Nada pela metade

Pode parecer clichê, mas sou do tipo oito ou oitenta. Nada pela metade, meio termo não me atrai.  Prefiro o certo ao duvidoso, o frio ao morno, o não do que o talvez. Se confio, confio por inteiro, confio sem medo. (até que me provem o contrário). Não entendo como algumas pessoas sustentam relacionamentos com desconfianças. Prefiro abrir mão de um amor e sofrer como uma condenada do que viver uma vida cercada de dúvidas, medos, inseguranças. Não agüento viver na interrogação, nas reticências. Preciso do ponto final. Da certeza. Preciso da transparência.

Se amo, me entrego de verdade. Até tento esconder um pouco o sentimento, para seguir os bons costumes da conquista, sabe como é, ser durona é atraente. Mas, se gosto mesmo, logo dou a cara a tapa e amo, amo meeesmo. Com direito a mensagem de madrugada, atitudes inusitadas no meio do dia e outras bobices de quem sente tudo ao extremo.  Com a amizade é a mesma coisa. Sou uma amiga que você pode contar para TUDO, a qualquer hora, ou não sou sua amiga. Não sei oferecer meio ombro, meio abraço, meio colo. Amizade tem que ser inteira, cheia, sem espaços em branco, sem lacunas. Amigo que é amigo abre o coração e fala o que sente, sem pudor, sem desconfiança, sem medo ou vergonha do que ele vai pensar. Amigo  escuta, dá conselho, ri e chora junto. O resto é colega. Colegas temos aos montes. Ter um amigo apenas já é uma grande vitória.

Minha repulsa pelo meio termo me acompanha até nas minhas tarefas diárias, nas coisas mais simples. Se me submeto a fazer algo, procuro fazer da melhor forma possível. Me cobro, enlouqueço, quebro a cabeça, me canso. No final, pode não ter ficado como eu esperava, mas eu estou ciente de que me doei por inteiro. Ou me esforço, me dedico naquilo que me dispus a fazer, ou não faço. Não sei fazer algo mais ou menos, meia boca. O problema de se cobrar muito é a frustração gerada com os resultados nem sempre agradáveis. Mas a vida tem disso. É melhor perder sabendo que se fez tudo que estava ao seu alcance, do que perder por falta de empenho.

Coca light, não. Se vou beber coca-cola, que seja a comum, a verdadeiramente boa. Meia palavra não. Se vamos conversar, vou dizer tudo que sinto aqui dentro, vou expulsar o que está ruim, desapertar o que está incomodando, aliviar o que está sufocando. Simples assim. Não me peça para medir o que vou dizer. Quando começo, não paro.

Meia emoção, não. Se choro, choro litros. Se rio, rio com vontade, com prazer. Não sei esconder o que o coração diz, minha fisionomia sempre me entrega, seja num sorriso amarelo, ou numa cara amarrada. Não suporto gente que não se comove, não se toca, não se sensibiliza, não sente ou reprime o que sente. Sentimento foi feito para ser expulsado. Os bons sentimentos devem ser compartilhados, para trazer alegria a quem os recebe. E os ruins devem ser libertados, pois o mal corrói por dentro. Mágoa, angústia, rancor, inveja, entre outros, só servem para machucar quem os sente, ninguém mais.

Sim. Me recuso a viver pela metade. Sonhar pela metade, acreditar pela metade. Quero o inteiro, o todo, o completo. Quero a luz ou a escuridão. O quente ou o gelado.  O muito ou o nada. Quero alguém que esteja ao meu lado de corpo inteiro, do contrário, não esteja.Tô pedindo muito, né? Sei disso. Mas sejamos francos: A vida é muito curta pra gente se contentar com o ‘mais ou menos’.

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Desabafos

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 26 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Romântica incurável, intensa e fã de pessoas, escreve para tentar entender o comportamento humano, os relacionamentos e a si mesma. Desistiu e chegou à conclusão de que a vida não se explica, se sente.

3 Responses to Nada pela metade

  1. Isabella

    Amazing! Its truly awesome paragraph,I have got mujch
    clear idea concerning from this post.

  2. Janaína

    Perfeitooo o texto, penso exatamente assim!
    Parabéns!!!

  3. Joseane

    Eu penso e sou exatamente dessa forma..adoreiii o textooo

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