Entre Aspas

Entre Aspas – Martha Medeiros

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Trago hoje uma crônica da minha cronista preferida: Martha Medeiros. Essa eu li no livro ‘Doidas e Santas”, que por sinal é maravilhoso. A obra é uma mistura de informação, reflexão, humor, sentimento e devaneios. Amei!

Os Ricos Pobres

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Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava um milhão de reais por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como uma pessoa pobre.
Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro, mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro, mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, museus ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.

Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva.

Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira. O que temos aqui, em maior número, é o grupo que Olivetto não mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.

E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.
Exemplos? Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública.O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial.

Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só tem dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem a programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha pra eles, pelo amor de Deus.

O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os rico-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são aqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver, mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante.

É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube, e recurso não é só money: é atitude e informação.

Por Martha Medeiros

Entre Aspas – Clarissa Corrêa

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 2 Comments

Correria total, galera.  Nesse fim de semana, coloco crônica nova! Enquanto isso, desfrutem de um texto sensacional da grande Clarissa Corrêa.

Entre culpas e certezas

Ando cansada de carregar culpas que não são minhas. Sei que a frase parece estranha (e é), mas tem gente que acha que preciso saber todas as respostas. Logo eu, que nada sei. Verdade, quanto mais o tempo passa mais eu vejo que tenho muito o que aprender com a vida e as pessoas. Todo mundo tem algo para nos ensinar. Diariamente. Pena que nem sempre são coisas boas. Mas se o outro não ensina nada positivo, pelo menos podemos aprender o que não devemos fazer.

Se você não sabe pra onde quer ir, tudo bem. Se pelo menos souber o que não quer para a sua vida já é meio caminho andado. Eu sei o que não quero de forma alguma, assim, já elimino muita coisa. E muita gente.
Chega de se lamentar. Se a sua vida anda ruim, desculpa, mas não tenho nada a ver com isso. A minha vida também é cheia de problemas, mas eles são meus. E você não tem nada a ver com isso. Você não tem nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa, nada. Não tenho que te cobrar coisa alguma, pois minhas cagadas e acertos só dizem respeito a mim. Se eu faço alguma coisa que te afeta e te fere, me perdoa. Não tenho a intenção de magoar ninguém com meus atos. E se de vez em quando isso acontece, faz parte da vida. Inevitavelmente, magoamos pessoas. Inevitavelmente, esperamos coisas e atitudes das pessoas. Inevitavelmente, existe a frustração. E temos que aprender a conviver com ela pra tentar ser feliz.
De vez em quando cansa ser adulta, dá uma vontade louca de fazer as malas e voltar para a casa da mãe e do pai. E ficar lá, acolhida naquele mundo onde nada atinge e abala, onde a maior preocupação é a menina da escola que me chamou de boba, feia e chata. Então eu penso: não. Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.
Sempre pensei que todo mundo tem uma missão. Ninguém vive por viver, nasce por nascer, morre por morrer. Você tem uma missão e deve tentar cumprir tudo o que “está escrito” da melhor forma possível. Mas a gente não sabe o que está escrito. Temos que tentar adivinhar todo o santo dia. É por isso que existe a intuição: ela nos leva para onde devemos ir. É por isso que a gente deve seguir o que o coração diz: ele sempre está certo.
Por Clarissa Corrêa

Entre Aspas – Save me

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 7 Comments

O texto da tag “Entre Aspas” desta vez é de um amigo muito querido: Rafael Goulart. Ele compartilhou comigo algumas palavras que ele escreveu em um momento muito difícil de sua vida. Um momento de autodescoberta, de medo, de socorro..um momento “de cortar os pulsos”, como ele define, rs . Acho que todo mundo já passou por algum momento semelhante alguma vez.  Rafa, obrigada pelas lindas palavras, apesar de tristes..e obrigada por confiá-las a mim e ao blog.  =) Te adoro!

 

SAVE ME

Queria poder chorar.

Mas quanto mais eu tento, menos lagrimas saem,

Mais meus olhos secam e amargura essa dor.

Será a hora certa? Mas qual é a hora certa?

Algo me prende. Minto!

Alguém me prende, e por melhor ou pior que possa ser, sei quem é.

Esse alguém mascara a própria dor,

Esse alguém quer mostrar que sua vida é perfeita.

Quer mostrar o impossível,

E só eu posso controlá-lo.

Por favor, preciso de ajuda!

Quero saber quem sou!

Quero rir sem sentir vergonha!

Quero poder ser ridículo e sorrir do meu ridículo.

Quero realizar meus sonhos e acabar com esse sentimento que me perturba.

Ajude-me a curar de mim mesmo!

Por Rafael Goulart 

Ps: Não deixem de visitar o blog do autor deste post. É um projeto super bacana que aborda sobre um tema um tanto polêmico: o bullying

Entre Aspas – Perder a viagem

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 7 Comments

Oi, gente! Bom, a tag ‘palavra do dia’ teve seu nome alterado para “Entre Aspas”, não vai mudar nada, mas acho que esse nome combina mais com o objetivo, já que não posto textos de outros autores diariamente, mas sim aleatoriamente. No “Entre Aspas” de hoje,  eu vou compartilhar com você mais uma crônica que eu amo da minha ”musa inspiradora” rsrs  (meu sonho é escrever como ela!): Martha Medeiros. Sei que já postei muitas palavras dela aqui já, mas não me canso. Ela é fantástica e tem uma sensibilidade incrível de transmitir a vida em palavras. Espero que gostem! Beijos e…comentem!

 

 

Perder a viagem

Você pede ao patrão para sair mais cedo do trabalho, pega um ônibus lotado, vai para um consultório médico que fica no centro da cidade, gasta seus trocados, seu tempo e seu humor, e, ao chegar, esbaforido e atrasado, descobre através da secretária que sua hora, na verdade, está marcada para semana que vem. Sinto muito, você perdeu a viagem.

Todo mundo já passou por uma situação assim, de estar no lugar errado e na hora errada por pura distração. Acontecendo só de vez em quando, tudo bem, vai pra conta dos vacilos comuns a qualquer mortal. O problema é quando você se sente perdendo a viagem todos os dias. Todinhos. É o caso daqueles que ainda não entenderam o que estão fazendo aqui.

Estão perdendo a viagem aqueles que não se comprometem com nada: nem com um ofício, nem com um relacionamento, nem com as próprias opiniões. Estão sempre flanando, flutuando, pousando em sentimento nenhum, brigando por idéia nenhuma, jamais se responsabilizando pelo que fazem, pois nada fazem. Respirar já lhes é tarefa árdua e suficiente. E os dias passam, e eles passam, e nada fica registrado, nada que valha a pena lembrar.

Estão perdendo a viagem aqueles que, em vez de tratarem de viver, ficam patrulhando a existência alheia, decretando o que é certo e errado para os outros, não tolerando formas de vida que não sejam padronizadas, gastando suas bocas com fofocas, seus olhos com voyeurismo, sem dedicar o mesmo empenho e tempo para si mesmo.

Estão perdendo a viagem aqueles preguiçosos que levam semanas até dar um telefonema, que levam meses até concluir a leitura de um livro, que levam anos até decidir procurar um amigo. Pessoas que acham tudo cansativo, que acreditam que tudo pode esperar, que todos lhe perdoarão a ausência e o descaso.

Estão perdendo a viagem aqueles que não sabem de onde vieram nem tentam descobrir. Que não sabem para onde ir e nem tentam encontrar um caminho. Aqueles para quem a televisão pode tranqüilamente substituir as emoções.

Estão perdendo a viagem aqueles que se entregam de mão beijada às garras do tédio.

 

Por Martha Medeiros

Palavra do Dia – Rosely Stuart

Posted on by Renata Stuart in Entre Aspas | 3 Comments

Desta vez, a palavra do dia é da pessoa que eu mais amo no mundo: Minha mãe. Coincidência ou não, ela também ama escrever e, remexendo papéis antigos, achamos um texto que ela fez no dia 17 de fevereiro de 1998. Não podia deixar de compartilhar aqui. Grande beijo! :)

 

 

Sentimento

Sentir!

Palavra forte e sensível que, originada do sentimento, nos faz vibrar de emoção.

Quando sentimos aquilo que realmente chamamos de emoção,

nosso corpo, como que queimando em desejo, nos faz transbordar de tanta felicidade.

 

Quando sentimos forte essa emoção, nosso corpo fala por nós,

Ele corresponde a cada gesto, a cada toque, a cada olhar.

Às vezes, sentimos tão forte essa emoção que nossa respiração se prende a cada lembrança..

Somente quem tem sensibilidade pode viver esse sentimento.

 

Sentir é tão bom que, mesmo à distância, fechamos os olhos e a emoção fala por nós.

Revivemos cada momento como se estivesse acontecendo de novo.

Tudo fica registrado na nossa memória, no fundo de nossas lembranças…

 

No fim das contas, sentimento é tudo aquilo que eu sinto por você.

 

Por Rosely Stuart

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou aqui sem nada à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta. Eu não posso pensar “não, daqui a um ano eu vou pro campo ou eu caso ou me formo ou vou à Europa”. Eu não sei. Fico esperando que pinte uma coisa, naturalmente. E essa falta de ação me esmaga um pouco.

- Caio Fernando Abreu -

Palavra do Dia – Pablo Neruda

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Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

– Pablo Neruda – 

Palavra do Dia – Ana Jácomo

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“Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.

Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.”

 

Texto de Ana Jácomo - anajacomo.blogspot.com

Palavra do Dia – Caio F. Abreu

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Eu também tive meu coração machucado. Me dei mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Mas tudo está bem agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e bem. Descobri tantas coisas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.

- Caio Fernando Abreu -

Palavra do Dia – Martha Medeiros

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Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

- Martha Medeiros -