Resenhas


Um filme, um livro, uma peça de teatro. Em Resenhas, você encontra resumos críticos sobre qualquer obra que vi e resolvi compartilhar. Nada de abordagens técnicas e repletas de conhecimento, escrevo não como especialista, mas como leitora e espectadora.

Seja bem - vindo


O Atelier de Palavras é um espaço para compartilhar palavras por meio de textos, crônicas, pensamentos, reflexões, poesias, desabafos e tudo o que as palavras têm o poder de construir. Obrigada pela visita e espero que você goste, participe nos comentários e  volte sempre!  

Reflexão


Em Reflexão , você encontra textos sobre assuntos diversos. É uma pausa. Uma pausa para refletir sobre a vida, sobre as pessoas, sobre os sentimentos, sobre o tempo, sobre tudo e mais um pouco. 'Penso, logo escrevo'. 

Textos de Amor


Em Textos de Amor, você encontra palavras sobre amor, paixão, saudades, relacionamentos, dor, perda, desejos, e todas as sensações provocadas por essa palavrinha mágica, de apenas quatro letras. 'Sinto, logo escrevo'.   

Desabafos


Em Desabafos,  você encontra palavras que já não cabem mais no coração e na mente e, precisam, ser externadas por meio da escrita. Espaço de soltar o verbo, criticar, gritar, opinar..enfim, desabafar.  'Escrevo, logo alivio a alma'. 

Entre Aspas


Em Entre Aspas, você encontra palavras de diversos autores. Tanto palavras de autores renomados, que todos conhecem, quanto palavras de outros blogueiros. Caso queira ter suas palavras expostas nessa tag, entre em contato com o atelier. 'Gosto, logo reescrevo'. 

Não quero virar a página, quero um novo livro.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | Leave a comment

livrosVirar a página é pouco. Decidi que quero um novo livro. Sim, pois a vida é muito curta para perder tempo lendo um livro que não te extasia, que não extrai o melhor de você, que não te tira da realidade de vez em quando.  Quero me reinventar, me reescrever, me republicar.

Não que os livros velhos perderam seu valor. Cada leitura tem sua importância e todas elas ficam para sempre guardadas na estante da vida. Cada livro lido no passado interfere nas interpretações que faremos dos próximos. As experiências de ontem formam o que somos hoje. E isso é parte da vida.

Mas às vezes é preciso se desapegar de velhas páginas, velhas histórias e velhos caminhos que já não nos levam a lugar algum. E não, não é fácil se desapegar do livro de cabeceira. Não é tão simples abandonar o comodismo, abrir mão estabilidade e se jogar no escuro. É preciso coragem para se sujeitar ao erro. É preciso ousadia para se colocar diante do vazio das páginas em branco. É preciso força para enfrentar a interrogação do amanhã incerto.

E se eu me arrepender? Bom, esse é o preço que as pessoas intensas pagam. Se  arrepender, siga em frente. Sempre existem novas possibilidades e novas descobertas te esperando lá fora. Portanto, aceite as consequências e simplesmente continue, um dia após o outro.

Antes que você pense que as pessoas intensas são inconsequentes e não pensam nos efeitos de seus atos, alto lar: Nós pensamos, e muito, antes de tomar qualquer decisão, mas a conclusão é quase sempre a mesma: “prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que não fiz.” Então a gente mergulha e encara as próprias escolhas de cabeça erguida. Para nós, não há nada pior do que um lamentável  “como seria SE eu tivesse tentado”.

Nada contra quem se resigna diante da vida, não se arrisca e se contenta com aquilo que tem pelo simples medo de não poder ter algo melhor. Os intensos precisam de mais. Como eles se entregam por inteiro, eles não aceitam metades e não se conformam com menos do que acham que merecem ter.

E esse “mais” que as pessoas intensas buscam nem sempre está em outro alguém.  Elas  têm amor próprio e adivinhe só?  Preferem estar sozinhas do que receber migalhas do outro. O “mais” também pode estar na liberdade, no prazer da própria companhia, em um novo projeto, uma viagem, ou até mesmo na emoção de não saber o que nos espera no final do livro. Sim, pois, a cada esquina, tudo pode mudar.  Um novo lugar. Um novo olhar. Um novo sentido. Tudo, a qualquer momento, pode representar o início de um novo capítulo e, quem sabe, um novo livro que mereça estar em sua cabeceira.

E aí, quando a gente sente – de dentro pra fora – que vale a pena abrir mão da solidão agradável, a gente se entrega e se embarca em uma nova história, com mais sabedoria e talvez menos expectativas, mas sempre com o mesmo objetivo: ser {intensamente} feliz!

Por Renata Stuart

Mais essência, por favor.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

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Aprendi que as melhores coisas de se ouvir – e as mais verdadeiras- são ditas ao pé do ouvido, olho no olho, no reservado. A cada dia, observo a vida, as contradições entre palavras e atitude, e concluo: dispenso as falsas exposições. Eu, que sempre fui intensa e exagerada (daquelas que têm vontade de colocar a boca no mundo pra falar o que está sentindo), decidi que prefiro a simplicidade da essência.

Prefiro a leveza de um silêncio que diz tudo. Prefiro a sutileza de um sms exclusivo e inesperado (sim,   mesmo em tempos de whatsaapp. Por que não surpreender?). Dispenso a hipocrisia e as falsas declarações públicas. Status do dia? Cansada. Cansada dessa disputa pra ver quem é mais feliz. Cansada de quem se esquece do “ser” e se contenta com o “parecer ser”. Prefiro um gesto sincero ou uma prova de companheirismo no dia a dia do que uma marcação numa postagem que pouco reflete a realidade. E, acredite, sempre tem alguém que conhece a verdade além da web.

Quem nunca sentiu náusea quando abriu o facebook e se deparou com a foto de duas “amigas” que todo mundo sabe que falam mal uma da outra nas costas? Quem nunca lamentou a fotinha romântica do casal infiel? No fim das contas, a vida real tem mais a ver com “inbox” do que com “time line”. Tem mais a ver com o que você faz, não com o que você fala.

E não, nao vou parar de postar sobre a minha vida e não estou dizendo que alguém tem que fazer isso. Registros são sempre bons e compartilhar é algo inerente à era digital. Mas é preciso limite e bom senso. Limite porque nem tudo é publicável. Há quem não se permite viver sem um “share”. E bom senso pra entender que o que faz de vocês um casal feliz, uma família especial ou amigos inseparáveis não é o que está estampado nas mídias sociais. Isso é apenas um rótulo. O que importa mesmo está nos bastidores,  está nas entrelinhas, está no que ninguém vê. Está naquela cumplicidade e naquele sentimento  que é “compartilhado” (no sentido off line da palavra) só por vcs.

 

Por Renata Stuart

Eu achei que nós chegamos tão perto…

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Eu só queria entender o porquê. Faltou pouco, tão pouco para dar certo.

Mas, infelizmente, um pouco que pesa, que perturba, que frusta, que dói, que interfere totalmente no todo.

Não há culpados. Talvez não era pra ser.

Se eu pudesse, eu teria feito dar certo. Se estivesse ao meu alcance, eu teria feito dar certo.

Não queria te perder, não queria te deixar. Essa nunca foi uma escolha.

Que fique claro: eu não escolhi seguir sem você. Simplesmente a gente se perdeu.

Eu espero, de verdade, que, um dia, a gente se encontre. Que possamos, em outras circunstâncias, ter a conexão que não tivemos. Que possamos descobrir o que não descobrimos. Que possamos preencher o vazio que o tempo criou.

Tem dias que as perguntas rondam a minha cabeça. Faltou dedicação? Talvez, de ambas as partes.  Intensidade? Acredito que sim.  Experiência? Certamente, mas que culpa temos se o destino nos uniu cedo demais?!

Hoje, já não cabe mais tentar compreender o que passou. Como diz a música “João de barro”, “o meu desafio é andar sozinha, esperar no tempo nossos destinos, não olhar pra trás, esperar na paz o que me traz a ausência do seu olhar”. Agora, meu amor, só me resta entregar meu destino nas mãos do tempo. Ele é quem vai ditar minha vida.

E se nossos caminhos não mais se cruzarem, aceitarei isso também. Por mais que doa. Aceitarei o fato de que, apesar de nossa bonita e rara história, o final não tinha que ser feliz.

Só espero que, comigo ou não, você tenha um final feliz.

Você vale muito.

Te amo.

 

Por Renata Stuart

22 de maio – Dia do Abraço

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largeAhh…o abraço.

Nada como estar dentro de um abraço sincero.

Envolvida em uma energia gostosa, pura e acolhedora.

Só os fracos e insensíveis desconhecem o valor de um abraço.

No beijo, existe sedução e mistério. No abraço não. E isso que é mágico: o abraço nos deixa “nus”, transparentes, e revela o que está oculto, denuncia aquilo que não é dito. É um silêncio de entrega e confissão.

Mas assim como um beijo, um abraço de verdade exige sintonia.

Não acontece com qualquer um.

Um abraço tem a incrível capacidade de paralisar o tempo.

Ele é o único momento em que temos dois corações no peito.

Um abraço transmite emoções, mata o frio e alivia dores.

Ele faz o coração bater mais forte e, ao mesmo tempo, acalma a alma.

O abraço foi o gesto que inventaram para que possamos dizer MUITO sem dizer absolutamente NADA.

Um abraço apertado revela a urgência de quem se despede desejando ficar.

Um abraço sutil revela a paz de quem encontra bem estar na companhia do outro.

Muitas vezes, só damos o devido valor ao abraço quando não podemos mais ter o abraço de alguém.

Devo confessar: eu sou uma viciada em abraços.

Feliz Dia do Abraço! 

Por Renata Stuart

A batalha dos EU’s

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Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

Estou de volta!

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máquina_de_escrever+chacomcupcakesHoje resolvi parar. Parar tudo e voltar aqui. Aqui, neste espaço do qual eu me descuidei. Sim, é verdade.  Às vezes abandonamos coisas que gostamos de fazer na vida em prol de outras. Mas acho que isso faz parte, abrir mão e renunciar de X para se ter Y. Mas, pensando bem, até que ponto isso vale a pena? Será que o Y é o que realmente quero ou é o mais conveniente? Será que vale a pena desistir dos nossos reais desejos em função da correria do dia a dia? Não, eu não quero ter meus sonhos roubados pelo tempo, pelo capitalismo, pela vida agitada e cronometrada. Me recuso a desistir do que me faz feliz para cumprir com o script da sociedade. Decidi assumir o controle da minha própria vida. Afinal, é como algo que li certa vez, a vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos para o futuro. Que se dane o futuro, nunca fui de planejá-lo mesmo! Já faz algum tempo em que venho tentando colocar as coisas nos eixos, invertendo prioridades, buscando encontrar meu equilíbrio, e ter mais tempo para mim, para me cuidar, me agradar, me entreter.  Aos poucos, entre retalhos e alguns tropeços, eu chego lá. Uma coisa, pelo menos, eu já consegui mudar: minha saúde! Sim, desde agosto de 2014, decidi mudar definitivamente meus hábitos alimentares e buscar ter uma vida mais ativa, com exercícios físicos regulares.  Chega de auto sabotagem, chega de começar a dieta na segunda e furar na quarta, chega de promessas. Não esperei 2015 para mudar. Não, eu não acredito em listas do tipo “Projetos para o novo ano”. Se você quer mudar algo, não há data determinada para que isso seja feito, the life is now! Então, mudei. Parei de brigar com a comida e, fiz, de fato a tal da reeducação alimentar que tantos falam! Encontrei um prazer imenso em conhcer novos sabores e cores.  Hoje, não importa o que eu esteja fazendo, a hora de ir à academia é sagrada. Todo mundo merece um tempo para si. Os resultados não poderiam ter sido melhores. Perdi mais de 12kg, me sinto mais disposta, com a autoestima elevada e com uma vontade de contagiar a todos com esse “healthylifestyle”. E, não, não é modinha nem “fogo de palha”, eu mudei e me surpreendo comigo mesma até hoje quando recuso uma porção de batata-frita ou vou malhar numa noite de sexta-feira chuvosa, por exemplo. Mudei, e isso não tem volta! E por quê? Porque eu me coloquei como PRIORIDADE!  Em síntese, o que quero dizer é: isso serve para TUDO na vida. TEMPO é questão de prioridade! Não podemos esperar as condições adequadas para poder iniciar um projeto, um desejo antigo ou realizar um sonho.  As condições nunca serão ideais  e, enquanto você espera isso acontecer, o relógio corre. Por isso, me comprometo, a partir de agora, a encontrar tempo para este espaço, meu Atelier de Palavras! Sei que nem tenho mais leitores assíduos, afinal, já devem ter desistido dos meus escritos ao acessar a página e não encontrar atualizações. (:/) Entendo perfeitamente. Mas, repito, quero voltar, quero novamente traduzir meus pensamentos, devaneios, sentimentos e bobagens em palavras. Sinto que preciso disso. Sinto que isso me faz bem. Sinto que isso me faz mais viva. Então, preparem-se, I’m back!

Por Renata Stuart

De um diário para o mundo

Posted on by Renata Stuart in Resenhas | 2 Comments

exposicaomenorDe uma escrita despretensiosa, como quem precisa desabafar e externar o medo, nasce uma história, infelizmente real, contada por uma adolescente a milhões de pessoas de todo o mundo. Hoje visitei a exposição internacional sobre a vida de Anne Frank, na Escola Superior Dom Helder Câmara, aqui em Belo Horizonte(MG).  Uma verdadeira viagem a esse passado horrendo do Holocausto, que marcou nossas vidas e nossos livros de história para sempre.  A mostra está montada bem no hall de entrada do prédio onde funciona a faculdade (Rua Álvares Maciel, 628 – Santa Efigênia) e a entrada é gratuita.

Uma linha do tempo divide duas as histórias: A da pequena Anne e a do nazismo, ideologia que surge em meio a um cenário devastado na Alemanha – derrotada na Primeira Guerra Mundial e repleta de indenizações a pagar – em que a população se encontra desempregada e em extrema miséria, com todos se sentindo amargurados e com sentimento de vingança. Os painéis – muito bem feitos, por sinal, – contam, por meio de fotolegendas, a crise na Alemanha, as ações de Adolf Hitler e seu partido (NSDAP) e, paralelamente, a história de Anne, seu nascimento, sua família, sua vida escolar, e assim por diante.

De um lado, o ódio cada vez maior aos judeus, com os nazistas os responsabilizando por todos os problemas enfrentados pelo país, o crescimento absurdo dos seguidores do Hitler e seu destaque gradual nas eleições. De outro, a garotinha – que sonhava em ser escritora ou jornalista – vai crescendo, frequenta a escola com seus amigos alemães, até que, em janeiro de 1933, após a ascensão de Hitler no governo alemão, ela precisa emigrar às pressas para Amsterdã, na Holanda, junto com sua família. E é nesse cenário em que o diário começa a a ser escrito, anos mais tarde, em 1942, dentro de um esconderijo nos fundos da firma do pai, Otto Frank.

Frases impactantes – retiradas do diário de Anne Frank – são misturadas a imagens da menina de rosto meigo e a cenas da intolerância do nazismo, além de fatos históricos da Segunda Guerra Mundial. É tudo muito sufocante e inacreditável. Por mais que o assunto seja martelado em todo nosso período escolar, por mais que existam centenas de filmes relatando esse genocídio, estar diante dessa história será, sempre, perturbador. As imagens foram bem selecionadas e os textos que as acompanham seguem uma linguagem de fácil compreensão. É como mergulhar num livro de história bem didático. Além dos painéis, uma TV de frente a um pequeno sofá – no mesmo local – passa um documentário sobre o assunto, também mesclando a vida da garota ao acontecimento histórico.

Anne foi apenas uma menina que havia ganhado um diário num momento turbulento e, coincidentemente, gostava (e precisava) de escrever. Ela se tornou um símbolo do martírio judeu e da luta contra a intolerância, pela preservação da liberdade e dos direitos humanos, e por uma sociedade democrática e pluralista. Mas e todos os Betos, Thiagos, Celsos, Marias, Cristinas, Simones (não conheço nomes em alemão) que não tiveram a oportunidade (nem tempo) de contar (ou de viver) suas histórias? A essas seis milhões de vozes caladas eu dedico este texto.

A exposição “Anne Frank: uma história para hoje”, é apenas uma parte da exposição maior “Brasil e Holanda – Paz e Justiça – Refletindo sobre o passado, construindo um futuro melhor”. Há, ainda, uma seção que resgata a vida de João Maurício de Nassau e sua influência no Brasil no século 17 e outra sobre Haia,  conhecida como a Cidade Internacional da Paz e da Justiça. A visitação ocorre até o dia 31 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h às 21h, e aos sábados, de 8hs às 15hs. Recomendo!

Por Renata Stuart

A dor precisa ser sentida

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

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5 anos. É inevitável. Todo ano, passada a correria das festas de natal e reveillon – datas comemorativas que você tanto amava – vem à tona o eterno vazio deixado após o dia 4 de janeiro de 2009. Não que no resto do ano não nos lembremos de você, isso acontece a todo instante, principalmente nos momentos de felicidade, naqueles em que eu daria tudo, tudo mesmo, para você estar conosco…e fico imaginando suas reações, o que diria, como estaria. Mas é que mesmo tentando me desapegar de datas tristes e sombrias como a de hoje, não dá…E como dizem, a dor precisa ser sentida para, aos poucos, cicatrizar. No meu caso, a dor precisa ser escrita.

O pior momento da minha vida foi numa segunda-feira à noite, depois de uma virada de ano sem brindes, sem fogos, sem glamour… mas em quatro paredes de um hospital, quando você já estava sem conseguir falar pela  dificuldade na respiração…e com delírios em decorrência da enorme quantidade de morfina.  Apesar disso tudo, a tal “esperança industrializada” já poetizada por Drummond estava ali comigo, com “outro número no calendário e outra vontade de acreditar” que um novo ano poderia mudar o rumo das coisas, mudar o seu rumo, o nosso. Mas não, ainda que tenhamos suplicado, Deus não quis assim.

Doeu ter que deixar seu quarto naquele dia, algo me prendia ali, eu não queria ir embora de jeito nenhum, dormiria até no banheiro se pudesse, mas minha mãe insistiu que só ela e meu pai poderiam passar a noite ao seu lado.  Me despedi de você, disse que te amava, e falei que você não precisava fazer esforço para me responder. Pelo que sei, enquanto eu ainda estava no elevador, você se foi… E, no caminho de casa, eu chorava, chorava, chorava tanto, que, de alguma forma, eu deveria saber que você partiu. Me lembro que chovia muito e minha vontade era sair correndo na chuva sem rumo. Só quando cheguei em casa, meu irmão, fui saber, por meio de um telefonema do meu pai- que nunca, nunca vou esquecer, por mais que eu queira,-   que você esperou apenas eu sair do quarto para ir embora.

O resto você já deve saber. Eu quis morrer, gritei coisas que não devia para Deus e pensei que eu fosse enlouquecer. Ninguém estava preparado para perder você. Nunca estamos. Pedi a Deus até que você revivesse ou que tudo fosse um pesadelo terrível daqueles que a gente acorda chorando, suado, e aliviado. Mas não, era verdade. Verdade que eu só constatei ao voltar no hospital e encontrar sua cama vazia e procurar por você desesperadamente.

Hoje, às vezes ainda me pego procurando por você. Nas ruas, nos garotos levemente parecidos com você, ao lado dos seus amigos que cresceram numa velocidade absurda. Marcus, você é tão especial, meu irmão, que Deus estava precisando de você para outras missões muito além das que você realizou aqui. Hoje, não nos resta dúvidas, meu neném, você foi um anjo que por quinze anos nos amou com seu jeitinho tão puro, nos mostrou o que é felicidade plena e nos ensinou o valor das pequenas coisas. Nos fez rir, nos fez mais unidos, nos fez mais humanos.

Sinto sua falta de um jeito inexplicável e a dor, ainda que mais silenciosa, ainda é forte. Sinto falta da sua proteção de irmão, do ciúme disfarçado que você tinha de suas duas irmãs, da nossa infância gostosa, dos tombos de bicicleta, das diversas vezes que você, tão guloso e amante da culinária, já almoçava escolhendo o menú do jantar. Das confidências que você me fazia sobre suas paqueras, das vezes que eu te chamava de “meu lindo” ou “meu neném” no recreio da escola e te matava de vergonha perto dos seus amigos, das brincadeiras, das briguinhas, de poder cheirar você, de beijar sua orelhinha, de te abraçar forte, e de me gabar: “esse loiro lindo de olhos azuis, forte e alto, é meu irmão, meninas! Entrem na fila porque ele está crescendo”.

Você, meu irmão, além de lindo, era educado, brincalhão, meigo, cavalheiro  e muito inteligente. Tenho o maior orgulho de ser sua irmã. E agradeço a Deus por Ele ter escolhido a minha família para viver 15 anos com você. Sim, ainda que com essa lacuna, somos privilegiados por ter tido você em nossas vidas. Mas, confesso, ainda é surreal pensar que já se passou tanto tempo. Meia década é tempo demais. Não me pergunte como estamos aguentando, pois não saberei responder. É como eu disse certa vez, a força que acreditamos que não temos (e não temos mesmo) surge de algum lugar, como se a única opção fosse segurá-la e, então, a gente se segura nela e vai, meio que por impulso…

5 anos. Faz 5 anos que sofremos a dor da sua perda. Faz  anos que nossa casa respira a sua ausência, todo dia.  Que a sua alegria de viver não ilumina nossos dias. Faz 5 anos que estamos sem seu sorriso lindo e sua risada gostosa. Que não vemos um novo gesto seu e nem ouvimos uma nova palavra dita por você, o máximo de realidade que temos estão nas fotografias e vídeos. Exceto nos sonhos, quando tudo é inédito e parece que você realmente nos visitou. Faz 5 anos que a vida se tornou mais insegura diante dos meus olhos e faz 5 anos que, ao fechar os olhos para fazer uma oração, não sei mais pedir, mas só agradecer pela saúde das pessoas que amo. Enquanto seguimos a vida sem você, só nos resta acreditar que você está em um lugar lindo, infinitamente melhor que aqui, com seu carisma e sua bondade, olhando por nós lá de cima, pedindo a Deus para dar uma atençãozinha especial aqui.

*Saywer Forever! Te amaremos para sempre!

Marcus e Cia 15-1-2008 21-09-19

Por Renata Stuart

Coragem embriagada

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Algumas pessoas têm uma relação no mínimo estranha com o álcool. Eu bebo socialmente, gosto de sentar para conversar e beber com os amigos. Seja vinho, cerveja ou destilados, o álcool parece deixar a alma mais leve, o ambiente mais descontraído, e as preocupações mais distantes. (tudo ilusão).  Sem hipocrisia,  já exagerei na dose sem perceber que estava no meu limite e, sim, dei vexame. Quem nunca? Rss..Não, essa não é uma reflexão sobre alcoolismo. Pudera eu falar sobre esse problema sério que atinge boa parte da população. O fato que me assusta e me aflige é outro: há quem precise dessa substância no sangue para simplesmente SER. Ser em essência, de dentro pra fora, despir a alma, acender a luz e deixar visível o que quase ninguém vê.

Quem me conhece sabe que nunca precisei do álcool para colocar pra fora o que me incomoda.  Sou totalmente a favor de um mundo mais franco. Se estou chateada com você, vou te procurar, sóbria, para conversar e soltar o verbo. OK, não vou entrar nesse mérito, não é tão fácil ser assim e eu não espero que todos sejam. Ninguém é igual a ninguém. Uns preferem guardar o que sentem lá dentro e deixar o tempo consertar (colocar a poeira embaixo do tapete, em outras palavras). O problema é quando a pessoa condiciona certos momentos ao álcool. Já chorei e pulei de alegria e até briguei bêbada, mas não preciso estar bêbada para chorar, pular de alegria e brigar. Uma coisa não depende da outra. É preciso se arriscar mais, se sujeitar a sentir mais, se entregar mais, sem a tal desculpa “eu tava bêbado, não lembro”.

Sabe aquele fulaninho que só sabe se divertir bebendo? Ou aquele que só desabafa e se entrega aos problemas quando enche a cara? E pior, aquele que só é verdadeiramente verdadeiro (a redundância é proposital) depois de uns bons engradados? Já vi gente que é só sorrisos e elogios em dias “normais”. Basta se entregar à bebida e começam as críticas, os dedos apontando falhas e a boca soltando mágoas há tempo guardadas. E até a inveja, às vezes camuflada no dia a dia, dá às caras e se mostra depois de uns drinks.  Sou do seguinte lema: tem algo te perturbando, remoendo, machucando? Respire fundo, vá em frente e resolva isso de cara limpa, não há nada mais covarde do que usar a bebida de escudo.

Da mesma forma, há quem seja frio e indiferente durante os dias de sobriedade e, basta alguns goles de uma cerveja barata, para abrir o coração e dizer o quanto ama ou precisa de alguém. Se amanhã o arrependimento bater, é mais fácil colocar a culpa nos efeitos colaterais da bebida…”foi papo de bêbado, liga não”. Nada contra quem distribui “eu te amo´s” depois de umas taças de vinho, eu mesma já fiz isso. Mas é preciso distribuir ‘eu te amo’ a quem nos importa, todos os dias, nem sempre com palavras, mas com atitudes, gestos, sorrisos.

Pois é.  O álcool diminui a censura, arranca máscaras, revela sentimentos.  Acho triste quem precise dele para se mergulhar nesse imenso mar de sensações que é a vida. A coragem embriagada vem fácil. Quero é ver a transparência sóbria, que nos coloca de frente – e por inteiro – com as dores e as delícias do viver.

Independente do que for, o bom mesmo é  s-e-n-t-i-r,  ao pé da letra, nos fortalecendo com aquilo que nos machuca e nos emocionando com o que nos faz bem. Por fim, concluo com um pensamento sábio que li por ai:  tem tanta gente com medo – da dor e da felicidade – que prefere viver anestesiado. 

Por Renata Stuart

Uma crônica em dez minutos

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Me propus a fazer um texto – que nem sei se posso chamar de crônica – em apenas dez minutos. É exatamente o tempo que eu tenho antes de ter que tomar o banho e seguir para os afazeres do dia. Sobre o que falar em dez minutos? Tudo é tão complexo, tão difícil de resumir, a vida é tão extensa e, ao mesmo tempo, tão breve. Agora mesmo, li uma frase – dessas que o povo compartilha no facebook – que ficou pipocando em minha mente. É tanta informação inútil compartilhada nas redes sociais que quando uma nos chama atenção entre tantas é porque foi realmente merecido. Essa me chamou. E dizia, em inglês, “Algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham.” Num primeiro instante, fala sobre a chuva, óbvio. Mas a metáfora inserida nessa frase é de uma sabedoria sem tamanho. Uma verdadeira metáfora sobre a vida. Algumas pessoas trabalham com prazer, outras apenas trabalham. Algumas pessoas vivem de corpo e alma, outras apenas vivem. Algumas pessoas se doam e conquistam amigos para vida toda, algumas se fecham tanto que se tornam apenas “amigos”. Algumas pessoas dão sorrisos abertos sem um motivo aparente, outras apenas sorriem socialmente. Algumas pessoas vivem 24horas ativas em prol de se sentir bem e contagiar quem está por perto, algumas simplesmente deixam o dia passar, no piloto automático….Algumas pessoas correm atrás  de soluções, de mudanças, outras apenas sabem fazer reclamações. Algumas pessoas vivem diariamente em busca de realizar os próprios sonhos, outras simplesmente sonham. Algumas pessoas se revoltam com a vida de vez em quando e choram litros, outras não choram, não se expressam e “engolem” os impulsos da vida. Algumas pessoas confiam inteiramente ainda que isso seja arriscado nos dias de hoje, outras vivem com o pé atrás, com desconfiança até da própria sombra. Enfim, eu poderia ficar aqui até amanhã fazendo essa brincadeirinha…Mas e você? Tem sentido a chuva ou apenas se deixado molhar?

Por Renata Stuart

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