Sexo bom precisa ter alma

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

 

Gosto do toque sutil, gosto da pegada ousada, gosto da respiração ofegante.  Mas se não tem alma, meu bem, não tem tesão. Que culpa tenho eu por ter um coração pulsante. Sexo bom para mim não pode ser só físico.

Não comece tirando a minha roupa sem antes desnudar a minha alma. Sim, antes de conhecer meu corpo, procure conhecer quem habita dentro dele.E se não te interessa explorar o território do meu ser, dê meia volta.
Não estou pedindo juras de amor, e muito menos declarações. Não sou mais ingênua a ponto de achar que o sexo só é bom quando envolve amor. Não é disso que falo. Falo daquela afinidade que começa fora da cama. Sabe? Para mim, é preciso de um pouco mais que vontade momentânea.

Nada contra quem é a favor do sexo casual.  Mas preciso mais do que apenas o desejo puramente sexual.  Necessito de um mínino de envolvimento. O olhar tem que ser de verdade. As palavras precisam ser naturais. Boa conversa, entende?  A admiração – ainda que singela – em ambas as partes, precisa entrar em cena. É preciso mais que um corpo bonito para me atrair a quatro paredes.

Meu prazer começa bem antes de ir para a cama, meu prazer começa nas sutilezas. São detalhes que me levam a querer me entregar a alguém. Um jeito de falar, um olhar, uma atitude, um gesto. Uma sintonia. Um riso verdadeiro. Sexo é troca intensa de energia. E não, não estou disposta a absorver as vibrações vazias de quem só tem olhos para o que é visível e superficial.

Careta? Talvez. Mas é assim que sou. Que culpa tenho se não aprendi a separar corpo de alma. Não sei me entregar pela metade. E não me contento com as migalhas de um sexo sem alma.

Por Renata Stuart

Sobre o que vivi [e aprendi] na Irlanda

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | Leave a comment

Eis que chegou a minha hora. Hora de dizer adeus ao frio país que me acolheu de forma tão calorosa. Sim, eu, que apesar de super apegada à família, (quem me conhece sabe ) sempre tive uma inquietação e uma sede de liberdade dentro de mim. Hoje, não tenho dúvida: largar a minha zona de conforto cerca de 2 anos atrás e me jogar no mundão foi a melhor decisão que já tomei. Por onde começar? Foram tantos desafios. Dividir a casa com pessoas de outros países (lidando com a diferença cultural), ser babá e morar com uma família incrível de irlandeses por mais de 1 ano (aprendendo a AMAR de verdade crianças que até então eu nem sabia da existência). E mais: ser “membro” de uma família que não é sua e se adaptar a um ritmo e estilo de vida novos. Tudo isso somado à enorme responsabilidade de zelar pela segurança de pequenos seres que são tudo na vida de outro alguém.

Depois, outra missão: ser garçonete em um tradicional pub irlandês servindo locais e turistas do mundo todo. Carregando bebida e comida, tendo que entender o inglês nos mais variados sotaques, sendo extremamente simpática mesmo num dia mal, lidando muitas vezes com o mau humor das pessoas, e (ainda bem!), esbarrando com clientes amáveis que transformam o dia de qualquer um. Abrir mão dos lazeres dos finais de semana para trabalhar ou aguentar tratamento rude do chef de cozinha e da gerência não foram nada perto das longas horas de trabalho, tendo horário de almoço “na hora que der”, acostumando o corpo a ficar algumas boas horas sem comer. Mas consegui. E sensação melhor que essa não há. Hoje, vejo o garçom com outros olhos, com mais compreensão, respeito e admiração.
Todo trabalho é trabalho, e só entende isso quem tem grandeza espiritual e humildade.

Além de um novo idioma e experiência de vida, o MELHOR que levo dessa jornada são as pessoas que me marcaram, de vários cantos do Brasil e do mundo!  Gente que fez eu me sentir em casa e que vou levar daqui pra vida. Ahh, que saudade sentirei de vocês!! Obrigada a cada um por tudo de bom que compartilhamos! Aos que já foram e aos que ficam na ilha…vejo vcs pelo mundão!

Levo também mais autoconhecimento e sabedoria, afinal, estando sozinha e longe de casa – por conta própria – a gente descobre mais sobre o que somos e evolui nas dificuldades. Quando se divide o mesmo lar com pessoas que não são sua família, por exemplo, você começa a relevar muitas coisas que talvez não relevasse antes, com sua irmã, pai ou mãe. Dai passa a entender que, muitas vezes, em uma discussão, precisamos abrir mão de estar com a razão para estar em paz. 🙇‍♀️ Além disso, simples fatos ganham destaque: todos somos diferentes, as pessoas não são obrigadas a corresponder suas expectativas e os seus problemas não são os únicos.

Resumindo, meus caros, vou embora com a bagagem pesada, carregando com gratidão e alegria. Só posso dizer que faria tudo de novo. Tive que sair do meu mundinho para constatar que SIM, as fronteiras do mundo existem, mas nós fomos feitos para ultrapassá-las.

E ainda mais corajoso do que ter vindo até aqui, é agora o ato de voltar. Ainda melhor do que viajar, é ter sempre para onde e para quem voltar. Brasil, ai vou eu! Thanks for all, Ireland.

Por Renata Stuart

“Fala Sério, Mãe” – um filme baseado em fatos reais

Posted on by Renata Stuart in Resenhas | 1 Comment

Dia desses fui ao cinema com minha mãe. Foi o nosso primeiro programa sozinhas – só eu & ela –  em cerca de três anos. Isso porque eu estive fora do país por um período. Sim, logo eu, que sempre fui grudenta e muito apegada a ela.  Desde pequena, eu era aquela que ficava colada na saia da mãe, sabe? Nas festas de família, eu até brincava com meus primos e amigos, mas voltava a cada quinze minutos para garantir que ela ainda estava ali. Quando ela viajava a trabalho, eu abria o berreiro. Chorava e me sentia abandonada. Morria de medo que algo acontecesse a ela. “Papai do céu, cuide dela e traga ela bem para casa, por favor”, eu rezava, chorando no meu drama particular.  Apesar de ser o “chicletinho” dela, eu não era mimada, nada disso, ela me dava broncas, castigos e falava “não” quando necessário, mas sempre tive essa ligação intensa com ela, algo além do cordão umbilical, saca? Essa melação sempre partiu mais de mim mesmo, ela apenas retribuía e retribuía em dobro. Fui crescendo e nos tornamos verdadeiras amigas. Do tipo que fica conversando na cama até tarde, e quando se dá conta são 4 da matina. Por isso, quando decidi ir para fora, eu sabia que um dos grandes desafios seria esse: ficar longe dela. E não foi fácil.  Mas, olha, até que nos viramos bem. O que era para ser apenas 6 meses acabou se tornando 2 anos e meio.

 

Mas voltando ao nosso primeiro programa juntas depois de tanto tempo, no fim de tarde de um domingo pacato, aquele era o nosso dia. Um dia que, sem querer, acabou sendo repleto de nostalgia, reservado pra gente. A começar pelo filme, que se chamava “Fala Sério, Mãe”. Eu não tinha ideia do que se tratava, mas o escolhi pela atriz Ingrid Guimarães que sempre me rouba risadas. Quando começamos a assistir, as coincidências eram inúmeras. As duas personagens principais do filme – mãe e filha- passaram por muitas situações que eu e minha mãe já passamos. E a relação das duas, incluindo as briguinhas da adolescência, a amizade e os momentos de cumplicidade, lembravam muito a nossa.  Para se ter uma ideia da semelhança, no filme, a filha (vivida pela atriz Larissa Manoela) presenteou a mãe com dois ingressos para o show do Fábio Jr, no qual elas foram juntas. Em 2015, eu dei a minha mãe dois ingressos para o show de seu ídolo Fagner. E assim como a Ingrid Guimarães faz no filme, minha mãe subiu no palco e agarrou o cantor! (hahaha…Que dia!) Foi mágico poder fazê-la tão feliz! Lembro que nos divertimos tanto e acabamos a noite em sushi, só eu e ela, num restaurante delicioso que descobrimos por acaso naquela noite e que mais tarde se tornou o restaurante japonês favorito da nossa família.

Outro detalhe do filme que fez a gente se enxergar no telão, foi a despedida, quando a filha decide ir morar fora por um tempo, da mesma forma que eu fiz. Nós duas sabemos exatamente os sentimentos que descrevem aquele momento: dúvidas, medos, frio na barriga, instinto de proteção, e muita saudade. Saudade com a qual aprendemos a lidar durante esse período em que estivemos afastadas fisicamente.

O mais engraçado foi assistir às cenas do filme e olhar uma para outra em várias delas, questionando a nós mesmas: “Estavam espiando a gente ou o quê?” “O filme é baseado na nossa vida?”  E sim, o filme é baseado em fatos reais, não só na gente, mas em todas as mães e filhas que têm a sorte de ter essa relação de parceria e amizade, como nós temos!

E assim foi o nosso fim de domingo, um encontro que não poderia ter sido mais nostálgico, mais uma daquelas recordações gostosas que ninguém pode nos tirar! Ah, e para fechar a noite, é claro que fomos comer sushi! Celebrando a alegria de estarmos juntas, novamente! <3

Por Renata Stuart

Sobre morar longe da família

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

largeNada preenche o vazio do silêncio após desligar, com dificuldade, a ligação do skype. A janelinha da webcam se fecha, as risadas e os milhões de beijos enviados se calam e dão lugar à realidade: eu não estou mesmo lá. Eles não estão mesmo aqui, embora parecesse a minutos atrás. A tecnologia ajuda muito, diz meu pai. Sim, ajuda, mas passados os minutos (as vezes horas) da ligação – com assuntos intermináveis – é cada um por si. A vida segue dos dois lados. Já não sei do que estão falando neste minuto, como também não sei o que é que está fazendo minha irmã dar risadas na sala, o que minha mãe está planejando fazer para o jantar, ou o que meu pai está assistindo na TV. Não sei da festa que eles provavelmente devem ter para ir num fim de semana próximo. Não sei qual foi o momento mais divertido da última viagem em família. Não sei muitas coisas. Mas sei que esse “não saber”, assim como todos os momentos que deixo de viver com eles, são partes inerentes a isso tudo. Não tem jeito. Para se permitir algo muito bom, as vezes é preciso suportar algo muito ruim. Cada escolha, uma renúncia. Por mais que doa. Doer faz crescer. E assim vou aprendendo a viver e brincando de ser gente grande.

 

Por Renata Stuart

 

Carta ao novo intercambista

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

bigstock-Traveler-silhouettes-at-airpor-52479226-1024x682

Olá, novo intercambista!
Bom, vou direto ao ponto.

Às vezes você vai surtar. E irá se perguntar porque está do outro lado do mundo trabalhando pesado, dividindo quarto e talvez até passando por certas dificuldades…sendo que a vida era tão mais “fácil” lá, na sua ZONA DE CONFORTO, no seu país.
Mas é bem assim: tudo INTENSO, ambíguo e as vezes meio sem sentido. Sim, em alguns dias você vai acordar desejando estar em casa. E no mesmo dia, vai dormir querendo morar aqui pra sempre. Louco, né?! Nada, bem normal por aqui.

É possível que você (embora não deveria) se apaixone algumas vezes. Mas daí você vai se dar conta de que aqui tudo VAI e VEM de forma rápida. Tudo parece ter uma proporção maior do que realmente é. Dai você – felizmente – irá descobrir que não era paixão, e sim carência. Não confunda, ok?!

Você vai superar seus LIMITES e descobrir que é mais autosuficiente que pensava. Você vai sentir muita SAUDADE, muita mesmo. Mas, de alguma forma, vai aprender a lidar com ela. Vai amar a LIBERDADE e se viciar nela. Vai perceber que o mundo está lá fora a sua disposição e nada te impede de explorá-lo. Vai descobrir que não precisa de todo aquele materialismo pra ser FELIZ. Colecionará mais MOMENTOS, e menos bens. Vai concluir que o verbo da felicidade é o “CONHECER”: lugares, pessoas, culturas e, claro, a SI MESMO.

Falando em conhecer pessoas, prepare-se: você vai fazer amizades preciosas. As vezes da noite pro dia. Sim, só quem vive essa experiência entende a força das relações que construímos por aqui. Você está sim, SOZINHO e, ao mesmo tempo, RODEADO. É incrível como, estando longe dos nossos queridos, acolhemos uns aos outros com todas as garras. É a FAMÍLIA que você escolhe – ou talvez o destino te oferece. O que nos fazem tão próximos? Os mesmos receios, as mesmas sensações e aprendizados. A melhor parte é essa – não economize, faça muitos amigos!

Você vai viver EXPERIÊNCIAS surreais e enriquecedoras! E talvez não perceba isso até que tudo passe, pois a ficha as vezes só cai quando nos distanciamos. Até você se ver contando casos para amigos, e se dar conta de quanta história você viveu em tão pouco tempo. Ah, falando em TEMPO, ele voa por aqui. Numa velocidade bem maior do que para aqueles que te esperam voltar.
Enfim, o resto você vai descobrir por si mesmo! Bem-vindo! Aperte os cintos e aproveite cada minuto. 🙂

Por Renata Stuart

Recipro{cidade}: onde mora o amor próprio

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

20170214_090803Reciprocidade. Essa é a palavra de ordem que tem regido minha vida.
Dar atenção a quem me dedica seu tempo. Retribuir cuidado a quem me oferece carinho. Importar-se com quem se preocupa comigo. E não, não se trata de egoísmo, mas sim de amor próprio. Talvez um mecanismo de defesa pra sobreviver nesse mundo onde nem sempre (quase nunca)recebemos o que damos.

A premissa é básica: quem quer arruma um jeito, quem nao quer, arruma uma desculpa. Se pra vc tanto faz, por que tenho que fazer questão? Afinal toda relação humana para ser saudável, precisa ser uma via de mão dupla.

Portanto, se quer um conselho, não insista, não mendigue atenção. Se você precisa se esforçar para que o outro te enxergue, esse olhar já não vale a pena. Se o diálogo começa a virar monólogo, cale-se. Prefira a solidão do que uma companhia forçada, conveniente. Queira apenas aquilo que vem de graça, de forma espontânea. Entenda que quem realmente quer estar com você, se vira. Tempo é uma questão de prioridade. Amizade não se cobra, amor não se pede. Simplesmente acontece. E de fato, nenhuma relação vai pra frente sem o esforço de dois.

Aprendi que a gente trata o outro exatamente como gostaria de ser tratado. Mas, como tudo na vida, é preciso equilíbrio. Como uma partida de tênis , se a bola nao volta, não tem jogo. Simples assim. Como diz o ditado, “quando um não quer, dois não brigam.” E nem adianta insistir, brigar sozinho é péssimo. A cada vez que você corre – incessantemente – atrás do outro, você está – gradualmente- afastando-se da própria dignidade.

E não se trata apenas de receber. O inverso funciona igualmente. Reciprocidade é também não fazer ao outro aquilo que você não gostaria que fosse feito a si mesmo. É ter empatia, aquela capacidade de se colocar no lugar do outro. É acreditar na tão falada “lei do retorno.”

E assim segue o ritmo, incluindo todos aqueles clichês: Se você deseja o bem, o bem te deseja também. Você atrai o que emana. Gentileza gera gentileza. Você colhe amanhã o que planta hoje. No fim das contas, tudo se resume em uma coisa: reciprocidade. Que sejamos recíprocos, minha gente, gastando energia apenas com quem realmente vê o valor da gente.

Por Renata Stuart

Sobre ser e reapreender a ser solteira

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

205391_3678821287142_986835842_n_largeJá dizia o sábio Freud: “como fica forte uma pessoa segura de ser amada”. Sim, sentir-se especial a alguém faz bem a qualquer um. Ter alguém que realmente se importe. Alguém que pergunte – com real interesse – como foi o seu dia. Alguém para desejar boa noite. Não dá pra negar, tudo isso deixa a vida mais leve. No entanto, nem sempre temos o privilégio de ter encontrado alguém que mereça tal posto em nossas vidas, uma “metade”, como dizem por aí. Acontece mais cedo para alguns, mais tarde para outros. Ou acontece várias vezes para a mesma pessoa, afinal viver é mesmo uma questão de tentativa e erro. Mas o fato é: as vezes não tem ninguém. Nenhuma ligação perdida, nenhum emoticon de coração, nenhum aconchego a dois embaixo das cobertas. Você está sozinha, ou melhor, solteira. E apesar de estar longe desse alguém que ainda não apareceu, você nunca esteve tão perto de si mesma.

Sim, ser solteira é um autoaprendizado. Você passa a ouvir mais a voz ali dentro de você. Ser solteira – especialmente após namorar anos a fio – é redescobrir os próprios gostos. É perceber aquilo que realmente te envolve, o que te move. Ter mais tempo para si mesma. É de repente perceber que você tem uma sintonia com a corrida, a bike ou a aula de zumba. É encontrar prazer em cozinhar ouvindo sua playlist de músicas acústicas. É cuidar mais de você, fazendo pequenas coisas como tirar aquela manhã de sábado para fazer a hidratação capilar que você vem enrolando a séculos. É se jogar na pista e perceber que você simplesmente ama dançar consigo mesma. É colocar uma mochila e se aventurar fazendo uma viagem sozinha àquele destino que você tanto sonhou.

Ser solteira é também reinventar-se. É aprender – ainda que na marra – que é possível encontrar diversão sozinha em pleno sábado à noite. Pois nem sempre tem aquela festa ou balada programada e suas amigas nem sempre estão disponíveis. É reafirmar sua autonomia. Você decide o sabor da pizza – e o melhor: ela é toda sua. De companhia, uma taça de vinho, um filme, a família ou amigos e boas risadas. Você quem decide. Você faz o roteiro do seu final de semana, e também o caminho de volta pra casa no final da festa.

Ser solteira te faz mais experiente e, consequentemente, mais realista. Em meio a tantos caras que claramente colocam ‘quantidade’ acima de ‘qualidade’ – ou seja, querem várias e nenhuma ao mesmo tempo – você aprende a se iludir menos, a criar menos expectativa e a ser menos romântica. Sim, pois a vida não é um conto de fadas e as vezes – mesmo te achando “da hora” – ele só quer o momento. E, falando sério, as vezes ele só vale o momento também. Nada mais. E tudo bem, você aprende – ou pelo menos tenta – a curtir o tempo chamado “agora” e a ser dona de suas escolhas. E do seu corpo.

Ser solteira te faz uma mulher mais forte. Você se torna mais independente e começa a ver que você é a única responsável pelo seu bem-estar ou pelo seu baixo astral. Que a vida não se resume em ter um romance e que sua felicidade é muito preciosa para depender de outro alguém. Em tese, ser solteira é perceber que, no fundo, ninguém PRECISA de ninguém. Nos rodeamos de pessoas não por necessidade, mas porque isso deixa a vida melhor.

Afinal, ser feliz é algo que ocorre de dentro pra fora. Não há como extrair felicidade do meio externo se o meio interno não anda bem. E aí, parafraseando Freud, ouso dizer: “como fica forte uma pessoa que ama a si mesma”.

Então, quando a hora chegar, você vai perceber que não, você não quer uma metade! Mas sim alguém também inteiro, para transbordar com você.

Por Renata Stuart

Viver é saltar do alto sem saber voar

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | 1 Comment

large

Dentre as coisas boas sobre envelhecer, é que seguimos evoluindo, aprendendo, descobrindo. Nosso HD é sem limites, sempre tem espaço para o novo. Todas as fases da vida têm algo a nos ensinar. Umas mais que outras. Depois de algum tempo sem sair do lugar, você descobre que, para aprender a “voar”, é preciso dar saltos grandes. Só que essa tarefa não é fácil.

Às vezes falta impulso e o voo parece querer perder força. Mas logo você se reergue e retoma o controle. Às vezes o voo parece meio sem sentido.

Você não sabe bem onde está sobrevoando e nem mesmo aonde chegará. Mas o vento te leva. E aquela brisa gostosa volta e meia te faz sorrir, mesmo sem saber o porquê. “Viver é um privilégio.”, você pensa repentinamente.

E, sim, às vezes o voo também falha. Você cai. Mas tudo bem, você aprende que curativos não te fazem mais fraco, pelo contrário, te deixam mais resistente para as quedas seguintes.

Então você segue viagem ciente de que não é perfeito e para de se cobrar tanto, afinal os erros não te frustram mais, apenas te ensinam. Você aprende a rir mais, por nada.

A ser leve e a se [pre] ocupar menos com aquilo que você não tem o poder de mudar. E passa a poupar energia para o que você pode transformar.

Você entende que é sim importante fazer planos, mas que não deve se apegar a eles como um roteiro inalterável, pois no meio do caminho, tudo pode mudar.

Percebe que é bom e deve se sonhar com o amanhã, mas que não deve contar com ele sacrificando tanto o presente, afinal, por mais clichê que seja, nossa garantia é somente o agora.

E dai você conclui que viver é bem isso: pular de penhascos – diariamente – mesmo sem saber voar. Não há instruções. Mas a queda é emocionante e vale a pena.

E, de uma forma ou de outra, você acaba dando um jeitinho e cria asas durante esse louco percurso.

Por Renata Stuart

Não quero virar a página, quero um novo livro.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | Leave a comment

livrosVirar a página é pouco. Decidi que quero um novo livro. Sim, pois a vida é muito curta para perder tempo lendo um livro que não te extasia, que não extrai o melhor de você, que não te tira da realidade de vez em quando.  Quero me reinventar, me reescrever, me republicar.

Não que os livros velhos perderam seu valor. Cada leitura tem sua importância e todas elas ficam para sempre guardadas na estante da vida. Cada livro lido no passado interfere nas interpretações que faremos dos próximos. As experiências de ontem formam o que somos hoje. E isso é parte da vida.

Mas às vezes é preciso se desapegar de velhas páginas, velhas histórias e velhos caminhos que já não nos levam a lugar algum. E não, não é fácil se desapegar do livro de cabeceira. Não é tão simples abandonar o comodismo, abrir mão estabilidade e se jogar no escuro. É preciso coragem para se sujeitar ao erro. É preciso ousadia para se colocar diante do vazio das páginas em branco. É preciso força para enfrentar a interrogação do amanhã incerto.

E se eu me arrepender? Bom, esse é o preço que as pessoas intensas pagam. Se  arrepender, siga em frente. Sempre existem novas possibilidades e novas descobertas te esperando lá fora. Portanto, aceite as consequências e simplesmente continue, um dia após o outro.

Antes que você pense que as pessoas intensas são inconsequentes e não pensam nos efeitos de seus atos, alto lar: Nós pensamos, e muito, antes de tomar qualquer decisão, mas a conclusão é quase sempre a mesma: “prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que não fiz.” Então a gente mergulha e encara as próprias escolhas de cabeça erguida. Para nós, não há nada pior do que um lamentável  “como seria SE eu tivesse tentado”.

Nada contra quem se resigna diante da vida, não se arrisca e se contenta com aquilo que tem pelo simples medo de não poder ter algo melhor. Os intensos precisam de mais. Como eles se entregam por inteiro, eles não aceitam metades e não se conformam com menos do que acham que merecem ter.

E esse “mais” que as pessoas intensas buscam nem sempre está em outro alguém.  Elas  têm amor próprio e adivinhe só?  Preferem estar sozinhas do que receber migalhas do outro. O “mais” também pode estar na liberdade, no prazer da própria companhia, em um novo projeto, uma viagem, ou até mesmo na emoção de não saber o que nos espera no final do livro. Sim, pois, a cada esquina, tudo pode mudar.  Um novo lugar. Um novo olhar. Um novo sentido. Tudo, a qualquer momento, pode representar o início de um novo capítulo e, quem sabe, um novo livro que mereça estar em sua cabeceira.

E aí, quando a gente sente – de dentro pra fora – que vale a pena abrir mão da solidão agradável, a gente se entrega e se embarca em uma nova história, com mais sabedoria e talvez menos expectativas, mas sempre com o mesmo objetivo: ser {intensamente} feliz!

Por Renata Stuart

Mais essência, por favor.

Posted on by Renata Stuart in Reflexão | Leave a comment

tumblr_lbuv0uxJL91qdi5sco1_500

Aprendi que as melhores coisas de se ouvir – e as mais verdadeiras- são ditas ao pé do ouvido, olho no olho, no reservado. A cada dia, observo a vida, as contradições entre palavras e atitude, e concluo: dispenso as falsas exposições. Eu, que sempre fui intensa e exagerada (daquelas que têm vontade de colocar a boca no mundo pra falar o que está sentindo), decidi que prefiro a simplicidade da essência.

Prefiro a leveza de um silêncio que diz tudo. Prefiro a sutileza de um sms exclusivo e inesperado (sim,   mesmo em tempos de whatsaapp. Por que não surpreender?). Dispenso a hipocrisia e as falsas declarações públicas. Status do dia? Cansada. Cansada dessa disputa pra ver quem é mais feliz. Cansada de quem se esquece do “ser” e se contenta com o “parecer ser”. Prefiro um gesto sincero ou uma prova de companheirismo no dia a dia do que uma marcação numa postagem que pouco reflete a realidade. E, acredite, sempre tem alguém que conhece a verdade além da web.

Quem nunca sentiu náusea quando abriu o facebook e se deparou com a foto de duas “amigas” que todo mundo sabe que falam mal uma da outra nas costas? Quem nunca lamentou a fotinha romântica do casal infiel? No fim das contas, a vida real tem mais a ver com “inbox” do que com “time line”. Tem mais a ver com o que você faz, não com o que você fala.

E não, nao vou parar de postar sobre a minha vida e não estou dizendo que alguém tem que fazer isso. Registros são sempre bons e compartilhar é algo inerente à era digital. Mas é preciso limite e bom senso. Limite porque nem tudo é publicável. Há quem não se permite viver sem um “share”. E bom senso pra entender que o que faz de vocês um casal feliz, uma família especial ou amigos inseparáveis não é o que está estampado nas mídias sociais. Isso é apenas um rótulo. O que importa mesmo está nos bastidores,  está nas entrelinhas, está no que ninguém vê. Está naquela cumplicidade e naquele sentimento  que é “compartilhado” (no sentido off line da palavra) só por vcs.

 

Por Renata Stuart

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11   Next »