Das cartas que eu não enviei

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Às vezes a vida nos surpreende. E às vezes eu me surpreendo comigo mesma….Não me reconheço e não me compreendo. Hoje, por exemplo, não entendo porque estou assim, tão triste com sua ausência. O que você fez em mim? Ou o que eu me deixei fazer comigo mesma? Onde foi que eu confundi as coisas? Você nunca me deu nenhuma esperança, nenhum sinal..Sempre reservado, sempre amigável com todos, respeitoso, sério. Onde foi que eu me confundi? Por que estou sentindo isso? Não foi de propósito, eu juro. E agora eu tenho vontade de chorar por você, que coisa louca. E chorar por estar sentindo isso que eu sei que é totalmente errado e surreal.

Ouvi falar uma vez que, na vida, existem alguns “amores possíveis” para cada um de nós. Que às vezes vemos certas pessoas nas ruas e, mesmo sem conhecê-las, sabemos que aquelas seriam, quem sabe, amores possíveis. Pessoas possíveis de amarmos, em outras circunstâncias, em outro momento, outra época. Pessoas que teriam uma chance em nosso coração.

Eu nunca tinha sentido isso. Sempre achei que o amor a gente meio que escolhe. E, de verdade, estou feliz com o amor que tenho hoje, ele me faz bem e me permite ser eu mesma. Mas, sabe, quando te conheci, aconteceu algo diferente, não sei explicar. Percebo agora que, simplesmente, você era um amor possível. Em outra circunstância, eu poderia ter te amado. Se você tivesse aparecido antes na minha vida, se tivéssemos nos cruzado em uma fase diferente, – em que ambos ainda não tínhamos o coração ocupado por alguém -, talvez, quem sabe, eu poderia ter te amado. Sei que não seria nada difícil.

Não amo você. Não tive tempo nem oportunidade e muito menos abertura para sentir isso. Mas, que fique claro, você mexeu comigo. E me perturbou, sem a menor intenção, mas perturbou.  Espero não ter deixado isso transparecer, torço para que você não tenha notado o efeito que causou em mim. Morro de vergonha de você sequer, por um instante, desconfiar que isso se passou aqui dentro dessa cabeça maluca.  Mas, quer saber, desejo do fundo do meu coração que você seja feliz e que você faça alguém muito feliz, de verdade.

Em hipótese alguma, pensei em alimentar esse vestígio de sentimento que ameaçou nascer em mim no tempo que convivi com você.  Tudo ficou pairando apenas em minha mente, em minha fantasia, em minhas manias de colocar o SE na frente “Como seria SE eu tivesse conhecido ele antes?”. Bobagem. Eu sou assim mesma. Sabe aquele verso “é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer”? É exatamente isso. Ou, do jeito que sou louca, no fundo, talvez eu apenas fantasiei isso tudo em busca de uma inspiração para fazer um texto bonito. E olha, acho até que funcionou.

Por Renata Stuart

*Inspirado em relatos reais de uma querida amiga!

Saudade que aperta e escorre pelos dedos…

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Há exatos quatro anos, eu vivenciei o pior momento da minha vida: a sua partida. Foi então que me dei conta de que NADA mais seria o mesmo, e não foi.  A vida perdeu a leveza e a completude e eu pude ver, de fato, o quão vulnerável ela é.  Aqueles planos que a gente vive fazendo para o futuro perderam o sentido e o presente passou a valer ouro diante da incerteza da que comecei a enxergar na  vida, no depois, no amanhã.  E o meu lado “muleca” e criança, o qual só você mantinha vivo, deixou de existir.

Há exatos quatro anos, não ouvimos a sua voz grave, sua risada aberta e gostosa, não sentimos seu abraço e nem seu perfume. E, ao contrário do que se diz, o tempo não diminuiu a dor, não amenizou, não cicatrizou. Acontece que agora ela dói mais em silencio, reprimida, apertada… afinal a vida pede agilidade, tudo tem que continuar e não há tempo para parar e se deixar sofrer, se deixar doer, se deixar chorar.  “Keep going”, o mundo nos cobra.

Mas, hoje – apesar de ser uma data que eu preferia esquecer –  eu decidi parar para sofrer aberta e publicamente, nesse instante, e deixar registrado aqui a falta que você tem nos feito. Esses quatro anos foram uma barra sem você e tenho certeza que os próximos também serão. Mas, no fim das contas, o que nos mantém firmes é a certeza de que os quinze anos maravilhosos que tivemos ao seu lado valeram a pena. Te amamos muito, meu anjo. Um dia a gente se encontra.

Por Renata Stuart

*Para meu sempre amado irmão caçula.

Então…é Natal!

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Já gostei do natal. Quando criança, dezembro era sinônimo de fantasia, férias, Papai Noel, presentes e viagens. Eu me lembro da euforia com que eu e meus irmãos acordávamos para descer as escadas e ver os presentes que o “bom velhinho” havia deixado na árvore. Típica cena de filme americano, rs..Mas era uma delícia. Não me lembro de quando foi que descobri que essa tarefa era feita pelos meus pais! O amigo oculto, as comidas gostosas, as luzinhas e até as musiquinhas de natal me agradavam. Tudo era motivo de alegria.

Hoje, o natal não me provoca as sensações que um dia provocara, talvez porque eu tenha crescido e minha sensibilidade já não esteja tão aflorada, talvez porque meu irmão caçula não está mais aqui para compartilhar comigo essa fase do ano que ele mais amava ou talvez porque, hoje, eu enxergo o outro lado do natal. O lado triste, obscuro e injusto.

Fico pensando que, ao mesmo tempo em que eu esperava o papai Noel, as crianças pobres também esperavam, ainda que não tivessem uma árvore de natal ou uma casa com chaminé. Todas esperam. E, por sorte, meus pais tinham condições de alimentar a minha ilusão. Mas e quem não tem pais? E quem tem pais cujo dinheiro é suficiente apenas para comprar comida e olhe lá?

Ouvi um dia desses uma senhora humilde dizendo que, quando criança, sempre achou que o papai Noel não gostasse dela, pois seus presentes nunca chegaram. E, todo ano, ainda que no ano anterior ela não tivesse recebido nada, sempre restava uma pontinha de esperança que esperava o papai noel, mais uma vez.

Triste realidade. É duro pensar que essa fantasia intrínseca ao natal não é tão gostosa assim para alguns e, no fim das contas, só traz mágoa. Definitivamente, o natal não tem o mesmo gosto para todos. . Esta é, sem dúvidas, a fase em que a desigualdade social fica mais nítida, ao menos aos meus olhos.  Sobra muito para alguns e falta quase tudo para outros.

Uns associam a época apenas a gastos descontrolados, cartões de créditos estourados, compras, compras, compras e muita fartura. A mesa farta da ceia, com a imensa variedade de pratos e sobremesas, é imprescindível. E enquanto esses comem e trocam presentes à meia noite, outros continuam vagando as ruas vazias e iluminadas, sem saber o porquê de tanta alegria. Chato pensar neste outro lado, né?

Sem falar que a data se transformou em uma das comemorações mais comerciais que existem. Poucos param pra pensar no verdadeiro significado do Natal e nem sequer dedicam um minuto para ao menos agradecer a Deus pelo dom da vida. Muita gente não conversa com o irmão ou com o pai há anos, mas no natal distribui sorrisos tentando esconder a mágoa interna.

O Natal tem que ser mais que isso. O natal tem que significar renovação, amor, perdão, paz, solidariedade. Mas não adianta sair por ai com um caminhão de presentes para doar as crianças pobres se você não está bem com as pessoas ao seu redor. Não adianta dar vinhos, panetones e chesters ao lixeiro e ao mendigo, se você vive em guerra com a própria família.

O amor tem que começar dentro de você, dentro da sua casa, para depois ser externado. Aproveite. Essa é a hora que temos para abrir o coração e deixar tudo de bom sair e contagiar quem precisa e se deixar ser contagiado também.

Dê e receba amor. Feliz Natal.

 

Por Renata Stuart

Escrevendo sobre o inevitável …

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Eu tentei evitar falar sobre isso, aliás, sigo todos os dias da minha vida tentando não pensar nisso.  E eu tentei adiar esse momento, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que me sentar e escrever sobre isso.  Isso que eu não gosto nem de citar o nome. Tá, pode parecer superstição ou sei-lá-o-quê, mas eu não gosto de falar o nome e pretendo ir até o fim desse texto sem sequer citar o objeto dele.

Isso que não aconteceu comigo ainda, mas vai acontecer. Não aconteceu com você que está lendo essa crônica nesse instante, mas vai acontecer, cedo ou tarde. Talvez você não tenha tempo nem de chegar ao fim desta crônica, mas talvez você tenha tempo não só de ler essa crônica, mas também de ir estudar amanhã, depois e depois até pegar seu diploma em direito, casar-se com seu futuro marido que você vai conhecer no tribunal, ter uma carreira reconhecida e mega estabilizada e, claro, muitos filhos de dar orgulho. Enfim. Cedo ou tarde, não importa quando, um dia isso vai acontecer com você e com todos. Mas o fato é: nunca estamos preparados para isso.

Já sabe do que estou falando, né? É bom que saiba, pois não posso ser mais literal que isso.  Parece ironia eu falar disso justo agora, logo em seguida da última crônica que postei aqui, em que o assunto era a celebração da vida, da existência. Sim, a vida é linda e é justo que se façam milhares de histórias, textos, crônicas, versos, poesias e sonetos sobre ela. Mas o fim da vida – que não manda cartão postal anunciando sua chegada – também deve ser retratado, afinal, ele é totalmente intrínseco a nossa vida.

Dizem que morrer faz parte da vida. Ninguém aceita, mas faz. A vida tem suas milhares de fases e a morte é apenas uma delas. Pronto. Parece frio e seco dito assim, à grosso modo, eu sei. Como se isso fosse óbvio e incontestável, mas não é. Não é simples assim e eu ainda não consigo aceitar a morte, justamente eu, que tenho essa mania de querer que tudo seja para sempre.

Acho muito fácil algumas pessoas falarem que a morte faz parte da vida e que devemos aceitá-la a todo custo. ‘Aceitar’ não sei bem se é a palavra, acho que caberia  mais ‘suportar’, ‘tolerar’. Não entra na minha cabeça que devo aceitar tranquilamente que nunca mais verei meu irmão caçula que eu tanto amo. O que eu entendo é que não tenho escolha, não me restam opções. O mundo não acabou como eu achei que acabaria e, dessa forma, sigo vivendo sem ele. Aceitando? Jamais. Mas seguindo como alguém que é incompleto. Mas, afinal, quem é completo nessa vida? Todo mundo sente falta de algo. Uns de pessoas, outros de coisas, outros de sentimentos, outros de status. E todos vão vivendo assim, nessa busca incessante de suprir a falta de algo.

Antes de simplesmente nos falarem que a morte faz parte da vida deveriam implantar esse ensinamento nas escolas então, desde o princípio, lá no maternal, sabe? Para que cresçamos com a consciência natural de que, no meio do percurso da vida, algumas pessoas nos serão tomadas e que não devemos irracionalmente querer apertar o stop e parar de viver também. Por outro lado, pensando bem, se a morte fosse tratada das escolas comumente, tenho certo receio de que tanta naturalidade a banalizaria. Ou seja, as pessoas poderiam até sofrer menos com as perdas, mas também seriam mais frias e, talvez, insensíveis. Sei lá, acho arriscado.

E a esta altura, você já deve ter reparado que, ao contrário do que prometi no início, acabei soltando a palavra que resume essa crônica: A morte. É, vamos repetir: a morte. Quem sabe assim fica mais fácil aceitar essa cruel que só nos condena a tristeza e a saudade. Sei que não é um assunto legal para se ler, me perdoe. A morte ainda é tabu e ler uma crônica sobre ela não anima o dia de ninguém. Mas, assim como eu disse no texto anterior que envelhecer é viver, morrer também é viver, afinal, para morrer, é preciso, antes, estar vivo.

 

Por Renata Stuart

Porque envelhecer é viver …

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É o meu aniversário. Sim, não me importo em anunciar: Estou ficando mais velha hoje. Aliás, não só hoje, todos os dias, fico um pouco mais velha. Sim, essa é uma das poucas certezas que temos nessa vida. Todos (os que têm sorte), com o passar dos minutos, horas, dias, semanas, meses, envelhecem. Acontece que apenas nos anos é que a gente se lembra de celebrar isso.

E tudo ocorre de forma sutil, a gente quase nem sente num período de curto prazo. Vamos apenas vivendo e quando nos damos conta: Os anos se passaram. E, então, as marcas do tempo começam a falar. Não falo apenas de rugas ou cabelos brancos, falo das cores, gostos, sentimentos e sensações que ficam para trás, dando lugar a outros, nem melhores, nem piores, mas diferentes. O calendário da vida passa pra todos. Disso, não há como fugir.

Mas, calma, não quero fazer um texto dramático sobre “como-o-tempo-voa” ou “a-idade-chega-para-todos”. Nada disso. Pode continuar ai. Hoje, eu quero brindar a vida. Sim, acho justo! Afinal, há exatamente 22 anos, eu nasci. Num mês frio, durante a madrugada, num parto meio turbulento – sim, pois minha mãe visitou vááários hospitais naquela noite em busca de um médico obstetra – eu vim ao mundo. E, já que estou aqui de passagem, por que não comemorar essa deliciosa viagem que é a vida?

Não entendo bem porque as pessoas têm tanta neura com idade. Envelhecer é algo inerente ao ser humano. Estar velho ainda é estar vivo. Acho que isso deveria ser encarado como só mais uma fase – natural e especial – da vida. Afinal, não é só você que está ficando velho, mas todos da sua geração. E é hora de viver isso juntos, encarar a situação de frente, assumir o tempo de cabeça erguida. Bom, não serei hipócrita. Sinto saudades da minha infância, dos meus quinze anos e sei que, um dia, vou sentir saudade dos 22.  E quando penso que estou próxima dos 30, então?! Sinto um friozinho na barriga como que um misto de tristeza e ansiedade. Tristeza porque sei que terei deixado para trás uma época memorável. A universidade, os amores mal resolvidos, aquela dose de irresponsabilidade, o namoro, as primeiras conquistas, e a famosa “época de arriscar”. Tudo isso vai passar, eu sei. E ansiedade porque sei que há uma outra fase única me aguardando.

Mas é assim que tem que ser. São essas velinhas que sopramos ao longo da vida que nos acrescentam algo como pessoa. São os momentos vividos, experiências adquiridas e escolhas feitas que dão o peso necessário à nossa bagagem. Tenho que prosseguir. E, se para correr atrás dos meus sonhos ainda não alcançados, terei que continuar envelhecendo, que venha o tempo, e que venham muitas velas para eu soprar, pois meus anseios são muitos e tenho planos para um século. Já dizia minha bisavó: “Quem não quer ficar velho, tem que morrer novo”.

É por isso que, hoje, eu só quero sorrir para a vida. Sorrir para todos a minha volta e para mim mesma. Sorrir como alguém que não tem a vida perfeita, mas como alguém que é feliz com o que tem e com o que se tornou. Sorrir como quem é grata pela família inigualável, pelo lar, pelos amigos verdadeiros e pelo amor companheiro. Sorrir pelos abraços, beijos e palavras sinceras. Sorrir pela saúde, pela determinação, pela esperança. Sorrir pelo maior presente que eu podia receber: estar viva!

 

Por Renata Stuart

Distância, fique longe de mim!

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Se ela tivesse um gosto, seria amarga. E como é insensível, faz doer sem piedade e causa um vazio dentro do peito de quem é separado por ela.  O ponteiro do relógio parece mais lento, os dias se parecem iguais e o coração fica mais apertado. Sim, falo da distância, essa danada que anda sempre de mãos dadas com a saudade, outra desnaturada.

Várias são as distâncias que nos acometem nessa vida. Tem a distância de quilômetros. De pessoas que moram longe umas das outras e que não podem se ver sempre devido às circunstâncias da vida, casa, trabalho, afazeres, enfim. E tem os casais – coitados – que namoram a distância e que contam os dias, as horas, os segundos para cruzarem o território que os separa.

A boa notícia é que, para esses casos, há algumas soluções razoáveis que a querida tecnologia nos oferece.  Meios de comunicação estão aí aos montes, não é mais necessário sinal de fumaça nem pombo-correio. Para amizade distante, digo o mesmo. Distância não é desculpa para falta de contato. Ouvi uma vez que tempo é prioridade e nós é quem decidimos a quem dedicar nosso precioso tempo.  Uma ligação de vez em quando não faz mal a ninguém. Não é a mesma coisa, óbvio que não. O calor humano, o cheiro, o toque, nada disso pode ser sentido sem a presença real, física, inteira. Mas, convenhamos, sem esses meios, seria impossível sobreviver a tal da distância.

Agora, sendo mais poética, penso que uma das piores distâncias é, sem dúvidas, a distância dos corações. Você o vê com frequência, quase todos os dias, distância física não é o problema. Mas o fato é que ele não te vê. O coração dele está longe demais para se cruzar com o seu. E ai dói ainda mais. Ver, estar ali pertinho e, ao mesmo tempo, não estar, não ser notada. Acredite, a saudade é ainda pior quando não é correspondida.

A distância causa sensações, reações e sentimentos mais absurdos. A distância de quem partiu de vez causa revolta e inconformidade quando nos lembramos de que nunca mais estaremos com aquela pessoa. Nesse caso, a distância é infinita e não são só quilômetros que separam duas pessoas, mas a diferença de estar e não estar respirando. O que dói um bucado.

“Ah, distância. Fique longe de mim! Você não me faz bem.” Mentira. A distância pode fazer bem sim. Ela nos ajuda a enxergar melhor os fatos. Muitas vezes, precisamos estar longe para ver melhor. A proximidade sofre influências que ofuscam nossa visão com relação a alguém ou a um fato. E a distância nos dá clareza, imparcialidade e maturidade para julgar certas coisas da vida. Quando estiver confuso(a) em meio às tempestades da vida, tome um tempo consigo mesmo e se distancie de tudo. A resposta sempre vem.

Mas, cuidado. A danada é cheia de contradições. Quando um relacionamento acaba, por qualquer motivo que seja, a distância é a hora de descobrir como é se virar sem o outro. E é aqui que mora o perigo. A distância não só magoa, mas engana e causa ilusões. Tudo, quando não está mais ao alcance dos nossos olhos, nos parece melhor do que realmente era.

Nossa mente passa a fantasiar que tudo era lindo e cor de rosa.  O cara que era estúpido e frio passa a ser um doce. “Poxa, ele também não era tão ruim, era só o jeito dele de ser, ele tinha uma maneira próprio de dizer que me amava” ou Não vou encontrar outro igual a ele, acho que fui incompreensível, devia ter perdoado, ele tem qualidades raras”.

E adivinhem: tudo que era razoável se torna maravilhoso. Pois é, a distância também causa amnésia. Tudo de ruim que alguém nos fez é esquecido ou fica em segundo plano e só os bons momentos vêm à tona. Não sei bem porque isso acontece, não sou psicóloga nem a dona da verdade. Mas já li muito sobre isso e, o melhor, já vivi isso. Bom, acho que nosso cérebro faz isso para despistar o coração. Ele meio que não aguenta mais ouvir o choro do coração e, por isso, evidencia a “memória boa” na nossa mente para que o coração se renda e acabe de vez com essa distância que causa saudade e faz doer. Compreende? Não? Chega mais perto. Leia com o coração. Quem sabe, assim, a gente se entende.

 

Por Renata Stuart

Somos o que recordamos

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Hoje assisti ao filme The Vow, que significa “O voto”, mas que, por algum motivo, foi traduzido no Brasil como “Para Sempre” .  Na trama, que é inspirada em fatos reais, um casal apaixonado e com poucos meses de casados (Paige e Leo) sofre um acidente que causa na mulher uma lesão cerebral, deixando- a sem a memória de curto prazo. Ou seja, ela se lembra de sua vida toda, mas não recorda absolutamente de nada dos últimos cinco anos que viveu, inclusive do seu marido.

Agora, além de não conhecer o próprio marido, a mulher se sente ligada ao seu ex-noivo, de quem não se lembra de ter se separado. E o marido, ao invés de desistir da mulher que agora o vê como um mero estranho, luta de todas as formas para merecer o amor dela novamente, o que não parece fácil, já que cinco anos foram suficientes para modificar, e muito, sua esposa.

Uma frase que me marcou no filme foi: “Cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história.”  Apesar de parecerem simples, achei essas palavras de uma sabedoria sem tamanho. Não, esse não é mais um texto de amor. É só um pensamento que absorvi dessa linda história e gostaria de compartilhar.

Sendo assim, se o apagar da memória interfere tão fortemente no que somos e no que sentimos, não é difícil concluir: Somos o que recordamos. Eu sou o lugar onde nasci e as pessoas com quem convivi. Eu sou as coisas que fiz e faço, dia após dia. Cada atitude simples e banal que já tive definiu quem eu sou hoje. Eu sou o que eu vi, por onde passei e com quem estive.  Sou todas as conversas que tive em toda minha vida. Sou os olhares, abraços e gestos que me marcaram. Sou os livros que li, os filmes que vi, os textos que escrevi. Sou os meus momentos, as situações que enfrentei e até as coisas que nunca vivenciei.

Tudo, absolutamente cada detalhe, formaram a minha pessoa. Havia infinitas possibilidades para o meu ‘ser’, eu poderia ter sido um ‘eu’ completamente diferente do meu ‘eu’ se eu tivesse nascido em outro lugar, convivido com outras pessoas, com outras referências, e vivido experiências diferentes que, certamente, me levariam a caminhos diferentes.

E a vida é isso, um trem em viagem constante. Um trem que, em cada ponto que passa, acrescenta algo no bagageiro. E essa bagagem é o que somos. É a nossa essência. São nossos gostos, valores, escolhas, atitudes. Pode parecer óbvio, piegas ou filosofia barata, mas, em síntese, se tudo o que vivemos é guardado na memória, a memória é quem guarda o que somos.Ela é a nossa identidade-mor. É onde moram nossas opiniões, crenças e sentimentos.  É onde a gente se encontra secretamente com a gente mesmo, onde nossos pensamentos se organizam, onde tudo que está ao redor passa a fazer sentido.

E se somos a nossa memória, que sejamos algo que valha a pena ser lembrado e que não mereça ser esquecido. Não falo de títulos, méritos, nem reconhecimento. Falo de alma, coração e, claro, intensidade.

Por Renata Stuart

Quando a princesa cai da carruagem …

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Aconteceu. Eu achei que esse dia não chegaria, mas, sim, finalmente, ele chegou. Eu amanheci mais disposta do que havia me deitado, mais leve, mais presente, mais ‘eu’ e menos ‘zumbi’. Era como se as lágrimas que derramei no travesseiro até pegar no sono tivessem sido os seus últimos vestígios dizendo adeus. Sim. Quando me olhei no espelho, percebi: Você não era mais parte de mim. Eu havia aprendido a andar de bicicleta novamente, sem rodinhas, sem você.

Então não era mentira quando todos me diziam que isso ia passar. Não eram palavras vazias quando me disseram que eu iria te esquecer e que você era só uma das centenas de decepções que eu teria na vida. Achei esses consolos tão inúteis e óbvios, mas eu estava ali, diante do fato se concretizando, e me redimindo. Sim, era tudo verdade. Passou. E, acredite, esse texto não é uma tentativa de chamar sua atenção. Aliás, eu nem espero que você o leia.

Como eu me sinto boba pelas vezes que disse que não saberia viver sem você. É claro que sei. Eu sempre respirei normalmente antes de te conhecer e, agora, olha eu aqui de novo, de pé, inteirinha, aliás, nunca estive tão viva, tão próxima de mim mesma. Você ofuscava a minha visão, você era tão dominante na minha vida que acabei não dando a atenção necessária a mim mesma, aos meus gostos, aos meus interesses, aos meus desejos, aos meus prazeres. Você consumia muito de mim. Não te culpo. Na verdade, eu é que estou aprendendo a me amar agora.

Mas quer saber? Apesar de me achar uma ingênua, também me sinto madura, pois começo a perceber que a vida tem disso mesmo e, sim, se decepcionar faz parte da nossa existência. Faz parte esperar das pessoas mais do que elas podem nos dar, faz parte depositar confiança em excesso em quem não merece, faz parte não ser o que as pessoas querem que sejamos, faz parte ouvir e fazer promessas que nem sempre ou quase nunca são cumpridas. Palavras parecem fortes e intensas no momento em que são ditas, mas se esvaem com uma facilidade grotesca.

Estou muito bem, é bom que você saiba. Mas devo dizer que também não sou tão dura assim. Senti vontade de te ligar na semana passada, quando fui aprovada naquele concurso para o qual eu abri mão de estar com você muitas vezes para estudar. Em um final de semana desses, eu estava cansada e não tive vontade de sair e devo assumir que, por um instante, senti saudade de nossas noites de sábado em casa, com uma janta simples, um edredom e um filme.  Sabe como é, sexta-feira passada senti falta de receber aquela sua ligação após o trabalho. “E então, o que temos para hoje?”. Era bom ter uma companhia segura, que eu sabia que me acompanharia até nos piores eventos ou, melhor, que tinha o dom de transformar um evento ruim em algo único.

Mas sabe, esses relapsos já estão indo embora. Acho que eu sinto falta mesmo é de ser especial para alguém, só isso. A qualquer momento, outro vai vir e vai ocupar o lugar que um dia fora seu. O seu retrato na minha cabeceira será substituído e, adivinhe, eu vou amar de novo. Pois é, funciona assim. Os relacionamentos são voláteis e, às vezes, o amor também tem prazo de validade. Cética, eu? Nada, meu bem. Só estou aprendendo a viver.

Por Renata Stuart

O mundo paralelo dos hospitais…

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Ainda não chovia, mas o dia era nublado e frio. Voltando do estágio, cerca de 14h, lá estava eu no ônibus, de botas, cachecol, ouvindo minha música no fone de ouvido, pensando em mil coisas ao mesmo tempo, entre elas no trabalho de marketing que eu tinha que terminar, no banho que eu queria tomar quando chegasse em casa e, claro, na fome que eu estava (já que eu ainda não tinha almoçado).

Mas eu não ia almoçar naquele dia. Eu tinha uma hora marcada com a médica e, como ficaria tarde, resolvi que comeria um sanduíche natural ou algum salgado no hospital mesmo. Argh. Hospital. Eu, que odeio sequer a ideia de pisar em um, estava ali a poucos minutos de uma consulta de rotina. Dei sinal, desci do ônibus e, nesse exato momento, a chuva começou a cair. De uma maneira brusca, intensa, tão forte que tive dificuldade em abrir o guarda-chuva, o vento era agressivo também. Era como se o céu compartilhasse do meu sentimento em ter que ir a um hospital. Eu não gostava, aliás, eu detestava.

Sinto uma coisa ruim dentro do peito, uma angústia repentina. Não sei bem o que é, quer dizer, acho que sei. Depois de mais de um ano  indo e vindo do hospital para acompanhar e apoiar a luta do meu irmão caçula para vencer o câncer, eu criei uma resistência natural a hospital. Até natal e reveillon nós passamos no hospital, dois anos seguidos. Não que eu não gostasse de  ficar com ele, eu amava. Cada segundo ao seu lado, dando força, o fazendo rir, dando comida na boquinha dele, cada segundo era maravilhoso. Era confortante ouvir a risada dele e ver a pureza e a esperança naqueles olhos azuis lindos. Doía vê-lo naquela cama, claro, cada vez mais pálido e diferente fisicamente, mas só o fato de estar ali era infinitamente melhor do que estar em casa, sem ele.

Enfim, mas como eu vinha dizendo, eu criei uma repulsa a hospitais, especialmente esse que eu estava prestes a entrar. Esse que se “recusou” a prosseguir na luta pelo meu irmão. “Leve-o para casa, aproveite-o ao máximo, não temos mais o que fazer” – Foi o que nos disseram, de forma seca e crua. Aquela frase ressoava na minha mente sempre que eu passava por ali.  Como assim? Eles estavam pedindo pra gente desistir do nosso anjinho, da nossa razão de viver? Queriam que a gente assistisse à partida dele de braços cruzados? Claro que não! Ouvi certa vez que enquanto há vida, há esperança. E fomos buscar nossa esperança noutro hospital.

A luta durou mais quatro meses mas, de qualquer forma, foi uma luta. Nós não entregamos os pontos sem tentar até o último instante. Não vencemos, mas ele reuniu todas as suas forças até o último suspiro e, para mim, ele já foi um vencedor. Às vezes, fico pensando se não deveríamos ter deixado ele vir para casa e vivido os quatro meses de outra forma…como naquele filme “Antes de Partir” em que a pessoa faz uma lista das coisas que queria fazer. Mas só de imaginar que estaríamos ali, vivendo cada dia como uma despedida – decretada e conformada – me dá pânico.  Seria difícil sorrir sabendo que os sorrisos eram os últimos. E por que deveríamos dar ouvidos àquele médico, àquele hospital? Aquela era só UMA das milhares de opiniões que poderíamos ouvir. Então, penso que cada dia de luta valeu a pena, do contrário, não saberíamos como seria se tivéssemos tentado mais, mais e mais. E a vitória não veio por falta de luta, por falta de esforço, por falta de esperança. Por algum motivo – que talvez um dia eu entenda – a vitória não veio.

E, naquele dia cinza, eu estava a caminho do consultório. Era estranho pensar que, num outro tempo, eu entrei por aquela porta com outros olhos, com outro objetivo e o mais importante: completa. Sim, completa, pois meu irmão ainda estava aqui e eu ainda não sabia como era a dor de perder quem amamos muito. Hoje, quem entrava naquele mesmo lugar, era o que sobrou de mim. E o hospital, o qual eu já conhecia cada corredor e o rosto de cada funcionário, continuava intacto, do mesmo jeito. Parecia que o tempo não passou naquele lugar.

A vida lá fora é diferente, o ar é diferente, a energia é diferente. E não importa o quão refinado é o hospital, não há decoração, conforto ou ar condicionado que preencha o vazio de um hospital.  Tudo ali dentro é tão sufocante e silencioso, mas, ao mesmo tempo, é um silêncio que diz muito, como um instante à espera de uma resposta, de um exame, de um diagnóstico, de um sim ou de um não que mude tudo. E a ausência de cores, ao invés de fornecer a sensação de calmaria, só me passa a sensação de ausência. Ausência de vida, de alegria, de ar livre.

Bancos de espera repletos de pessoas em busca de alguma solução, umas nem tão graves. Eu mesma só estava ali fazendo um check-up, ainda bem. Mas muitos estavam ali na mesma luta que um dia eu e minha família estivemos com meu irmão. Há pessoas nascendo, dando boas-vindas ao mundo, pessoas lutando para sobreviver, pessoas se cuidando para não adoecer, pessoas morrendo, dando adeus ao mundo. Pessoas entregues à própria sorte. Pessoas em busca de esperança, em busca de uma saída que lhe permita um passaporte de volta para o mundo lá fora. Para o mundo onde saúde não é problema, onde todas as preocupações são pequenas e até fúteis. O mundo onde a vida realmente acontece.

É assim que eu me sinto quando vou a um hospital, em um mundo totalmente paralelo, alheio, à parte. É como se, ali, fosse só uma pausa, um intervalo, uma interrupção da verdadeira vida. Um mundo que, quem está do outro lado, em sua zona de conforto e sua rotina diária, nem sequer lembra que existe.

É por isso que, hoje, com esse olhar mais atento ao contraste desses dois mundos, tento dar mais valor aos meus dias aqui, do lado de fora. E agradeço a Deus por ter condições de viver meus dias aqui, sem precisar estar lá, no mundo paralelo. Aqui, o mundo é diferente. Aqui tem cores, calor humano, liberdade e eu não preciso ver o mundo através de uma janela.

Eu posso explorar as ruas, tomar um bom café na lanchonete, pegar um cinema com os amigos, sair para almoçar fora com a família, sentir a chuva me molhar ou, simplesmente, ler um bom livro deitada na minha cama, no meu espaço e, sim, na minha zona de conforto. E é por isso também que cheguei a uma conclusão: Saúde tem que bastar para sermos felizes. Quem a tem, não é feliz porque não quer.

 

Por Renata Stuart

Nossa história em poucas linhas…

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments


Tudo começou cedo demais. Eu era nova, você também. Mas ao mesmo tempo, foi tudo intenso demais. De uma amizade despretensiosa, nasceu um sentimento puro, verdadeiro, gostoso, natural. Daí vieram as coincidências, todas conspirando ao nosso favor.  Conversando, descobrimos que nossos pais se conheciam há mais de 20 anos, que meus pais te carregaram no colo, que meu pai já teve, antes mesmo de eu planejar vir a esse mundo, um comércio ao lado da sua casa. Aquilo foi incrível. De alguma forma, parecia que nosso encontro, naquela academia, estava marcado, até para mim que não acredito em destino. E não é que remexendo fotos velhas, achei até uma foto sua com minha irmã mais velha numa festa junina aqui do bairro?

Enfim, embora eu estivesse com a ideia fixa em mente de que não queria me envolver num relacionamento sério tão cedo, lá estava eu. Conversando com você todos os dias por telefone. Te conhecendo, rindo de você, fazendo você rir, fazendo confidências. Não pude fugir desse sentimento, da sintonia que rolava entre a gente, dá vontade de desvendar a sua vida e de fazer parte dela. E deixei a vida me mostrar o que ela estava me apresentando.

E aqui estamos, mais de cinco anos depois, caminhando juntos. Mais velhos, mais vividos, mais maduros. Já passamos por cada fase que confesso: achei que não chegaríamos longe. Mas a verdade é que, apesar de todos nossos desentendimentos, brigas, diferenças, a gente sempre se completou. E não desistimos nos primeiros problemas. No fim das contas, as alegrias, o carinho, as brincadeiras, o amor, a confiança, o respeito, a saudade , – tudo isso – pesou mais na balança.

E eu fui percebendo que príncipe encantado não existe. Aquela ideia de um homem de olhos claros, cavalheiro, romântico, carinhoso e divertido 24 horas por dia ficou lá na minha adolescência. Ninguém é perfeito e, se fosse, seria um tédio, imagino. Mas uma coisa é fato: Apesar dessa dose de realismo, ainda sou romântica, sempre vou ser, essa é a minha sina. Ainda preciso dos momentos intensos e cinematográficos para sobreviver, nem que seja aquele beijo intenso depois de uma briga dramática. (não ria de mim, você sempre faz isso!). Mas sabe, aos poucos, comecei a aceitar os defeitos e ver a beleza existente neles. Comecei a entender que você não tem culpa da minha projeção de amor ideal, amor perfeito. Comecei a diferenciar o amor dos livros, dos filmes, dos romances do amor da vida real. E comecei a ser mais feliz assim.

Hoje, com essa carga enorme de história, sei que nem tudo é para sempre. Muita gente fala que um namoro longo como o nosso, que começa cedo e dura anos, tem grandes chances de acabar no meio do caminho, de não resistir ao tempo… O desgaste, a rotina, a monotonia são as justificativas, geralmente.  Mas afinal, que caminho é esse que temos que seguir? O casamento e o “felizes para sempre”? Quer saber: Não estou preocupada com isso agora. Casar não é meu projeto de vida, é apenas um desejo futuro. Quero viver o agora. O dia a dia ao seu lado, construindo uma história bonita, dividindo sonhos, vislumbrando metas, realizando-as juntos. E por aí vai.  O futuro é consequência. E também acredito que cada casal tem uma história. Não dá pra generalizar, o que dá errado para um, pode dar certo para outro.

E, acredite, mesmo depois de tanto tempo juntos, eu ainda me pego rindo sozinha às vezes, lembrando de você, das coisas bobas que só você faz. Acho que não preciso de mais nada para saber que, sim, eu amo você. Hoje, agora, neste exato momento em que você me lê, eu amo você.  Não digo que será para sempre, isso só o tempo pode dizer. Talvez algum dia tenhamos que seguir caminhos diferentes, não nego essa possibilidade. A vida dá voltas, quem sou eu para afirmar que conosco vai ser diferente?  Bom, mas eu espero que seja. Eu espero que dure. E eu espero que cada dia continue sendo assim. Mais quentinho, mais aconchegante, mais seguro e mais feliz ao seu lado.

Por Renata Stuart