Desabafos

A dor precisa ser sentida

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

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5 anos. É inevitável. Todo ano, passada a correria das festas de natal e reveillon – datas comemorativas que você tanto amava – vem à tona o eterno vazio deixado após o dia 4 de janeiro de 2009. Não que no resto do ano não nos lembremos de você, isso acontece a todo instante, principalmente nos momentos de felicidade, naqueles em que eu daria tudo, tudo mesmo, para você estar conosco…e fico imaginando suas reações, o que diria, como estaria. Mas é que mesmo tentando me desapegar de datas tristes e sombrias como a de hoje, não dá…E como dizem, a dor precisa ser sentida para, aos poucos, cicatrizar. No meu caso, a dor precisa ser escrita.

O pior momento da minha vida foi numa segunda-feira à noite, depois de uma virada de ano sem brindes, sem fogos, sem glamour… mas em quatro paredes de um hospital, quando você já estava sem conseguir falar pela  dificuldade na respiração…e com delírios em decorrência da enorme quantidade de morfina.  Apesar disso tudo, a tal “esperança industrializada” já poetizada por Drummond estava ali comigo, com “outro número no calendário e outra vontade de acreditar” que um novo ano poderia mudar o rumo das coisas, mudar o seu rumo, o nosso. Mas não, ainda que tenhamos suplicado, Deus não quis assim.

Doeu ter que deixar seu quarto naquele dia, algo me prendia ali, eu não queria ir embora de jeito nenhum, dormiria até no banheiro se pudesse, mas minha mãe insistiu que só ela e meu pai poderiam passar a noite ao seu lado.  Me despedi de você, disse que te amava, e falei que você não precisava fazer esforço para me responder. Pelo que sei, enquanto eu ainda estava no elevador, você se foi… E, no caminho de casa, eu chorava, chorava, chorava tanto, que, de alguma forma, eu deveria saber que você partiu. Me lembro que chovia muito e minha vontade era sair correndo na chuva sem rumo. Só quando cheguei em casa, meu irmão, fui saber, por meio de um telefonema do meu pai- que nunca, nunca vou esquecer, por mais que eu queira,-   que você esperou apenas eu sair do quarto para ir embora.

O resto você já deve saber. Eu quis morrer, gritei coisas que não devia para Deus e pensei que eu fosse enlouquecer. Ninguém estava preparado para perder você. Nunca estamos. Pedi a Deus até que você revivesse ou que tudo fosse um pesadelo terrível daqueles que a gente acorda chorando, suado, e aliviado. Mas não, era verdade. Verdade que eu só constatei ao voltar no hospital e encontrar sua cama vazia e procurar por você desesperadamente.

Hoje, às vezes ainda me pego procurando por você. Nas ruas, nos garotos levemente parecidos com você, ao lado dos seus amigos que cresceram numa velocidade absurda. Marcus, você é tão especial, meu irmão, que Deus estava precisando de você para outras missões muito além das que você realizou aqui. Hoje, não nos resta dúvidas, meu neném, você foi um anjo que por quinze anos nos amou com seu jeitinho tão puro, nos mostrou o que é felicidade plena e nos ensinou o valor das pequenas coisas. Nos fez rir, nos fez mais unidos, nos fez mais humanos.

Sinto sua falta de um jeito inexplicável e a dor, ainda que mais silenciosa, ainda é forte. Sinto falta da sua proteção de irmão, do ciúme disfarçado que você tinha de suas duas irmãs, da nossa infância gostosa, dos tombos de bicicleta, das diversas vezes que você, tão guloso e amante da culinária, já almoçava escolhendo o menú do jantar. Das confidências que você me fazia sobre suas paqueras, das vezes que eu te chamava de “meu lindo” ou “meu neném” no recreio da escola e te matava de vergonha perto dos seus amigos, das brincadeiras, das briguinhas, de poder cheirar você, de beijar sua orelhinha, de te abraçar forte, e de me gabar: “esse loiro lindo de olhos azuis, forte e alto, é meu irmão, meninas! Entrem na fila porque ele está crescendo”.

Você, meu irmão, além de lindo, era educado, brincalhão, meigo, cavalheiro  e muito inteligente. Tenho o maior orgulho de ser sua irmã. E agradeço a Deus por Ele ter escolhido a minha família para viver 15 anos com você. Sim, ainda que com essa lacuna, somos privilegiados por ter tido você em nossas vidas. Mas, confesso, ainda é surreal pensar que já se passou tanto tempo. Meia década é tempo demais. Não me pergunte como estamos aguentando, pois não saberei responder. É como eu disse certa vez, a força que acreditamos que não temos (e não temos mesmo) surge de algum lugar, como se a única opção fosse segurá-la e, então, a gente se segura nela e vai, meio que por impulso…

5 anos. Faz 5 anos que sofremos a dor da sua perda. Faz  anos que nossa casa respira a sua ausência, todo dia.  Que a sua alegria de viver não ilumina nossos dias. Faz 5 anos que estamos sem seu sorriso lindo e sua risada gostosa. Que não vemos um novo gesto seu e nem ouvimos uma nova palavra dita por você, o máximo de realidade que temos estão nas fotografias e vídeos. Exceto nos sonhos, quando tudo é inédito e parece que você realmente nos visitou. Faz 5 anos que a vida se tornou mais insegura diante dos meus olhos e faz 5 anos que, ao fechar os olhos para fazer uma oração, não sei mais pedir, mas só agradecer pela saúde das pessoas que amo. Enquanto seguimos a vida sem você, só nos resta acreditar que você está em um lugar lindo, infinitamente melhor que aqui, com seu carisma e sua bondade, olhando por nós lá de cima, pedindo a Deus para dar uma atençãozinha especial aqui.

*Saywer Forever! Te amaremos para sempre!

Marcus e Cia 15-1-2008 21-09-19

Por Renata Stuart

Saudade que aperta e escorre pelos dedos…

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Há exatos quatro anos, eu vivenciei o pior momento da minha vida: a sua partida. Foi então que me dei conta de que NADA mais seria o mesmo, e não foi.  A vida perdeu a leveza e a completude e eu pude ver, de fato, o quão vulnerável ela é.  Aqueles planos que a gente vive fazendo para o futuro perderam o sentido e o presente passou a valer ouro diante da incerteza da que comecei a enxergar na  vida, no depois, no amanhã.  E o meu lado “muleca” e criança, o qual só você mantinha vivo, deixou de existir.

Há exatos quatro anos, não ouvimos a sua voz grave, sua risada aberta e gostosa, não sentimos seu abraço e nem seu perfume. E, ao contrário do que se diz, o tempo não diminuiu a dor, não amenizou, não cicatrizou. Acontece que agora ela dói mais em silencio, reprimida, apertada… afinal a vida pede agilidade, tudo tem que continuar e não há tempo para parar e se deixar sofrer, se deixar doer, se deixar chorar.  “Keep going”, o mundo nos cobra.

Mas, hoje – apesar de ser uma data que eu preferia esquecer -  eu decidi parar para sofrer aberta e publicamente, nesse instante, e deixar registrado aqui a falta que você tem nos feito. Esses quatro anos foram uma barra sem você e tenho certeza que os próximos também serão. Mas, no fim das contas, o que nos mantém firmes é a certeza de que os quinze anos maravilhosos que tivemos ao seu lado valeram a pena. Te amamos muito, meu anjo. Um dia a gente se encontra.

Por Renata Stuart

*Para meu sempre amado irmão caçula.

Escrevendo sobre o inevitável …

Posted on by Renata Stuart in Desabafos, Reflexão | Leave a comment

Eu tentei evitar falar sobre isso, aliás, sigo todos os dias da minha vida tentando não pensar nisso.  E eu tentei adiar esse momento, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que me sentar e escrever sobre isso.  Isso que eu não gosto nem de citar o nome. Tá, pode parecer superstição ou sei-lá-o-quê, mas eu não gosto de falar o nome e pretendo ir até o fim desse texto sem sequer citar o objeto dele.

Isso que não aconteceu comigo ainda, mas vai acontecer. Não aconteceu com você que está lendo essa crônica nesse instante, mas vai acontecer, cedo ou tarde. Talvez você não tenha tempo nem de chegar ao fim desta crônica, mas talvez você tenha tempo não só de ler essa crônica, mas também de ir estudar amanhã, depois e depois até pegar seu diploma em direito, casar-se com seu futuro marido que você vai conhecer no tribunal, ter uma carreira reconhecida e mega estabilizada e, claro, muitos filhos de dar orgulho. Enfim. Cedo ou tarde, não importa quando, um dia isso vai acontecer com você e com todos. Mas o fato é: nunca estamos preparados para isso.

Já sabe do que estou falando, né? É bom que saiba, pois não posso ser mais literal que isso.  Parece ironia eu falar disso justo agora, logo em seguida da última crônica que postei aqui, em que o assunto era a celebração da vida, da existência. Sim, a vida é linda e é justo que se façam milhares de histórias, textos, crônicas, versos, poesias e sonetos sobre ela. Mas o fim da vida – que não manda cartão postal anunciando sua chegada – também deve ser retratado, afinal, ele é totalmente intrínseco a nossa vida.

Dizem que morrer faz parte da vida. Ninguém aceita, mas faz. A vida tem suas milhares de fases e a morte é apenas uma delas. Pronto. Parece frio e seco dito assim, à grosso modo, eu sei. Como se isso fosse óbvio e incontestável, mas não é. Não é simples assim e eu ainda não consigo aceitar a morte, justamente eu, que tenho essa mania de querer que tudo seja para sempre.

Acho muito fácil algumas pessoas falarem que a morte faz parte da vida e que devemos aceitá-la a todo custo. ‘Aceitar’ não sei bem se é a palavra, acho que caberia  mais ‘suportar’, ‘tolerar’. Não entra na minha cabeça que devo aceitar tranquilamente que nunca mais verei meu irmão caçula que eu tanto amo. O que eu entendo é que não tenho escolha, não me restam opções. O mundo não acabou como eu achei que acabaria e, dessa forma, sigo vivendo sem ele. Aceitando? Jamais. Mas seguindo como alguém que é incompleto. Mas, afinal, quem é completo nessa vida? Todo mundo sente falta de algo. Uns de pessoas, outros de coisas, outros de sentimentos, outros de status. E todos vão vivendo assim, nessa busca incessante de suprir a falta de algo.

Antes de simplesmente nos falarem que a morte faz parte da vida deveriam implantar esse ensinamento nas escolas então, desde o princípio, lá no maternal, sabe? Para que cresçamos com a consciência natural de que, no meio do percurso da vida, algumas pessoas nos serão tomadas e que não devemos irracionalmente querer apertar o stop e parar de viver também. Por outro lado, pensando bem, se a morte fosse tratada das escolas comumente, tenho certo receio de que tanta naturalidade a banalizaria. Ou seja, as pessoas poderiam até sofrer menos com as perdas, mas também seriam mais frias e, talvez, insensíveis. Sei lá, acho arriscado.

E a esta altura, você já deve ter reparado que, ao contrário do que prometi no início, acabei soltando a palavra que resume essa crônica: A morte. É, vamos repetir: a morte. Quem sabe assim fica mais fácil aceitar essa cruel que só nos condena a tristeza e a saudade. Sei que não é um assunto legal para se ler, me perdoe. A morte ainda é tabu e ler uma crônica sobre ela não anima o dia de ninguém. Mas, assim como eu disse no texto anterior que envelhecer é viver, morrer também é viver, afinal, para morrer, é preciso, antes, estar vivo.

 

Por Renata Stuart

Nossa história em poucas linhas…

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments

Tudo começou cedo demais. Eu era nova, você também. Mas ao mesmo tempo, foi tudo intenso demais. De uma amizade despretensiosa, nasceu um sentimento puro, verdadeiro, gostoso, natural. Daí vieram as coincidências, todas conspirando ao nosso favor.  Conversando, descobrimos que nossos pais se conheciam há mais de 20 anos, que meus pais te carregaram no colo, que meu pai já teve, antes mesmo de eu planejar vir a esse mundo, um comércio ao lado da sua casa. Aquilo foi incrível. De alguma forma, parecia que nosso encontro, naquela academia, estava marcado, até para mim que não acredito em destino. E não é que remexendo fotos velhas, achei até uma foto sua com minha irmã mais velha numa festa junina aqui do bairro?

Enfim, embora eu estivesse com a ideia fixa em mente de que não queria me envolver num relacionamento sério tão cedo, lá estava eu. Conversando com você todos os dias por telefone. Te conhecendo, rindo de você, fazendo você rir, fazendo confidências. Não pude fugir desse sentimento, da sintonia que rolava entre a gente, dá vontade de desvendar a sua vida e de fazer parte dela. E deixei a vida me mostrar o que ela estava me apresentando.

E aqui estamos, mais de cinco anos depois, caminhando juntos. Mais velhos, mais vividos, mais maduros. Já passamos por cada fase que confesso: achei que não chegaríamos longe. Mas a verdade é que, apesar de todos nossos desentendimentos, brigas, diferenças, a gente sempre se completou. E não desistimos nos primeiros problemas. No fim das contas, as alegrias, o carinho, as brincadeiras, o amor, a confiança, o respeito, a saudade , – tudo isso – pesou mais na balança.

E eu fui percebendo que príncipe encantado não existe. Aquela ideia de um homem de olhos claros, cavalheiro, romântico, carinhoso e divertido 24 horas por dia ficou lá na minha adolescência. Ninguém é perfeito e, se fosse, seria um tédio, imagino. Mas uma coisa é fato: Apesar dessa dose de realismo, ainda sou romântica, sempre vou ser, essa é a minha sina. Ainda preciso dos momentos intensos e cinematográficos para sobreviver, nem que seja aquele beijo intenso depois de uma briga dramática. (não ria de mim, você sempre faz isso!). Mas sabe, aos poucos, comecei a aceitar os defeitos e ver a beleza existente neles. Comecei a entender que você não tem culpa da minha projeção de amor ideal, amor perfeito. Comecei a diferenciar o amor dos livros, dos filmes, dos romances do amor da vida real. E comecei a ser mais feliz assim.

Hoje, com essa carga enorme de história, sei que nem tudo é para sempre. Muita gente fala que um namoro longo como o nosso, que começa cedo e dura anos, tem grandes chances de acabar no meio do caminho, de não resistir ao tempo… O desgaste, a rotina, a monotonia são as justificativas, geralmente.  Mas afinal, que caminho é esse que temos que seguir? O casamento e o “felizes para sempre”? Quer saber: Não estou preocupada com isso agora. Casar não é meu projeto de vida, é apenas um desejo futuro. Quero viver o agora. O dia a dia ao seu lado, construindo uma história bonita, dividindo sonhos, vislumbrando metas, realizando-as juntos. E por aí vai.  O futuro é consequência. E também acredito que cada casal tem uma história. Não dá pra generalizar, o que dá errado para um, pode dar certo para outro.

E, acredite, mesmo depois de tanto tempo juntos, eu ainda me pego rindo sozinha às vezes, lembrando de você, das coisas bobas que só você faz. Acho que não preciso de mais nada para saber que, sim, eu amo você. Hoje, agora, neste exato momento em que você me lê, eu amo você.  Não digo que será para sempre, isso só o tempo pode dizer. Talvez algum dia tenhamos que seguir caminhos diferentes, não nego essa possibilidade. A vida dá voltas, quem sou eu para afirmar que conosco vai ser diferente?  Bom, mas eu espero que seja. Eu espero que dure. E eu espero que cada dia continue sendo assim. Mais quentinho, mais aconchegante, mais seguro e mais feliz ao seu lado.

Por Renata Stuart

À Mamãe – Maravilha

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 4 Comments

A gente se entende pelo olhar. Também pudera, os olhos dela foi a primeira coisa que vi desde que caí de paraquedas nesse mundo. Aliás, acho que foi a partir desse dia que minha vida passou a fazer sentido e que eu passei, de fato, a existir.  Depois disso, cada dia foi um cuidado especial, um carinho a mais, um gesto doce, um abraço confortante, um olhar amoroso.

Ela nunca recebeu um manual de instrução, mas ela cumpre sua missão da melhor forma possível. Ela sou eu. Sim, porque o que sou hoje se deve a ela. Cada dia, cada exemplo, cada atitude, cada palavra dita moldaram essa pessoa que aqui hoje escreve.

Acredite se quiser, ela é minha melhor amiga.E nossa cumplicidade não é algo que possa ser explicado. Seria preciso ser uma de nós para entender, para sentir. Então desista de entender. Em resumo: ela é minha diva, meu ídolo, minha inspiração, meu ar. Sintonia, intensidade, e verdade pairam sobre nós.

Sabe aqueles momentos em que você se sente a pior das piores e pensa que não tem ninguém? Mas daí você se lembra de alguém que faz tudo fazer sentido e nada mais importa? Esse alguém pra mim é ela. Ela é mais que meu presente, ela é meu passado, é a minha infância viva. Sim, porque só ela me dá o direito de ser uma eterna criança. Ela marca meu médico, ela pergunta se eu já almocei, e faz meu jantar. O quê? Mimada, eu? Ah, me deixa. Gosto disso e vou aproveitar enquanto eu puder.

Ela é a mulher-maravilha. Dá conta de tudo e mais um pouco. Sem ela, a casa não funciona, tudo entra em pane. E ela, com suas mil e uma habilidades, cuida de tudo com uma proeza que só vendo. E só ela sabe onde está cada objeto, cada detalhe. Ela tem uma memória de ferro, é boa em matemática, português e sabe de tudo um pouco.

Mas o que ela faz de melhor, não me resta dúvida, é ser mãe. E ela é mãe com tanta vontade, com tanta dedicação, com tanta paixão que eu sempre digo que se eu for, pelo menos, um terço do que ela é, meus filhos estarão mais que satisfeitos.Ela é mãe de todos, seu coração é gigante, quem quiser pode entrar. E, claro, ela é forte e batalhadora. Ainda que a vida tenha lhe pregado uma peça e lhe tirado seu amado filho caçula, ela está de pé e firme..Volta e meia secando lágrimas, enganando a tristeza com muitas tarefas e escondendo a dor por trás do seu bom-humor ímpar. Mas lá está ela, todos os dias se levantando para ser a melhor mãe do mundo.

Mamãe, sei que você já deve estar cansada de ouvir, mas eu não estou cansada de repetir: EU TE AMO, VIDINHA. Obrigada por existir. O maior presente que Deus podia me dar ele já me deu: VOCÊ. 

Por Renata Stuart

Me encontrei

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Quem é você? Sempre achei difícil responder a esta pergunta. Preencher os irritantes ‘profiles’ das milhares de redes sociais ou até mesmo responder questionários para concorrer a uma vaga de emprego. Enfim, o fato é: Nunca me defini com facilidade. E nunca entendi o porquê dessa necessidade de se autorrotular.

Quem eu sou? Cá pra nós, o que eu disser sobre mim realmente vai mudar algo sobre o que você pensa sobre mim? Acho que não. Posso até dizer minhas preferências de lazeres,lugares,  filmes e música. Até ai tudo bem.  Mas, no que diz respeito à personalidade e a imagem que refletimos, cada um tem em mente uma versão muito particular do outro e não são palavras que vão mudar isso. Fato. Muitas vezes, o que eu digo, pode não ser o que eu sou – quase nunca é – mas sim a minha impressão de mim mesma, a projeção que tenho de mim, ou quem eu gostaria que eu fosse.

Hoje, confesso, desisti de me definir.  Descobri que o único motivo que nos leva a essa tentativa de nos autodescrever o tempo todo é a necessidade – vazia e em vão – de ter que se autoafirmar para alguém, para o mundo, para todo o público que nos cerca. É o fato de ter que se mostrar decidido, coerente, forte, e cheio de si.

Hoje, posso dizer que me encontrei. Já chega. Que se danem os rótulos. Descobri que vivo melhor sem ter o compromisso de cumprir o script, sem a responsabilidade de me autodefinir e de ser coerente com o que eu disser que sou.  Sou muitas, não sou uma só. Não sou como um produto químico que tem uma fórmula exata. Meus componentes são diversos, momentâneos, incoerentes. Não sou a mesma para todos e nem serei a mesma o tempo todo. Sou razão com uma boa dose de emoção, sou sistema nervoso afiado, sou coração abobado, putz, sei lá mais o quê. Sou um aglomerado de sensações. Cheguei à conclusão de que é no transitório e no efêmero que me encontro.

Conheça-me. Conviva comigo. Observe-me. Atente-se às minhas atitudes, meu comportamento. Converse comigo. E construa a sua própria versão de mim. Wherever, me rotule como desejar. Me ache isso ou aquilo outro, deixo essa árdua tarefa para os outros. Mas a mim não. Me importa apenas o VIVER e  o SER. Ser por inteiro, ser em essência, ser do jeito que me der na telha, do jeito que me interessa e ponto.

E você? Quem é?  =)

 

Por Renata Stuart

A doçura de não fazer nada

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

 

Assistindo o filme “Comer, Rezar e Amar” me deparei com uma frase dita pelos italianos que me deixou pensativa e, ao mesmo tempo, me identifiquei na hora: A doçura de não fazer nada.

A doçura de não fazer nada pode estar contida num simples domingo de ócio ou num feriado como o de hoje, que parte a semana no meio, dando uma pausa, uma chance de renovar as energias perdidas no cansaço rotineiro.

Claro, viajar e explorar novos territórios é sempre uma opção atrativa, mas, cá pra nós, a doçura de não fazer nada também tem o seu valor. O prazer está contido no descompromisso, está na briga que você não precisa travar com o despertador, afinal, você não precisa resistir ao sono.

Está na liberdade de poder curtir o nada e apreciar o teto, sem lembrar que existe relógio, telefone e visitas. (Bom, você está torcendo para que essas não resolvam dar o ar da graça).

Dentro de casa, de pijamas, pantufas e cabelo despenteado. Ou mesmo de banho tomado, com uma roupa confortável, ouvindo seu álbum predileto, vendo sua série favorita, colocando em dia sua lista de filmes, ou lendo um bom livro. Tudo isso está contido na doçura de não fazer nada. Nada, hoje, é muito.

Nem festa, nem churrasco, nem show, nem balada. Deixa isso pra sexta-feira, sábado ou quem sabe no meio da semana. No dia do ócio, nenhuma dessas opções pode substituir a doçura de não fazer nada. Guloseimas são bem-vindas. Tragam sorvete de abacate, creme de açaí, chocolate.

Sozinha ou acompanhada, tanto faz. O dia de ócio é liberdade total. Você escolhe quem vai te acompanhar na inutilidade, na preguiça, na moleza, nos bocejos constantes. Ahhhh, que soninho. Enfim, só quem curte a doçura de não fazer nada sabe do que estou falando.

Se você está lendo este post hoje, concluo que também não viajou. Acertei? Neste caso, bom feriado e uma boa doçura de não fazer nada pra você também.

 

Por Renata Stuart

A notícia que mudou a noite

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 7 Comments

Tinha tudo pra ser só mais uma noite de sexta-feira típica, de duas aulas, algumas conversas e o retorno pra casa para dormir, já que sábado pela manhã também é dia de aula. (eu sei, isso é péssimo). Mas, ao chegar na faculdade, a notícia que mudou a noite: A professora de Metodologia Científica foi dar à luz!  A pequena Clara resolveu vir ao mundo antes da hora.

Muito bem. Na falta do que fazer, resolvemos ir ao ‘requintadíssimo’ bar do Itaobim, a única opção em frente à universidade. Não éramos muitos, mas éramos uma pequena parcela da turma afim de não deixar a sexta-feira passar em vão. Apesar de manter grupos, nossa turma possui uma certa energia que une a todos. É muito bom isso. Nunca existiram brigas, richas, ou coisas do tipo? Mentira, existiram sim, mas a essa altura do campeonato do curso, a gente se preocupa menos com isso.

Mas enfim, voltando ao bar do ‘bim’. Era dia de vinhada, rua cheia, viaturas policiais para conter a bagunça, música cortada, cerveja cara. Melhor não, inventamos nosso próprio programa. Um sprite, um run big apple e alguns copos de plásticos resolveram nosso problema. Fomos para um canto qualquer alheio ao bar e a largada foi dada.

Eu, que estava num dia lento, tedioso e super cansada, logo comecei a me animar. Conversas, besteiras , trocadilhos de bar. Depois vieram os desabafos, os casos. Álcool entrando, censura diminuindo, inconsciente se soltando. E se inicia o momento de ‘lavar a roupa suja’. Questões antigas foram colocadas em pauta, briguinhas passadas se tornaram motivo de risadas. Muitas risadas e muitos “Isso não importa mais”. E não importava mesmo. Podia parecer papo de bêbado, mas a meu ver, tudo ali era sincero.

A bebida acabou. Que venha mais. E assim foi. O álcool a essa altura já inibiu o hormônio anti-diurético de todos, e é aberta a seção ‘preciso ir ao banheiro’. Divertimos horrores. Risadas incontroláveis no banheiro. Da biblioteca, por sinal.

E a noite foi seguindo. Deu a hora de começar a segunda aula. (e que aula boa, hein? rs) Melhor não. Nesse estado, tudo que iremos fazer é causar balbúrdia. Vamos ficar aqui mesmo. Levar duas faltas não parecia nenhum problema, pelo menos não naquela hora.

E o álcool, adentrando ainda mais em nossa mente, deu início a seção “Chororô”. Um contando a sua vida aqui, outro ali. Todos repletos de problemas, dúvidas, lamúrias, tristezas. Ninguém tem a vida perfeita, concluímos. Todas aquelas verdades internas, aqueles sentimentos que a gente guarda para si, tudo isso é ocultado no dia a dia, na correria que a vida nos faz levar. Mas ali não. Ali era hora de externar tudo.

Foi um momento único, onde cada um pôde conhecer um pouco mais do outro, descobrir lados que a gente nem imaginava existir. “Eu te amo” “senta aqui do meu lado” “te admiro muito” “ainda bem que eu te conheci” fizeram parte da seção ‘Declarações’.

E assim foi a nossa noite de sexta-feira. Nenhum barzinho sofisticado, não tinha música e nem cadeira. Mas tinha calor humano, diversão e amizade. E é chegada a hora de voltar para casa e ‘capotar’, ainda que a cabeça estivesse rodando. Vieram despedidas, beijos e muitos abraços. Mas espera. Falta o brinde: “ao sucesso dos outros, porque o nosso está garantido!!!”.

Por Renata Stuart

Nada pela metade

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

Pode parecer clichê, mas sou do tipo oito ou oitenta. Nada pela metade, meio termo não me atrai.  Prefiro o certo ao duvidoso, o frio ao morno, o não do que o talvez. Se confio, confio por inteiro, confio sem medo. (até que me provem o contrário). Não entendo como algumas pessoas sustentam relacionamentos com desconfianças. Prefiro abrir mão de um amor e sofrer como uma condenada do que viver uma vida cercada de dúvidas, medos, inseguranças. Não agüento viver na interrogação, nas reticências. Preciso do ponto final. Da certeza. Preciso da transparência.

Se amo, me entrego de verdade. Até tento esconder um pouco o sentimento, para seguir os bons costumes da conquista, sabe como é, ser durona é atraente. Mas, se gosto mesmo, logo dou a cara a tapa e amo, amo meeesmo. Com direito a mensagem de madrugada, atitudes inusitadas no meio do dia e outras bobices de quem sente tudo ao extremo.  Com a amizade é a mesma coisa. Sou uma amiga que você pode contar para TUDO, a qualquer hora, ou não sou sua amiga. Não sei oferecer meio ombro, meio abraço, meio colo. Amizade tem que ser inteira, cheia, sem espaços em branco, sem lacunas. Amigo que é amigo abre o coração e fala o que sente, sem pudor, sem desconfiança, sem medo ou vergonha do que ele vai pensar. Amigo  escuta, dá conselho, ri e chora junto. O resto é colega. Colegas temos aos montes. Ter um amigo apenas já é uma grande vitória.

Minha repulsa pelo meio termo me acompanha até nas minhas tarefas diárias, nas coisas mais simples. Se me submeto a fazer algo, procuro fazer da melhor forma possível. Me cobro, enlouqueço, quebro a cabeça, me canso. No final, pode não ter ficado como eu esperava, mas eu estou ciente de que me doei por inteiro. Ou me esforço, me dedico naquilo que me dispus a fazer, ou não faço. Não sei fazer algo mais ou menos, meia boca. O problema de se cobrar muito é a frustração gerada com os resultados nem sempre agradáveis. Mas a vida tem disso. É melhor perder sabendo que se fez tudo que estava ao seu alcance, do que perder por falta de empenho.

Coca light, não. Se vou beber coca-cola, que seja a comum, a verdadeiramente boa. Meia palavra não. Se vamos conversar, vou dizer tudo que sinto aqui dentro, vou expulsar o que está ruim, desapertar o que está incomodando, aliviar o que está sufocando. Simples assim. Não me peça para medir o que vou dizer. Quando começo, não paro.

Meia emoção, não. Se choro, choro litros. Se rio, rio com vontade, com prazer. Não sei esconder o que o coração diz, minha fisionomia sempre me entrega, seja num sorriso amarelo, ou numa cara amarrada. Não suporto gente que não se comove, não se toca, não se sensibiliza, não sente ou reprime o que sente. Sentimento foi feito para ser expulsado. Os bons sentimentos devem ser compartilhados, para trazer alegria a quem os recebe. E os ruins devem ser libertados, pois o mal corrói por dentro. Mágoa, angústia, rancor, inveja, entre outros, só servem para machucar quem os sente, ninguém mais.

Sim. Me recuso a viver pela metade. Sonhar pela metade, acreditar pela metade. Quero o inteiro, o todo, o completo. Quero a luz ou a escuridão. O quente ou o gelado.  O muito ou o nada. Quero alguém que esteja ao meu lado de corpo inteiro, do contrário, não esteja.Tô pedindo muito, né? Sei disso. Mas sejamos francos: A vida é muito curta pra gente se contentar com o ‘mais ou menos’.

Por Renata Stuart

Melancolia

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 2 Comments

Não que eu seja deprimida, não é isso. Não sei bem porque, mas, às vezes, a melancolia  me traz um quê de inspiração. Dias nublados, gotas embaçando a janela, o barulhinho calmante da chuva. Inverno, cobertor. Frio. Noite, estrelas. E, claro, a luz da lua, forte e estridente, invadindo meu quarto e iluminando meus olhos, ao mesmo tempo. Uma música lenta de fundo, daquelas que tocam pra valer, mesmo que eu não entenda a letra. Nessas horas, só a melodia e o tom de voz dizem tudo que precisa ser dito.  É uma espécie de fuga do mundo real para refletir. Uma janela para um mundo tranquilo, isolado, imaginário. Um silêncio de auto-conhecimento. Um momento entre eu e eu mesma. Ninguém mais. Isso me faz bem. Acalma a alma, aquieta o coração e deixa o ar entrar, para refrescar a mente. Sim, sou melancólica. Pronto, falei.

Por Renata Stuart