Carta ao novo intercambista

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Olá, novo intercambista!
Bom, vou direto ao ponto.

Às vezes você vai surtar. E irá se perguntar porque está do outro lado do mundo trabalhando pesado, dividindo quarto e talvez até passando por certas dificuldades…sendo que a vida era tão mais “fácil” lá, na sua ZONA DE CONFORTO, no seu país.
Mas é bem assim: tudo INTENSO, ambíguo e as vezes meio sem sentido. Sim, em alguns dias você vai acordar desejando estar em casa. E no mesmo dia, vai dormir querendo morar aqui pra sempre. Louco, né?! Nada, bem normal por aqui.

É possível que você (embora não deveria) se apaixone algumas vezes. Mas daí você vai se dar conta de que aqui tudo VAI e VEM de forma rápida. Tudo parece ter uma proporção maior do que realmente é. Dai você – felizmente – irá descobrir que não era paixão, e sim carência. Não confunda, ok?!

Você vai superar seus LIMITES e descobrir que é mais autosuficiente que pensava. Você vai sentir muita SAUDADE, muita mesmo. Mas, de alguma forma, vai aprender a lidar com ela. Vai amar a LIBERDADE e se viciar nela. Vai perceber que o mundo está lá fora a sua disposição e nada te impede de explorá-lo. Vai descobrir que não precisa de todo aquele materialismo pra ser FELIZ. Colecionará mais MOMENTOS, e menos bens. Vai concluir que o verbo da felicidade é o “CONHECER”: lugares, pessoas, culturas e, claro, a SI MESMO.

Falando em conhecer pessoas, prepare-se: você vai fazer amizades preciosas. As vezes da noite pro dia. Sim, só quem vive essa experiência entende a força das relações que construímos por aqui. Você está sim, SOZINHO e, ao mesmo tempo, RODEADO. É incrível como, estando longe dos nossos queridos, acolhemos uns aos outros com todas as garras. É a FAMÍLIA que você escolhe – ou talvez o destino te oferece. O que nos fazem tão próximos? Os mesmos receios, as mesmas sensações e aprendizados. A melhor parte é essa – não economize, faça muitos amigos!

Você vai viver EXPERIÊNCIAS surreais e enriquecedoras! E talvez não perceba isso até que tudo passe, pois a ficha as vezes só cai quando nos distanciamos. Até você se ver contando casos para amigos, e se dar conta de quanta história você viveu em tão pouco tempo. Ah, falando em TEMPO, ele voa por aqui. Numa velocidade bem maior do que para aqueles que te esperam voltar.
Enfim, o resto você vai descobrir por si mesmo! Bem-vindo! Aperte os cintos e aproveite cada minuto. :)

Por Renata Stuart

Recipro{cidade}: onde mora o amor próprio

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20170214_090803Reciprocidade. Essa é a palavra de ordem que tem regido minha vida.
Dar atenção a quem me dedica seu tempo. Retribuir cuidado a quem me oferece carinho. Importar-se com quem se preocupa comigo. E não, não se trata de egoísmo, mas sim de amor próprio. Talvez um mecanismo de defesa pra sobreviver nesse mundo onde nem sempre (quase nunca)recebemos o que damos.

A premissa é básica: quem quer arruma um jeito, quem nao quer, arruma uma desculpa. Se pra vc tanto faz, por que tenho que fazer questão? Afinal toda relação humana para ser saudável, precisa ser uma via de mão dupla.

Portanto, se quer um conselho, não insista, não mendigue atenção. Se você precisa se esforçar para que o outro te enxergue, esse olhar já não vale a pena. Se o diálogo começa a virar monólogo, cale-se. Prefira a solidão do que uma companhia forçada, conveniente. Queira apenas aquilo que vem de graça, de forma espontânea. Entenda que quem realmente quer estar com você, se vira. Tempo é uma questão de prioridade. Amizade não se cobra, amor não se pede. Simplesmente acontece. E de fato, nenhuma relação vai pra frente sem o esforço de dois.

Aprendi que a gente trata o outro exatamente como gostaria de ser tratado. Mas, como tudo na vida, é preciso equilíbrio. Como uma partida de tênis , se a bola nao volta, não tem jogo. Simples assim. Como diz o ditado, “quando um não quer, dois não brigam.” E nem adianta insistir, brigar sozinho é péssimo. A cada vez que você corre – incessantemente – atrás do outro, você está – gradualmente- afastando-se da própria dignidade.

E não se trata apenas de receber. O inverso funciona igualmente. Reciprocidade é também não fazer ao outro aquilo que você não gostaria que fosse feito a si mesmo. É ter empatia, aquela capacidade de se colocar no lugar do outro. É acreditar na tão falada “lei do retorno.”

E assim segue o ritmo, incluindo todos aqueles clichês: Se você deseja o bem, o bem te deseja também. Você atrai o que emana. Gentileza gera gentileza. Você colhe amanhã o que planta hoje. No fim das contas, tudo se resume em uma coisa: reciprocidade. Que sejamos recíprocos, minha gente, gastando energia apenas com quem realmente vê o valor da gente.

Por Renata Stuart

Sobre ser e reapreender a ser solteira

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205391_3678821287142_986835842_n_largeJá dizia o sábio Freud: “como fica forte uma pessoa segura de ser amada”. Sim, sentir-se especial a alguém faz bem a qualquer um. Ter alguém que realmente se importe. Alguém que pergunte – com real interesse – como foi o seu dia. Alguém para desejar boa noite. Não dá pra negar, tudo isso deixa a vida mais leve. No entanto, nem sempre temos o privilégio de ter encontrado alguém que mereça tal posto em nossas vidas, uma “metade”, como dizem por aí. Acontece mais cedo para alguns, mais tarde para outros. Ou acontece várias vezes para a mesma pessoa, afinal viver é mesmo uma questão de tentativa e erro. Mas o fato é: as vezes não tem ninguém. Nenhuma ligação perdida, nenhum emoticon de coração, nenhum aconchego a dois embaixo das cobertas. Você está sozinha, ou melhor, solteira. E apesar de estar longe desse alguém que ainda não apareceu, você nunca esteve tão perto de si mesma.

Sim, ser solteira é um autoaprendizado. Você passa a ouvir mais a voz ali dentro de você. Ser solteira – especialmente após namorar anos a fio – é redescobrir os próprios gostos. É perceber aquilo que realmente te envolve, o que te move. Ter mais tempo para si mesma. É de repente perceber que você tem uma sintonia com a corrida, a bike ou a aula de zumba. É encontrar prazer em cozinhar ouvindo sua playlist de músicas acústicas. É cuidar mais de você, fazendo pequenas coisas como tirar aquela manhã de sábado para fazer a hidratação capilar que você vem enrolando a séculos. É se jogar na pista e perceber que você simplesmente ama dançar consigo mesma. É colocar uma mochila e se aventurar fazendo uma viagem sozinha àquele destino que você tanto sonhou.

Ser solteira é também reinventar-se. É aprender – ainda que na marra – que é possível encontrar diversão sozinha em pleno sábado à noite. Pois nem sempre tem aquela festa ou balada programada e suas amigas nem sempre estão disponíveis. É reafirmar sua autonomia. Você decide o sabor da pizza – e o melhor: ela é toda sua. De companhia, uma taça de vinho, um filme, a família ou amigos e boas risadas. Você quem decide. Você faz o roteiro do seu final de semana, e também o caminho de volta pra casa no final da festa.

Ser solteira te faz mais experiente e, consequentemente, mais realista. Em meio a tantos caras que claramente colocam ‘quantidade’ acima de ‘qualidade’ – ou seja, querem várias e nenhuma ao mesmo tempo – você aprende a se iludir menos, a criar menos expectativa e a ser menos romântica. Sim, pois a vida não é um conto de fadas e as vezes – mesmo te achando “da hora” – ele só quer o momento. E, falando sério, as vezes ele só vale o momento também. Nada mais. E tudo bem, você aprende – ou pelo menos tenta – a curtir o tempo chamado “agora” e a ser dona de suas escolhas. E do seu corpo.

Ser solteira te faz uma mulher mais forte. Você se torna mais independente e começa a ver que você é a única responsável pelo seu bem-estar ou pelo seu baixo astral. Que a vida não se resume em ter um romance e que sua felicidade é muito preciosa para depender de outro alguém. Em tese, ser solteira é perceber que, no fundo, ninguém PRECISA de ninguém. Nos rodeamos de pessoas não por necessidade, mas porque isso deixa a vida melhor.

Afinal, ser feliz é algo que ocorre de dentro pra fora. Não há como extrair felicidade do meio externo se o meio interno não anda bem. E aí, parafraseando Freud, ouso dizer: “como fica forte uma pessoa que ama a si mesma”.

Então, quando a hora chegar, você vai perceber que não, você não quer uma metade! Mas sim alguém também inteiro, para transbordar com você.

Por Renata Stuart

Viver é saltar do alto sem saber voar

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Dentre as coisas boas sobre envelhecer, é que seguimos evoluindo, aprendendo, descobrindo. Nosso HD é sem limites, sempre tem espaço para o novo. Todas as fases da vida têm algo a nos ensinar. Umas mais que outras. Depois de algum tempo sem sair do lugar, você descobre que, para aprender a “voar”, é preciso dar saltos grandes. Só que essa tarefa não é fácil.

Às vezes falta impulso e o voo parece querer perder força. Mas logo você se reergue e retoma o controle. Às vezes o voo parece meio sem sentido.

Você não sabe bem onde está sobrevoando e nem mesmo aonde chegará. Mas o vento te leva. E aquela brisa gostosa volta e meia te faz sorrir, mesmo sem saber o porquê. “Viver é um privilégio.”, você pensa repentinamente.

E, sim, às vezes o voo também falha. Você cai. Mas tudo bem, você aprende que curativos não te fazem mais fraco, pelo contrário, te deixam mais resistente para as quedas seguintes.

Então você segue viagem ciente de que não é perfeito e para de se cobrar tanto, afinal os erros não te frustram mais, apenas te ensinam. Você aprende a rir mais, por nada.

A ser leve e a se [pre] ocupar menos com aquilo que você não tem o poder de mudar. E passa a poupar energia para o que você pode transformar.

Você entende que é sim importante fazer planos, mas que não deve se apegar a eles como um roteiro inalterável, pois no meio do caminho, tudo pode mudar.

Percebe que é bom e deve se sonhar com o amanhã, mas que não deve contar com ele sacrificando tanto o presente, afinal, por mais clichê que seja, nossa garantia é somente o agora.

E dai você conclui que viver é bem isso: pular de penhascos – diariamente – mesmo sem saber voar. Não há instruções. Mas a queda é emocionante e vale a pena.

E, de uma forma ou de outra, você acaba dando um jeitinho e cria asas durante esse louco percurso.

Por Renata Stuart

Não quero virar a página, quero um novo livro.

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livrosVirar a página é pouco. Decidi que quero um novo livro. Sim, pois a vida é muito curta para perder tempo lendo um livro que não te extasia, que não extrai o melhor de você, que não te tira da realidade de vez em quando.  Quero me reinventar, me reescrever, me republicar.

Não que os livros velhos perderam seu valor. Cada leitura tem sua importância e todas elas ficam para sempre guardadas na estante da vida. Cada livro lido no passado interfere nas interpretações que faremos dos próximos. As experiências de ontem formam o que somos hoje. E isso é parte da vida.

Mas às vezes é preciso se desapegar de velhas páginas, velhas histórias e velhos caminhos que já não nos levam a lugar algum. E não, não é fácil se desapegar do livro de cabeceira. Não é tão simples abandonar o comodismo, abrir mão estabilidade e se jogar no escuro. É preciso coragem para se sujeitar ao erro. É preciso ousadia para se colocar diante do vazio das páginas em branco. É preciso força para enfrentar a interrogação do amanhã incerto.

E se eu me arrepender? Bom, esse é o preço que as pessoas intensas pagam. Se  arrepender, siga em frente. Sempre existem novas possibilidades e novas descobertas te esperando lá fora. Portanto, aceite as consequências e simplesmente continue, um dia após o outro.

Antes que você pense que as pessoas intensas são inconsequentes e não pensam nos efeitos de seus atos, alto lar: Nós pensamos, e muito, antes de tomar qualquer decisão, mas a conclusão é quase sempre a mesma: “prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que não fiz.” Então a gente mergulha e encara as próprias escolhas de cabeça erguida. Para nós, não há nada pior do que um lamentável  “como seria SE eu tivesse tentado”.

Nada contra quem se resigna diante da vida, não se arrisca e se contenta com aquilo que tem pelo simples medo de não poder ter algo melhor. Os intensos precisam de mais. Como eles se entregam por inteiro, eles não aceitam metades e não se conformam com menos do que acham que merecem ter.

E esse “mais” que as pessoas intensas buscam nem sempre está em outro alguém.  Elas  têm amor próprio e adivinhe só?  Preferem estar sozinhas do que receber migalhas do outro. O “mais” também pode estar na liberdade, no prazer da própria companhia, em um novo projeto, uma viagem, ou até mesmo na emoção de não saber o que nos espera no final do livro. Sim, pois, a cada esquina, tudo pode mudar.  Um novo lugar. Um novo olhar. Um novo sentido. Tudo, a qualquer momento, pode representar o início de um novo capítulo e, quem sabe, um novo livro que mereça estar em sua cabeceira.

E aí, quando a gente sente – de dentro pra fora – que vale a pena abrir mão da solidão agradável, a gente se entrega e se embarca em uma nova história, com mais sabedoria e talvez menos expectativas, mas sempre com o mesmo objetivo: ser {intensamente} feliz!

Por Renata Stuart

Mais essência, por favor.

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Aprendi que as melhores coisas de se ouvir – e as mais verdadeiras- são ditas ao pé do ouvido, olho no olho, no reservado. A cada dia, observo a vida, as contradições entre palavras e atitude, e concluo: dispenso as falsas exposições. Eu, que sempre fui intensa e exagerada (daquelas que têm vontade de colocar a boca no mundo pra falar o que está sentindo), decidi que prefiro a simplicidade da essência.

Prefiro a leveza de um silêncio que diz tudo. Prefiro a sutileza de um sms exclusivo e inesperado (sim,   mesmo em tempos de whatsaapp. Por que não surpreender?). Dispenso a hipocrisia e as falsas declarações públicas. Status do dia? Cansada. Cansada dessa disputa pra ver quem é mais feliz. Cansada de quem se esquece do “ser” e se contenta com o “parecer ser”. Prefiro um gesto sincero ou uma prova de companheirismo no dia a dia do que uma marcação numa postagem que pouco reflete a realidade. E, acredite, sempre tem alguém que conhece a verdade além da web.

Quem nunca sentiu náusea quando abriu o facebook e se deparou com a foto de duas “amigas” que todo mundo sabe que falam mal uma da outra nas costas? Quem nunca lamentou a fotinha romântica do casal infiel? No fim das contas, a vida real tem mais a ver com “inbox” do que com “time line”. Tem mais a ver com o que você faz, não com o que você fala.

E não, nao vou parar de postar sobre a minha vida e não estou dizendo que alguém tem que fazer isso. Registros são sempre bons e compartilhar é algo inerente à era digital. Mas é preciso limite e bom senso. Limite porque nem tudo é publicável. Há quem não se permite viver sem um “share”. E bom senso pra entender que o que faz de vocês um casal feliz, uma família especial ou amigos inseparáveis não é o que está estampado nas mídias sociais. Isso é apenas um rótulo. O que importa mesmo está nos bastidores,  está nas entrelinhas, está no que ninguém vê. Está naquela cumplicidade e naquele sentimento  que é “compartilhado” (no sentido off line da palavra) só por vcs.

 

Por Renata Stuart

22 de maio – Dia do Abraço

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largeAhh…o abraço.

Nada como estar dentro de um abraço sincero.

Envolvida em uma energia gostosa, pura e acolhedora.

Só os fracos e insensíveis desconhecem o valor de um abraço.

No beijo, existe sedução e mistério. No abraço não. E isso que é mágico: o abraço nos deixa “nus”, transparentes, e revela o que está oculto, denuncia aquilo que não é dito. É um silêncio de entrega e confissão.

Mas assim como um beijo, um abraço de verdade exige sintonia.

Não acontece com qualquer um.

Um abraço tem a incrível capacidade de paralisar o tempo.

Ele é o único momento em que temos dois corações no peito.

Um abraço transmite emoções, mata o frio e alivia dores.

Ele faz o coração bater mais forte e, ao mesmo tempo, acalma a alma.

O abraço foi o gesto que inventaram para que possamos dizer MUITO sem dizer absolutamente NADA.

Um abraço apertado revela a urgência de quem se despede desejando ficar.

Um abraço sutil revela a paz de quem encontra bem estar na companhia do outro.

Muitas vezes, só damos o devido valor ao abraço quando não podemos mais ter o abraço de alguém.

Devo confessar: eu sou uma viciada em abraços.

Feliz Dia do Abraço! 

Por Renata Stuart

A batalha dos EU’s

Posted on by Renata Stuart in Reflexão, Textos de amor | 1 Comment

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Não sei se é capricho, carência ou saudade.

Saudade de quem eu era, de quem eu gostava de ser, de quem eu sonhava ser.

Ou se é necessidade. Necessidade de me enfrentar, de me aventurar, de transgredir.

Nem que seja uma só vez.

Deixar o lado emocional sobressair sobre o racional.

Deixar o “agora” vencer a batalha.  E o depois? Ah, depois a gente vê.

Sabe essa leveza de enxergar a vida?

Eu bem que queria, por um breve momento, ser assim.

E deixar o meu EU irresponsável e desencanado assumir o controle.

Mas o EU sensato é maioria, é predominante, é mais forte.

Viver, já inventaram algo mais complicado?

De um diário para o mundo

Posted on by Renata Stuart in Resenhas | 2 Comments

exposicaomenorDe uma escrita despretensiosa, como quem precisa desabafar e externar o medo, nasce uma história, infelizmente real, contada por uma adolescente a milhões de pessoas de todo o mundo. Hoje visitei a exposição internacional sobre a vida de Anne Frank, na Escola Superior Dom Helder Câmara, aqui em Belo Horizonte(MG).  Uma verdadeira viagem a esse passado horrendo do Holocausto, que marcou nossas vidas e nossos livros de história para sempre.  A mostra está montada bem no hall de entrada do prédio onde funciona a faculdade (Rua Álvares Maciel, 628 – Santa Efigênia) e a entrada é gratuita.

Uma linha do tempo divide duas as histórias: A da pequena Anne e a do nazismo, ideologia que surge em meio a um cenário devastado na Alemanha – derrotada na Primeira Guerra Mundial e repleta de indenizações a pagar – em que a população se encontra desempregada e em extrema miséria, com todos se sentindo amargurados e com sentimento de vingança. Os painéis – muito bem feitos, por sinal, – contam, por meio de fotolegendas, a crise na Alemanha, as ações de Adolf Hitler e seu partido (NSDAP) e, paralelamente, a história de Anne, seu nascimento, sua família, sua vida escolar, e assim por diante.

De um lado, o ódio cada vez maior aos judeus, com os nazistas os responsabilizando por todos os problemas enfrentados pelo país, o crescimento absurdo dos seguidores do Hitler e seu destaque gradual nas eleições. De outro, a garotinha – que sonhava em ser escritora ou jornalista – vai crescendo, frequenta a escola com seus amigos alemães, até que, em janeiro de 1933, após a ascensão de Hitler no governo alemão, ela precisa emigrar às pressas para Amsterdã, na Holanda, junto com sua família. E é nesse cenário em que o diário começa a a ser escrito, anos mais tarde, em 1942, dentro de um esconderijo nos fundos da firma do pai, Otto Frank.

Frases impactantes – retiradas do diário de Anne Frank – são misturadas a imagens da menina de rosto meigo e a cenas da intolerância do nazismo, além de fatos históricos da Segunda Guerra Mundial. É tudo muito sufocante e inacreditável. Por mais que o assunto seja martelado em todo nosso período escolar, por mais que existam centenas de filmes relatando esse genocídio, estar diante dessa história será, sempre, perturbador. As imagens foram bem selecionadas e os textos que as acompanham seguem uma linguagem de fácil compreensão. É como mergulhar num livro de história bem didático. Além dos painéis, uma TV de frente a um pequeno sofá – no mesmo local – passa um documentário sobre o assunto, também mesclando a vida da garota ao acontecimento histórico.

Anne foi apenas uma menina que havia ganhado um diário num momento turbulento e, coincidentemente, gostava (e precisava) de escrever. Ela se tornou um símbolo do martírio judeu e da luta contra a intolerância, pela preservação da liberdade e dos direitos humanos, e por uma sociedade democrática e pluralista. Mas e todos os Betos, Thiagos, Celsos, Marias, Cristinas, Simones (não conheço nomes em alemão) que não tiveram a oportunidade (nem tempo) de contar (ou de viver) suas histórias? A essas seis milhões de vozes caladas eu dedico este texto.

A exposição “Anne Frank: uma história para hoje”, é apenas uma parte da exposição maior “Brasil e Holanda – Paz e Justiça – Refletindo sobre o passado, construindo um futuro melhor”. Há, ainda, uma seção que resgata a vida de João Maurício de Nassau e sua influência no Brasil no século 17 e outra sobre Haia,  conhecida como a Cidade Internacional da Paz e da Justiça. A visitação ocorre até o dia 31 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h às 21h, e aos sábados, de 8hs às 15hs. Recomendo!

Por Renata Stuart

A dor precisa ser sentida

Posted on by Renata Stuart in Desabafos | 3 Comments

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5 anos. É inevitável. Todo ano, passada a correria das festas de natal e reveillon – datas comemorativas que você tanto amava – vem à tona o eterno vazio deixado após o dia 4 de janeiro de 2009. Não que no resto do ano não nos lembremos de você, isso acontece a todo instante, principalmente nos momentos de felicidade, naqueles em que eu daria tudo, tudo mesmo, para você estar conosco…e fico imaginando suas reações, o que diria, como estaria. Mas é que mesmo tentando me desapegar de datas tristes e sombrias como a de hoje, não dá…E como dizem, a dor precisa ser sentida para, aos poucos, cicatrizar. No meu caso, a dor precisa ser escrita.

O pior momento da minha vida foi numa segunda-feira à noite, depois de uma virada de ano sem brindes, sem fogos, sem glamour… mas em quatro paredes de um hospital, quando você já estava sem conseguir falar pela  dificuldade na respiração…e com delírios em decorrência da enorme quantidade de morfina.  Apesar disso tudo, a tal “esperança industrializada” já poetizada por Drummond estava ali comigo, com “outro número no calendário e outra vontade de acreditar” que um novo ano poderia mudar o rumo das coisas, mudar o seu rumo, o nosso. Mas não, ainda que tenhamos suplicado, Deus não quis assim.

Doeu ter que deixar seu quarto naquele dia, algo me prendia ali, eu não queria ir embora de jeito nenhum, dormiria até no banheiro se pudesse, mas minha mãe insistiu que só ela e meu pai poderiam passar a noite ao seu lado.  Me despedi de você, disse que te amava, e falei que você não precisava fazer esforço para me responder. Pelo que sei, enquanto eu ainda estava no elevador, você se foi… E, no caminho de casa, eu chorava, chorava, chorava tanto, que, de alguma forma, eu deveria saber que você partiu. Me lembro que chovia muito e minha vontade era sair correndo na chuva sem rumo. Só quando cheguei em casa, meu irmão, fui saber, por meio de um telefonema do meu pai- que nunca, nunca vou esquecer, por mais que eu queira,-   que você esperou apenas eu sair do quarto para ir embora.

O resto você já deve saber. Eu quis morrer, gritei coisas que não devia para Deus e pensei que eu fosse enlouquecer. Ninguém estava preparado para perder você. Nunca estamos. Pedi a Deus até que você revivesse ou que tudo fosse um pesadelo terrível daqueles que a gente acorda chorando, suado, e aliviado. Mas não, era verdade. Verdade que eu só constatei ao voltar no hospital e encontrar sua cama vazia e procurar por você desesperadamente.

Hoje, às vezes ainda me pego procurando por você. Nas ruas, nos garotos levemente parecidos com você, ao lado dos seus amigos que cresceram numa velocidade absurda. Marcus, você é tão especial, meu irmão, que Deus estava precisando de você para outras missões muito além das que você realizou aqui. Hoje, não nos resta dúvidas, meu neném, você foi um anjo que por quinze anos nos amou com seu jeitinho tão puro, nos mostrou o que é felicidade plena e nos ensinou o valor das pequenas coisas. Nos fez rir, nos fez mais unidos, nos fez mais humanos.

Sinto sua falta de um jeito inexplicável e a dor, ainda que mais silenciosa, ainda é forte. Sinto falta da sua proteção de irmão, do ciúme disfarçado que você tinha de suas duas irmãs, da nossa infância gostosa, dos tombos de bicicleta, das diversas vezes que você, tão guloso e amante da culinária, já almoçava escolhendo o menú do jantar. Das confidências que você me fazia sobre suas paqueras, das vezes que eu te chamava de “meu lindo” ou “meu neném” no recreio da escola e te matava de vergonha perto dos seus amigos, das brincadeiras, das briguinhas, de poder cheirar você, de beijar sua orelhinha, de te abraçar forte, e de me gabar: “esse loiro lindo de olhos azuis, forte e alto, é meu irmão, meninas! Entrem na fila porque ele está crescendo”.

Você, meu irmão, além de lindo, era educado, brincalhão, meigo, cavalheiro  e muito inteligente. Tenho o maior orgulho de ser sua irmã. E agradeço a Deus por Ele ter escolhido a minha família para viver 15 anos com você. Sim, ainda que com essa lacuna, somos privilegiados por ter tido você em nossas vidas. Mas, confesso, ainda é surreal pensar que já se passou tanto tempo. Meia década é tempo demais. Não me pergunte como estamos aguentando, pois não saberei responder. É como eu disse certa vez, a força que acreditamos que não temos (e não temos mesmo) surge de algum lugar, como se a única opção fosse segurá-la e, então, a gente se segura nela e vai, meio que por impulso…

5 anos. Faz 5 anos que sofremos a dor da sua perda. Faz  anos que nossa casa respira a sua ausência, todo dia.  Que a sua alegria de viver não ilumina nossos dias. Faz 5 anos que estamos sem seu sorriso lindo e sua risada gostosa. Que não vemos um novo gesto seu e nem ouvimos uma nova palavra dita por você, o máximo de realidade que temos estão nas fotografias e vídeos. Exceto nos sonhos, quando tudo é inédito e parece que você realmente nos visitou. Faz 5 anos que a vida se tornou mais insegura diante dos meus olhos e faz 5 anos que, ao fechar os olhos para fazer uma oração, não sei mais pedir, mas só agradecer pela saúde das pessoas que amo. Enquanto seguimos a vida sem você, só nos resta acreditar que você está em um lugar lindo, infinitamente melhor que aqui, com seu carisma e sua bondade, olhando por nós lá de cima, pedindo a Deus para dar uma atençãozinha especial aqui.

*Saywer Forever! Te amaremos para sempre!

Marcus e Cia 15-1-2008 21-09-19

Por Renata Stuart

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