nós é quem decidimos a quem dedicar nosso precioso tempo.  Uma ligação de vez em quando não faz mal a ninguém. Não é a mesma coisa, óbvio que não. O calor humano, o cheiro, o toque, nada disso pode ser sentido sem a presença real, física, inteira. Mas, convenhamos, sem esses meios, seria impossível sobreviver a tal da distância.

Agora, sendo mais poética, penso que uma das piores distâncias é, sem dúvidas, a distância dos corações. Você o vê com frequência, quase todos os dias, distância física não é o problema. Mas o fato é que ele não te vê. O coração dele está longe demais para se cruzar com o seu. E ai dói ainda mais. Ver, estar ali pertinho e, ao mesmo tempo, não estar, não ser notada. Acredite, a saudade é ainda pior quando não é correspondida.

A distância causa sensações, reações e sentimentos mais absurdos. A distância de quem partiu de vez causa revolta e inconformidade quando nos lembramos de que nunca mais estaremos com aquela pessoa. Nesse caso, a distância é infinita e não são só quilômetros que separam duas pessoas, mas a diferença de estar e não estar respirando. O que dói um bucado.

“Ah, distância. Fique longe de mim! Você não me faz bem.” Mentira. A distância pode fazer bem sim. Ela nos ajuda a enxergar melhor os fatos. Muitas vezes, precisamos estar longe para ver melhor. A proximidade sofre influências que ofuscam nossa visão com relação a alguém ou a um fato. E a distância nos dá clareza, imparcialidade e maturidade para julgar certas coisas da vida. Quando estiver confuso(a) em meio às tempestades da vida, tome um tempo consigo mesmo e se distancie de tudo. A resposta sempre vem.

Mas, cuidado. A danada é cheia de contradições. Quando um relacionamento acaba, por qualquer motivo que seja, a distância é a hora de descobrir como é se virar sem o outro. E é aqui que mora o perigo. A distância não só magoa, mas engana e causa ilusões. Tudo, quando não está mais ao alcance dos nossos olhos, nos parece melhor do que realmente era.

Nossa mente passa a fantasiar que tudo era lindo e cor de rosa.  O cara que era estúpido e frio passa a ser um doce. “Poxa, ele também não era tão ruim, era só o jeito dele de ser, ele tinha uma maneira próprio de dizer que me amava” ou Não vou encontrar outro igual a ele, acho que fui incompreensível, devia ter perdoado, ele tem qualidades raras”.

E adivinhem: tudo que era razoável se torna maravilhoso. Pois é, a distância também causa amnésia. Tudo de ruim que alguém nos fez é esquecido ou fica em segundo plano e só os bons momentos vêm à tona. Não sei bem porque isso acontece, não sou psicóloga nem a dona da verdade. Mas já li muito sobre isso e, o melhor, já vivi isso. Bom, acho que nosso cérebro faz isso para despistar o coração. Ele meio que não aguenta mais ouvir o choro do coração e, por isso, evidencia a “memória boa” na nossa mente para que o coração se renda e acabe de vez com essa distância que causa saudade e faz doer. Compreende? Não? Chega mais perto. Leia com o coração. Quem sabe, assim, a gente se entende.

 

Por Renata Stuart

Somos o que recordamos

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Hoje assisti ao filme The Vow, que significa “O voto”, mas que, por algum motivo, foi traduzido no Brasil como “Para Sempre” .  Na trama, que é inspirada em fatos reais, um casal apaixonado e com poucos meses de casados (Paige e Leo) sofre um acidente que causa na mulher uma lesão cerebral, deixando- a sem a memória de curto prazo. Ou seja, ela se lembra de sua vida toda, mas não recorda absolutamente de nada dos últimos cinco anos que viveu, inclusive do seu marido.

Agora, além de não conhecer o próprio marido, a mulher se sente ligada ao seu ex-noivo, de quem não se lembra de ter se separado. E o marido, ao invés de desistir da mulher que agora o vê como um mero estranho, luta de todas as formas para merecer o amor dela novamente, o que não parece fácil, já que cinco anos foram suficientes para modificar, e muito, sua esposa.

Uma frase que me marcou no filme foi: “Cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história.”  Apesar de parecerem simples, achei essas palavras de uma sabedoria sem tamanho. Não, esse não é mais um texto de amor. É só um pensamento que absorvi dessa linda história e gostaria de compartilhar.

Sendo assim, se o apagar da memória interfere tão fortemente no que somos e no que sentimos, não é difícil concluir: Somos o que recordamos. Eu sou o lugar onde nasci e as pessoas com quem convivi. Eu sou as coisas que fiz e faço, dia após dia. Cada atitude simples e banal que já tive definiu quem eu sou hoje. Eu sou o que eu vi, por onde passei e com quem estive.  Sou todas as conversas que tive em toda minha vida. Sou os olhares, abraços e gestos que me marcaram. Sou os livros que li, os filmes que vi, os textos que escrevi. Sou os meus momentos, as situações que enfrentei e até as coisas que nunca vivenciei.

Tudo, absolutamente cada detalhe, formaram a minha pessoa. Havia infinitas possibilidades para o meu ‘ser’, eu poderia ter sido um ‘eu’ completamente diferente do meu ‘eu’ se eu tivesse nascido em outro lugar, convivido com outras pessoas, com outras referências, e vivido experiências diferentes que, certamente, me levariam a caminhos diferentes.

E a vida é isso, um trem em viagem constante. Um trem que, em cada ponto que passa, acrescenta algo no bagageiro. E essa bagagem é o que somos. É a nossa essência. São nossos gostos, valores, escolhas, atitudes. Pode parecer óbvio, piegas ou filosofia barata, mas, em síntese, se tudo o que vivemos é guardado na memória, a memória é quem guarda o que somos.Ela é a nossa identidade-mor. É onde moram nossas opiniões, crenças e sentimentos.  É onde a gente se encontra secretamente com a gente mesmo, onde nossos pensamentos se organizam, onde tudo que está ao redor passa a fazer sentido.

E se somos a nossa memória, que sejamos algo que valha a pena ser lembrado e que não mereça ser esquecido. Não falo de títulos, méritos, nem reconhecimento. Falo de alma, coração e, claro, intensidade.

Por Renata Stuart

Quando a princesa cai da carruagem …

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Aconteceu. Eu achei que esse dia não chegaria, mas, sim, finalmente, ele chegou. Eu amanheci mais disposta do que havia me deitado, mais leve, mais presente, mais ‘eu’ e menos ‘zumbi’. Era como se as lágrimas que derramei no travesseiro até pegar no sono tivessem sido os seus últimos vestígios dizendo adeus. Sim. Quando me olhei no espelho, percebi: Você não era mais parte de mim. Eu havia aprendido a andar de bicicleta novamente, sem rodinhas, sem você.

Então não era mentira quando todos me diziam que isso ia passar. Não eram palavras vazias quando me disseram que eu iria te esquecer e que você era só uma das centenas de decepções que eu teria na vida. Achei esses consolos tão inúteis e óbvios, mas eu estava ali, diante do fato se concretizando, e me redimindo. Sim, era tudo verdade. Passou. E, acredite, esse texto não é uma tentativa de chamar sua atenção. Aliás, eu nem espero que você o leia.

Como eu me sinto boba pelas vezes que disse que não saberia viver sem você. É claro que sei. Eu sempre respirei normalmente antes de te conhecer e, agora, olha eu aqui de novo, de pé, inteirinha, aliás, nunca estive tão viva, tão próxima de mim mesma. Você ofuscava a minha visão, você era tão dominante na minha vida que acabei não dando a atenção necessária a mim mesma, aos meus gostos, aos meus interesses, aos meus desejos, aos meus prazeres. Você consumia muito de mim. Não te culpo. Na verdade, eu é que estou aprendendo a me amar agora.

Mas quer saber? Apesar de me achar uma ingênua, também me sinto madura, pois começo a perceber que a vida tem disso mesmo e, sim, se decepcionar faz parte da nossa existência. Faz parte esperar das pessoas mais do que elas podem nos dar, faz parte depositar confiança em excesso em quem não merece, faz parte não ser o que as pessoas querem que sejamos, faz parte ouvir e fazer promessas que nem sempre ou quase nunca são cumpridas. Palavras parecem fortes e intensas no momento em que são ditas, mas se esvaem com uma facilidade grotesca.

Estou muito bem, é bom que você saiba. Mas devo dizer que também não sou tão dura assim. Senti vontade de te ligar na semana passada, quando fui aprovada naquele concurso para o qual eu abri mão de estar com você muitas vezes para estudar. Em um final de semana desses, eu estava cansada e não tive vontade de sair e devo assumir que, por um instante, senti saudade de nossas noites de sábado em casa, com uma janta simples, um edredom e um filme.  Sabe como é, sexta-feira passada senti falta de receber aquela sua ligação após o trabalho. “E então, o que temos para hoje?”. Era bom ter uma companhia segura, que eu sabia que me acompanharia até nos piores eventos ou, melhor, que tinha o dom de transformar um evento ruim em algo único.

Mas sabe, esses relapsos já estão indo embora. Acho que eu sinto falta mesmo é de ser especial para alguém, só isso. A qualquer momento, outro vai vir e vai ocupar o lugar que um dia fora seu. O seu retrato na minha cabeceira será substituído e, adivinhe, eu vou amar de novo. Pois é, funciona assim. Os relacionamentos são voláteis e, às vezes, o amor também tem prazo de validade. Cética, eu? Nada, meu bem. Só estou aprendendo a viver.

Por Renata Stuart

O mundo paralelo dos hospitais…

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Ainda não chovia, mas o dia era nublado e frio. Voltando do estágio, cerca de 14h, lá estava eu no ônibus, de botas, cachecol, ouvindo minha música no fone de ouvido, pensando em mil coisas ao mesmo tempo, entre elas no trabalho de marketing que eu tinha que terminar, no banho que eu queria tomar quando chegasse em casa e, claro, na fome que eu estava (já que eu ainda não tinha almoçado).

Mas eu não ia almoçar naquele dia. Eu tinha uma hora marcada com a médica e, como ficaria tarde, resolvi que comeria um sanduíche natural ou algum salgado no hospital mesmo. Argh. Hospital. Eu, que odeio sequer a ideia de pisar em um, estava ali a poucos minutos de uma consulta de rotina. Dei sinal, desci do ônibus e, nesse exato momento, a chuva começou a cair. De uma maneira brusca, intensa, tão forte que tive dificuldade em abrir o guarda-chuva, o vento era agressivo também. Era como se o céu compartilhasse do meu sentimento em ter que ir a um hospital. Eu não gostava, aliás, eu detestava.

Sinto uma coisa ruim dentro do peito, uma angústia repentina. Não sei bem o que é, quer dizer, acho que sei. Depois de mais de um ano  indo e vindo do hospital para acompanhar e apoiar a luta do meu irmão caçula para vencer o câncer, eu criei uma resistência natural a hospital. Até natal e reveillon nós passamos no hospital, dois anos seguidos. Não que eu não gostasse de  ficar com ele, eu amava. Cada segundo ao seu lado, dando força, o fazendo rir, dando comida na boquinha dele, cada segundo era maravilhoso. Era confortante ouvir a risada dele e ver a pureza e a esperança naqueles olhos azuis lindos. Doía vê-lo naquela cama, claro, cada vez mais pálido e diferente fisicamente, mas só o fato de estar ali era infinitamente melhor do que estar em casa, sem ele.

Enfim, mas como eu vinha dizendo, eu criei uma repulsa a hospitais, especialmente esse que eu estava prestes a entrar. Esse que se “recusou” a prosseguir na luta pelo meu irmão. “Leve-o para casa, aproveite-o ao máximo, não temos mais o que fazer” – Foi o que nos disseram, de forma seca e crua. Aquela frase ressoava na minha mente sempre que eu passava por ali.  Como assim? Eles estavam pedindo pra gente desistir do nosso anjinho, da nossa razão de viver? Queriam que a gente assistisse à partida dele de braços cruzados? Claro que não! Ouvi certa vez que enquanto há vida, há esperança. E fomos buscar nossa esperança noutro hospital.

A luta durou mais quatro meses mas, de qualquer forma, foi uma luta. Nós não entregamos os pontos sem tentar até o último instante. Não vencemos, mas ele reuniu todas as suas forças até o último suspiro e, para mim, ele já foi um vencedor. Às vezes, fico pensando se não deveríamos ter deixado ele vir para casa e vivido os quatro meses de outra forma…como naquele filme “Antes de Partir” em que a pessoa faz uma lista das coisas que queria fazer. Mas só de imaginar que estaríamos ali, vivendo cada dia como uma despedida – decretada e conformada – me dá pânico.  Seria difícil sorrir sabendo que os sorrisos eram os últimos. E por que deveríamos dar ouvidos àquele médico, àquele hospital? Aquela era só UMA das milhares de opiniões que poderíamos ouvir. Então, penso que cada dia de luta valeu a pena, do contrário, não saberíamos como seria se tivéssemos tentado mais, mais e mais. E a vitória não veio por falta de luta, por falta de esforço, por falta de esperança. Por algum motivo – que talvez um dia eu entenda – a vitória não veio.

E, naquele dia cinza, eu estava a caminho do consultório. Era estranho pensar que, num outro tempo, eu entrei por aquela porta com outros olhos, com outro objetivo e o mais importante: completa. Sim, completa, pois meu irmão ainda estava aqui e eu ainda não sabia como era a dor de perder quem amamos muito. Hoje, quem entrava naquele mesmo lugar, era o que sobrou de mim. E o hospital, o qual eu já conhecia cada corredor e o rosto de cada funcionário, continuava intacto, do mesmo jeito. Parecia que o tempo não passou naquele lugar.

A vida lá fora é diferente, o ar é diferente, a energia é diferente. E não importa o quão refinado é o hospital, não há decoração, conforto ou ar condicionado que preencha o vazio de um hospital.  Tudo ali dentro é tão sufocante e silencioso, mas, ao mesmo tempo, é um silêncio que diz muito, como um instante à espera de uma resposta, de um exame, de um diagnóstico, de um sim ou de um não que mude tudo. E a ausência de cores, ao invés de fornecer a sensação de calmaria, só me passa a sensação de ausência. Ausência de vida, de alegria, de ar livre.

Bancos de espera repletos de pessoas em busca de alguma solução, umas nem tão graves. Eu mesma só estava ali fazendo um check-up, ainda bem. Mas muitos estavam ali na mesma luta que um dia eu e minha família estivemos com meu irmão. Há pessoas nascendo, dando boas-vindas ao mundo, pessoas lutando para sobreviver, pessoas se cuidando para não adoecer, pessoas morrendo, dando adeus ao mundo. Pessoas entregues à própria sorte. Pessoas em busca de esperança, em busca de uma saída que lhe permita um passaporte de volta para o mundo lá fora. Para o mundo onde saúde não é problema, onde todas as preocupações são pequenas e até fúteis. O mundo onde a vida realmente acontece.

É assim que eu me sinto quando vou a um hospital, em um mundo totalmente paralelo, alheio, à parte. É como se, ali, fosse só uma pausa, um intervalo, uma interrupção da verdadeira vida. Um mundo que, quem está do outro lado, em sua zona de conforto e sua rotina diária, nem sequer lembra que existe.

É por isso que, hoje, com esse olhar mais atento ao contraste desses dois mundos, tento dar mais valor aos meus dias aqui, do lado de fora. E agradeço a Deus por ter condições de viver meus dias aqui, sem precisar estar lá, no mundo paralelo. Aqui, o mundo é diferente. Aqui tem cores, calor humano, liberdade e eu não preciso ver o mundo através de uma janela.

Eu posso explorar as ruas, tomar um bom café na lanchonete, pegar um cinema com os amigos, sair para almoçar fora com a família, sentir a chuva me molhar ou, simplesmente, ler um bom livro deitada na minha cama, no meu espaço e, sim, na minha zona de conforto. E é por isso também que cheguei a uma conclusão: Saúde tem que bastar para sermos felizes. Quem a tem, não é feliz porque não quer.

 

Por Renata Stuart

Nossa história em poucas linhas…

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments

Tudo começou cedo demais. Eu era nova, você também. Mas ao mesmo tempo, foi tudo intenso demais. De uma amizade despretensiosa, nasceu um sentimento puro, verdadeiro, gostoso, natural. Daí vieram as coincidências, todas conspirando ao nosso favor.  Conversando, descobrimos que nossos pais se conheciam há mais de 20 anos, que meus pais te carregaram no colo, que meu pai já teve, antes mesmo de eu planejar vir a esse mundo, um comércio ao lado da sua casa. Aquilo foi incrível. De alguma forma, parecia que nosso encontro, naquela academia, estava marcado, até para mim que não acredito em destino. E não é que remexendo fotos velhas, achei até uma foto sua com minha irmã mais velha numa festa junina aqui do bairro?

Enfim, embora eu estivesse com a ideia fixa em mente de que não queria me envolver num relacionamento sério tão cedo, lá estava eu. Conversando com você todos os dias por telefone. Te conhecendo, rindo de você, fazendo você rir, fazendo confidências. Não pude fugir desse sentimento, da sintonia que rolava entre a gente, dá vontade de desvendar a sua vida e de fazer parte dela. E deixei a vida me mostrar o que ela estava me apresentando.

E aqui estamos, mais de cinco anos depois, caminhando juntos. Mais velhos, mais vividos, mais maduros. Já passamos por cada fase que confesso: achei que não chegaríamos longe. Mas a verdade é que, apesar de todos nossos desentendimentos, brigas, diferenças, a gente sempre se completou. E não desistimos nos primeiros problemas. No fim das contas, as alegrias, o carinho, as brincadeiras, o amor, a confiança, o respeito, a saudade , – tudo isso – pesou mais na balança.

E eu fui percebendo que príncipe encantado não existe. Aquela ideia de um homem de olhos claros, cavalheiro, romântico, carinhoso e divertido 24 horas por dia ficou lá na minha adolescência. Ninguém é perfeito e, se fosse, seria um tédio, imagino. Mas uma coisa é fato: Apesar dessa dose de realismo, ainda sou romântica, sempre vou ser, essa é a minha sina. Ainda preciso dos momentos intensos e cinematográficos para sobreviver, nem que seja aquele beijo intenso depois de uma briga dramática. (não ria de mim, você sempre faz isso!). Mas sabe, aos poucos, comecei a aceitar os defeitos e ver a beleza existente neles. Comecei a entender que você não tem culpa da minha projeção de amor ideal, amor perfeito. Comecei a diferenciar o amor dos livros, dos filmes, dos romances do amor da vida real. E comecei a ser mais feliz assim.

Hoje, com essa carga enorme de história, sei que nem tudo é para sempre. Muita gente fala que um namoro longo como o nosso, que começa cedo e dura anos, tem grandes chances de acabar no meio do caminho, de não resistir ao tempo… O desgaste, a rotina, a monotonia são as justificativas, geralmente.  Mas afinal, que caminho é esse que temos que seguir? O casamento e o “felizes para sempre”? Quer saber: Não estou preocupada com isso agora. Casar não é meu projeto de vida, é apenas um desejo futuro. Quero viver o agora. O dia a dia ao seu lado, construindo uma história bonita, dividindo sonhos, vislumbrando metas, realizando-as juntos. E por aí vai.  O futuro é consequência. E também acredito que cada casal tem uma história. Não dá pra generalizar, o que dá errado para um, pode dar certo para outro.

E, acredite, mesmo depois de tanto tempo juntos, eu ainda me pego rindo sozinha às vezes, lembrando de você, das coisas bobas que só você faz. Acho que não preciso de mais nada para saber que, sim, eu amo você. Hoje, agora, neste exato momento em que você me lê, eu amo você.  Não digo que será para sempre, isso só o tempo pode dizer. Talvez algum dia tenhamos que seguir caminhos diferentes, não nego essa possibilidade. A vida dá voltas, quem sou eu para afirmar que conosco vai ser diferente?  Bom, mas eu espero que seja. Eu espero que dure. E eu espero que cada dia continue sendo assim. Mais quentinho, mais aconchegante, mais seguro e mais feliz ao seu lado.

Por Renata Stuart

À Mamãe – Maravilha

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments

A gente se entende pelo olhar. Também pudera, os olhos dela foi a primeira coisa que vi desde que caí de paraquedas nesse mundo. Aliás, acho que foi a partir desse dia que minha vida passou a fazer sentido e que eu passei, de fato, a existir.  Depois disso, cada dia foi um cuidado especial, um carinho a mais, um gesto doce, um abraço confortante, um olhar amoroso.

Ela nunca recebeu um manual de instrução, mas ela cumpre sua missão da melhor forma possível. Ela sou eu. Sim, porque o que sou hoje se deve a ela. Cada dia, cada exemplo, cada atitude, cada palavra dita moldaram essa pessoa que aqui hoje escreve.

Acredite se quiser, ela é minha melhor amiga.E nossa cumplicidade não é algo que possa ser explicado. Seria preciso ser uma de nós para entender, para sentir. Então desista de entender. Em resumo: ela é minha diva, meu ídolo, minha inspiração, meu ar. Sintonia, intensidade, e verdade pairam sobre nós.

Sabe aqueles momentos em que você se sente a pior das piores e pensa que não tem ninguém? Mas daí você se lembra de alguém que faz tudo fazer sentido e nada mais importa? Esse alguém pra mim é ela. Ela é mais que meu presente, ela é meu passado, é a minha infância viva. Sim, porque só ela me dá o direito de ser uma eterna criança. Ela marca meu médico, ela pergunta se eu já almocei, e faz meu jantar. O quê? Mimada, eu? Ah, me deixa. Gosto disso e vou aproveitar enquanto eu puder.

Ela é a mulher-maravilha. Dá conta de tudo e mais um pouco. Sem ela, a casa não funciona, tudo entra em pane. E ela, com suas mil e uma habilidades, cuida de tudo com uma proeza que só vendo. E só ela sabe onde está cada objeto, cada detalhe. Ela tem uma memória de ferro, é boa em matemática, português e sabe de tudo um pouco.

Mas o que ela faz de melhor, não me resta dúvida, é ser mãe. E ela é mãe com tanta vontade, com tanta dedicação, com tanta paixão que eu sempre digo que se eu for, pelo menos, um terço do que ela é, meus filhos estarão mais que satisfeitos.Ela é mãe de todos, seu coração é gigante, quem quiser pode entrar. E, claro, ela é forte e batalhadora. Ainda que a vida tenha lhe pregado uma peça e lhe tirado seu amado filho caçula, ela está de pé e firme..Volta e meia secando lágrimas, enganando a tristeza com muitas tarefas e escondendo a dor por trás do seu bom-humor ímpar. Mas lá está ela, todos os dias se levantando para ser a melhor mãe do mundo.

Mamãe, sei que você já deve estar cansada de ouvir, mas eu não estou cansada de repetir: EU TE AMO, VIDINHA. Obrigada por existir. O maior presente que Deus podia me dar ele já me deu: VOCÊ. 

Por Renata Stuart

Me encontrei

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 13 Comments

Quem é você? Sempre achei difícil responder a esta pergunta. Preencher os irritantes ‘profiles’ das milhares de redes sociais ou até mesmo responder questionários para concorrer a uma vaga de emprego. Enfim, o fato é: Nunca me defini com facilidade. E nunca entendi o porquê dessa necessidade de se autorrotular.

Quem eu sou? Cá pra nós, o que eu disser sobre mim realmente vai mudar algo sobre o que você pensa sobre mim? Acho que não. Posso até dizer minhas preferências de lazeres,lugares,  filmes e música. Até ai tudo bem.  Mas, no que diz respeito à personalidade e a imagem que refletimos, cada um tem em mente uma versão muito particular do outro e não são palavras que vão mudar isso. Fato. Muitas vezes, o que eu digo, pode não ser o que eu sou – quase nunca é – mas sim a minha impressão de mim mesma, a projeção que tenho de mim, ou quem eu gostaria que eu fosse.

Hoje, confesso, desisti de me definir.  Descobri que o único motivo que nos leva a essa tentativa de nos autodescrever o tempo todo é a necessidade – vazia e em vão – de ter que se autoafirmar para alguém, para o mundo, para todo o público que nos cerca. É o fato de ter que se mostrar decidido, coerente, forte, e cheio de si.

Hoje, posso dizer que me encontrei. Já chega. Que se danem os rótulos. Descobri que vivo melhor sem ter o compromisso de cumprir o script, sem a responsabilidade de me autodefinir e de ser coerente com o que eu disser que sou.  Sou muitas, não sou uma só. Não sou como um produto químico que tem uma fórmula exata. Meus componentes são diversos, momentâneos, incoerentes. Não sou a mesma para todos e nem serei a mesma o tempo todo. Sou razão com uma boa dose de emoção, sou sistema nervoso afiado, sou coração abobado, putz, sei lá mais o quê. Sou um aglomerado de sensações. Cheguei à conclusão de que é no transitório e no efêmero que me encontro.

Conheça-me. Conviva comigo. Observe-me. Atente-se às minhas atitudes, meu comportamento. Converse comigo. E construa a sua própria versão de mim. Wherever, me rotule como desejar. Me ache isso ou aquilo outro, deixo essa árdua tarefa para os outros. Mas a mim não. Me importa apenas o VIVER e  o SER. Ser por inteiro, ser em essência, ser do jeito que me der na telha, do jeito que me interessa e ponto.

E você? Quem é?  =)

 

Por Renata Stuart

Entre Aspas – Clarissa Corrêa

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Correria total, galera.  Nesse fim de semana, coloco crônica nova! Enquanto isso, desfrutem de um texto sensacional da grande Clarissa Corrêa.

Entre culpas e certezas

Ando cansada de carregar culpas que não são minhas. Sei que a frase parece estranha (e é), mas tem gente que acha que preciso saber todas as respostas. Logo eu, que nada sei. Verdade, quanto mais o tempo passa mais eu vejo que tenho muito o que aprender com a vida e as pessoas. Todo mundo tem algo para nos ensinar. Diariamente. Pena que nem sempre são coisas boas. Mas se o outro não ensina nada positivo, pelo menos podemos aprender o que não devemos fazer.

Se você não sabe pra onde quer ir, tudo bem. Se pelo menos souber o que não quer para a sua vida já é meio caminho andado. Eu sei o que não quero de forma alguma, assim, já elimino muita coisa. E muita gente.
Chega de se lamentar. Se a sua vida anda ruim, desculpa, mas não tenho nada a ver com isso. A minha vida também é cheia de problemas, mas eles são meus. E você não tem nada a ver com isso. Você não tem nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa, nada. Não tenho que te cobrar coisa alguma, pois minhas cagadas e acertos só dizem respeito a mim. Se eu faço alguma coisa que te afeta e te fere, me perdoa. Não tenho a intenção de magoar ninguém com meus atos. E se de vez em quando isso acontece, faz parte da vida. Inevitavelmente, magoamos pessoas. Inevitavelmente, esperamos coisas e atitudes das pessoas. Inevitavelmente, existe a frustração. E temos que aprender a conviver com ela pra tentar ser feliz.
De vez em quando cansa ser adulta, dá uma vontade louca de fazer as malas e voltar para a casa da mãe e do pai. E ficar lá, acolhida naquele mundo onde nada atinge e abala, onde a maior preocupação é a menina da escola que me chamou de boba, feia e chata. Então eu penso: não. Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.
Sempre pensei que todo mundo tem uma missão. Ninguém vive por viver, nasce por nascer, morre por morrer. Você tem uma missão e deve tentar cumprir tudo o que “está escrito” da melhor forma possível. Mas a gente não sabe o que está escrito. Temos que tentar adivinhar todo o santo dia. É por isso que existe a intuição: ela nos leva para onde devemos ir. É por isso que a gente deve seguir o que o coração diz: ele sempre está certo.
Por Clarissa Corrêa