Distância, fique longe de mim!


Se ela tivesse um gosto, seria amarga. E como é insensível, faz doer sem piedade e causa um vazio dentro do peito de quem é separado por ela.  O ponteiro do relógio parece mais lento, os dias se parecem iguais e o coração fica mais apertado. Sim, falo da distância, essa danada que anda sempre de mãos dadas com a saudade, outra desnaturada.

Várias são as distâncias que nos acometem nessa vida. Tem a distância de quilômetros. De pessoas que moram longe umas das outras e que não podem se ver sempre devido às circunstâncias da vida, casa, trabalho, afazeres, enfim. E tem os casais – coitados – que namoram a distância e que contam os dias, as horas, os segundos para cruzarem o território que os separa.

A boa notícia é que, para esses casos, há algumas soluções razoáveis que a querida tecnologia nos oferece.  Meios de comunicação estão aí aos montes, não é mais necessário sinal de fumaça nem pombo-correio. Para amizade distante, digo o mesmo. Distância não é desculpa para falta de contato. Ouvi uma vez que tempo é prioridade e nós é quem decidimos a quem dedicar nosso precioso tempo.  Uma ligação de vez em quando não faz mal a ninguém. Não é a mesma coisa, óbvio que não. O calor humano, o cheiro, o toque, nada disso pode ser sentido sem a presença real, física, inteira. Mas, convenhamos, sem esses meios, seria impossível sobreviver a tal da distância.

Agora, sendo mais poética, penso que uma das piores distâncias é, sem dúvidas, a distância dos corações. Você o vê com frequência, quase todos os dias, distância física não é o problema. Mas o fato é que ele não te vê. O coração dele está longe demais para se cruzar com o seu. E ai dói ainda mais. Ver, estar ali pertinho e, ao mesmo tempo, não estar, não ser notada. Acredite, a saudade é ainda pior quando não é correspondida.

A distância causa sensações, reações e sentimentos mais absurdos. A distância de quem partiu de vez causa revolta e inconformidade quando nos lembramos de que nunca mais estaremos com aquela pessoa. Nesse caso, a distância é infinita e não são só quilômetros que separam duas pessoas, mas a diferença de estar e não estar respirando. O que dói um bucado.

“Ah, distância. Fique longe de mim! Você não me faz bem.” Mentira. A distância pode fazer bem sim. Ela nos ajuda a enxergar melhor os fatos. Muitas vezes, precisamos estar longe para ver melhor. A proximidade sofre influências que ofuscam nossa visão com relação a alguém ou a um fato. E a distância nos dá clareza, imparcialidade e maturidade para julgar certas coisas da vida. Quando estiver confuso(a) em meio às tempestades da vida, tome um tempo consigo mesmo e se distancie de tudo. A resposta sempre vem.

Mas, cuidado. A danada é cheia de contradições. Quando um relacionamento acaba, por qualquer motivo que seja, a distância é a hora de descobrir como é se virar sem o outro. E é aqui que mora o perigo. A distância não só magoa, mas engana e causa ilusões. Tudo, quando não está mais ao alcance dos nossos olhos, nos parece melhor do que realmente era.

Nossa mente passa a fantasiar que tudo era lindo e cor de rosa.  O cara que era estúpido e frio passa a ser um doce. “Poxa, ele também não era tão ruim, era só o jeito dele de ser, ele tinha uma maneira próprio de dizer que me amava” ou Não vou encontrar outro igual a ele, acho que fui incompreensível, devia ter perdoado, ele tem qualidades raras”.

E adivinhem: tudo que era razoável se torna maravilhoso. Pois é, a distância também causa amnésia. Tudo de ruim que alguém nos fez é esquecido ou fica em segundo plano e só os bons momentos vêm à tona. Não sei bem porque isso acontece, não sou psicóloga nem a dona da verdade. Mas já li muito sobre isso e, o melhor, já vivi isso. Bom, acho que nosso cérebro faz isso para despistar o coração. Ele meio que não aguenta mais ouvir o choro do coração e, por isso, evidencia a “memória boa” na nossa mente para que o coração se renda e acabe de vez com essa distância que causa saudade e faz doer. Compreende? Não? Chega mais perto. Leia com o coração. Quem sabe, assim, a gente se entende.

 

Por Renata Stuart

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor

About Renata Stuart

Renata Stuart tem 28 anos e é mineira, de Belo Horizonte. Se não fosse comunicóloga, seria psicóloga. Gosta de se jogar, e mergulhar nas intensidades da vida. Nas palavras, encontra uma forma de colocar pra fora seu olhar sobre a vida! Escreve sobre o que sente, o que vê, o que ouve ou o que der vontade.

3 Responses to Distância, fique longe de mim!

  1. Rosely Stuart

    E falando em distancia já estou com saudades minha morena…te amo!!

  2. Ingrid

    Simplesmente adorável e real.Parabéns por usar as palavras da forma que as usa.Suave, serena e direta.Adorei o site.Leitora fiel 🙂

    • Renata Stuart

      Oi, Ingrid! Obrigada pela visita!
      Fico muuuito feliz que tenha gostado da crônica e do blog!
      =]
      Volte sempre! E mande sugestões de temas!
      Beijos,
      Renata Stuart

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