Resenhas


Um filme, um livro, uma peça de teatro. Em Resenhas, você encontra resumos críticos sobre qualquer obra que vi e resolvi compartilhar. Nada de abordagens técnicas e repletas de conhecimento, escrevo não como especialista, mas como leitora e espectadora.

Seja bem - vindo


O Atelier de Palavras é um espaço para compartilhar palavras por meio de textos, crônicas, pensamentos, reflexões, poesias, desabafos e tudo o que as palavras têm o poder de construir. Obrigada pela visita e espero que você goste, participe nos comentários e  volte sempre!  

Reflexão


Em Reflexão , você encontra textos sobre assuntos diversos. É uma pausa. Uma pausa para refletir sobre a vida, sobre as pessoas, sobre os sentimentos, sobre o tempo, sobre tudo e mais um pouco. 'Penso, logo escrevo'. 

Textos de Amor


Em Textos de Amor, você encontra palavras sobre amor, paixão, saudades, relacionamentos, dor, perda, desejos, e todas as sensações provocadas por essa palavrinha mágica, de apenas quatro letras. 'Sinto, logo escrevo'.   

Desabafos


Em Desabafos,  você encontra palavras que já não cabem mais no coração e na mente e, precisam, ser externadas por meio da escrita. Espaço de soltar o verbo, criticar, gritar, opinar..enfim, desabafar.  'Escrevo, logo alivio a alma'. 

Entre Aspas


Em Entre Aspas, você encontra palavras de diversos autores. Tanto palavras de autores renomados, que todos conhecem, quanto palavras de outros blogueiros. Caso queira ter suas palavras expostas nessa tag, entre em contato com o atelier. 'Gosto, logo reescrevo'. 

Reflexão

Não quero virar a página, quero um novo livro.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | Leave a comment

livrosVirar a página é pouco. Decidi que quero um novo livro. Sim, pois a vida é muito curta para perder tempo lendo um livro que não te extasia, que não extrai o melhor de você, que não te tira da realidade de vez em quando.  Quero me reinventar, me reescrever, me republicar.

Não que os livros velhos perderam seu valor. Cada leitura tem sua importância e todas elas ficam para sempre guardadas na estante da vida. Cada livro lido no passado interfere nas interpretações que faremos dos próximos. As experiências de ontem formam o que somos hoje. E isso é parte da vida.

Mas às vezes é preciso se desapegar de velhas páginas, velhas histórias e velhos caminhos que já não nos levam a lugar algum. E não, não é fácil se desapegar do livro de cabeceira. Não é tão simples abandonar o comodismo, abrir mão estabilidade e se jogar no escuro. É preciso coragem para se sujeitar ao erro. É preciso ousadia para se colocar diante do vazio das páginas em branco. É preciso força para enfrentar a interrogação do amanhã incerto.

E se eu me arrepender? Bom, esse é o preço que as pessoas intensas pagam. Se  arrepender, siga em frente. Sempre existem novas possibilidades e novas descobertas te esperando lá fora. Portanto, aceite as consequências e simplesmente continue, um dia após o outro.

Antes que você pense que as pessoas intensas são inconsequentes e não pensam nos efeitos de seus atos, alto lar: Nós pensamos, e muito, antes de tomar qualquer decisão, mas a conclusão é quase sempre a mesma: “prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que não fiz.” Então a gente mergulha e encara as próprias escolhas de cabeça erguida. Para nós, não há nada pior do que um lamentável  “como seria SE eu tivesse tentado”.

Nada contra quem se resigna diante da vida, não se arrisca e se contenta com aquilo que tem pelo simples medo de não poder ter algo melhor. Os intensos precisam de mais. Como eles se entregam por inteiro, eles não aceitam metades e não se conformam com menos do que acham que merecem ter.

E esse “mais” que as pessoas intensas buscam nem sempre está em outro alguém.  Elas  têm amor próprio e adivinhe só?  Preferem estar sozinhas do que receber migalhas do outro. O “mais” também pode estar na liberdade, no prazer da própria companhia, em um novo projeto, uma viagem, ou até mesmo na emoção de não saber o que nos espera no final do livro. Sim, pois, a cada esquina, tudo pode mudar.  Um novo lugar. Um novo olhar. Um novo sentido. Tudo, a qualquer momento, pode representar o início de um novo capítulo e, quem sabe, um novo livro que mereça estar em sua cabeceira.

E aí, quando a gente sente – de dentro pra fora – que vale a pena abrir mão da solidão agradável, a gente se entrega e se embarca em uma nova história, com mais sabedoria e talvez menos expectativas, mas sempre com o mesmo objetivo: ser {intensamente} feliz!

Por Renata Stuart

Mais essência, por favor.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

tumblr_lbuv0uxJL91qdi5sco1_500

Aprendi que as melhores coisas de se ouvir – e as mais verdadeiras- são ditas ao pé do ouvido, olho no olho, no reservado. A cada dia, observo a vida, as contradições entre palavras e atitude, e concluo: dispenso as falsas exposições. Eu, que sempre fui intensa e exagerada (daquelas que têm vontade de colocar a boca no mundo pra falar o que está sentindo), decidi que prefiro a simplicidade da essência.

Prefiro a leveza de um silêncio que diz tudo. Prefiro a sutileza de um sms exclusivo e inesperado (sim,   mesmo em tempos de whatsaapp. Por que não surpreender?). Dispenso a hipocrisia e as falsas declarações públicas. Status do dia? Cansada. Cansada dessa disputa pra ver quem é mais feliz. Cansada de quem se esquece do “ser” e se contenta com o “parecer ser”. Prefiro um gesto sincero ou uma prova de companheirismo no dia a dia do que uma marcação numa postagem que pouco reflete a realidade. E, acredite, sempre tem alguém que conhece a verdade além da web.

Quem nunca sentiu náusea quando abriu o facebook e se deparou com a foto de duas “amigas” que todo mundo sabe que falam mal uma da outra nas costas? Quem nunca lamentou a fotinha romântica do casal infiel? No fim das contas, a vida real tem mais a ver com “inbox” do que com “time line”. Tem mais a ver com o que você faz, não com o que você fala.

E não, nao vou parar de postar sobre a minha vida e não estou dizendo que alguém tem que fazer isso. Registros são sempre bons e compartilhar é algo inerente à era digital. Mas é preciso limite e bom senso. Limite porque nem tudo é publicável. Há quem não se permite viver sem um “share”. E bom senso pra entender que o que faz de vocês um casal feliz, uma família especial ou amigos inseparáveis não é o que está estampado nas mídias sociais. Isso é apenas um rótulo. O que importa mesmo está nos bastidores,  está nas entrelinhas, está no que ninguém vê. Está naquela cumplicidade e naquele sentimento  que é “compartilhado” (no sentido off line da palavra) só por vcs.

 

Por Renata Stuart

22 de maio – Dia do Abraço

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

largeAhh…o abraço.

Nada como estar dentro de um abraço sincero.

Envolvida em uma energia gostosa, pura e acolhedora.

Só os fracos e insensíveis desconhecem o valor de um abraço.

No beijo, existe sedução e mistério. No abraço não. E isso que é mágico: o abraço nos deixa “nus”, transparentes, e revela o que está oculto, denuncia aquilo que não é dito. É um silêncio de entrega e confissão.

Mas assim como um beijo, um abraço de verdade exige sintonia.

Não acontece com qualquer um.

Um abraço tem a incrível capacidade de paralisar o tempo.

Ele é o único momento em que temos dois corações no peito.

Um abraço transmite emoções, mata o frio e alivia dores.

Ele faz o coração bater mais forte e, ao mesmo tempo, acalma a alma.

O abraço foi o gesto que inventaram para que possamos dizer MUITO sem dizer absolutamente NADA.

Um abraço apertado revela a urgência de quem se despede desejando ficar.

Um abraço sutil revela a paz de quem encontra bem estar na companhia do outro.

Muitas vezes, só damos o devido valor ao abraço quando não podemos mais ter o abraço de alguém.

Devo confessar: eu sou uma viciada em abraços.

Feliz Dia do Abraço! 

Por Renata Stuart

A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

sorriso

Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

Coragem embriagada

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

large (2)

Algumas pessoas têm uma relação no mínimo estranha com o álcool. Eu bebo socialmente, gosto de sentar para conversar e beber com os amigos. Seja vinho, cerveja ou destilados, o álcool parece deixar a alma mais leve, o ambiente mais descontraído, e as preocupações mais distantes. (tudo ilusão).  Sem hipocrisia,  já exagerei na dose sem perceber que estava no meu limite e, sim, dei vexame. Quem nunca? Rss..Não, essa não é uma reflexão sobre alcoolismo. Pudera eu falar sobre esse problema sério que atinge boa parte da população. O fato que me assusta e me aflige é outro: há quem precise dessa substância no sangue para simplesmente SER. Ser em essência, de dentro pra fora, despir a alma, acender a luz e deixar visível o que quase ninguém vê.

Quem me conhece sabe que nunca precisei do álcool para colocar pra fora o que me incomoda.  Sou totalmente a favor de um mundo mais franco. Se estou chateada com você, vou te procurar, sóbria, para conversar e soltar o verbo. OK, não vou entrar nesse mérito, não é tão fácil ser assim e eu não espero que todos sejam. Ninguém é igual a ninguém. Uns preferem guardar o que sentem lá dentro e deixar o tempo consertar (colocar a poeira embaixo do tapete, em outras palavras). O problema é quando a pessoa condiciona certos momentos ao álcool. Já chorei e pulei de alegria e até briguei bêbada, mas não preciso estar bêbada para chorar, pular de alegria e brigar. Uma coisa não depende da outra. É preciso se arriscar mais, se sujeitar a sentir mais, se entregar mais, sem a tal desculpa “eu tava bêbado, não lembro”.

Sabe aquele fulaninho que só sabe se divertir bebendo? Ou aquele que só desabafa e se entrega aos problemas quando enche a cara? E pior, aquele que só é verdadeiramente verdadeiro (a redundância é proposital) depois de uns bons engradados? Já vi gente que é só sorrisos e elogios em dias “normais”. Basta se entregar à bebida e começam as críticas, os dedos apontando falhas e a boca soltando mágoas há tempo guardadas. E até a inveja, às vezes camuflada no dia a dia, dá às caras e se mostra depois de uns drinks.  Sou do seguinte lema: tem algo te perturbando, remoendo, machucando? Respire fundo, vá em frente e resolva isso de cara limpa, não há nada mais covarde do que usar a bebida de escudo.

Da mesma forma, há quem seja frio e indiferente durante os dias de sobriedade e, basta alguns goles de uma cerveja barata, para abrir o coração e dizer o quanto ama ou precisa de alguém. Se amanhã o arrependimento bater, é mais fácil colocar a culpa nos efeitos colaterais da bebida…”foi papo de bêbado, liga não”. Nada contra quem distribui “eu te amo´s” depois de umas taças de vinho, eu mesma já fiz isso. Mas é preciso distribuir ‘eu te amo’ a quem nos importa, todos os dias, nem sempre com palavras, mas com atitudes, gestos, sorrisos.

Pois é.  O álcool diminui a censura, arranca máscaras, revela sentimentos.  Acho triste quem precise dele para se mergulhar nesse imenso mar de sensações que é a vida. A coragem embriagada vem fácil. Quero é ver a transparência sóbria, que nos coloca de frente – e por inteiro – com as dores e as delícias do viver.

Independente do que for, o bom mesmo é  s-e-n-t-i-r,  ao pé da letra, nos fortalecendo com aquilo que nos machuca e nos emocionando com o que nos faz bem. Por fim, concluo com um pensamento sábio que li por ai:  tem tanta gente com medo – da dor e da felicidade – que prefere viver anestesiado. 

Por Renata Stuart

Uma crônica em dez minutos

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

SONY DSC

Me propus a fazer um texto – que nem sei se posso chamar de crônica – em apenas dez minutos. É exatamente o tempo que eu tenho antes de ter que tomar o banho e seguir para os afazeres do dia. Sobre o que falar em dez minutos? Tudo é tão complexo, tão difícil de resumir, a vida é tão extensa e, ao mesmo tempo, tão breve. Agora mesmo, li uma frase – dessas que o povo compartilha no facebook – que ficou pipocando em minha mente. É tanta informação inútil compartilhada nas redes sociais que quando uma nos chama atenção entre tantas é porque foi realmente merecido. Essa me chamou. E dizia, em inglês, “Algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham.” Num primeiro instante, fala sobre a chuva, óbvio. Mas a metáfora inserida nessa frase é de uma sabedoria sem tamanho. Uma verdadeira metáfora sobre a vida. Algumas pessoas trabalham com prazer, outras apenas trabalham. Algumas pessoas vivem de corpo e alma, outras apenas vivem. Algumas pessoas se doam e conquistam amigos para vida toda, algumas se fecham tanto que se tornam apenas “amigos”. Algumas pessoas dão sorrisos abertos sem um motivo aparente, outras apenas sorriem socialmente. Algumas pessoas vivem 24horas ativas em prol de se sentir bem e contagiar quem está por perto, algumas simplesmente deixam o dia passar, no piloto automático….Algumas pessoas correm atrás  de soluções, de mudanças, outras apenas sabem fazer reclamações. Algumas pessoas vivem diariamente em busca de realizar os próprios sonhos, outras simplesmente sonham. Algumas pessoas se revoltam com a vida de vez em quando e choram litros, outras não choram, não se expressam e “engolem” os impulsos da vida. Algumas pessoas confiam inteiramente ainda que isso seja arriscado nos dias de hoje, outras vivem com o pé atrás, com desconfiança até da própria sombra. Enfim, eu poderia ficar aqui até amanhã fazendo essa brincadeirinha…Mas e você? Tem sentido a chuva ou apenas se deixado molhar?

Por Renata Stuart

Prazer, reflexão e direção.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

tumblr_m0t3pqnfxZ1qioi09o1_1280_large

Mais um dia comum se iniciava. A manhã passou voando e ela, como sempre, não teve tempo de resolver todas as coisas que tinha em mente. Estava mais uma vez almoçando às pressas para ir para o trabalho. Escovou os dentes, jogou uma fruta dentro da bolsa e pegou as chaves, da casa e do carro. Joga a bolsa no banco do passageiro, se ajeita, coloca o cinto, fecha os vidros e liga o som. Parece bobagem, mas o simples percurso da casa ao trabalho era para ela um lazer. Como amava dirigir. Ali dentro era sua bolha, seu lugar de “repouso” em movimento, seu canto de reflexão, mas sem perder a concentração. Com seu CD favorito tocando, ela esquece da vida.  Um momento dela e dela mesmo, hora sagrada. No meio da multidão no trânsito e, ao mesmo, tempo, sozinha, isolada, reservada por trás dos vidros fechados do carro. Enquanto espera o sinal ficar verde, passa o batom e, se der tempo, o lápis de olho. Se não der, ela espera pelo próximo. Às vezes, desliga o ar condicionado, abaixo os vidros e deixa o vento bater em seu cabelo solto. Piegas, sim, mas aquela sensação de liberdade era a melhor coisa do dia para ela… A liberdade de poder ir e vir. O dia podia ser um tédio, mil problemas para serem resolvidos, mas, durante o volante, quem comandava era a paz de espírito, a harmonia interior. As pessoas deviam pensar, que menina boba, tudo isso porque está dirigindo? Todo mundo dirige e não ficam mais felizes por isso.Mas ela não dirigia só por necessidade de locomoção, também dirigia por prazer. Talvez porque seu signo lhe impunha uma certa vontade de comandar, de liderar, de se sentir independente…Na verdade, não estava comandando nada, apenas o próprio caminho, e isso lhe bastava.  Nem o trânsito intenso e os “motoristas de domingo”, sem educação e desprovidos de respeito, tiravam esse momento dela.  Tudo bem, ela também não era  assim tão boa samaritana ao volante, de vez em quando se irritava com algum indivíduo imprudente que ultrapassava sem dar seta, ou um motoqueiro com poder de invisibilidade que surge cortando pela direita.Às vezes soltava um palavrão para si mesma e resmungava, mas depois ria sozinha, imaginando como a pressa parece ser a única coisa que move todos … Pensando, romanticamente, que as pessoas deviam ser movidas pelo amor, pelo sorrisos, pelos instantes inesquecíveis, pelo prazer . “F****. Que o trabalho espere, que a reunião aguarde, que o horário com o médico fique para quando der”. E assim estacionava o carro com seus pensamentos mirabolantes. No fim do dia, depois de muito trabalho, mais uma vez era hora de se sentar consigo mesma e refletir em movimento, sua terapia em monólogo mental. Desta vez, refletia sobre o dia que se passou, sobre o que fez, o que não fez e o que ficou para amanhã.

Mais uma vez, sob o volante, ela iniciava sua segunda pausa do dia, seu break, seu freio, seu momento particular, a hora de quebrar a agitação e parar! Só que acelerando…

Por Renata Stuart

A gaiola da vida

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 4 Comments

Se há um obstáculo para a verdadeira liberdade, esse obstáculo é o medo. O medo da mudança. O medo de trocar o certo pelo duvidoso. O medo de largar o que nos parece “melhor” – ou mais certo – no momento, para buscar algo que nos instiga por dentro, algo que ainda não é concreto, mas que vive e respira em nossa mente.

Só o verdadeiro QUERER – aquele que lateja e incomoda – nos torna capaz de abandonar a estabilidade, a calmaria de uma vida dentro dos conformes – programada para dar certo – e correr atrás de sustentar os desejos mais interiores, aqueles que parecem mais absurdos, mais insanos e utópicos.

Constantemente, pensamos “Mas e se nada der certo? E se eu me arrepender? E se tudo for em vão? Terei perdido tempo à toa, sem sequer sair do lugar”.  Sendo que, na verdade, não sair do lugar é justamente o fato de não tentar, não arriscar, não se sujeitar ao erro. Não ser fiel aos nossos instintos, às nossas vontades, aos nossos quereres, mesmo que esses mudem amanhã, quando o sol nascer.

Se se arrepender, volte e recomece. Se errar, tente de novo. E, se de repente, mudar de opinião, não se julgue por isso. Por que enganar a si mesmo? Quem disse que o certo e esperado é sempre manter nossas escolhas até o fim?  É preciso ser forte e bravio para ter coragem de assumir a tal da metamorfose ambulante. Com medo de parecer imprudente, frívolo e inconstante, muitas pessoas “mantêm” suas escolhas até o fim, ainda que, no fundo, essas já não sejam verdades em essência.

O fato é: a necessidade de aparentar alguém sério e certo do que quer para o resto da vida tem valido mais do que satisfazer o próprio eu. Sim, é de se admirar quando alguém é cheio de si, que mantém firmes as escolhas que fez até o fim, sem ao menos trepidar. É admirável, mas desde que isso seja feito por inteiro, que a pessoa esteja, de fato, abraçando os resultados de suas escolhas, desde que tudo isso seja REAL.

A vida é frágil, breve, a existência é ligeira. Até que ponto estamos fazendo realmente cada dia valer a pena? Até que ponto sacrificamos os sonhos que nos perturbam – no bom sentido – para viver o que nos parece mais conveniente naquele momento? Diga-me: até que ponto você vai guardar ai dentro toda essa sede de ousar, errar e descobrir? Até que ponto você consegue se encarar e saber realmente definir quem é você?

Ter coragem de mudar é, antes de tudo, ser honesto consigo mesmo. Abrir mão da estabilidade para viver os riscos que as escolhas nos impõem é para poucos. Mas se manter “firme e repleto de certezas” apenas para se mostrar confiável diante dos outros é total sinal de fraqueza.

O bom da vida é poder confiar em alguém que seja capaz de se reavaliar sempre. Que esteja disposto a se desgarrar daquilo que não é mais – do que falhou, do que se arrependeu  - e procurar o melhor caminho para a própria vida. Acredite: essa gaiola que você vê à seu redor é imaginária, você mesmo a coloca ai, ninguém mais pode ser responsável por ela.

Não que tudo isso seja fácil. Escrever é muito mais simples que viver, óbvio. Mas a liberdade de correr riscos é uma premissa importante, que devemos tentar aplicar em nossa vida aos poucos. Dia após dia, tenho me dado uma chance para arriscar e, por que não, errar. Até os erros têm um lado bom, só precisamos saber vê-lo. Se dê uma chance também. Seguindo o velho e bom clichê, o pior é se arrepender daquilo que não fez.

Por Renata Stuart

 

Então…é Natal!

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

Já gostei do natal. Quando criança, dezembro era sinônimo de fantasia, férias, Papai Noel, presentes e viagens. Eu me lembro da euforia com que eu e meus irmãos acordávamos para descer as escadas e ver os presentes que o “bom velhinho” havia deixado na árvore. Típica cena de filme americano, rs..Mas era uma delícia. Não me lembro de quando foi que descobri que essa tarefa era feita pelos meus pais! O amigo oculto, as comidas gostosas, as luzinhas e até as musiquinhas de natal me agradavam. Tudo era motivo de alegria.

Hoje, o natal não me provoca as sensações que um dia provocara, talvez porque eu tenha crescido e minha sensibilidade já não esteja tão aflorada, talvez porque meu irmão caçula não está mais aqui para compartilhar comigo essa fase do ano que ele mais amava ou talvez porque, hoje, eu enxergo o outro lado do natal. O lado triste, obscuro e injusto.

Fico pensando que, ao mesmo tempo em que eu esperava o papai Noel, as crianças pobres também esperavam, ainda que não tivessem uma árvore de natal ou uma casa com chaminé. Todas esperam. E, por sorte, meus pais tinham condições de alimentar a minha ilusão. Mas e quem não tem pais? E quem tem pais cujo dinheiro é suficiente apenas para comprar comida e olhe lá?

Ouvi um dia desses uma senhora humilde dizendo que, quando criança, sempre achou que o papai Noel não gostasse dela, pois seus presentes nunca chegaram. E, todo ano, ainda que no ano anterior ela não tivesse recebido nada, sempre restava uma pontinha de esperança que esperava o papai noel, mais uma vez.

Triste realidade. É duro pensar que essa fantasia intrínseca ao natal não é tão gostosa assim para alguns e, no fim das contas, só traz mágoa. Definitivamente, o natal não tem o mesmo gosto para todos. . Esta é, sem dúvidas, a fase em que a desigualdade social fica mais nítida, ao menos aos meus olhos.  Sobra muito para alguns e falta quase tudo para outros.

Uns associam a época apenas a gastos descontrolados, cartões de créditos estourados, compras, compras, compras e muita fartura. A mesa farta da ceia, com a imensa variedade de pratos e sobremesas, é imprescindível. E enquanto esses comem e trocam presentes à meia noite, outros continuam vagando as ruas vazias e iluminadas, sem saber o porquê de tanta alegria. Chato pensar neste outro lado, né?

Sem falar que a data se transformou em uma das comemorações mais comerciais que existem. Poucos param pra pensar no verdadeiro significado do Natal e nem sequer dedicam um minuto para ao menos agradecer a Deus pelo dom da vida. Muita gente não conversa com o irmão ou com o pai há anos, mas no natal distribui sorrisos tentando esconder a mágoa interna.

O Natal tem que ser mais que isso. O natal tem que significar renovação, amor, perdão, paz, solidariedade. Mas não adianta sair por ai com um caminhão de presentes para doar as crianças pobres se você não está bem com as pessoas ao seu redor. Não adianta dar vinhos, panetones e chesters ao lixeiro e ao mendigo, se você vive em guerra com a própria família.

O amor tem que começar dentro de você, dentro da sua casa, para depois ser externado. Aproveite. Essa é a hora que temos para abrir o coração e deixar tudo de bom sair e contagiar quem precisa e se deixar ser contagiado também.

Dê e receba amor. Feliz Natal.

 

Por Renata Stuart

Escrevendo sobre o inevitável …

Posted on by Renata Stuart in Desabafos, Reflexão | Leave a comment

Eu tentei evitar falar sobre isso, aliás, sigo todos os dias da minha vida tentando não pensar nisso.  E eu tentei adiar esse momento, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que me sentar e escrever sobre isso.  Isso que eu não gosto nem de citar o nome. Tá, pode parecer superstição ou sei-lá-o-quê, mas eu não gosto de falar o nome e pretendo ir até o fim desse texto sem sequer citar o objeto dele.

Isso que não aconteceu comigo ainda, mas vai acontecer. Não aconteceu com você que está lendo essa crônica nesse instante, mas vai acontecer, cedo ou tarde. Talvez você não tenha tempo nem de chegar ao fim desta crônica, mas talvez você tenha tempo não só de ler essa crônica, mas também de ir estudar amanhã, depois e depois até pegar seu diploma em direito, casar-se com seu futuro marido que você vai conhecer no tribunal, ter uma carreira reconhecida e mega estabilizada e, claro, muitos filhos de dar orgulho. Enfim. Cedo ou tarde, não importa quando, um dia isso vai acontecer com você e com todos. Mas o fato é: nunca estamos preparados para isso.

Já sabe do que estou falando, né? É bom que saiba, pois não posso ser mais literal que isso.  Parece ironia eu falar disso justo agora, logo em seguida da última crônica que postei aqui, em que o assunto era a celebração da vida, da existência. Sim, a vida é linda e é justo que se façam milhares de histórias, textos, crônicas, versos, poesias e sonetos sobre ela. Mas o fim da vida – que não manda cartão postal anunciando sua chegada – também deve ser retratado, afinal, ele é totalmente intrínseco a nossa vida.

Dizem que morrer faz parte da vida. Ninguém aceita, mas faz. A vida tem suas milhares de fases e a morte é apenas uma delas. Pronto. Parece frio e seco dito assim, à grosso modo, eu sei. Como se isso fosse óbvio e incontestável, mas não é. Não é simples assim e eu ainda não consigo aceitar a morte, justamente eu, que tenho essa mania de querer que tudo seja para sempre.

Acho muito fácil algumas pessoas falarem que a morte faz parte da vida e que devemos aceitá-la a todo custo. ‘Aceitar’ não sei bem se é a palavra, acho que caberia  mais ‘suportar’, ‘tolerar’. Não entra na minha cabeça que devo aceitar tranquilamente que nunca mais verei meu irmão caçula que eu tanto amo. O que eu entendo é que não tenho escolha, não me restam opções. O mundo não acabou como eu achei que acabaria e, dessa forma, sigo vivendo sem ele. Aceitando? Jamais. Mas seguindo como alguém que é incompleto. Mas, afinal, quem é completo nessa vida? Todo mundo sente falta de algo. Uns de pessoas, outros de coisas, outros de sentimentos, outros de status. E todos vão vivendo assim, nessa busca incessante de suprir a falta de algo.

Antes de simplesmente nos falarem que a morte faz parte da vida deveriam implantar esse ensinamento nas escolas então, desde o princípio, lá no maternal, sabe? Para que cresçamos com a consciência natural de que, no meio do percurso da vida, algumas pessoas nos serão tomadas e que não devemos irracionalmente querer apertar o stop e parar de viver também. Por outro lado, pensando bem, se a morte fosse tratada das escolas comumente, tenho certo receio de que tanta naturalidade a banalizaria. Ou seja, as pessoas poderiam até sofrer menos com as perdas, mas também seriam mais frias e, talvez, insensíveis. Sei lá, acho arriscado.

E a esta altura, você já deve ter reparado que, ao contrário do que prometi no início, acabei soltando a palavra que resume essa crônica: A morte. É, vamos repetir: a morte. Quem sabe assim fica mais fácil aceitar essa cruel que só nos condena a tristeza e a saudade. Sei que não é um assunto legal para se ler, me perdoe. A morte ainda é tabu e ler uma crônica sobre ela não anima o dia de ninguém. Mas, assim como eu disse no texto anterior que envelhecer é viver, morrer também é viver, afinal, para morrer, é preciso, antes, estar vivo.

 

Por Renata Stuart