Reflexão

Que a nossa fé seja maior que o nosso medo

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Agora são 19h e, com 88% das urnas apuradas, Bolsonaro lidera. Da janela do meu quarto, ouço fogos, muita buzina e gritos comemorando na rua. Aqui dentro, um silêncio que machuca. É como assistir a uma tragédia e não poder fazer nada. Estamos diante de um marco assustador na história recente do país. É a maior ameaça à democracia desde a ditadura. E tem muita gente feliz com isso. Não, eu não consigo entender, me desculpe a “ignorância”, como vi alguns dizendo no Facebook: “Lamentável ver pessoas tão inteligentes votando no PT.”

Bom, se sou ignorante, devo ter entendido as aulas de história errado. Neste momento, só consigo me lembrar das aulas com o professor Wellington,  já falecido,  onde aprendi claramente sobre as características do fascismo, um sistema antidemocrático, em que há a crença de superioridade de alguns sobre outros, e onde nenhuma crítica ao governo pode ser tolerada. Um nacionalismo exacerbado (“Brasil acima de tudo”), a postura de heroísmo, a promessa do “sonho”, e, claro, o militarismo, são outros traços claros deste sistema.

E agora, em 2018, eu que achei que jamais veria isso acontecer no século XXI, estou presenciando a liberdade de expressão ruir, bem na minha frente. Me vem a mente também uma frase que ouvi do William Bonner, em uma palestra dele, na UFMG: “Para entendermos melhor o presente e o futuro, precisamos saber do passado. Estudem história, estudem história o máximo que puderem.” No entanto, o que está acontecendo hoje, dia 28 de outubro de 2018, me mostra que não fizemos o dever de casa. Não estudamos história tanto quanto deveríamos. Ou se estudamos, não levamos tanto a sério o genocídio dos povos indígenas, a escravidão, o holocausto, e os horrores da ditadura.

Posso estar errada, mas não me lembro de nenhuma eleição com tamanho fanatismo. Inclusive agora, vendo a comemoração, vejo as pessoas encarando algo tão sério como uma partida de futebol. Um fanatismo que cega, e muito me lembra um filme chamado “A Onda”, que mostra, através de um experimento, os pilares de uma autocracia ditatorial e fascista e a irracionalidade com que os seguidores do ‘líder’ agem. Alguns dirão que essa comparação é um exagero, afinal o neofascismo é mais discreto, mais “velado”. No entanto, está nos detalhes e só não enxerga quem não quer ver. Bolsonaro, durante toda a sua campanha, fez um gesto que faz apologia à arma. E tem gente reproduzindo isso nas ruas! Sim, armas. Em um mundo em que já existe violência demais. Em um mundo em que a gente já vive lutando pelo amor, pela igualdade, pelo respeito, pela diversidade.

Não, não entra na minha cabeça como o desespero por mudança pode levar pessoas a elegerem um homem que já declarou abertamente que mulheres são inferiores, homossexualismo é falta de “coro”, que seus filhos não se envolveriam com negras pois são bem educados, e que já demonstrou inúmeras vezes total desrespeito com nordestinos, pobres, indígenas e quilombolas. Um homem que já disse a outra mulher, na frente das câmeras, quase a agredindo fisicamente, que ela não merece ser estuprada por ele.

Enfim, eu poderia gastar esse texto inteiro só listando as citações mais nojentas deste homem, mas não é esse meu objetivo.  Eu quero sim mudanças e acho que um partido há 16 anos no poder é algo totalmente contrário ao conceito de democracia, especialmente um partido tão sujo e corrupto – ao qual eu nunca fui a favor. Mas eu também sei que é no desespero que fazemos as piores escolhas. E o mundo que eu quero não se assemelha em NADA com este homem, agora, com as urnas 100% apuradas, Presidente do Brasil. Um homem que, durante toda sua campanha, só fugiu dos debates. E isso, para mim, já seria um único motivo para não votar nele. Um presidente que não promove o diálogo? Como terei voz para cobrar melhorias?

Quando paro e penso no fato inédito de ver partidos rivais do PT demonstrando apoio ao Haddad, consigo perceber que essa eleição não foi uma eleição comum e que o que estava em jogo vai muito além do partido A ou C. Mas, infelizmente, nem todos pensam assim. Eu ouvi, inclusive, coisas – que para mim são absurdas –  como: “Tudo bem ele ter um discurso fascista, o que importa é o que ele fará para o país”. Bom, não consigo vislumbrar o que faz dele alguém capaz de salvar o país. Eu o vejo apenas como um extremista e estrategista que soube surfar muito bem na onda no antipetismo. O que o elegeu não foi, nem de longe, sua capacidade, mas sim o desespero das pessoas para acabar com a corrupção que há anos assola nosso país. O que poucos sabem, no entanto, é que o antigo partido dele (PP), é ainda mais corrupto que o PT. Mas isso não conta, né? O que importa é “tirar o PT”, custe o que custar.

Só espero, de coração, que essa conta não seja tão alta. E apesar de ter “perdido” essa luta, tenho orgulho do lado em que eu estava, ou melhor, o lado que eu NÃO estava. Agora, só me resta elevar minhas esperanças em Deus. Prefiro acreditar que essa onda de neofascismo que assola o mundo tenha, de alguma forma, a missão de nos ensinar e nos evoluir, ainda que pela dor.

Mais ainda: eu desejo que não haja dor, apenas amor.  Desejo estar enganada sobre quase tudo que escrevi aqui e desejo ver o Brasil tendo o tão sonhado avanço que todos buscam, sem a disseminação do ódio, sem a instalação do medo, e sem ver o discurso do preconceito ainda mais materializado na atitude do povo brasileiro. Acima de tudo, desejo que nós possamos ser capazes de construir o nosso próprio futuro, com dedicação, pensamentos positivos e amor ao próximo, independente de quem lidera o país.

 

Por Renata Stuart

Para aquelas que buscam um amor!

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | Leave a comment

Ei, moça ! Eu sei o que você busca. Tudo o que você queria era alguém pra dividir sonhos, medos e bobagens. Alguém pra te motivar e te amar do jeito que você é. Algo simples, real e leve. Acertei?! E se eu te disser que sua busca terminou, porque essa pessoa existe e está bem aí, dentro de você ?

Sim, você! Ninguém vai te amar mais do que você mesma. Está entendendo? Já tentou se conhecer mais? Se agradar mais? Me conta, do que você gosta de fazer sozinha? O que te move diariamente? Quem é você quando ninguém está vendo? O que te dá prazer? Pare de se esconder de si mesma, sempre querendo ter alguém. Antes disso: tenha a si mesma. Conheça-se! Explore-se. Descubra-se. Ame-se. Faça aquele esporte que você tem curiosidade! Pole dance? Crossfit? Yoga? Corrida? Sei lá. Matricule-se naquele curso. Inicie um hobby novo. Viaje sozinha. Dedique-se em algo para você, apenas para você. Descubra o que te encanta. Descubra também o que te dá medo. E enfrenta! Teste seus limites. Veja o quanto você é forte. Cuide-se. Valorize-se. Como ninguém nunca fez igual, nem nunca vai fazer. Você é tua, e quem tem que garantir seus sorrisos diários é você mesma. Ninguém deve carregar a responsa de te fazer feliz, essa tarefa é sua! Então, vai e faça bem feito! ❤ Prometo que vai valer a pena! Daí, quando o amor aí dentro de você nascer de verdade, você estará muito mais pronta para dar e receber amor. Amar para somar, e não amar por precisar!

 

Por Renata Stuart

Momentos da vida real que perdemos para a vida virtual

Posted on by Renata Stuart in Episódios, Reflexão | Leave a comment

No último domingo, eu acordei e decidi dar uma volta na Lagoa da Pampulha. Quando eu digo “volta”, não quero dizer que completei os 18km em torno da lagoa – não estava tão disposta assim – mas fui fazer uma caminhada de leve e pegar um ar fresco. Quando estou sozinha, gosto de ouvir música e olhar pras paisagens, pessoas e animais com os quais eu cruzo. Pessoas sorrindo e pedalando, homens atléticos correndo, idosos se movimentando em busca de uma vida saudável, gringos fotografando as capivaras, e até a lamentável sujeira da água. Mas uma cena em particular me chamou a atenção.

Um bebê, de 1 ano e alguns meses, aparentemente dando sua primeira voltinha na lagoa da “pampuia”.(como eu costumava chamá-la quando era criança). Era nítida a alegria dele, andando de um jeito tão engraçadinho como quem havia aprendido a dar os primeiros passos recentemente. Eu fiquei olhando praquela fofura e ele sorriu pra mim com os olhinhos. Parecia estar todo orgulhoso de sua caminhada independente (claro, com sua mãe o seguindo logo atrás, pronta para impedir qualquer tropeço). Foi quando ela o disse: “olha o papai vindo ali!” O pai vinha na direção contrária, de frente pra ele, que rapidamente se apressou e abriu ainda mais o sorriso, como quem dizia: “Olha aqui, papai.”

Eu, que caminhava devagar para acompanhar a cena, estava já na ansiedade de ver o olhar do pai se encontrar com o dele. Continuei olhando e nada. O pai estava com a cabeça baixa, mexendo no celular. Nesta hora eu já havia passado deles e estava andando com a cabeça virada pra trás, na esperança de que ele ia sim tirar os olhos da tela e ver aquela cena fofa e única que estava bem em sua frente. Nada. Não deu tempo. Ele perdeu aquele momento. O garotinho logo se dispersou e o rostinho empolgado desapareceu.

Queria ter gritado: “presta atenção no seu filhinho todo feliz chamando a sua atenção!”. Ao invés disso, só fiquei refletindo. Quantas vezes perdemos momentos reais por estarmos de olho aqui, no mundo “online”? Quantas coisas belas nós provavelmente já deixamos de ver porque tinha algo roubando nossa atenção na tela? Quantos casais se sentam na mesa de um restaurante e passam boa parte do jantar no whatsapp, instagram? Quantas vezes perdemos a apreciação de uma vista ou um lugar novo por estarmos mais preocupados com a “Selfie”? Quantas vezes estamos em um grupo de amigos e perdemos tempo conectados aqui, ao invés de estarmos conectados lá, pessoalmente, com quem gosta da gente?

Enfim, fica a reflexão para que não sejamos como aquele pai, que perdeu a bela oportunidade de registrar, com os olhos, uma cena real, linda e pura que certamente não se repetirá. E mesmo que se repita de certa forma, não será a mesma. Cada momento é único, singular e especial.

 

Por Renata Stuart

Precisamos falar sobre relacionamento abusivo

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Mulheres são agredidas física e psicologicamente todos os dias no Brasil. Para citar apenas dois casos – são milhares – tivemos o triste caso da advogada que foi morta pelo namorado após ser espancada em seu prédio, cerca de dois meses atrás. As imagens chocam e revoltam a qualquer um. Na última semana, foi o caso da mineira Melissa Gentz, de 22 anos, que, após ser agredida pelo namorado, divulgou sua história nas redes sociais contando detalhes de como seu namorado a tratava até chegar na agressão física. Os sinais de que aquilo não era amor estavam ali desde o início, mas ela não pôde ver. Por quê? Porque não é algo simples de se perceber. O controle, a manipulação e os insultos se misturam com alguns momentos muito bons, e é preciso ter inteligência emocional, autoestima e coragem para sair desse ciclo.

Relacionamento abusivo. Esse tema precisa ser mais abordado. Você, com certeza, mesmo sem saber, conhece alguém que já esteve em um relacionamento assim, ou conhece alguém que está passando por isso e ainda nem se deu conta. Talvez a pessoa até sabe o que está enfrentando, mas não consegue sair. Sim, isso é muito comum também. Nestes casos, o abuso psicológico é tão forte a ponto de manter a pessoa ali, mesmo que aquilo esteja lhe trazendo mais tristeza que alegria.

Ao longo deste texto, vou seguir tratando a palavra ‘abusador’ no masculino, mas que fique claro que o causador do abuso também pode ser a mulher. Os abusadores estão em toda parte. Está naquela menina doce da voz meiga que você conhece, que trata o namorado feito um lixo, ou naquele cara legal e de boa família, que quando se relaciona com alguém tem a necessidade de controlar, usar e manipular.

Há diferentes níveis de abuso. As pessoas tendem a falar mais do abuso físico, pois esse, de certa forma, não deixa dúvidas, afinal a prova está ali. No entanto, o abuso físico é o último estágio de um relacionamento abusivo. O abuso psicológico é tão agressivo quando o físico.

Começa com uma crítica sutil, ou uma brincadeira “você é louca” ! Daí vai para uma ofensa “você é uma idiota”, “você só fala merda”, evolui para uma ameaça, “se você não mudar, vai acabar com nosso relacionamento”, um grito (!!!), uma chantagem emocional aqui e outra ali, desvalorização “você é uma pessoa muito difícil, não vai achar ninguém que te suporte como eu suporto”, e muita culpa “você faz tudo errado, a culpa é sua” e por ai vai. Na maioria das vezes, ninguém vê isso. Perto dos outros, ele te trata como uma princesa. Nas redes sociais, é felicidade que não cabe nas fotos.

Há alguns casos de controle e ciúme excessivo, em que o abusador te trata como posse e te afasta dos seus amigos, inclusive os criticando, “aquela sua amiga é falsa”, “eles não gostam de você como eu gosto”. Às vezes, o abusador cria ainda situações para testar até onde vai o seu autocontrole e, se você cair na dele, ele terá o prazer atingido ao dizer “está vendo, você é uma louca”. Sim, ele quer te fazer perder o controle. Ele irá dizer coisas que você não é ou que você não fez, só pelo prazer de ver você se defendendo, se explicando, se remoendo. No começo do relacionamento, ele dizia que a ex era louca. Hoje, acredite, a “louca” é você. Aliás, está aí um dado: a frase “ela é louca” é uma das mais ditas por um abusador, quase que um alerta vermelho que expõe quem ele é! Por isso, toda vez que você ouvir alguém dizendo isso, duvide e se questione. Você não conhece o outro lado da história.

Sem mais delongas, o que eu quero dizer com esse texto se resume em algo simples: limites!
Impor limite é determinante para evitar que as coisas piorem. A gente só aceita o tratamento que acreditamos merecer. A cada vez que você aceita o que te faz mal você está se anulando e, ao mesmo tempo, criando um “monstrinho”, que vai se achar no direito de te tratar da forma que bem entender. E assim, resultado em humilhação, as vezes traição e, infelizmente, até agressão.

Por isso, eu digo:

Ao menor sinal de falta de respeito, fuja.
Ao menor sinal de agressividade, fuja.
Ao menor sinal de falta de empatia, fuja.
Se ele não fica feliz por suas conquistas, fuja.
Se ele te diminui para se sentir melhor, fuja.
Se ele faz joguinhos para te deixar mal, fuja.
Se ele te pune com silêncio passivo-agressivo, fuja.
Se ele te coloca pra baixo, fuja.
Se ele te deixa confusa, triste e se sentindo culpada, fuja.

Relacionamento foi feito para ser saudável. Você precisa de alguém que te coloque pra cima. Que torça por você. Que te motive. Que te inspire. Que valorize seus reais sentimentos. Defeitos todos temos, mas é preciso claramente definir seus limites e entender os “defeitos” que você está disposta a aceitar. Nenhum relacionamento vale a sua saúde emocional, o seu amor próprio e a sua paz interior. ❤

Se esse texto te fez lembrar do seu relacionamento, fuja.

E, se conseguir fugir, seja grata a Deus por esse livramento!

 

Por Renata Stuart

Sobre lugares onde deixamos um pouco de nós

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Já faz um tempo que te deixei. Acho que desde esse dia, eu tentei ligar o piloto automático e não olhar muito pra trás. Tentei observar ao meu redor e curtir as coisas, pessoas, lugares e sensações das quais eu andava afastada a algum tempo. Decidi me reinventar, recomeçar e guardar você numa caixinha dentro do meu coração. Guardei bem, para não ficar remexendo e lembrando, afinal, a vida tem que seguir. Enfiei a cara na rotina, no trabalho e na correria. Mas, hoje, não resisti: eu abri essa caixinha e deu uma puta saudade de você. Sim, você, minha querida Dublin. Essa cidade que me acolheu de setembro de 2015 a janeiro de 2018. Sinto falta da leveza que é andar pela rua do Spire nos fins de tarde, contemplando os músicos e artistas sorridentes, o céu naquele tom laranja vívido (quando não está nublado por algum milagre) e, claro, a olhadinha básica nas vitrines para conferir se tem alguma oferta imperdível. Sem falar do início da noite na Grafton Street, com aquela luz charmosa e uma atmosfera única. Um chocolate quente, um malabarista de fogo dando show na esquina e pessoas indo e vindo, pessoas vivendo, sem pressa, sem estresse e sem serem escravas do trabalho. Subir aquela rua e dar de frente com o parque Stephen’s Green, meu favorito, era um prazer bobo e genuíno. Sinto falta daquele sol fake que, na real, não esquenta nada, mas renova as nossas energias de um jeito inexplicável. Sinto falta do vento gelado, que apesar de doer na pele, é meio que um afago da cidade, seu jeito estranho de demonstrar carinho. Sinto falta das pontes que compõem todo o rio Liffey de uma forma tão harmônica. Dos pássaros brancos, chamados “seagulls”, que estavam logo cedo dando bom dia no centro da cidade, quase sempre tentando roubar o croassant que tinha nas mãos. Sinto falta da sutil Ha’penny Bridge, que dava passagem para a incrível energia que emana do Temple bar. Ah, o Temple bar. Um lugar vivo, onde o frio é esquecido diante de tanto calor humano. Falando nele, sinto falta até do frio, que era combatido com louvor ao entrar em qualquer lugar fechado, graças aos heróis aquecedores (o que seria de nós sem eles?). Sinto falta da sensação de pedir uma pint, ainda de uniforme e exausta, após um dia longo de trabalho. Sinto falta de fazer amigos em qualquer esquina. Sinto falta da liberdade e da simplicidade. Mas, tudo bem, não se preocupe, querida, eu estou bem. Foi apenas uma nostalgia, sabe? Hoje, pela primeira vez desde que voltei, senti uma falta danada, e caiu a ficha do quão rápido tudo passou, do quanto você significou para mim e definiu parte do que sou hoje. Uma saudade gostosa, uma gratidão, um sentimento de privilégio por ter tido a oportunidade de viver nesta ilha incrível. Ah, Dublin, só quem te conhece – de verdade – sabe do que estou falando. 

Por Renata Stuart

 

Foto: Oliver Sherratt

Sexo bom precisa ter alma

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

 

Gosto do toque sutil, gosto da pegada ousada, gosto da respiração ofegante.  Mas se não tem alma, meu bem, não tem tesão. Que culpa tenho eu por ter um coração pulsante. Sexo bom para mim não pode ser só físico.

Não comece tirando a minha roupa sem antes desnudar a minha alma. Sim, antes de conhecer meu corpo, procure conhecer quem habita dentro dele.E se não te interessa explorar o território do meu ser, dê meia volta.
Não estou pedindo juras de amor, e muito menos declarações. Não sou mais ingênua a ponto de achar que o sexo só é bom quando envolve amor. Não é disso que falo. Falo daquela afinidade que começa fora da cama. Sabe? Para mim, é preciso de um pouco mais que vontade momentânea.

Nada contra quem é a favor do sexo casual.  Mas preciso mais do que apenas o desejo puramente sexual.  Necessito de um mínino de envolvimento. O olhar tem que ser de verdade. As palavras precisam ser naturais. Boa conversa, entende?  A admiração – ainda que singela – em ambas as partes, precisa entrar em cena. É preciso mais que um corpo bonito para me atrair a quatro paredes.

Meu prazer começa bem antes de ir para a cama, meu prazer começa nas sutilezas. São detalhes que me levam a querer me entregar a alguém. Um jeito de falar, um olhar, uma atitude, um gesto. Uma sintonia. Um riso verdadeiro. Sexo é troca intensa de energia. E não, não estou disposta a absorver as vibrações vazias de quem só tem olhos para o que é visível e superficial.

Careta? Talvez. Mas é assim que sou. Que culpa tenho se não aprendi a separar corpo de alma. Não sei me entregar pela metade. E não me contento com as migalhas de um sexo sem alma.

Por Renata Stuart

Sobre morar longe da família

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

largeNada preenche o vazio do silêncio após desligar, com dificuldade, a ligação do skype. A janelinha da webcam se fecha, as risadas e os milhões de beijos enviados se calam e dão lugar à realidade: eu não estou mesmo lá. Eles não estão mesmo aqui, embora parecesse a minutos atrás. A tecnologia ajuda muito, diz meu pai. Sim, ajuda, mas passados os minutos (as vezes horas) da ligação – com assuntos intermináveis – é cada um por si. A vida segue dos dois lados. Já não sei do que estão falando neste minuto, como também não sei o que é que está fazendo minha irmã dar risadas na sala, o que minha mãe está planejando fazer para o jantar, ou o que meu pai está assistindo na TV. Não sei da festa que eles provavelmente devem ter para ir num fim de semana próximo. Não sei qual foi o momento mais divertido da última viagem em família. Não sei muitas coisas. Mas sei que esse “não saber”, assim como todos os momentos que deixo de viver com eles, são partes inerentes a isso tudo. Não tem jeito. Para se permitir algo muito bom, as vezes é preciso suportar algo muito ruim. Cada escolha, uma renúncia. Por mais que doa. Doer faz crescer. E assim vou aprendendo a viver e brincando de ser gente grande.

 

Por Renata Stuart

 

Carta ao novo intercambista

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

bigstock-Traveler-silhouettes-at-airpor-52479226-1024x682

Olá, novo intercambista!
Bom, vou direto ao ponto.

Às vezes você vai surtar. E irá se perguntar porque está do outro lado do mundo trabalhando pesado, dividindo quarto e talvez até passando por certas dificuldades…sendo que a vida era tão mais “fácil” lá, na sua ZONA DE CONFORTO, no seu país.
Mas é bem assim: tudo INTENSO, ambíguo e as vezes meio sem sentido. Sim, em alguns dias você vai acordar desejando estar em casa. E no mesmo dia, vai dormir querendo morar aqui pra sempre. Louco, né?! Nada, bem normal por aqui.

É possível que você (embora não deveria) se apaixone algumas vezes. Mas daí você vai se dar conta de que aqui tudo VAI e VEM de forma rápida. Tudo parece ter uma proporção maior do que realmente é. Dai você – felizmente – irá descobrir que não era paixão, e sim carência. Não confunda, ok?!

Você vai superar seus LIMITES e descobrir que é mais autosuficiente que pensava. Você vai sentir muita SAUDADE, muita mesmo. Mas, de alguma forma, vai aprender a lidar com ela. Vai amar a LIBERDADE e se viciar nela. Vai perceber que o mundo está lá fora a sua disposição e nada te impede de explorá-lo. Vai descobrir que não precisa de todo aquele materialismo pra ser FELIZ. Colecionará mais MOMENTOS, e menos bens. Vai concluir que o verbo da felicidade é o “CONHECER”: lugares, pessoas, culturas e, claro, a SI MESMO.

Falando em conhecer pessoas, prepare-se: você vai fazer amizades preciosas. As vezes da noite pro dia. Sim, só quem vive essa experiência entende a força das relações que construímos por aqui. Você está sim, SOZINHO e, ao mesmo tempo, RODEADO. É incrível como, estando longe dos nossos queridos, acolhemos uns aos outros com todas as garras. É a FAMÍLIA que você escolhe – ou talvez o destino te oferece. O que nos fazem tão próximos? Os mesmos receios, as mesmas sensações e aprendizados. A melhor parte é essa – não economize, faça muitos amigos!

Você vai viver EXPERIÊNCIAS surreais e enriquecedoras! E talvez não perceba isso até que tudo passe, pois a ficha as vezes só cai quando nos distanciamos. Até você se ver contando casos para amigos, e se dar conta de quanta história você viveu em tão pouco tempo. Ah, falando em TEMPO, ele voa por aqui. Numa velocidade bem maior do que para aqueles que te esperam voltar.
Enfim, o resto você vai descobrir por si mesmo! Bem-vindo! Aperte os cintos e aproveite cada minuto. 🙂

Por Renata Stuart

Recipro{cidade}: onde mora o amor próprio

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

20170214_090803Reciprocidade. Essa é a palavra de ordem que tem regido minha vida.
Dar atenção a quem me dedica seu tempo. Retribuir cuidado a quem me oferece carinho. Importar-se com quem se preocupa comigo. E não, não se trata de egoísmo, mas sim de amor próprio. Talvez um mecanismo de defesa pra sobreviver nesse mundo onde nem sempre (quase nunca)recebemos o que damos.

A premissa é básica: quem quer arruma um jeito, quem nao quer, arruma uma desculpa. Se pra vc tanto faz, por que tenho que fazer questão? Afinal toda relação humana para ser saudável, precisa ser uma via de mão dupla.

Portanto, se quer um conselho, não insista, não mendigue atenção. Se você precisa se esforçar para que o outro te enxergue, esse olhar já não vale a pena. Se o diálogo começa a virar monólogo, cale-se. Prefira a solidão do que uma companhia forçada, conveniente. Queira apenas aquilo que vem de graça, de forma espontânea. Entenda que quem realmente quer estar com você, se vira. Tempo é uma questão de prioridade. Amizade não se cobra, amor não se pede. Simplesmente acontece. E de fato, nenhuma relação vai pra frente sem o esforço de dois.

Aprendi que a gente trata o outro exatamente como gostaria de ser tratado. Mas, como tudo na vida, é preciso equilíbrio. Como uma partida de tênis , se a bola nao volta, não tem jogo. Simples assim. Como diz o ditado, “quando um não quer, dois não brigam.” E nem adianta insistir, brigar sozinho é péssimo. A cada vez que você corre – incessantemente – atrás do outro, você está – gradualmente- afastando-se da própria dignidade.

E não se trata apenas de receber. O inverso funciona igualmente. Reciprocidade é também não fazer ao outro aquilo que você não gostaria que fosse feito a si mesmo. É ter empatia, aquela capacidade de se colocar no lugar do outro. É acreditar na tão falada “lei do retorno.”

E assim segue o ritmo, incluindo todos aqueles clichês: Se você deseja o bem, o bem te deseja também. Você atrai o que emana. Gentileza gera gentileza. Você colhe amanhã o que planta hoje. No fim das contas, tudo se resume em uma coisa: reciprocidade. Que sejamos recíprocos, minha gente, gastando energia apenas com quem realmente vê o valor da gente.

Por Renata Stuart

Sobre ser e reapreender a ser solteira

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

205391_3678821287142_986835842_n_largeJá dizia o sábio Freud: “como fica forte uma pessoa segura de ser amada”. Sim, sentir-se especial a alguém faz bem a qualquer um. Ter alguém que realmente se importe. Alguém que pergunte – com real interesse – como foi o seu dia. Alguém para desejar boa noite. Não dá pra negar, tudo isso deixa a vida mais leve. No entanto, nem sempre temos o privilégio de ter encontrado alguém que mereça tal posto em nossas vidas, uma “metade”, como dizem por aí. Acontece mais cedo para alguns, mais tarde para outros. Ou acontece várias vezes para a mesma pessoa, afinal viver é mesmo uma questão de tentativa e erro. Mas o fato é: as vezes não tem ninguém. Nenhuma ligação perdida, nenhum emoticon de coração, nenhum aconchego a dois embaixo das cobertas. Você está sozinha, ou melhor, solteira. E apesar de estar longe desse alguém que ainda não apareceu, você nunca esteve tão perto de si mesma.

Sim, ser solteira é um autoaprendizado. Você passa a ouvir mais a voz ali dentro de você. Ser solteira – especialmente após namorar anos a fio – é redescobrir os próprios gostos. É perceber aquilo que realmente te envolve, o que te move. Ter mais tempo para si mesma. É de repente perceber que você tem uma sintonia com a corrida, a bike ou a aula de zumba. É encontrar prazer em cozinhar ouvindo sua playlist de músicas acústicas. É cuidar mais de você, fazendo pequenas coisas como tirar aquela manhã de sábado para fazer a hidratação capilar que você vem enrolando a séculos. É se jogar na pista e perceber que você simplesmente ama dançar consigo mesma. É colocar uma mochila e se aventurar fazendo uma viagem sozinha àquele destino que você tanto sonhou.

Ser solteira é também reinventar-se. É aprender – ainda que na marra – que é possível encontrar diversão sozinha em pleno sábado à noite. Pois nem sempre tem aquela festa ou balada programada e suas amigas nem sempre estão disponíveis. É reafirmar sua autonomia. Você decide o sabor da pizza – e o melhor: ela é toda sua. De companhia, uma taça de vinho, um filme, a família ou amigos e boas risadas. Você quem decide. Você faz o roteiro do seu final de semana, e também o caminho de volta pra casa no final da festa.

Ser solteira te faz mais experiente e, consequentemente, mais realista. Em meio a tantos caras que claramente colocam ‘quantidade’ acima de ‘qualidade’ – ou seja, querem várias e nenhuma ao mesmo tempo – você aprende a se iludir menos, a criar menos expectativa e a ser menos romântica. Sim, pois a vida não é um conto de fadas e as vezes – mesmo te achando “da hora” – ele só quer o momento. E, falando sério, as vezes ele só vale o momento também. Nada mais. E tudo bem, você aprende – ou pelo menos tenta – a curtir o tempo chamado “agora” e a ser dona de suas escolhas. E do seu corpo.

Ser solteira te faz uma mulher mais forte. Você se torna mais independente e começa a ver que você é a única responsável pelo seu bem-estar ou pelo seu baixo astral. Que a vida não se resume em ter um romance e que sua felicidade é muito preciosa para depender de outro alguém. Em tese, ser solteira é perceber que, no fundo, ninguém PRECISA de ninguém. Nos rodeamos de pessoas não por necessidade, mas porque isso deixa a vida melhor.

Afinal, ser feliz é algo que ocorre de dentro pra fora. Não há como extrair felicidade do meio externo se o meio interno não anda bem. E aí, parafraseando Freud, ouso dizer: “como fica forte uma pessoa que ama a si mesma”.

Então, quando a hora chegar, você vai perceber que não, você não quer uma metade! Mas sim alguém também inteiro, para transbordar com você.

Por Renata Stuart