O mundo externo é reflexo do seu mundo interno!

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Feliz o dia em que você descobrir que o mundo ao seu redor é reflexo do seu mundo ai dentro.

Que a sua vida é exatamente o que você vê, o que você sente, o que você fala.

Parece abstrato, soa meio autoajuda e talvez seja até clichê, eu sei, mas faz tanto sentido quando você é realmente tocado para isso. E mais ainda, quando você comprova isso.

Nós temos um poder enorme nas mãos, ou melhor, na mente. E só quem tem consciência disto faz uso deste poder.

Se você enxerga a vida de um jeito bonito, mesmo ciente de que ela tem suas imperfeições, ela te devolve dias, momentos e sensações na mesma sintonia.

Se você conseguir enxergar o lado positivo das coisas, encarando que até as piores situações ocorrem por um bem maior, que lhe trará aprendizado e evolução, você vai se surpreender com a energia que vai se formar a sua volta.

Será nítido, não só para você, mas principalmente pelas pessoas que passarem pela sua vida. O sorriso no rosto, a gratidão diante da vida –mesmo ela sendo simples, “comum” e sem glamour- vão atrair você para situações positivas, cultivando sentimentos verdadeiros, e naturalmente repelindo aqueles que não são.

Mas tudo isso é uma luta constante. Não estou dizendo que é fácil carregar essa paz interior o tempo todo. As vezes só temos vontade de nos recolher na nossa própria caverna e nos isolar de tudo e de todos. E tudo bem, a vida tem dias realmente escuros.

O importante é não deixar a escuridão se acomodar, os pensamentos negativos dominarem, o pessimismo ficar à vontade e o vitimismo fazer morada.  Escolha ter coragem diante da vida, escolha vibrar a frequência daquilo que você quer atrair. E assim seguimos, tentando ser LUZ, mesmo em meio a tanta escuridão.

Redescobrindo a minha própria cidade

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Nos últimos três dias, fui turista na minha própria cidade. Recebi uma amiga do Chile na minha casa e tive a experiência de ser guia turística dela. Pude olhar pra minha própria cidade com um olhar diferente. Um olhar mais calmo, cuidadoso e curioso. Parei pra pensar em cada cantinho especial que se esconde em Belo Horizonte. Muitos que eu não ia há muito tempo, e outros onde nem sequer tinha pisado. (Sim!)

Senti orgulho da minha Beagá. Das paisagens que podemos encontrar na Praça do Papa e no mirante, Praça da Liberdade, Lagoa da Pampulha, Parque Municipal e outros. Do estilo próprio da Savassi, com lojas e bares deliciosos para um happy hour, da autenticidade da Rua Sapucaí com aquela vista legal do viaduto Santa Tereza, além de bares cheios de personalidade nos bairros Santa Tereza e Floresta. Sem falar na riqueza da nossa gastronomia e hospitalidade mineira – facilmente notada no Mercado Central, por exemplo. São tantas opções culturais e gastronômicas, que tive que selecionar o que dava pra ver com minha amiga, afinal o tempo era curto.

Minha surpresa maior foi ontem, quando visitei o Parque Municipal de Belo Horizonte. Não me lembro a última vez que havia estado ali. Era criança. Mas me lembro de quando trabalhava perto do centro e passava ali de ônibus, apenas assistindo o movimento da entrada. Ao entrar, achei tudo tão lindo e especial. Senti uma paz, uma tranquilidade ali dentro. Mais do que tudo, senti orgulho. A ideia era só passar ali e acabamos gastando quase a tarde toda. Esse refúgio repleto de natureza, no meio do centro da cidade, é um privilégio do qual lamentavelmente não usufrui muito até hoje. E pelo que pude notar com as reações dos meus amigos aos meus stories, muita gente também não vai com frequência ou nunca nem esteve nesses locais.

As vezes vamos para fora do país apreciar parques e locais estrangeiros e não valorizamos o que temos aqui. Vivemos no automatismo. Desgastados com os problemas do país, fechamos os olhos para o que ele tem de bom.

Dai levamos nosso dia a dia com um “script fechado” que inclui trabalho, talvez academia e outros compromissos, e bares (que são incríveis e milhaaaaares, os quais devem SIM ser explorados, mas a cidade não se resume a eles).

Nesses três dias, conheci um carioca que mora em BH e disse cheio de orgulho que não troca aqui pelo Rio de forma alguma. Conheci uma moça da Bélgica que está finalizando sua temporada de quatro meses no Brasil (após morar em vários cantos aqui do país) e se encantou com a cidade. “Ao contrário das outras cidades em que estive, onde a influência americana era mais forte, percebi uma influência mais européia em BH, além de uma atmosfera bem agradável, então é uma transição interessante para retornar ao meu país”, ela disse.

Enfim, escrevi tudo isso só para convidar você, morador de qualquer lugar do Brasil, a vivenciar mais as possibilidades que a sua própria cidade oferece. Que nossos olhares sejam mais atentos e observadores aos pequenos detalhes belos que temos tão perto da gente. Em 2019, quero isso: valorizar, viver, aproveitar e explorar mais a minha cidade.

Sobre envelheSER

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Fim de ano sempre vem com aquela sensação de que o tempo está voando cada vez mais rápido. O que eu fiz nesses 365 dias? Nem vi. Foi um flash. Me lembro como se fosse ontem a sensação de quando fiz 15 anos. Hoje, me aproximo dos 30. Quando eu assustar, estarei nos 50.

Se temos uma certeza é que a idade chega para todos. Ou assim desejamos! Como dizia minha bisavó (mãe da minha tia avó da foto): Quem não quer ficar velho tem que morrer novo.

Cada fase é única, e envelhecer faz parte desta experiência que é a vida.

Quem vê as rugas da minha Tia Eny não consegue imaginar quanta VIDA existe por trás delas.

As rugas nos mostram que ali existe história. Existiram momentos. Existiram Desafios. Dores. Amores. Dias de sol. Dias de chuva. Noites tranquilas. Noites mal dormidas. Prazeres. Decepções. Superações. E com tudo, sabedoria.

Que eu seja privilegiada de poder “envelheSER.” Afinal, SER envelhece. SER nos demanda coragem. SER nos traz sorrisos. SER custa lágrimas. SER nos oferece emoções, aprendizados. SER envolve CRESCER. SER é vencer.

Sim, envelhecer – “sendo” e não apenas existindo – é vencer a vida! (Ou a morte?) Perder é morrer jovem. Cada minuto aqui é raro. É precioso. É um presente.

Que façamos valer! E que não tenhamos medo do tempo, das linhas de expressão, dos cabelos brancos. SEJAMOS! ????

~~(Obs: Se for pra envelhecer, que seja como a Tia Eny. Com leveza, serenidade e ternura. Está pra nascer alma mais bonita e doce. O que ela tem de amor, tem de sabedoria. Sempre uma palavra carinhosa e sábia para oferecer. Te amo, Tia Eny

Que a nossa fé seja maior que o nosso medo

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Agora são 19h e, com 88% das urnas apuradas, Bolsonaro lidera. Da janela do meu quarto, ouço fogos, muita buzina e gritos comemorando na rua. Aqui dentro, um silêncio que machuca. É como assistir a uma tragédia e não poder fazer nada. Estamos diante de um marco assustador na história recente do país. É a maior ameaça à democracia desde a ditadura. E tem muita gente feliz com isso. Não, eu não consigo entender, me desculpe a “ignorância”, como vi alguns dizendo no Facebook: “Lamentável ver pessoas tão inteligentes votando no PT.”

Bom, se sou ignorante, devo ter entendido as aulas de história errado. Neste momento, só consigo me lembrar das aulas com o professor Wellington,  já falecido,  onde aprendi claramente sobre as características do fascismo, um sistema antidemocrático, em que há a crença de superioridade de alguns sobre outros, e onde nenhuma crítica ao governo pode ser tolerada. Um nacionalismo exacerbado (“Brasil acima de tudo”), a postura de heroísmo, a promessa do “sonho”, e, claro, o militarismo, são outros traços claros deste sistema.

E agora, em 2018, eu que achei que jamais veria isso acontecer no século XXI, estou presenciando a liberdade de expressão ruir, bem na minha frente. Me vem a mente também uma frase que ouvi do William Bonner, em uma palestra dele, na UFMG: “Para entendermos melhor o presente e o futuro, precisamos saber do passado. Estudem história, estudem história o máximo que puderem.” No entanto, o que está acontecendo hoje, dia 28 de outubro de 2018, me mostra que não fizemos o dever de casa. Não estudamos história tanto quanto deveríamos. Ou se estudamos, não levamos tanto a sério o genocídio dos povos indígenas, a escravidão, o holocausto, e os horrores da ditadura.

Posso estar errada, mas não me lembro de nenhuma eleição com tamanho fanatismo. Inclusive agora, vendo a comemoração, vejo as pessoas encarando algo tão sério como uma partida de futebol. Um fanatismo que cega, e muito me lembra um filme chamado “A Onda”, que mostra, através de um experimento, os pilares de uma autocracia ditatorial e fascista e a irracionalidade com que os seguidores do ‘líder’ agem. Alguns dirão que essa comparação é um exagero, afinal o neofascismo é mais discreto, mais “velado”. No entanto, está nos detalhes e só não enxerga quem não quer ver. Bolsonaro, durante toda a sua campanha, fez um gesto que faz apologia à arma. E tem gente reproduzindo isso nas ruas! Sim, armas. Em um mundo em que já existe violência demais. Em um mundo em que a gente já vive lutando pelo amor, pela igualdade, pelo respeito, pela diversidade.

Não, não entra na minha cabeça como o desespero por mudança pode levar pessoas a elegerem um homem que já declarou abertamente que mulheres são inferiores, homossexualismo é falta de “coro”, que seus filhos não se envolveriam com negras pois são bem educados, e que já demonstrou inúmeras vezes total desrespeito com nordestinos, pobres, indígenas e quilombolas. Um homem que já disse a outra mulher, na frente das câmeras, quase a agredindo fisicamente, que ela não merece ser estuprada por ele.

Enfim, eu poderia gastar esse texto inteiro só listando as citações mais nojentas deste homem, mas não é esse meu objetivo.  Eu quero sim mudanças e acho que um partido há 16 anos no poder é algo totalmente contrário ao conceito de democracia, especialmente um partido tão sujo e corrupto – ao qual eu nunca fui a favor. Mas eu também sei que é no desespero que fazemos as piores escolhas. E o mundo que eu quero não se assemelha em NADA com este homem, agora, com as urnas 100% apuradas, Presidente do Brasil. Um homem que, durante toda sua campanha, só fugiu dos debates. E isso, para mim, já seria um único motivo para não votar nele. Um presidente que não promove o diálogo? Como terei voz para cobrar melhorias?

Quando paro e penso no fato inédito de ver partidos rivais do PT demonstrando apoio ao Haddad, consigo perceber que essa eleição não foi uma eleição comum e que o que estava em jogo vai muito além do partido A ou C. Mas, infelizmente, nem todos pensam assim. Eu ouvi, inclusive, coisas – que para mim são absurdas –  como: “Tudo bem ele ter um discurso fascista, o que importa é o que ele fará para o país”. Bom, não consigo vislumbrar o que faz dele alguém capaz de salvar o país. Eu o vejo apenas como um extremista e estrategista que soube surfar muito bem na onda no antipetismo. O que o elegeu não foi, nem de longe, sua capacidade, mas sim o desespero das pessoas para acabar com a corrupção que há anos assola nosso país. O que poucos sabem, no entanto, é que o antigo partido dele (PP), é ainda mais corrupto que o PT. Mas isso não conta, né? O que importa é “tirar o PT”, custe o que custar.

Só espero, de coração, que essa conta não seja tão alta. E apesar de ter “perdido” essa luta, tenho orgulho do lado em que eu estava, ou melhor, o lado que eu NÃO estava. Agora, só me resta elevar minhas esperanças em Deus. Prefiro acreditar que essa onda de neofascismo que assola o mundo tenha, de alguma forma, a missão de nos ensinar e nos evoluir, ainda que pela dor.

Mais ainda: eu desejo que não haja dor, apenas amor.  Desejo estar enganada sobre quase tudo que escrevi aqui e desejo ver o Brasil tendo o tão sonhado avanço que todos buscam, sem a disseminação do ódio, sem a instalação do medo, e sem ver o discurso do preconceito ainda mais materializado na atitude do povo brasileiro. Acima de tudo, desejo que nós possamos ser capazes de construir o nosso próprio futuro, com dedicação, pensamentos positivos e amor ao próximo, independente de quem lidera o país.

 

Por Renata Stuart

Para aquelas que buscam um amor!

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Ei, moça ! Eu sei o que você busca. Tudo o que você queria era alguém pra dividir sonhos, medos e bobagens. Alguém pra te motivar e te amar do jeito que você é. Algo simples, real e leve. Acertei?! E se eu te disser que sua busca terminou, porque essa pessoa existe e está bem aí, dentro de você ?

Sim, você! Ninguém vai te amar mais do que você mesma. Está entendendo? Já tentou se conhecer mais? Se agradar mais? Me conta, do que você gosta de fazer sozinha? O que te move diariamente? Quem é você quando ninguém está vendo? O que te dá prazer? Pare de se esconder de si mesma, sempre querendo ter alguém. Antes disso: tenha a si mesma. Conheça-se! Explore-se. Descubra-se. Ame-se. Faça aquele esporte que você tem curiosidade! Pole dance? Crossfit? Yoga? Corrida? Sei lá. Matricule-se naquele curso. Inicie um hobby novo. Viaje sozinha. Dedique-se em algo para você, apenas para você. Descubra o que te encanta. Descubra também o que te dá medo. E enfrenta! Teste seus limites. Veja o quanto você é forte. Cuide-se. Valorize-se. Como ninguém nunca fez igual, nem nunca vai fazer. Você é tua, e quem tem que garantir seus sorrisos diários é você mesma. Ninguém deve carregar a responsa de te fazer feliz, essa tarefa é sua! Então, vai e faça bem feito! ❤ Prometo que vai valer a pena! Daí, quando o amor aí dentro de você nascer de verdade, você estará muito mais pronta para dar e receber amor. Amar para somar, e não amar por precisar!

 

Por Renata Stuart

Momentos da vida real que perdemos para a vida virtual

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No último domingo, eu acordei e decidi dar uma volta na Lagoa da Pampulha. Quando eu digo “volta”, não quero dizer que completei os 18km em torno da lagoa – não estava tão disposta assim – mas fui fazer uma caminhada de leve e pegar um ar fresco. Quando estou sozinha, gosto de ouvir música e olhar pras paisagens, pessoas e animais com os quais eu cruzo. Pessoas sorrindo e pedalando, homens atléticos correndo, idosos se movimentando em busca de uma vida saudável, gringos fotografando as capivaras, e até a lamentável sujeira da água. Mas uma cena em particular me chamou a atenção.

Um bebê, de 1 ano e alguns meses, aparentemente dando sua primeira voltinha na lagoa da “pampuia”.(como eu costumava chamá-la quando era criança). Era nítida a alegria dele, andando de um jeito tão engraçadinho como quem havia aprendido a dar os primeiros passos recentemente. Eu fiquei olhando praquela fofura e ele sorriu pra mim com os olhinhos. Parecia estar todo orgulhoso de sua caminhada independente (claro, com sua mãe o seguindo logo atrás, pronta para impedir qualquer tropeço). Foi quando ela o disse: “olha o papai vindo ali!” O pai vinha na direção contrária, de frente pra ele, que rapidamente se apressou e abriu ainda mais o sorriso, como quem dizia: “Olha aqui, papai.”

Eu, que caminhava devagar para acompanhar a cena, estava já na ansiedade de ver o olhar do pai se encontrar com o dele. Continuei olhando e nada. O pai estava com a cabeça baixa, mexendo no celular. Nesta hora eu já havia passado deles e estava andando com a cabeça virada pra trás, na esperança de que ele ia sim tirar os olhos da tela e ver aquela cena fofa e única que estava bem em sua frente. Nada. Não deu tempo. Ele perdeu aquele momento. O garotinho logo se dispersou e o rostinho empolgado desapareceu.

Queria ter gritado: “presta atenção no seu filhinho todo feliz chamando a sua atenção!”. Ao invés disso, só fiquei refletindo. Quantas vezes perdemos momentos reais por estarmos de olho aqui, no mundo “online”? Quantas coisas belas nós provavelmente já deixamos de ver porque tinha algo roubando nossa atenção na tela? Quantos casais se sentam na mesa de um restaurante e passam boa parte do jantar no whatsapp, instagram? Quantas vezes perdemos a apreciação de uma vista ou um lugar novo por estarmos mais preocupados com a “Selfie”? Quantas vezes estamos em um grupo de amigos e perdemos tempo conectados aqui, ao invés de estarmos conectados lá, pessoalmente, com quem gosta da gente?

Enfim, fica a reflexão para que não sejamos como aquele pai, que perdeu a bela oportunidade de registrar, com os olhos, uma cena real, linda e pura que certamente não se repetirá. E mesmo que se repita de certa forma, não será a mesma. Cada momento é único, singular e especial.

 

Por Renata Stuart

Precisamos falar sobre relacionamento abusivo

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Mulheres são agredidas física e psicologicamente todos os dias no Brasil. Para citar apenas dois casos – são milhares – tivemos o triste caso da advogada que foi morta pelo namorado após ser espancada em seu prédio, cerca de dois meses atrás. As imagens chocam e revoltam a qualquer um. Na última semana, foi o caso da mineira Melissa Gentz, de 22 anos, que, após ser agredida pelo namorado, divulgou sua história nas redes sociais contando detalhes de como seu namorado a tratava até chegar na agressão física. Os sinais de que aquilo não era amor estavam ali desde o início, mas ela não pôde ver. Por quê? Porque não é algo simples de se perceber. O controle, a manipulação e os insultos se misturam com alguns momentos muito bons, e é preciso ter inteligência emocional, autoestima e coragem para sair desse ciclo.

Relacionamento abusivo. Esse tema precisa ser mais abordado. Você, com certeza, mesmo sem saber, conhece alguém que já esteve em um relacionamento assim, ou conhece alguém que está passando por isso e ainda nem se deu conta. Talvez a pessoa até sabe o que está enfrentando, mas não consegue sair. Sim, isso é muito comum também. Nestes casos, o abuso psicológico é tão forte a ponto de manter a pessoa ali, mesmo que aquilo esteja lhe trazendo mais tristeza que alegria.

Ao longo deste texto, vou seguir tratando a palavra ‘abusador’ no masculino, mas que fique claro que o causador do abuso também pode ser a mulher. Os abusadores estão em toda parte. Está naquela menina doce da voz meiga que você conhece, que trata o namorado feito um lixo, ou naquele cara legal e de boa família, que quando se relaciona com alguém tem a necessidade de controlar, usar e manipular.

Há diferentes níveis de abuso. As pessoas tendem a falar mais do abuso físico, pois esse, de certa forma, não deixa dúvidas, afinal a prova está ali. No entanto, o abuso físico é o último estágio de um relacionamento abusivo. O abuso psicológico é tão agressivo quando o físico.

Começa com uma crítica sutil, ou uma brincadeira “você é louca” ! Daí vai para uma ofensa “você é uma idiota”, “você só fala merda”, evolui para uma ameaça, “se você não mudar, vai acabar com nosso relacionamento”, um grito (!!!), uma chantagem emocional aqui e outra ali, desvalorização “você é uma pessoa muito difícil, não vai achar ninguém que te suporte como eu suporto”, e muita culpa “você faz tudo errado, a culpa é sua” e por ai vai. Na maioria das vezes, ninguém vê isso. Perto dos outros, ele te trata como uma princesa. Nas redes sociais, é felicidade que não cabe nas fotos.

Há alguns casos de controle e ciúme excessivo, em que o abusador te trata como posse e te afasta dos seus amigos, inclusive os criticando, “aquela sua amiga é falsa”, “eles não gostam de você como eu gosto”. Às vezes, o abusador cria ainda situações para testar até onde vai o seu autocontrole e, se você cair na dele, ele terá o prazer atingido ao dizer “está vendo, você é uma louca”. Sim, ele quer te fazer perder o controle. Ele irá dizer coisas que você não é ou que você não fez, só pelo prazer de ver você se defendendo, se explicando, se remoendo. No começo do relacionamento, ele dizia que a ex era louca. Hoje, acredite, a “louca” é você. Aliás, está aí um dado: a frase “ela é louca” é uma das mais ditas por um abusador, quase que um alerta vermelho que expõe quem ele é! Por isso, toda vez que você ouvir alguém dizendo isso, duvide e se questione. Você não conhece o outro lado da história.

Sem mais delongas, o que eu quero dizer com esse texto se resume em algo simples: limites!
Impor limite é determinante para evitar que as coisas piorem. A gente só aceita o tratamento que acreditamos merecer. A cada vez que você aceita o que te faz mal você está se anulando e, ao mesmo tempo, criando um “monstrinho”, que vai se achar no direito de te tratar da forma que bem entender. E assim, resultado em humilhação, as vezes traição e, infelizmente, até agressão.

Por isso, eu digo:

Ao menor sinal de falta de respeito, fuja.
Ao menor sinal de agressividade, fuja.
Ao menor sinal de falta de empatia, fuja.
Se ele não fica feliz por suas conquistas, fuja.
Se ele te diminui para se sentir melhor, fuja.
Se ele faz joguinhos para te deixar mal, fuja.
Se ele te pune com silêncio passivo-agressivo, fuja.
Se ele te coloca pra baixo, fuja.
Se ele te deixa confusa, triste e se sentindo culpada, fuja.

Relacionamento foi feito para ser saudável. Você precisa de alguém que te coloque pra cima. Que torça por você. Que te motive. Que te inspire. Que valorize seus reais sentimentos. Defeitos todos temos, mas é preciso claramente definir seus limites e entender os “defeitos” que você está disposta a aceitar. Nenhum relacionamento vale a sua saúde emocional, o seu amor próprio e a sua paz interior. ❤

Se esse texto te fez lembrar do seu relacionamento, fuja.

E, se conseguir fugir, seja grata a Deus por esse livramento!

 

Por Renata Stuart

Sobre lugares onde deixamos um pouco de nós

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Já faz um tempo que te deixei. Acho que desde esse dia, eu tentei ligar o piloto automático e não olhar muito pra trás. Tentei observar ao meu redor e curtir as coisas, pessoas, lugares e sensações das quais eu andava afastada a algum tempo. Decidi me reinventar, recomeçar e guardar você numa caixinha dentro do meu coração. Guardei bem, para não ficar remexendo e lembrando, afinal, a vida tem que seguir. Enfiei a cara na rotina, no trabalho e na correria. Mas, hoje, não resisti: eu abri essa caixinha e deu uma puta saudade de você. Sim, você, minha querida Dublin. Essa cidade que me acolheu de setembro de 2015 a janeiro de 2018. Sinto falta da leveza que é andar pela rua do Spire nos fins de tarde, contemplando os músicos e artistas sorridentes, o céu naquele tom laranja vívido (quando não está nublado por algum milagre) e, claro, a olhadinha básica nas vitrines para conferir se tem alguma oferta imperdível. Sem falar do início da noite na Grafton Street, com aquela luz charmosa e uma atmosfera única. Um chocolate quente, um malabarista de fogo dando show na esquina e pessoas indo e vindo, pessoas vivendo, sem pressa, sem estresse e sem serem escravas do trabalho. Subir aquela rua e dar de frente com o parque Stephen’s Green, meu favorito, era um prazer bobo e genuíno. Sinto falta daquele sol fake que, na real, não esquenta nada, mas renova as nossas energias de um jeito inexplicável. Sinto falta do vento gelado, que apesar de doer na pele, é meio que um afago da cidade, seu jeito estranho de demonstrar carinho. Sinto falta das pontes que compõem todo o rio Liffey de uma forma tão harmônica. Dos pássaros brancos, chamados “seagulls”, que estavam logo cedo dando bom dia no centro da cidade, quase sempre tentando roubar o croassant que tinha nas mãos. Sinto falta da sutil Ha’penny Bridge, que dava passagem para a incrível energia que emana do Temple bar. Ah, o Temple bar. Um lugar vivo, onde o frio é esquecido diante de tanto calor humano. Falando nele, sinto falta até do frio, que era combatido com louvor ao entrar em qualquer lugar fechado, graças aos heróis aquecedores (o que seria de nós sem eles?). Sinto falta da sensação de pedir uma pint, ainda de uniforme e exausta, após um dia longo de trabalho. Sinto falta de fazer amigos em qualquer esquina. Sinto falta da liberdade e da simplicidade. Mas, tudo bem, não se preocupe, querida, eu estou bem. Foi apenas uma nostalgia, sabe? Hoje, pela primeira vez desde que voltei, senti uma falta danada, e caiu a ficha do quão rápido tudo passou, do quanto você significou para mim e definiu parte do que sou hoje. Uma saudade gostosa, uma gratidão, um sentimento de privilégio por ter tido a oportunidade de viver nesta ilha incrível. Ah, Dublin, só quem te conhece – de verdade – sabe do que estou falando. 

Por Renata Stuart

 

Foto: Oliver Sherratt

Sexo bom precisa ter alma

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Gosto do toque sutil, gosto da pegada ousada, gosto da respiração ofegante.  Mas se não tem alma, meu bem, não tem tesão. Que culpa tenho eu por ter um coração pulsante. Sexo bom para mim não pode ser só físico.

Não comece tirando a minha roupa sem antes desnudar a minha alma. Sim, antes de conhecer meu corpo, procure conhecer quem habita dentro dele.E se não te interessa explorar o território do meu ser, dê meia volta.
Não estou pedindo juras de amor, e muito menos declarações. Não sou mais ingênua a ponto de achar que o sexo só é bom quando envolve amor. Não é disso que falo. Falo daquela afinidade que começa fora da cama. Sabe? Para mim, é preciso de um pouco mais que vontade momentânea.

Nada contra quem é a favor do sexo casual.  Mas preciso mais do que apenas o desejo puramente sexual.  Necessito de um mínino de envolvimento. O olhar tem que ser de verdade. As palavras precisam ser naturais. Boa conversa, entende?  A admiração – ainda que singela – em ambas as partes, precisa entrar em cena. É preciso mais que um corpo bonito para me atrair a quatro paredes.

Meu prazer começa bem antes de ir para a cama, meu prazer começa nas sutilezas. São detalhes que me levam a querer me entregar a alguém. Um jeito de falar, um olhar, uma atitude, um gesto. Uma sintonia. Um riso verdadeiro. Sexo é troca intensa de energia. E não, não estou disposta a absorver as vibrações vazias de quem só tem olhos para o que é visível e superficial.

Careta? Talvez. Mas é assim que sou. Que culpa tenho se não aprendi a separar corpo de alma. Não sei me entregar pela metade. E não me contento com as migalhas de um sexo sem alma.

Por Renata Stuart

Sobre o que vivi [e aprendi] na Irlanda

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Eis que chegou a minha hora. Hora de dizer adeus ao frio país que me acolheu de forma tão calorosa. Sim, eu, que apesar de super apegada à família, (quem me conhece sabe ) sempre tive uma inquietação e uma sede de liberdade dentro de mim. Hoje, não tenho dúvida: largar a minha zona de conforto cerca de 2 anos atrás e me jogar no mundão foi a melhor decisão que já tomei. Por onde começar? Foram tantos desafios. Dividir a casa com pessoas de outros países (lidando com a diferença cultural), ser babá e morar com uma família incrível de irlandeses por mais de 1 ano (aprendendo a AMAR de verdade crianças que até então eu nem sabia da existência). E mais: ser “membro” de uma família que não é sua e se adaptar a um ritmo e estilo de vida novos. Tudo isso somado à enorme responsabilidade de zelar pela segurança de pequenos seres que são tudo na vida de outro alguém.

Depois, outra missão: ser garçonete em um tradicional pub irlandês servindo locais e turistas do mundo todo. Carregando bebida e comida, tendo que entender o inglês nos mais variados sotaques, sendo extremamente simpática mesmo num dia mal, lidando muitas vezes com o mau humor das pessoas, e (ainda bem!), esbarrando com clientes amáveis que transformam o dia de qualquer um. Abrir mão dos lazeres dos finais de semana para trabalhar ou aguentar tratamento rude do chef de cozinha e da gerência não foram nada perto das longas horas de trabalho, tendo horário de almoço “na hora que der”, acostumando o corpo a ficar algumas boas horas sem comer. Mas consegui. E sensação melhor que essa não há. Hoje, vejo o garçom com outros olhos, com mais compreensão, respeito e admiração.
Todo trabalho é trabalho, e só entende isso quem tem grandeza espiritual e humildade.

Além de um novo idioma e experiência de vida, o MELHOR que levo dessa jornada são as pessoas que me marcaram, de vários cantos do Brasil e do mundo!  Gente que fez eu me sentir em casa e que vou levar daqui pra vida. Ahh, que saudade sentirei de vocês!! Obrigada a cada um por tudo de bom que compartilhamos! Aos que já foram e aos que ficam na ilha…vejo vcs pelo mundão!

Levo também mais autoconhecimento e sabedoria, afinal, estando sozinha e longe de casa – por conta própria – a gente descobre mais sobre o que somos e evolui nas dificuldades. Quando se divide o mesmo lar com pessoas que não são sua família, por exemplo, você começa a relevar muitas coisas que talvez não relevasse antes, com sua irmã, pai ou mãe. Dai passa a entender que, muitas vezes, em uma discussão, precisamos abrir mão de estar com a razão para estar em paz. ?‍♀️ Além disso, simples fatos ganham destaque: todos somos diferentes, as pessoas não são obrigadas a corresponder suas expectativas e os seus problemas não são os únicos.

Resumindo, meus caros, vou embora com a bagagem pesada, carregando com gratidão e alegria. Só posso dizer que faria tudo de novo. Tive que sair do meu mundinho para constatar que SIM, as fronteiras do mundo existem, mas nós fomos feitos para ultrapassá-las.

E ainda mais corajoso do que ter vindo até aqui, é agora o ato de voltar. Ainda melhor do que viajar, é ter sempre para onde e para quem voltar. Brasil, ai vou eu! Thanks for all, Ireland.

Por Renata Stuart